2009


Portefólio Reflexivo de
       Aprendizagens




              Laurentino João
              Cardoso de Barros
              28-05-2009
ÍNDICE




         IDENTIFICAÇÃO


             PESSOAL


  Laurentino João Cardoso de Barros



 DATA DE NASCIMENTO: 1 de Junho 1973



                        2
 NATURALIDADE: Lugar do Reguengo


        Freguesia de Alfena

        Concelho de Valongo

 Nº IRMÃOS: 11


 ESTADO CIVIL: Casado


 IDADE: 35 Anos


 FILHOS: 1 filha


 HABILITAÇÕES ESCOLARES: 6º Ano de Escolaridade


 ACTIVIDADE     PROFISSIONAL: Empresário na área da

  serralharia

 INTERESSES:       Desporto,       teatro,   leitura   de   jornais   e

  revistas, passear e conviver com a família




                INTRODUÇÃO

                                3
RAZÕES DA INSCRIÇÃO NO PROCESSO DE RVCC-

                           SECUNDÁRIO




 Porque defendo a mesma ideia, que está associada ao slogan

  do programa Novas Oportunidades.




 Para ver reconhecidos e validados os conhecimentos que

  adquiri   ao    longo   do   meu   percurso   pessoal,   formativo   e

  profissional.




                                     4
A MINHA HISTÓRIA DE


VIDA


                 INFÂNCIA DOS 0 AOS 6 ANOS

     O meu nome é Laurentino João Cardoso de Barros, filho de

João Rodrigues de Barros e Esmeralda da Costa Cardoso.




                           Foto dos meus pais

     Nasci no lugar do Reguengo, freguesia de Alfena, concelho de

Valongo, no dia 1 de Junho 1973. Sou o 7º de 12 filhos: 7 rapazes e 5

raparigas. A minha infância, como quase toda a minha vida, foi

passada em Alfena. Posso dizer que apesar de ter uma família

numerosa e pobre, tive uma infância muito feliz. Visto que as

diferenças de idades, entre nós, irmãos, eram em média 1 ano, foi

favorável em termos de organização familiar.




                                    5
Vivia numa casa muito grande e com um grande terreno de

cultivo e pinhal, onde juntamente com os meus irmãos, amigos e

vizinhos brincávamos e aprendíamos uns com os outros. Com os mais

velhos, entre outras coisas, aprendi a fazer cabanas. Cortávamos

estacas, das Austrálias e das Mimosas, para fazer a estrutura da

cabana, amarravam-se com fios e cordas, depois com os ramos das

árvores cobria-se a cabana, de forma a ficar bem vedada.

      Brincávamos aos casais, os mais pequenos eram os filhos e

cada casal escolhia os seus. Fazíamos de conta que organizávamos

festas,   lanches.   Também,       organizávamos   jogos,   tais     como:

escondidas, cabra cega e caçadinhas.

      Como    é   normal   nesta    idade,   também   aprendi      algumas

traquinices, a minha preferida era fazer armadilhas. Recordo-me que

uma vez enchi um saco com pedras e meti-o por cima do tronco de

um sobreiro amarrado com um fio, para que, quando alguém se

aproximasse da minha cabana, pela parte da frente, tocava no ramo

que segurava o saco e levava com as pedras em cima da cabeça.

Certo dia tive azar, a minha avó que andava sempre a ver se

estávamos a fazer asneiras, foi ao pinhal aproximou-se da minha

cabana e levou com o saco das pedras na cabeça.

      Nesse dia levei uma tareia do meu pai e aprendi uma grande

lição. A lição que aprendi foi que podia brincar, mas sem fazer mal às

outras pessoas, ou seja, sem fazer asneiras. Naquele dia, podia ter

magoado a minha avó com gravidade. Esta situação fez-me entender




                                       6
que nós devemos respeitar toda gente, principalmente os mais

velhos.

          Nós adorávamos brincar ao ar livre, mas sabíamos que

tínhamos que cumprir certas regras: não podíamos estragar as terras

de cultivo da minha avó e não se podia cortar todas as árvores do

pinhal. A regra mais importante era que havia horas para brincar e

estudar.

         Aos 5 anos, tive uma breve passagem, de apenas alguns

meses, pelo infantário do centro social e paroquial de Alfena. No

início chorava muito, pois não gostava de ir para lá. Estava habituado

a gozar da liberdade e não compreendia porque tinha de ficar

fechado, ter de obedecer a regras e horários, se tinha casa para

estar.


         A LIBERDADE


         Conforme vamos crescendo, vamo-nos apercebendo de valores

importantes como é a liberdade.

         A liberdade é a capacidade que os indivíduos têm de escolher,

sem restrições, de fazer ou deixar de fazer alguma coisa, em virtude

da sua determinação, sem interferir com a liberdade dos outros.

         A liberdade de cada um depende de muitos factores, ou seja, é

regulada pela organização política da sociedade, normas de conduta

e pressões sociais decorrentes das tradições, costumes e padrões

culturais predominantes nas comunidades onde vivemos.




                                       7
Em conclusão, a liberdade é a capacidade individual de

autodeterminação, caracterizada por conciliar a autonomia e o livre-

arbítrio com os múltiplos condicionantes naturais, psicológicos ou

sociais que impõem tendências ao agir das pessoas. É a capacidade

de pensamento, escolha e acção dos humanos, mas para que

vivamos numa sociedade harmoniosa, teremos sempre de respeitar

os outros e cumprir as regras prevista na lei.

      Nessa época, já éramos 10 irmãos e as dificuldades financeiras

eram muitas, apesar de os meus irmãos mais velhos ajudarem a

minha mãe monetariamente.

      Os meus irmãos também colaboravam com a minha mãe nas

tarefas domésticas, porque ela era muito doente e não podia tomar

conta de tantas crianças. Para além disso, ainda trabalhava em casa

e na confecção de roupa. De facto, foram tempos vividos com muitas

dificuldades.

      A minha mãe estava sempre doente, passava muito tempo

internada nos hospitais, com dores nas pernas, dificuldade no andar,

cansaço, dificuldades respiratórias e durante muitos anos pensava-se

ser tuberculose, no entanto, não era, e os médicos não sabiam qual a

sua doença.

      Por diversas vezes, a minha mãe esteve internada no Hospital

S. João, no Sanatório no Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, e

no   Hospital   Joaquim   Urbano.   Contudo,     no   ano   1986,   foi-lhe

diagnosticada sarcoidose, uma doença rara que, quando lhe foi

diagnosticada, só havia conhecimento de dois casos em Portugal.


                                      8
INFÂNCIA DOS 6 AOS 12 ANOS


     Aos 6 anos entrei para a escola primária de Cabêda, em Alfena.

A minha primeira professora chamava-se Olinda, uma excelente

profissional, com quem aprendi muito.

     Guardo boas recordações da D. Olinda lembro-me dela com um

grande carinho, pois foi um pilar muito importante na minha vida.

     Estive com a professora Olinda até concluir a 3ª classe, ano em

que reprovei devido ao elevado número de faltas justificadas. O

motivo das faltas foi doença, na sequência de um acidente doméstico.

     O acidente doméstico ocorreu em casa, depois das aulas. Como

éramos muitos irmãos jogávamos à bola, uns descalços outros com o

que houvesse para calçar. O meu irmão mais velho, o José Carlos,

calçava uns tamancos/socas de madeira do meu pai, ao chutar a bola

soltou-se um tamanco do pé, foi pelo ar e caiu em cima da minha

cabeça. De imediato desmaiei e fiquei com um grande golpe na

cabeça.

     Após o sucedido, o meu pai levou-me a um enfermeiro que me

coseu a cabeça, mas o ferimento não foi bem tratado e infectou.

Penso que o enfermeiro se fosse um bom profissional teria rapado os

cabelos em redor da ferida e lavado com bastante água oxigenada ou

outro desinfectante, um procedimento que não teve. Também deveria

ter aconselhado os meus pais a levarem-me a um hospital para ser

observado por um médico. Assim sendo, o que aconteceu foi que o

                                     9
golpe foi piorando cada vez mais. Na sequência do acidente e da falta

de cuidados médicos fiquei com uma grande e feia infecção, que me

provocou muitas dores durante algum tempo. Constantemente a

infecção reaparecia, dirigia-ma à clínica, onde a lancetavam, mas

passados alguns dias surgia uma nova infecção, situação que se

repetiu por várias vezes. O local onde vivia era propício a infecções

devido às más condições financeiras, que se traduziam em higiene

deficiente e fraca alimentação. O meu pai tinha uma oficina de

serralharia em casa, local onde trabalhavam muitos empregados e

tinha    muito   trabalho,   mas   apesar   de   ganhar   muito   dinheiro,

infelizmente, também gastava muito.

        Estive sem frequentar a escola durante mais de 3 meses.

Quando lá regressei, ainda, tentei recuperar o tempo perdido, com a

ajuda da professora Olinda. Cheguei a ir alguns dias, depois das

aulas, para casa da professora que morava em Ermesinde, estudar

para tentar recuperar o ano, mas não foi possível e reprovei.

        No ano seguinte, fiquei na 3ª classe com a professora Luísa.

Não gostei muito desta professora porque era má, gritava e batia

muito nos alunos, era o oposto da professora Olinda, que era muito

boa para os alunos. Esta experiência permitiu-me aprender que duas

pessoas com a mesma profissão, apesar de desempenharem o

mesmo trabalho, procedem de forma diferente. Todavia, apliquei-me e

conclui a terceira e a quarta classe com sucesso e passei para a

escola preparatória.




                                       10
Frequentei a escola preparatória do Barreiro, em Alfena, onde

concluí o 5º e 6º ano. Gostei desta escola porque conheci novos

colegas e muitos professores. Na escola preparatória havia mais

liberdade e tínhamos muitos intervalos, mas tinha uma grande

desvantagem, a grande distância que separava a minha casa da

escola. Este factor fez com que tivesse de almoçar na escola e menos

tempo para fazer os trabalhos escolares.

     Com a idade que tinha já mostrava alguma responsabilidade e

depois das aulas, chegava a casa e ia para a oficina do meu pai

trabalhar. Na oficina do meu pai faziam-se bancos e mesas em tubo.

Normalmente, era eu que fazia as pernas dos bancos. Para as fazer

utilizava um balancé manual que tinha um molde em que se metia o

tubo que estampava e curvava até ficar em forma de U. Depois

uniam-se os dois U’s em cruz com soldadura de eléctrodo para fazer

as quatros pernas. De seguida, fazia quatro furos em cada banco com

o berbequim, para apertar com parafusos o tampo de madeira. A

seguir, com uma pequena rebarbadora, rebarbava as soldas e

rebarbas dos tubos para não magoar as mãos.

      Costumávamos fazer, também, grades e portões de ferro. Para

este tipo de trabalho eu cortava cantoneiras, barras, ferros t e ferros

U numa grande tesoura com o molde do próprio ferro. Também usava

a forja com carvão para aquecer o ferro em brasa, para puder fazer

as peças decorativas das grades e portões.

      A determinada altura, preferia mais trabalhar na oficina, do que

fazer os trabalhos de casa. Ainda me lembro, como se fosse hoje,


                                     11
que no final do primeiro mês de trabalho na oficina, nas férias de

verão, fui surpreendido pelo meu pai com um envelope que continha

duas notas de quinhentos escudos. Fiquei felicíssimo e comecei a dar

mais valor ao dinheiro e importância ao trabalho.

     Naquele tempo tudo era manual, havia poucas máquinas, mas

eu não me importava. Eu gostava de experimentar e trabalhar com as

máquinas que existiam. Com 11 anos já cortava ferro, fazia furos,

rebarbava e soldava ferro.

     Além de ajudar o meu pai na oficina, trabalhava no campo com

a minha avó e os meus irmãos mais velhos. Nós criávamos alguns

animais para o consumo doméstico, tais como: galinhas, patos,

porcos, coelhos e tínhamos um viveiro com rolas e pássaros.

Tínhamos coelheiras e galinheiros feitas em madeira, onde se

criavam coelhos, galinhas, patos e, onde nasciam novas crias.

Existia, também, uma corte para os porcos passarem a noite e os dias

de Inverno com muita chuva. Nos dias de sol, as galinhas, os patos e

os porcos andavam à solta no quintal. Eram criados em liberdade, o

que fazia com que as carnes fossem mais saudáveis e de melhor

qualidade.

     A minha experiência na agricultura e pecuária fez-me nutrir o

gosto pela vida rural. Ainda hoje mantenho a minha horta, onde

cultivo as minhas sementes e verduras, tenho também o meu

galinheiro com galinhas, coelhos, patos e duas cabras.

     Fui uma criança que cresceu um pouco à força, mas feliz. Na

minha infância estudei, trabalhei e apesar de todas as adversidades


                                     12
da vida, conclui o ensino preparatório com distinção, porque era bom

aluno.

        Todos os anos, em Fevereiro, alugo um tractor agrícola, para

lavrar e fresar as terras. Actualmente, tudo isto é possível, graças a

uma grande evolução, que tem havido nos equipamentos agrícolas,

nomeadamente nas máquinas e alfaias agrícolas, como, por exemplo,

as fresas a estrutura das fresas é fabricada em aço macio, um

material ferroso e que contem no máximo, 0.3 % de carbono e outros

elementos considerados como impurezas. O aço é fácil de trabalhar,

manualmente ou à máquina, solda-se facilmente e é caracterizado

pela baixa tensão de rotura e elevada ductilidade, trabalhado a frio

aumenta a resistência e reduz a ductilidade, que pode ser recuperada

por recozimento.

         As facas da fresa, também, são fabricadas em aço, para

garantir uma maior resistência ao choque e ao desgaste, podem ser

submetidas a tratamentos térmicos, particularmente à têmpera, um

tratamento térmico que confere mais dureza ao aço. O processo

consiste no aquecimento de uma peça a uma elevada temperatura,

designada       por   temperatura   de   têmpera.   A   peça   é   arrefecida,

rapidamente, em seguida, ao ser mergulhada num fluído como a

água,    óleo    etc.,   quando   temperado,   obtém-se    uma     peça   com

superfície dura e resistente ao desgaste.




                                          13
Alfaia agrícola (fresa)

     A terra é lavrada e fresada, manualmente, com a enxada, são

abertos os regos na terra e semeio batatas, favas, ervilhas, feijão

entre outros produtos. Também, abro os regos com a enxada, planto

couves, tomateiros, pimenteiros, pepinos e cebolo.

     À   medida   que   os   produtos    agrícolas     vão   crescendo,   as

plantações são regadas e tratadas. Removo as ervas daninhas, mexo

a terra e aconchego-a às plantas com uma pequena enxada ou sacho.

No momento certo, costumo deitar os produtos químicos, tais como,

sulfato, venenos para escaravelhos e caracóis, necessários para que

a horta cresça, sem nenhum problema. Tal como, a minha avó dizia: “

fazer os deveres à horta”.

     Como sou uma pessoa que se preocupa com o meio ambiente,

esforço-me por preservá-lo. Sempre que utilizo pesticidas, manuseio

as embalagens com precaução e leio com muita atenção os rótulos

dos produtos. Assim sendo, considero que tomo todas as precauções

necessárias.

     Na preparação das caldas dos pesticidas, lavo muito bem as

embalagens vazias e guardo-as em local seco, fora do alcance das

crianças. No final de todos os tratamentos feitos às plantações, faço


                                        14
a entrega das embalagens vazias, na Cooperativa de Agricultores de

Valongo, onde são organizadas, anualmente, campanhas de recolha

de embalagens vazias de produtos químicos utilizados na agricultura.

     Campanha de Recolha de Embalagens Vazias

de Produtos Fitofarmacêuticos



     PRÓXIMO PERÍODO DE RECOLHA: 2 DE MAIO A 2 DE

JUNHO DE 2009




     Na preparação da calda utilizo a água da lavagem das

embalagens, para não a escoar na terra. Tenho muito cuidado no seu

armazenamento, coloco-a em local seco, arejado e, principalmente,

fora do alcance das crianças e animais. Deste modo, evito a

contaminação dos caudais de água. Também, preocupo-me em não

fazer queimadas, com as ramas das plantações e a poda das árvores.


           ADOLESCÊNCIA DOS 13 AOS 18 ANOS


     Com 13 anos de idade, feitos recentemente e após sair da

escola, comecei a trabalhar com o meu pai, primeiro na sua oficina e

depois na montagem de portas e janelas nas obras.

      A montagem de portas e janelas era um trabalho diferente,

daquele que fazia na oficina. As janelas e as portas chegavam às

obras nos camiões e, eram descarregadas e distribuídas pelos vários

andares   dos   edifícios.   Depois,   colocávamos,   individualmente,

mástique na ombreira e soleira da janela ou porta, para esmagar com


                                       15
o alumínio, de modo a obtermos uma boa vedação. Em seguida,

fazíamos os furos nas ombreiras, com um berbequim de furar pedra e

apertávamos os parafusos. Quando a janela ou porta estava bem fixa,

procedia à sua vedação, com mástique e efectuava os acertos finais.

       Na época, estabeleci contactos com outras pessoas, ligadas à

área   da       serralharia    e    construção    civil,   pessoas     com    vastas

experiências pessoais e profissionais. Estes novos contactos foram

bons para mim, porque aprendi a relacionar-me mais e melhor com as

outras pessoas e, também, a conhecê-las.


       O ALCOOLISMO


       Entretanto,      o     meu    pai   devido    a     problemas    de   saúde,

relacionados com o álcool, teve um esgotamento e foi internado no

Hospital Conde Ferreira. Esta doença condicionou, de certa forma,

todo o seu futuro.

       Durante muitos anos, convivi, indirectamente, com um caso de

alcoolismo. No início, a família não colocava a hipótese de ser tratar

de alcoolismo. Apenas, achávamos que o meu pai bebia um pouco

demais      e    justificávamos     como    causas       mais   prováveis    para   o

problema, questões de ordem financeira e emocional.

       Com o passar dos anos, após alguns internamentos e às

situações a agravarem-se, começámos a aceitar o facto de o meu pai

ter um problema grave de alcoolismo, uma doença que o começou a

atacar de uma forma lenta, disfarçada e que o levou à destruição.




                                             16
Não só lhe afectou o corpo, como também a mente, a família e a sua

vida social.

      Quando alguém é dependente do álcool, é-lhe muito difícil viver,

sem a sua regular ingestão, porque o organismo fica dependente

desta substância.

      O consumo excessivo do álcool acarreta graves consequências

para saúde do doente e da sua família, também é o grande causador

da maioria dos acidentes de trabalho e viação. As consequências

mais comuns na saúde são a cirrose hepática e ascite, conhecida por

barriga de água, entre outras.

      Hoje em dia, penso que o alcoolismo é um problema grave que

existe na nossa sociedade não só nos homens, mas entre as

mulheres e, cada vez mais, nos jovens.

      As pessoas bebem bebidas alcoólicas, porque estão contentes

ou querem ficar e pensam que agindo desta forma são bem aceites

pela comunidade. A explicação está no facto de o álcool provocar

desinibição.

      O alcoolismo é uma dependência que apenas com muitas

campanhas de prevenção e sensibilização, principalmente, junto das

camadas mais jovens da população, é que poderá vir a ser

erradicada.




                                    17
O     QUE     APRENDI       NA        SERRALHARIA        LEONEL


BARANDELA

     O meu irmão mais velho, o José Carlos, com 19 anos de idade,

abandonou a empresa e levou-a ao encerramento, por não se sentir

preparado para avançar com o negócio do nosso pai.

     Dadas as circunstâncias, fui trabalhar para uma empresa de

serralharia no Porto, a Leonel Barandela, Lda. Estive ao serviço da

empresa, aproximadamente, três anos, local onde aprendi a trabalhar

com maquinaria moderna, nomeadamente com a máquina de corte de

disco, semi-automática; a máquina de cravar cantos das esquadrias

das caixilharias; a máquina de fresar e a máquina de fazer curvas em

alumínio lacado ou anodizado. Para além destas, utilizava a máquina

de corte, de disco, semi-automática, em que se colocava o perfil com

seis metros, encostava no batente com a medida a cortar, carregava

num botão e o disco subia, automaticamente, para efectuar o corte.

     A máquina de fresar, também ela, semi-automática, em que se

colocava o perfil na posição a fazer os rasgos para fechaduras,

dobradiças, fechos e furos. Então, colocava os batentes de matriz e a

máquina automaticamente efectuava todos os rasgos e entalhes.

     Na máquina de cravar cantos das esquadrias das caixilharias,

colocava-se   um   canto   em   alumínio    maciço,   no   interior   das

esquadrias, que encostava na matriz, carregava no pedal e o canto

era cravado com uns punções que se faziam movimentar, através de

uma bomba hidráulica.



                                      18
A máquina de fazer curvas em alumínio lacado ou anodizado

funcionava com rolos de nylon, para não arranhar o alumínio, os rolos

eram ajustados em função do perfil e do raio de curva a fazer. Assim,

carregava num pedal que fazia movimentar os rolos, para traz e para

frente, e o perfil deslizava de forma a ganhar a curva.

      Toda a maquinaria que utilizei era adequada para a concepção

de caixilharia de alumínio, tais como janelas, portas, marquises bem

como outras peças de serralharia.

      As caixilharias que, anos antes, eram feitas de matérias-primas

como a madeira e o ferro, por serem mais baratas, passaram a ser

feitas, cada vez mais, em alumínio, porque garante mais durabilidade,

um melhor isolamento térmico e acústico, sem necessidade de

tratamentos posteriores, como pinturas e envernizamento.

      Nos dias de hoje, já existem melhores caixilharias, concebidas

com novos perfis de ruptura térmica e com a possibilidade de opção

por cores diferentes, no interior e exterior.

      Foi na empresa Leonel Barandela, Lda., que comecei a

desempenhar, nas obras, algumas funções de responsabilidade, tais

como: recepcionar e conferir materiais, como, por exemplo, caixilhos,

massas de vedação, acessórios e ferramentas que chegavam à obra

com a respectiva guia de transporte e de serviço; tinha de identificar

através dos desenhos de projecto da especialidade o que se ia

aplicar nos caixilhos, se era de abrir, de correr ou fixo, bem como a

posição de abertura das portas e janelas; efectuar contacto com o

encarregado geral da obra, de forma a tomar conhecimento do


                                       19
funcionamento da obra e das normas de segurança no local de

trabalho; distribuir as tarefas a efectuar pelos restantes colegas de

trabalho; e dar diariamente conhecimento à empresa do andamento

dos trabalhos.

       O voto de confiança dado pelo meu patrão, deveu-se à

experiência que tinha adquirido com o meu pai e irmãos mais velhos.

O meu patrão atribui-me a responsabilidade das montagens das

caixilharias de alumínio nas obras dos edifícios, em vila d’este, em

Vila Nova de Gaia, entre outras.


       ENTRADA PARA A EMPRESA BERNARDO COUTO


       Na época, como já demonstrava ser muito responsável e com

capacidade para executar qualquer trabalho fui convidado para

trabalhar noutra empresa, a ganhar o dobro do salário. Esta empresa,

a Bernardo Couto Lda., com sede no Monte da Caparica, no Concelho

de Almada, estava ligada ao ramo da construção civil e obras

públicas.

       Antes de aceitar a proposta, fui falar com o meu patrão, o Sr.

Leonel e expliquei-lhe as minhas razões, ou seja, que pretendia ir

mais    além,    ganhar   mais     dinheiro,   mais   experiência,   mais

conhecimento,     conhecer   novas     pessoas   e    outros   lugares   e,

principalmente, aprender a fazer outros trabalhos.

       O Sr. Leonel até me ofereceu mais dinheiro, mas as questões

monetárias, como já referi, até nem eram as mais importantes, e

perante tais fundamentos o meu patrão ficou convencido com os


                                       20
meus argumentos e com a minha determinação em mudar. Achou que

fui sincero e que era digno desta nova oportunidade, assim sendo,

prescindiu do comprimento do tempo de dois meses a dar à casa,

com o acordo de eu prescindir de ser ressarcido de alguns dos meus

direitos e pagando-me apenas os subsídios de férias e de Natal do

ano a decorrer. Mas, apesar de tudo, deixando-me a porta da sua

empresa sempre aberta, a um possível regresso da minha parte. O

que não se chegou a verificar, mas ainda hoje tenho boa relação com

o Sr. Leonel Barandela.

     Na nova empresa Bernardo Couto Lda. trabalhava o meu

cunhado Orlando Nova e, um irmão mais velho, o António João.

Estive na empresa durante ano e meio, e desempenhei várias

funções. Fui soldador na Siderurgia Nacional e na Quimigal, durante

empreitadas de manutenção, chamadas de paragens em sectores

específicos de produção das fábricas.

     No caso concreto, da Siderurgia Nacional, em paragens de uma

semana, trabalhávamos 24 sobre 24 horas, de modo a ser feito o

mais rápido possível. Uma vez que parava um forno e toda linha de

lingotes de ferro, para ser feita a manutenção e reparação das

estruturas, carros de transporte e tapetes e carril das pontes rolantes.

Onde com soldadura, fazia o enchimento e correcção, pois derivado

ao calor existia um maior desgaste dos materiais circundantes ao

forno e ao transporte dos ferros em brasa.

     Na Quimigal, as empreitadas eram, principalmente, quando por

avaria dos silos, rolos dos tapetes de transporte e enchimentos de


                                     21
adubos e outros químicos, tínhamos de trabalhar dias e noites

seguidos, se necessário, para fazer as reparações, de forma a

minimizar os prejuízos da paragem. Este trabalho era um pesado,

mas melhor renumerado.

      Nestas empreitadas, só utilizei a soldadura com eléctrodos

revestidos, pois na época, ainda, eram poucas as empresas com

equipamentos para todo o tipo de soldaduras, por serem muito caros

os postos de soldadura. Contudo, ao longo dos últimos anos, fui

adquirindo conhecimentos para a utilização de todos os equipamentos

que executam todos os tipos de soldadura.

      Ao serviço desta empresa, aprendi e trabalhei com várias

máquinas pesadas, tais como tractores, retroescavadoras, moto

niveladoras, autobetoneiras e gruas.

      Para operar com estas máquinas, assisti a várias acções de

formação no local de trabalho, dadas pelos técnicos da marca e pelo

pessoal da empresa.

      As formações tinham como objectivo a boa utilização das

máquinas, ensinavam-nos a conhecer e a respeitar as normas que

garantiam a segurança dos equipamentos, operadores, terceiros e

bens existentes no local.

      A utilização das máquinas exigia o respeito das normas de

segurança, previstas para termos em consideração antes da sua

utilização e para isso tinha sempre de consultar o livro de instruções.

Este guia ensinou-me como testar a pressão dos pneumáticos; a fazer

a   verificação   do   bom   estado   dos   engenhos   de   trabalho;   nas


                                       22
manobras, a evitar movimentos bruscos e a manter ligadas as luzes

de indicação de máquina em movimento; a usar cinto de segurança;

e, capacete de protecção.

     A empresa Bernardo Couto Lda. estava mais vocacionada para

obras públicas, aterros e desaterros. Eram, essencialmente, obras de

duas a quatro semanas. Por exemplo, em certas ruas, era necessário

passar cabos e tubagens para a rede de telecomunicações e eu

costumava operar nessas obras, com várias máquinas diferentes.

Tanto usava o tractor, com um engenho de furar terra para a

colocação de postes; a moto niveladora para a nivelação de terras

nas estradas, ruas e caminhos de passagem de cabos e tubos; como

a retroescavadora para abrir e tapar as valas de passagem dos cabos

e tubagem; usava a auto betoneira, onde se fazia a massa e

transportava para construção e reparação de passeios; bem como

gruas para descarga de materiais pesados e a máquina de alcatrão

betuminoso, onde se colocava o bidão de 200 litros de alcatrão numa

caldeira para aquecer e derreter, que depois com a gravilha, ou seja,

com pequenas pedras se tapava os buraco nas ruas.




                               ADULTO


     Quando fiz 18 anos comecei a tirar a carta de condução.

     Como estava a trabalhar no sul do país, vinha ao norte ao fim-

de-semana, apenas uma vez por mês. A minha namorada vivia em



                                    23
Ermesinde e comecei a ficar cansado da vida longe de casa e com

saudades da namorada e da família.

      Entretanto, faleceu o pai da minha namorada Mónica, hoje

minha mulher, porque já estava doente há algum tempo. Este

acontecimento influenciou e acelerou, de certa forma, o meu regresso

ao norte.

      Resolvi voltar às origens e fui trabalhar para a serralharia da

fábrica da igreja de Alfena, durante alguns meses. Enquanto lá estive,

tirei a carta de condução, na escola de condução valonguense, em

quatro meses.

      Na época, trabalhava na fábrica da igreja durante o dia e à

noite em casa, num pequeno espaço. Comecei a fazer alguns

serviços de serralharia para pessoas conhecidas e como o meu

trabalho foi reconhecido, comecei a angariar novos clientes e muito

trabalho para fazer.


      EMPREENDORISMO I


      O reconhecimento do meu trabalho, levou a que no início do

ano de 1992 ficasse em casa e criasse uma empresa em nome

individual, na área de serralharia.

      Com o objectivo de iniciar actividade, desloquei-me ao serviço

de   finanças   de     Ermesinde,     onde   tomei   conhecimento   dos

procedimentos a ter. Com a ajuda de um contabilista, reuni toda a

documentação necessária e ultrapassei todas burocracias próprias do

nosso sistema fiscal, que naquele tempo eram muito maiores do que


                                       24
hoje e, assim, nasceu a serralharia de construção civil de Laurentino

João Cardoso de Barros.

       Como no primeiro ano a facturação prevista não era superior a

2000    contos,   iniciei   a   actividade    no    regime     de   isenção   do

Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA), no entanto, no ano

seguinte passei ao regime de IVA, a ser cobrado ao cliente. Na

época, o imposto era 16%, taxa que tem sofrido vários aumentos, por

parte da administração fiscal, nos últimos anos.

       O negócio cresceu em pouco tempo e fui forçado a recrutar o

meu irmão Júlio José para trabalhar comigo. O Júlio tem menos três

anos do que eu e, actualmente, é meu sócio.

       Fui adquirindo maquinaria, pois da oficina do meu pai não

restou nada, inclusive as instalações, que foram alugadas, alguns

anos antes, a um indivíduo para uma oficina de automóveis.

       O negócio da serralharia cresceu rapidamente e fui ampliando

as instalações, já que terreno não faltava na casa dos meus pais.

       Esta fase da minha vida foi muito complicada, porque passei

por muitas dificuldades. Como era jovem tive muitos falsos amigos

que    tentaram   desviar-me     para   maus       caminhos.    Propunham-me

grandes negócios duvidosos e de risco elevado, também, aliciavam-

me para comprar carros, jogar e a frequentar bares nocturnos. Mas

não me deixei influenciar, porque já tinha assistido à queda da

empresa do meu pai, por causa de não ter tido cabeça e ter sido

influenciado pelos falsos amigos. A experiência de vida do meu pai




                                         25
serviu-me de exemplo a não seguir e decidi que não queria acabar

como ele.


     SERVIÇO MILITAR


     O ano de 1992 foi muito importante, pois passei por várias

experiências, umas boas e outras más. Criei e desenvolvi a empresa,

mas no final do ano soube que iria cumprir o serviço militar

obrigatório. Esta situação foi muito estranha para mim, porque nas

listagens afixadas na sede da junta de freguesia, entre tantos jovens

meus colegas de escola e infância, fui o único a ir cumprir serviço

militar. Ainda por cima, tinha de me apresentar no dia 11 de Janeiro

de 1993, no Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS).

      Tive pouco mais de duas semanas para me habituar à ideia de

ir cumprir o serviço militar e para resolver o problema do trabalho que

tinha para realizar, que era bastante. O serviço militar não foi mau de

todo, pois aprendi muito. O RALIS era um regimento de formação de

condutores, apliquei-me nas aulas de condução teórico-práticas e de

mecânica, acabei por tirar a carta de condução de pesados e

autocarros, com alguma distinção,

     Passada a fase da recruta que durou onze semanas, fui

destacado para cumprir o restante serviço militar no quartel de

Queluz. Neste quartel fiquei, então, destacado para condutor de

serviço de transporte de militares graduados num autocarro de

carreira diária com a volta de Setúbal.




                                     26
Como condutor do autocarro tinha a responsabilidade de, ao fim

do dia, levar os militares residentes na margem sul do Tejo, ou seja,

da Costa da Caparica até Setúbal e pernoitava no quartel da Trafaria,

no   concelho      de   Almada.    Também,    neste   local   a   viatura   era

parqueada.

      Na manhã do dia seguinte, por volta das seis horas, fazia a

volta no sentido contrário. Realizei esta tarefa até ao final do meu

serviço militar.




                                                  Foto de militar.



      O meu irmão Júlio José que trabalhava comigo, só tinha 16

anos e, embora, soubesse fazer o trabalho, porque era como eu

aprendia muito bem, havia um problema, não tinha idade para ter

carta de condução e para se deslocar às obras.

      Sabia que não podia contar com o meu pai, que tinha a saúde

muito debilitada, para a resolver problemas, nem com os meus irmãos

mais velhos que já tinham os seus empregos e tive que admitir um

funcionário,    para    conduzir   a   carrinha   com   os    materiais     nas

deslocações para as obras, durante os dias de semana.


                                         27
Ao fim-de-semana, não era necessária a colaboração do

funcionário, porque eu regressava ao final da tarde de sexta-feira.

Trabalhava na noite do dia da chegada, no sábado, durante todo o dia

e, às vezes, ao domingo para conseguir fazer as obras.


     ORÇAMENTOS


     Para além das tarefas de um serralheiro, também, fazia

orçamentos. Após o primeiro contacto com o cliente que me pedia um

orçamento, deslocava-me ao local da obra, para fazer as medições do

trabalho a realizar. Regressava a casa e na oficina fazia um

levantamento dos materiais necessários para a execução do trabalho,

bem como, o tempo da mão-de-obra dispendida na fabricação e

montagem.

     Na elaboração do orçamento somava as despesas, como a luz e

o desgaste das máquinas, posteriormente, acrescentava uma margem

de lucro de 30%, o respectivo IVA e chegava ao valor total.

     Num livro de orçamentos escrevia, manualmente, a descrição

da obra, assim como o seu valor, colocava as condições de

pagamento e prazos para conclusão dos trabalhos, assinava e

colocava o carimbo.

     Por último, o orçamento era entregue em mãos ao cliente que,

às vezes, decidia na hora e outras optava por me contactar

posteriormente. Também, visitava os clientes, preparava e planeava o

serviço a realizar durante a semana.




                                       28
Na    minha     vida   privada,   também   elaboro    orçamentos,

nomeadamente o orçamento do meu agregado familiar.

     As   receitas   referem-se,   essencialmente,   aos   vencimentos

salariais, o meu e o da minha mulher.

     As despesas são divididas em dois tipos, as despesas fixas e

as despesas variáveis.

      As fixas são aquelas que ocorrem todos os meses, e por isso,

são previstas com antecedência. Por exemplo: a ama da nossa filha,

a alimentação, a água, a luz, o gás, as comunicações (telefones e TV

por cabo), gastos com combustível, manutenção e limpeza jardins.




                                       29
Orçamento Familiar

      RECEITAS
      As Vencimentos
         variáveis serão aquelas que não ocorrem todos os meses, e
      Laurentino Barros          1.260 €
      Mónica Martins             656 €
         Abonos
      Andreia Barros             31 €
      Total rendimentos          1.957 €

     DESPESAS
Despesas

fixas
Alimentação, Supermercado,

Talho, Peixe                       400 €
Produtos Higiene e Limpeza         100 €
Ama – Andreia                      80 €
Água                               40 €
Gás                                20 €
Electricidade                      70 €
Comida do Cão                      60 €
Seguros                            27 €
Telefones + TV Cabo +

Internet                           80 €
Jardim     Manutenção        e

Limpeza                            80 €
Quotizações a Associações          17 €
Combustível                        65 €

Despesas

variáveis
Compra de Roupa                  120 €
Ida ao Cinema, Teatro e

Exposições                       70 €
Assistir a    Jogos     de

Futebol                          80 €
Compra de CDs, DVDs,

Livros e Revistas                60 €
Manutenção Automóvel             70 €
Idas ao Cabeleireiro             35 €
Saúde      Consultas     e

Tratamentos                      90 €
Restaurantes                     14030€
     Total das Despesas          1.704 €
POUPANÇAS
Como a minha família é constituída por três elementos e com

diferentes     necessidades      individuais,   as   despesas     têm    de     ser

planeadas em conjunto. Tendo em conta o nosso orçamento familiar,

frequentemente, em reuniões de família projectamos, discutimos e

decidimos conforme as medidas a tomar.

        Temos em sempre em consideração, as várias possibilidades de

novos      investimentos,    mas   consideramos      em    primeiro     lugar   as

despesas prioritárias, tais como, a educação, a formação, o bem-

estar e a saúde da família. Deixando, assim para segundo plano, os

desejos e as outras necessidades supérfluas de cada membro da

família.

        Com a colaboração de todos os membros da família, chegamos

a um consenso, em relação às nossas necessidades e alcançamos,

da melhor forma possível, os nossos objectivos do orçamento, sem

nos esquecermos da nossa estabilidade financeira.

        Alcançados os nossos objectivos do orçamento e após análise,

fazendo algum esforço financeiro e reduções em algumas despesas

pontuais, poderíamos subscrever um PPR- plano de poupança

reforma.

        Assim, dependendo da instituição e do produto que se quer

pode-se      subscrever     um   PPR   com      apenas    150€,   reforçando     a

poupança com entregas periódicas mínimas mensais de 50€. As taxas

de juros garantidas resultantes deste tipo de poupança, podem rondar

os 2.5% e os 3%, conseguindo-se assim, cada vez mais, um




                                          31
importante complemento á reforma, a fim de se evitar depender ou

usufruir dos rendimentos dos filhos no futuro.

          No caso concreto da minha família, não subscrevemos nenhum

tipo de PPR porque estamos a fazer outras poupanças, no sentido de

fazer obras de ampliação da nossa casa, em virtude do projecto

actual, que é a de ter mais um filho, mas é uma possibilidade no

futuro.

      Actualmente, os únicos produtos que temos numa instituição

bancária pertencem à nossa filha, uma conta a prazo, poupança caixa

projecto. O capital só pode ser levantado quando a nossa filha tiver

18 anos. Nesta poupança, colocamos o abono a crianças e jovens,

bem como as ofertas por parte dos familiares e amigos que são feitas

à Andreia, no seu aniversário e épocas festivas. Estas aplicações irão

proporcionar um melhor futuro à nossa filha.


      CASAMENTO


      Dois anos mais tarde, como já namorava há algum tempo,

resolvi casar e como “quem casa quer casa”, eu não fui excepção,

então como a casa dos meus pais era muito grande, apesar de ser

antiga e precisar de obras, durante o ano de 1995 decidi fazer-lhe

uma grande reforma, reconstruí-a e ampliei-a de forma a ficar uma

casa para os meus pais e outra para mim.

      A casa que ficou para mim e onde, actualmente, vivo tem uma

particularidade, o facto de a minha sala de estar ter sido o quarto dos

meus pais, portanto, o local onde nasci.


                                     32
No mês de Março de 1996, comecei a tratar do casamento,

falei com o padre de Alfena para pedir a transferência para

Ermesinde, terra da noiva.

       A Mónica queria casar em Ermesinde, logo, acertei com o

padre a data da cerimónia para o dia 27 de Julho de 1996. Tratei das

certidões necessárias na Conservatória do Registo Civil e de arranjar

um local para a festa.

     Como     o   casamento   era   no    Verão,   tive   de   tratar   com

antecedência do local do copo de água, porque havia muita procura.

No entanto, conhecia o restaurante rural O Beco, em S. Romão do

Coronado que me facilitou na escolha.

     Na época, os valores por pessoa rondavam os 5.000 escudos,

mas como era muita gente, consegui, facilmente, chegar a acordo

com o Sr. Arménio para a organização do copo de água, por 4.500

escudos, com tudo incluído.

     A ementa do evento incluía as entradas, três pratos, canja ou

sopa, bebidas, bolo de noiva e todos os outros doces. Para além de

comes e bebes, a festa teria muita música.




                                     33
A minha casa



      A reforma da casa terminou e eu casei no ano seguinte, no dia

27 de Julho de 1996.




                            O meu casamento



      O meu casamento foi como mandava a tradição, um casamento

na igreja com a noiva vestida de branco e o noivo trajado a rigor,

muitos convidados e uma grande festa que contou com muita música

e dança.

     No dia do casamento partimos em lua-de-mel, para uma viagem

de oito dias pelo sul do país, para conhecermos o Alentejo e Algarve,

regiões que só conhecia através do livro As Mais belas Vilas e

Aldeias de Portugal. Estas regiões têm climas mais quentes e secos,

menos vento, paisagens mais planas, praias mais limpas, com águas

mais quentes e pessoas muito simpáticas.

       Na viagem aproveitei para conhecer o património histórico,

nomeadamente monumentos e zonas históricas, que é uma das

                                    34
maiores riquezas de Portugal, embora, mal conservado. No meu

entender,     o    património     arquitectónico         português    deveria      ser

restaurado e preservado.


      SERRALHARIA BARROS Lda .


      Decorria o ano 1996 e resolvi passar a empresa de nome

individual para uma sociedade limitada: Serralharia Barros Lda.

      Uma sociedade é uma união de duas ou mais entidades ou

pessoas com um objectivo traçado, a fim de alcançar o sucesso numa

determinada acção ou segmento de mercado.

      Actualmente, a sua gerência é composta por partes iguais, uma

minha e outra do meu irmão Júlio José, porque trabalha comigo,

praticamente, desde o início.

      Nos tempos que se seguiram, fui modernizando a empresa

acompanhando a evolução das novas tecnologias e adquiri máquinas

modernas, tais como, máquinas semi-automáticas de corte, de fresar,

prensar, soldar, corte e quinagem de chapa, para melhorar e

aumentar a produção de caixilharias e estruturas metálicas.

      Adquiri,     também,      equipamentos           informáticos   tais       como,

fotocopiadora, fax, impressora, telemóveis e um computador com

software de facturação.

          Equipamentos e software que após uma pequena acção de

formação, dada pelo técnico de informática, alguma paciência e

vontade     de    aprender,     comecei       a    utilizar   rapidamente    e     sem

dificuldade      como   por   exemplo     o       programa     Comercial     97,   um


                                              35
programa de facturação, orçamentos, guias de remessa e transporte e

gestão de stocks.

     Hoje, posso dizer que trabalho bem com vários programas

informáticos (software). Utilizo, diariamente, na empresa: o Microsoft

Office 2007, o Windows Mail, o Autocad2009, o Internet Explorer e

um programa de Ponto, gestão e controle de produção da Dimep.

     Foi também no ano de 1996, comprei o meu primeiro telemóvel,

na TELECEL, uma grande máquina, pois era um Alcatel S400, um

modelo razoável, se tiver em consideração a relação custo/qualidade.

     No meu trabalho, a comunicação com clientes e fornecedores é

essencial.   O   telemóvel   veio   permitir    que   estivesse   sempre

contactável, em qualquer lugar, e poupar algumas deslocações, tanto

minhas como dos meus clientes, para a troca de informações

relacionadas com as obras.

     Na minha vida, o telemóvel tornou-se um objecto bastante útil,

porque me permite comunicar com um grande número de pessoas e

entidades no contexto privado e profissional.

     De início, os telemóveis eram grandes e serviam apenas para

fazer e receber chamadas, mas rapidamente evoluíram, diminuíram o

tamanho e passaram a incorporar máquina fotográfica, leitor e

gravador de vídeos, bluetooth, internet e até a possibilitar a

realização de vídeo-chamadas.

     O telemóvel transmite e recebe ondas de rádio ou radiações

electromagnéticas    numa      determinada       frequência.      O   seu




                                      36
funcionamento     baseia-se   na   transmissão   de   sons,   imagem   e

mensagens escritas.

      Lembro-me de, quando era criança, só haver telefones fixos em

algumas casas e nas estações de correios. Na minha casa existia

telefone porque o meu pai tinha uma oficina e precisava para

comunicar com os fornecedores e clientes. No entanto, o que era um

bem raro tornou-se vulgar devido à grande evolução no sector das

telecomunicações.

      Hoje, graças ao aparecimento das novas tecnologias em

especial do telemóvel e do computador com ligação à Internet, posso

gerir de uma maneira mais eficaz e confortável, a minha vida pessoal

e profissional.

      Utilizo as novas tecnologias para consultar as contas bancárias;

fazer pagamentos; dar ordens de transferência de dinheiro; requisitar

cheques; consultar facturas, gastos de telemóvel e Internet; ver o

tempo para o dia seguinte; saber quais as farmácias de serviço; ter

acesso às notícias 24 horas por dia; saber quais os filmes e horários

do cinema e teatro; a programação dos canais da televisão; ofertas

comerciais; entre outras coisas.

      O meu actual telemóvel é um Qtek S200, no ano de 2008 teve

uma avaria, o altifalante deixou de funcionar, como é óbvio deixei de

poder ouvir quem falava do outro lado. Peguei no livro de instruções e

li-o à procura de respostas, pensei que poderia ser um problema de

definições do equipamento, mas não encontrei a solução e decidi

então recorrer à assistência técnica para resolver o problema.


                                      37
Fui, então, à loja de assistência técnica da Optimus, que era a

operadora que me prestava o serviço de telecomunicações móveis, há

mais de seis anos e situada no Freixieiro, em Matosinhos.

      No balcão de atendimento falei com o funcionário que lá se

encontrava e expliquei-lhe o que se passava com o telemóvel e,

disse-lhe que o equipamento estava, ainda, coberto pela garantia,

mostrei-lhe a factura como prova da compra, uma vez que tinha sido

comprado há menos de um ano e a garantia do fabricante era de dois

anos, logo, o telemóvel iria ser reparado gratuitamente.

      Pensei que seria uma avaria fácil de resolver, mas não foi e tive

de   lá   deixar   o   telemóvel.   O   tempo   previsto,   pela   marca   do

equipamento, para o conserto era de, mais ao menos, 25 dias úteis.

Fiquei muito aborrecido porque o Qtek S200 é um equipamento topo

de gama e caro, que não deveria avariar tão facilmente.

      Como eu não podia ficar tanto tempo privado de uma das

minhas mais importantes ferramentas de trabalho, o telemóvel,

comecei a pensar em comprar outro, mas não foi necessário, porque

o funcionário alertou-me para a possibilidade do empréstimo de um

equipamento de substituição. Achei uma boa medida, porque facilita

bastante a vida aos clientes, ao evitar deste modo mais despesas.




          Mobile phones have other features beyond sending text

messages and making voice calls, including Internet browsing, music

playback, memo recording, personal organizer functions, e-mail,


                                         38
instant messaging, built-in cameras and camcorders, ringtones,

games, radio, infrared and Bluetooth connectivity, call registers,

ability to watch streaming video or download videos for later viewing,

video calling and serving as a wireless modem for a PC.

     Qtek S200 Specifications




     Size: 108 x 59 x 18 mm

     Weight: 150 g

     Screen: 240 x 320 px

     Networks: 850 / 900 / 1800 / 1900

     Camera

     MP3 Player

     Memory Card: SD

     Java Support

     Date Added: April 26th, 2006




                                    39
AS DESVANTAGENS DOS TELEMÓVEIS


      Considero que os telemóveis, também, têm aspectos negativos,

perde-se um pouco o contacto com as pessoas, a proximidade física,

perde-se, principalmente, a língua portuguesa, pois vamos adquirindo

hábitos de escrita, pouco recomendáveis, com mensagens abreviadas

e através de sinais, muitas vezes, difíceis de entender.


     A MINHA FILHA


     O ano de 1999 marcou-me muito, porque no dia 20 Maio de

1999, nasceu a minha filha, a Andreia Filipa, talvez a coisa mais linda

e importante da minha vida, que veio atenuar a dor provocada pela

perda do meu pai, que tinha falecido, subitamente, no mês de

Fevereiro do mesmo ano.

     Durante a gravidez da Mónica, a minha mulher, não foi possível

sabermos o sexo do bebé, só aquando do nascimento é que soube

que era uma menina e fiquei muito feliz. A minha filha é a menina dos

meus olhos.




                            Andreia Filipa (filha)




                                     40
A morte do meu pai, foi o resultado da sua falta de zelo pela

saúde, actualmente, sensibilizado por esse passado, tenho outra

forma de encarar o tema saúde, não só a minha mas também da

minha família.

      A minha filha, desde o seu nascimento tem sido acompanhada

por um pediatra, tem consultas de rotina, acompanhamento do

crescimento e cumpre o plano de vacinação.

     As vacinas são muito importantes, ajudam a prevenir muitas

doenças.


     EMPREENDORISMO II


     Em 2002, como sou uma pessoa empreendedora, comecei a

desenvolver um projecto que tinha de construir caravanas, a partir de

um semi-reboque, nomeadamente, caravanas de grande dimensão. A

ideia foi inspirada em construções feitas em Espanha.

     Estabeleci alguns contactos e, após algumas deslocações à

fábrica de caravanas Rioja, localizada na cidade com o mesmo nome,

no norte de Espanha, consegui obter alguns conhecimentos básicos

sobre o processo de construção das caravanas.

     Numa primeira fase, direccionei o negócio para clientes do ramo

circense e mais tarde para feirantes, proprietários de divertimentos

em romarias e festas.

     Ao longo do tempo, fui modernizando os métodos de concepção

das construções, actualizando materiais e matérias-primas, bem como

automatizando os sistemas de abertura das caravanas, com sistemas


                                    41
electromecânicos e hidráulicos e os acabamentos interiores com

decorações adequadas às necessidades de cada cliente.



      A construção das caravanas inclui um vasto leque de profissões

como a serralharia, carpintaria, marcenaria, electricidade, pichelaria,

ladrilhador, designer e pintura auto.

      Para construirmos uma caravana começamos por fazer o

projecto, ou seja, o desenho das estruturas, especialidades e dos

acabamentos; calculam-se os materiais necessários, em função das

medidas e pesos de forma a garantir a estabilidade da caravana; e

inicia-se a fabricação do esqueleto da estrutura com vigamentos e

perfis tubulares de ferro.




                                             Estrutura da caravana.




      Na estrutura de uma caravana é, previamente, deixado o

espaço das janelas e portas, assim como as divisórias interiores.

      Quando a estrutura de ferro está completa, é feito o tratamento

de pintura anti-corrosiva com primário TRIEPOZINC, um primário

epoxi de dois componentes formulado à base de resinas epoxi e pó

de zinco, endurecido com resinas de amimas, com as seguintes

                                        42
características:       tempo    de   secagem   ao    tacto,   30   minutos;    em

profundidade,      1    hora;    espessura     mínima    recomendado        50μm

espessura seca; rendimento teórico 1 litro/ 10m2; tempo de vida da

mistura (23,0 ± 0,5ºC) Cerca de 8 horas; relação da mistura, 3 de

base para 1 de aducto; diluição com diluente TRIDIL EPOXI, cor da

base cinzento, brilho mate, densidade a (23,0 ± 0,5ºC) - 2,74 g/cm3,

teor em sólidos 60%, ponto de inflamação> 23ºC.

      Depois de tratada a estrutura, procedemos ao isolamento

exterior, em todo o perímetro da caravana, com painéis de madeira

com pele de fibra e poliéster. Após a colocação dos painéis exteriores

são feitos os remates com perfis de alumínio em volta de todas as

aberturas e extremidades da estrutura, são colocadas as caixilharias,

estores eléctricos e, de seguida, avançamos para a preparação e

pintura final do exterior.




                                                    Preparação pintura exterior.




      Entretanto, iniciamos os trabalhos no interior. As tubagens da

água fria, água quente, esgotos e todas as cablagens eléctricas são

colocadas no interior das paredes, em locais predefinidos,



                                          43
Pormenor       tubagens   e

cablagens.




      Em seguida, é projectado nas paredes e tecto uma camada de

poliuretano, um material plástico celular fabricado com matérias-

primas de alta qualidade.

      O poliuretano é uma mistura de duas substâncias, que se

encontram no estado líquido (Poliol + Isocianeto) e que é projectado

nas superfícies a isolar através de uma máquina especial.

      A reacção química que se dá é rápida e exotérmica. O calor

libertado na reacção, origina a vaporização dos agentes espumantes,

o que faz com que na mistura líquida se originem micro bolhas de

gás, resultando um aumento do volume na ordem de 25/35 vezes o

volume inicial. Em poucos segundos, adquire o aspecto de uma

estrutura plástica tridimensional com um poder isolante superior a

qualquer outro material.

      A expansão da espuma deve-se à acção de HFC e CO 2 ,

decorrente da reacção química da água com o isocianato, de tal

forma que a proporção de gases dentro da célula na espuma, ainda

não envelhecida, é HFC = 35 - 50%CO2 = 65 - 50%.

                                    44
Depois     de   retirado   o   excesso   da   expansão     começa    o

acabamento interior, primeiro com umas placas de pré forro e depois

com o acabamento final, normalmente na cozinha e casa de banho, é

colocado nas paredes e piso cerâmica e nas restantes divisões no

piso de cerâmica e nas paredes e tectos é utilizado placas de mdf

lacados, colocam-se as portas interiores e os aparelhos de ar

condicionado.




                                              Interior da caravana sala

     Os acabamentos interiores variam conforme o cliente e a ajuda

do nosso designer, que tem um papel importante nos acabamentos,

na conjugação dos materiais de decoração, iluminação e mobiliário.




                                              Quarto crianças

     A construção da caravana fica concluída com a aplicação dos

electrodomésticos e louças da casa de banho.


                                       45
I decided to identify some symbols that we should take care to

not ruin our clothes when we wash them.




                                          Caravana              com

electrodomésticos




                                   46
Caravana casa banho

     Na construção das caravanas, tenho sempre em conta a

utilização de materiais que sejam o menos inflamável possível e os

que garantam a maior estabilidade e durabilidade da caravana, a fim

de evitar a necessidade de fazer muitas assistências.

     A construção da caravana é acompanhada desde o seu início,

por um engenheiro mecânico que fiscaliza e garante o comprimento

das medidas e das normas de segurança da construção, para ser

inspeccionada na delegação do IMTT do Porto, para homologação

como reboque vivenda especial feira ou circo.

     Temos uma equipa preparada para se deslocar até ao cliente

em qualquer hora e lugar e actuar de acordo com as necessidades em

caso de avaria, defeito de materiais ou fabrico.

     É também      norma da minha         empresa, na assinatura   dos

contratos da construção da caravana, celebrar e assinar com o cliente

um termo de responsabilidade e de garantias para o caso de avarias

por defeito dos materiais e fabrico, com uma cláusula de ficar retido

pelo cliente uma verba de 5% do valor total da construção num

período de 12 meses após a entrega da caravana ao cliente, valor

esse que não poderá ultrapassar os 5.000€ e será pago findos os

                                     47
doze meses de garantia ou em data anterior caso se verificar mau

uso do equipamento por parte do cliente.




                                           Foto: caravana pronta.


      ASSOCIAÇÕES


       Decorria o ano de 2002, recebi um convite de um amigo, o

José Maria, para fazer parte e ajudar a treinar uma equipa de futebol

de juniores, no clube desportivo de S. P. Fins, na cidade da Maia.

      Como fizemos um bom trabalho, na época seguinte, fomos

convidados para treinar outra equipa de juniores, mas de um clube

com outra dimensão e melhores condições. Esse clube foi o clube

desportivo de Águas Santas, também na cidade da Maia, onde

acumulava as funções de treinador adjunto com o cargo de director

do futebol júnior.




                                     48
Cartão de Director

     Como as pessoas para ajudar as colectividades desportivas são

poucas, ajudava sempre que possível. Ao domingo de manhã, sempre

que nos deslocávamos aos campos de futebol dos clubes adversários,

era eu quem conduzia o autocarro que transportava a nossa equipa.

     No    ano   seguinte,   houve   eleições   no   clube,   que     foram

disputadas entre duas listas.

     A assembleia-geral de associados foi marcada com o objectivo

de eleger os órgãos da direcção e os membros da assembleia e

realizou-se no salão nobre, dos Bombeiros Voluntários de Nogueira

da Maia.

     Estas eleições tiveram uma grande adesão de associados e

foram realizadas através do método da mão no ar. O presidente da

mesa da assembleia apresentou as listas A e B, e perguntou aos

associados quem votava em cada uma das listas. Também, perguntou

quem se abstinha. Seguidamente, foi feita a contagem dos votos e

venceu a lista B com um maior número de votos e, que representava

o grupo desportivo de Águas Santas.




                                      49
O presidente eleito foi o Sr. José Augusto Aguiar, opção que

não me agradou, porque tinha algumas ideias novas, das quais eu

discordava e, então, resolvi sair.




                     ” Em Portugal, a partir do 25 de Abril de 1974,

cada cidadão pode ter acesso a um conjunto de associações a que se

pode livremente associar. As associações mais comuns, no nosso

país, são as associações de caça, pesca, dança, folclore, desporto,

os grupos recreativos e culturais, etc.

      Nos últimos anos, as associações têm sofrido uma redução no

número de associados. São vários os factores que podem servir de

justificação para o facto, nomeadamente a dificuldade em pagar as

cotas, a falta de tempo livre e a rigidez dos órgãos dirigentes que

muitas vezes provocam o abandono dos associados.


      TRABALHO VOLUNTÁRIO


      O trabalho voluntário para além de ser uma necessidade para

muitas pessoas, para outras é uma busca de alternativas para mudar

algo que não está bem, para transformar a realidade em que vive o

voluntário ou o seu semelhante.

      No trabalho voluntário, a acção parte da vontade de cada um de

realizar algo em benefício de terceiros.

      Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU):




                                      50
“ Voluntário é toda pessoa que, devido ao seu interesse

pessoal dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a

diversas formas de actividades, organizadas ou não, de bem-estar

social ou em outros campos ”.

      A prática do trabalho voluntário tem aumentado, mas não o

suficiente. Há muito por fazer, porque as desigualdades sociais são

grandes, principalmente no que se refere ao desemprego, violência e

falta de assistência.

      O   Estado,   por   vezes,   não   consegue   dar   respostas   com

qualidade à população que dele necessita, e, também, é nossa a

responsabilidade procurar alternativas para que surjam as mudanças.

      Qualquer um pode desenvolver uma actividade que possa

contribuir para uma melhor qualidade vida de terceiros. Todos nós

podemos contribuir para uma melhor e mais justa sociedade. Os

cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer

autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem

a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à

lei penal.” - Constituição da República Portuguesa, Art. 46.º, Nº1.


      EU , TREINADOR DE FUTEBOL


      Acabado de sair do grupo desportivo de Águas Santas comecei

uma nova aventura, fui com o meu amigo José Maria treinar um clube

de futebol amador, de seniores, o Reguenga futebol Clube, que

estava a disputar o campeonato Inter Municipal e Municipal da

Câmara Municipal de Santo Tirso.


                                         51
No Reguenga Futebol Clube comecei como treinador adjunto,

mas acabei por ser treinador e jogador, pois tinha muito jeito para o

futebol, visto que toda a minha vida joguei à bola com amigos e em

pequenos torneios organizados por clubes, principalmente, na época

de Verão.

     Os jogos eram disputados ao sábado à noite ou ao domingo de

manhã. No Reguenga futebol Clube joguei regularmente até ao

fatídico dia 19 de Março de 2005, num jogo realizado fora, contra o

Lamelas Futebol Clube. Aos 15 minutos de jogo, quando sofri uma

grave lesão no ombro direito, uma luxação da clavícula, com rotura

do ligamento.

     O massagista do clube fez os primeiros tratamentos e após

verificar a gravidade da lesão, fui levado às urgências do hospital de

São João, no Porto. Neste hospital, fui observado no serviço de

ortopedia, onde me fizeram uma radiografia e a imobilização do

braço. Como tinha seguro de acidentes pessoal, fui encaminhado

para a companhia de seguros.

     No dia seguinte, apresentei-me no Instituto de Saúde do

Marquês, clínica da companhia de seguros Vitória. Após a consulta

com o médico de ortopedia da companhia, fiquei com o braço

imobilizado durante cinco semanas. Após esse período, o médico

constatou que seria necessário efectuar uma intervenção cirúrgica,

porque a clavícula estava deslocada.

     Fui operado no hospital de Santa Maria, no Porto, pelo doutor

Rui Matos, que me colocou ferros no ombro para fixação da clavícula.


                                       52
Passado um mês, os ferros foram retirados, pela mesma equipa

médica que realizou a cirurgia e na mesma sala de operações.

      Quando estava a iniciar a fase de recuperação com auxílio da

fisioterapia, devido aos exercícios que executava, formaram-se na

cicatriz alguns quistos, o que me levou novamente à sala de

operações, para serem retirados. A recuperação prologou-se por mais

de nove meses, todos eles muito difíceis.

      Após muito sofrimento consegui recuperar, mas nunca mais

voltei a jogar futebol, a vida continuou e dediquei-me apenas ao

trabalho.




      LAZER


      O único desporto que passei a praticar, passou a ser apenas em

períodos de lazer, uma vez que abandonei a competição. Comecei a

fazer caminhadas, aos domingos na parte da tarde ou à noite nos

meses de verão, no parque da cidade, no Porto, e à beira mar. Por

vezes, aos domingos de manhã, faço passeios de bicicleta com a

família ou amigos.

      As actividades físicas de lazer são muito boas, porque ajudam a

aliviar o stress, exercita o corpo e a mente, e ajudam a prevenir

algumas doenças.




                                    53
As actividades ao ar livre são extremamente importantes para

melhorar a minha qualidade de vida, reconheço que me dão frescura

física e mental para ultrapassar as dificuldades que surgem no dia-a-

dia, dão-me uma maior capacidade de reacção em determinadas

situações que vão acontecendo inesperadamente, tanto na vida

privada como na vida profissional, principalmente em situações no

trânsito, como no caso das filas que se apresentam hoje e que temos

de ser pacientes. Existem muitas outras situações no trânsito que,

devido à falta de civismo dos condutores, devemos manter a calma e

não responder às provocações que, por vezes, acontecem.


     ALARGAMENTO DAS INSTALAÇÕES DA MINHA EMPRESA


     A partir de meados do ano de 2006, alarguei as instalações

fabris da minha empresa, com a aquisição de um armazém na zona

industrial de Baguim do Monte, com uma área coberta de cerca de

1000 metros, para o fabrico de auto caravanas, reboques bilheteira,

dormitórios e reboques bar.

     Nestas novas instalações, criei melhores condições de trabalho

e de segurança para os meus funcionários. O espaço era maior e

separei e armazenei os vários materiais perigosos e inflamáveis, em

espaços próprios. Também coloquei em todos os locais necessários

as sinaléticas que nos informam dos vários perigos existentes.

     Na minha empresa, ao longo dos últimos anos, sempre tive

como prioridade a preocupação com a segurança e bem-estar dos

meus funcionários. Distribuo e coloco à sua disposição equipamentos


                                    54
individuais e colectivos de segurança, como sapatos de sola e

biqueira de aço, protecções para os olhos e ouvidos, luvas, entre

outros equipamentos.


     DIREITOS E DEVERES DOS TRABALHADORES


     Na minha empresa existe uma preocupação frequente com a

consciencialização dos direitos e deveres de todos. Todos os meus

trabalhadores têm direito a segurança, higiene e saúde no trabalho;

períodos mínimos de descanso; férias remuneradas; igualdade de

tratamento; não serem discriminados; e, o direito à greve.

      Os meus funcionários têm a preocupação de respeitar e tratar

com lealdade a entidade patronal. Não fazer negociações por conta

própria e em concorrência com a entidade patronal, não divulgam

informações relacionadas com a organização, métodos de produção e

negócios da empresa.

     Penso que existem algumas regras fundamentais para o bom

funcionamento de uma empresa, nomeadamente a lealdade, o

respeito entre colegas e superiores, pontualidade, assiduidade, zelo,

responsabilidade, obediência e cumprimento de todas as obrigações e

normas previstas nos contratos de trabalho.

     Em Portugal, ainda há muito por fazer em relação aos direitos e

deveres dos trabalhadores. As mentalidades de alguns patrões têm de

mudar, porque ainda existem muitas situações de trabalho precário.

Alguns trabalhadores oriundos dos países de Leste e de África




                                     55
exercerem actividades laborais sem condições de segurança e sem

qualquer tipo de direito.

      No entanto, a classe trabalhadora nem sempre cumpre com os

seus principais deveres. Sem querer generalizar, é óbvio que existem

trabalhadores que só pensam na hora de saída e no fim do mês.

Como se costuma dizer e é típico dos portugueses “Todos querem

arranjar um emprego, e não um trabalho.”

      Na Constituição da República Portuguesa, estão mencionados

os direitos fundamentais dos cidadãos portugueses, dos quais

destaco o Direito ao Trabalho (Artigo 58º) e os Direitos dos

Trabalhadores (Artigo 59º), que passo a identificar.



      Artigo 58º

      1. Todos têm direito ao trabalho.

      2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado

promover:

      a) A execução de políticas de pleno emprego;

      b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou

género de trabalho e condições para que não seja vedado ou

limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho

ou categorias profissionais;

      c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos

trabalhadores.



      Artigo 59º


                                     56
1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça,

cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou

ideológicas, têm direito:

      a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e

qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual

salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;

      b)   A   organização   do   trabalho    em    condições        socialmente

dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a

conciliação da actividade profissional com a vida familiar;

      c) A prestação do trabalho em condições de higiene, segurança

e saúde;

      d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de

trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas;

      e)   À   assistência   material,    quando        involuntariamente      se

encontrem em situação de desemprego;

      f) A assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente

de trabalho ou de doença profissional.

      2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho,

retribuição    e   repouso   a    que    os   trabalhadores      têm      direito,

nomeadamente:

      a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo

nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos

trabalhadores,     o   aumento     do    custo     de    vida,   o     nível   de

desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade

económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;


                                         57
b) A fixação, a nível nacional, dos limites da duração do

trabalho;

      c) A especial protecção do trabalho das mulheres durante a

gravidez e após o parto, bem como do trabalho dos menores, dos

diminuídos e dos que desempenhem actividades particularmente

violentas ou em condições insalubres, tóxicas ou perigosas;

      d) O desenvolvimento sistemático de uma rede de centros de

repouso e de férias, em cooperação com organizações sociais;

      e) A protecção das condições de trabalho e a garantia dos

benefícios sociais dos trabalhadores emigrantes;

      f) A protecção das condições de trabalho dos trabalhadores

estudantes.

      3. Os salários gozam de garantias especiais, nos termos da lei.

      É do conhecimento público que, em Portugal, a precariedade no

trabalho tem vindo a aumentar nos últimos anos, cerca de um quinto

da população activa, embora existam muitas outras situações que não

são   contabilizadas   por   se   enquadrarem     no   trabalho   ilegal   ou

clandestino.

      Muitos    trabalhadores     não   têm   férias   pagas   nem   outros

subsídios e não podem reclamar porque estão a arriscar-se a ficarem

sem trabalho.

      De acordo com informação do Jornal Correio da Manhã, de Abril

de 2008, em Portugal existiam pelo menos meio milhão de pessoas

que passavam falsos recibos verdes. Estes trabalhadores estão

ligados às empresas de forma permanente, apesar de estarem


                                        58
colectados como trabalhadores independentes, pois têm horário de

trabalho, funções definidas, e obedecem a uma hierarquia. Todos

este   requisitos   que,   se   a     lei   fosse   cumprida,   fariam   deles

trabalhadores por conta de outrem.

       O combate à precariedade tem sido reivindicado pelas centrais

sindicais.

       A precariedade laboral afecta sobretudo os jovens, com maior

incidência na administração pública e nos serviços, na região do

Algarve.

       Cerca de metade dos jovens até aos 25 anos têm contrato não

permanente e as raparigas são as mais afectadas.

       As situações de trabalho precário incluem os trabalhadores com

contrato a termo certo, o trabalho temporário, os recibos verdes e o

trabalho não declarado.

       Este tipo de trabalho, em que o trabalhador não tem qualquer

tipo de garantias ou de protecção e em que o patrão e trabalhador

não cumprem as suas obrigações fiscais, nem descontam para

segurança social, predomina na construção civil e restauração, mas

sobretudo nas pequenas empresas.


       O SALÁRIO


       O facto de ser patrão fez com que aprendesse qual a

constituição   do   salário     dos     meus     empregados     e   de   todos

trabalhadores por conta de outrem.




                                            59
As parcelas que constituem o salário de um trabalhador por

conta de outrem são: o salário, contribuições para a segurança social

e para o IRS, o subsídio de refeição, ajudas de custos, subsídio de

férias, entre outros subsídios.

      O Salário é o rendimento que os trabalhadores recebem em

troca do trabalho que despendem no processo produtivo. O salário é

o preço pago aos trabalhadores em troca de determinada quantidade

de trabalho. Sendo um preço, o salário é estabelecido, tal como

qualquer outro preço, no mercado através do encontro entre quem

oferece trabalho e quem o procura.

      O IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) é

um imposto directo que incide sobre os rendimentos dos particulares

nomeadamente os rendimentos do trabalho (salários e outros) e os

rendimentos de capital (juros, rendas, mais-valias, dividendos, etc.).

      O Subsídio de refeição, também conhecido como subsídio de

alimentação, destina-se a compensar os trabalhadores das despesas

com a refeição principal do dia em que prestam serviço efectivo

durante, pelo menos, 5 horas e não tem natureza retributiva.

      As Ajudas de custo são um abono que é aplicável quando uma

pessoa se ausenta para fora do seu local de trabalho, dentro ou fora

de Portugal. A distância tem que ser superior a 5 km do local onde

exerce funções, no caso das deslocações diárias (as que se realizam

num período de 24 horas), ou superior a 20 km, no caso das

deslocações por dias sucessivos (realizam-se por períodos superiores

a 24 horas).


                                     60
É um valor que se recebe a mais por cada dia que se está fora

do local normal de trabalho para se fazer face às despesas

acrescidas que tem por estar deslocado (alimentação e alojamento).



      No que diz respeito ao Subsídio de férias, os trabalhadores

têm direito a um período de férias remunerado em cada ano civil e

estas referem-se ao trabalho prestado no ano anterior.

      O direito a férias adquire-se no momento da celebração do

contrato e vence-se no dia 1 de Janeiro de cada ano civil.

Excepcionalmente, se no ano de admissão, o início do trabalho se

verificar no 1º semestre, após um período de 60 dias de trabalho

efectivo, o trabalhador tem direito a 8 dias úteis de férias. Se o início

do trabalho se verificar no 2º semestre, após 6 meses completos de

trabalho efectivo, o trabalhador tem direito a 22 dias úteis de férias,

no ano imediato.

      O trabalhador tem direito à retribuição correspondente ao

período de férias, acrescido de subsídio de igual valor, a pagar antes

do seu início

      O montante das Contribuições para a segurança social é

calculado   pela   aplicação   da   taxa    contributiva   global   sobre   as

remunerações reais, consideradas base de incidência, do seguinte

modo: empregador (contribuinte), 23,75%; e Trabalhador, 11%.

      Existem algumas diferenças entre os trabalhadores por conta de

outrem e os trabalhadores independentes.




                                       61
Um trabalhador dependente tem 14 meses de salário por ano, o

trabalhador independente, muitas vezes, cobra apenas 11 ou 12 e

não tem direito aos subsídios de Férias e Natal.

         No    caso       dos   trabalhadores       dependentes,      a   entidade

empregadora desconta 23,75% do salário para a segurança social, o

que      não   acontece         com   os   trabalhadores      independentes,      a

contribuição é suportada pelo trabalhador.

         Uma entidade patronal deve obrigatoriamente ter um seguro de

acidentes de trabalho para os seus trabalhadores, no entanto, os

trabalhadores independentes têm de o possuir e suportar o custo. Em

muitos casos é também necessário um seguro de responsabilidade

civil.

         Os custos de formação profissional podem ser significativos

para uma entidade empregadora e também existem para profissionais

liberais.

         A existência do posto de trabalho e das ferramentas a ele

associadas pode atingir valores muito elevados para a entidade

empregadora           e    também      para      trabalhadores      independentes,

nomeadamente a amortização ou arrendamento das instalações e

mobiliário,     computadores,         licenças     de   software,   telefone,   fax,

electricidade, acesso à Internet, consumíveis e, em alguns casos,

carro e telemóvel.




                                              62
HIGIENE ,     SAÚDE     E   SEGURANÇA     NO   TRABALHO        NA


EMPRESA


     Desde o ano 1997 que mantenho um contrato com uma empresa

de   Higiene,    Saúde   e   Segurança    no   Trabalho   (HSST),    a

INSPECMETRA LDA. Penso que foi uma boa aposta, porque houve

uma redução substancial de acidentes e doenças profissionais na

empresa.

         Ao longo dos anos, tem havido uma grande evolução na área

da HSST. Recordo-me que no primeiro ano de contrato, as consultas

com o médico de trabalho eram uma vez por ano e no consultório, no

centro médico da INSPECMETRA LDA, em Valongo.

         Actualmente, as consultas realizam-se duas vezes por ano e

numa unidade móvel que se desloca às empresas, o que é vantajoso

para os trabalhadores e para o patrão. Anualmente, também as

deslocações dos técnicos para fiscalização são efectuadas várias

vezes.

     A HSST é um direito fundamental dos trabalhadores, a sua

aplicação contribui para o aumento da competitividade, mas acima de

tudo para a diminuição da sinistralidade entre os trabalhadores.

     A meu ver, os principais beneficiários das medidas de HSST são

as empresas e o país. Penso que deveria ser uma preocupação

constante de todos os cidadãos melhorar as condições de trabalho e

garantir melhor assistência aos trabalhadores, porque o capital

humano é essencial ao desenvolvimento das empresas e das nações.


                                     63
O    tecido   produtivo        somente      com       trabalhadores        saudáveis     é

desenvolvido.

      Em Portugal, existe legislação que regula todos estes princípios

e é aplicável a todos os ramos de actividade.

      Prevê o n.º 1 do art.º 4º do art. D. Lei 141/91 de 14 de

Novembro, a obrigatoriedade de todos os trabalhadores poderem

usufruir de um médico do trabalho. No mesmo decreto-lei, o n.º 1 do

art. 8º, prevê que a entidade patronal é obrigada a assegurar

condições     de    segurança,      higiene       e    saúde     a    todos      os   seus

trabalhadores, sem excepção.




      PREOCUPAÇÕES AMBIENTENTAIS NA EMPRESA


      O meio ambiente é uma das grandes preocupações na minha

empresa. Este tema é abordado em reuniões mensais com todos os

nossos colaboradores.

      Nas     reuniões     tomamos       algumas        medidas       no    sentido    de

contribuirmos para um meio ambiente saudável, tais como: nomear

um    funcionário       para    controlar    e     fiscalizar     todas     as    acções

relacionadas com lixos e resíduos.

      Preservar     o    meio    ambiente        depende        dos   responsáveis       e

gestores da empresa, mas sobretudo dos funcionários.

      Todos os resíduos da empresa são recolhidos por empresas

certificadas. Têm sido instalados equipamentos de extracção de

fumos e poeiras com filtros, para que não sejam lançados na


                                              64
atmosfera os gases resultantes das soldaduras, poeiras de lixar e

cortar as madeiras, e os fumos das pinturas.

     A empresa dispõe de pontos de armazenamento para separar

todos os resíduos: os desperdícios de ferro, alumínio, inox, madeiras,

papel e plásticos. Também, usamos aparadeiras para evitar o

derramamento para o chão dos óleos usados nas montagens e na

assistência dos sistemas hidráulicos.


     A UNIÃO EUROPEIA


     Portugal pertence à Europa, um continente que tem um grande

número de estados.

     Vários acontecimentos políticos no século XX, deram origem a

novas fronteiras na Europa. Tendo em conta a localização geográfica,

os países europeus são agrupados em quatro conjuntos: Europa

Mediterrânica, Europa Ocidental, Europa Oriental e Europa do Norte.




                                        65
Os países europeus têm um grande número de cidades,

destacando-se as que são capitais, por aí se localizarem, geralmente,

as principais instituições políticas, económicas e sociais.

      A Segunda Guerra Mundial deixou a Europa muito destruída.

Assim,    alguns    países    europeus     constituíram       organizações

essencialmente económicas de entreajuda com destaque para a

Comunidade Económica Europeia (CEE).

      A Comunidade Económica Europeia (CEE) nasceu a 25 de

Março de 1957 com a assinatura do Tratado de Roma, por seis

países: França, República Federal Alemã, Itália, Holanda, Bélgica e

Luxemburgo.

      Em 1993, com o Tratado de Maastricht, a CEE adopta a

designação de União Europeia (EU).


                                      66
O funcionamento da EU é assegurado por cinco instituições: o

Conselho de Ministros, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu

o Tribunal Europeu de Justiça e o Tribunal de Contas.

     Para além destas instituições, existem dois órgãos comunitários

de natureza consultiva: o Comité Económico e Social e o Comité das

Regiões. No domínio da política económica e monetária, o Banco

Central Europeu (BCE) desempenha um papel importante.


     PATOLOGIAS


     A minha mãe foi para mim um exemplo do que é lutar pela vida

ao não se deixar vencer facilmente pelas adversidades.

     O    agente     causador   da   sua   doença   sarcoidose   era

desconhecido, assim como os seus sintomas e formas de tratamento.

Sabia-se que afectava principalmente o sistema respiratório. Devido à

raridade e ao pouco conhecimento científico sobre a doença não era

possível especificar as suas variáveis ou fazer diagnósticos precisos

sobre a patologia.

     Os médicos afirmavam que a sarcoidose era considerada uma

doença rara em Portugal, mas mais frequente nos países africanos,

onde predominam pessoas de raça negra.

     Os tratamentos para a sarcoidose eram, essencialmente, à base

de cortisona, substância que a deixava muito debilitada e sem grande

esperança de cura. Perante a situação, a minha mãe resolveu

recorrer às medicinas alternativas. Numa primeira fase a minha mãe

foi a consultas de homeopatia e fez massagens na Ervanária de


                                     67
Ermesinde, conjuntamente com a medicação de origem química,

prescrita no hospital e a medicação da ervanária, de origem natural,

receitada pelo Dr. Álvaro. Mais tarde, começou a frequentar as

consultas do Dr. Álvaro, em Viseu, onde existia, para além do

consultório, um laboratório de medicamentos naturais. Lentamente, a

minha mãe abandonou a medicação tradicional, de origem química, e

passou a tomar apenas a medicação natural.

     Actualmente, posso afirmar que a medicina natural mudou a

qualidade de vida da minha mãe, apesar de não a ter curado, porque

a sarcoidose é uma doença que não tem cura. Contudo, desde 1992,

a minha mãe não é hospitalizada, devido aos medicamentos naturais.

     Hoje em dia, é acompanhada pelo Dr. Álvaro que, entretanto,

abriu um consultório em Braga, onde nos deslocamos mensalmente

para consultas de rotina, massagens e comprar medicamentos, ervas

e chás.




     MEDICAMENTOS


     Ao longo dos anos, e na tentativa de obtenção da cura da

doença    que    tem    afectado   a   vida      da   minha   mãe,   directa    ou

indirectamente, tive que recorrer às medicinas convencionais e

alternativas ganhando dessa forma um maior conhecimento de várias

doenças   e     vírus   bem   como     as     suas    terapias,   tratamentos    e

medicamentos.


                                            68
Um    medicamento     é   um   produto   utilizado    para    tratar   os

fenómenos patológicos do homem e do animal. O medicamento pode

curar, aliviar, ou prevenir as doenças. Um medicamento pode

substituir as substâncias ou os líquidos produzidos pelo organismo ou

neutralizar os germes, parasitas ou outros agentes patogénicos.

     São várias as formas de administração: sólida, semi-sólida,

líquida ou gasosa. As formas sólidas podem ser comprimidos,

drageias, cápsulas, pós e supositórios. Nas formas semi-sólidas

figuram as pomadas, pastas, cremes e gel. Os medicamentos líquidos

são as tinturas, as perfusões, as gotas, as soluções em ampolas,

xaropes e sprays. Na forma gasosa figuram as inalações.

     São vários os grupos de fármacos que podem ser utilizados

com a finalidade de diminuir a dor, nomeadamente os analgésicos

estupefacientes (opiáceos) e os analgésicos antipiréticos e anti-

inflamatórios. Dos primeiros destacam-se a morfina e codeína e são

muito potentes no alívio de todas as intensidades e origens, mas têm

a capacidade de provocar dependência.

     São   várias   as   doenças    que    evoluem   com    dor,    febre    e

inflamação. Assim o grupo dos analgésicos, antipiréticos e anti-

inflamatórios, têm nestas doenças o seu campo de aplicação.

     Um antipirético é um medicamento que previne ou reduz a

febre, diminuindo a temperatura corporal que está acima do normal.

Os antipiréticos mais comuns em Portugal são a aspirina e o

paracetamol.




                                      69
Um antibiótico é toda a substância que interfere com a

capacidade    das     bactérias    actuarem     normalmente.    Pode    actuar

inibindo o seu crescimento ou matar as bactérias.

      Os antibióticos são usados para tratar infecções bacterianas,

que variam desde doenças quase mortais, como a meningite, a

problemas comuns como o acne e a amigdalite. No entanto, os

antibióticos não servem para curar doenças causadas por vírus, tais

como constipações ou gripe.

      O   antibiótico   pode      agir   como   bactericida,   quando   actua

eliminando as bactérias, ou, como, bacteriostático, quando interrompe

a sua proliferação.

      Quando as bactérias desenvolvem a capacidade de se defender

do efeito de um antibiótico, diz-se que adquiriram resistência aos

antibióticos. Ao longo dos anos as bactérias patogénicas, as que

causam doenças, tornaram-se resistentes a muitos antibióticos devido

ao abuso ou uso incorrecto dos mesmos.

      Mesmo que uma pessoa se sinta melhor, deverá continuar a

tomar o antibiótico exactamente como o médico receitou. Se não

terminar o antibiótico, algumas das bactérias perigosas podem não

morrer e pode voltar a ficar doente. As bactérias que estão ainda

vivas poderão também tornar-se resistentes e fazer com que a

infecção se torne mais difícil de tratar.

      Os antibióticos não são tão eficazes se não forem tomados a

horas. Como os medicamentos permanecem no organismo durante

um certo período de tempo, devemos tomar cada dose de acordo com


                                          70
as instruções do médico. Tomar antibióticos de forma irregular

permite que as bactérias se adaptem e se multipliquem, aumentando

o problema da resistência aos antibióticos.

     Nunca devemos tomar o resto de antibióticos guardados, quer

sejam de outra pessoa ou nossos. Antibióticos específicos são

eficazes no combate a bactérias específicas e é errado pensar que o

antibiótico de outra pessoa irá funcionar. Os antibióticos devem

sempre ser tomados até ao fim, excepto quando o médico dá

instruções para parar. Qualquer resto de medicamento deve ser

devolvido à farmácia.



     I made a phone call to a pharmacy located in Maia:

     Laurentino: Good Afternoon.

     Pharmacy: Good Afternoon.

     Laurentino: My name is Laurentino Barros, I live in Porto and I

would like to know if your pharmacy has the medicine Aspegic.

     Pharmacy: Yes, we have.

     Laurentino: I need it as soon as possible because it is

exhausted in my city. Please send it to me.

     Pharmacy: We can do this, but we need a fax from you with the

request of the product.

     Laurentino: Ok, I’ll send you the fax. But tell me, how can I do

the payment?

     Pharmacy: At the moment of the delivery you’ll pay.

     Laurentino: How long do I have to wait for the medicine?


                                     71
Pharmacy: Tomorrow morning you’ll have it at home.

      Laurentino: Thank you, I look forward it.



      Estas linhas de orientação são importantes porque quando os

antibióticos não são usados correctamente, as bactérias fracas são

mortas, mas as mais resistentes sobrevivem e multiplicam-se. Estas

bactérias resistentes podem causar infecções que são muito difíceis

de tratar, o que significa que os antibióticos podem não ser tão

eficazes quando são mesmo necessários


      PSICOFÁRMACOS


      O    grupo   dos   psicofármacos      engloba   três   grupos   de

medicamentos: ansiolíticos, sedativos e hipnóticos; psicodepressores

e antipsicóticos; e antidepressivos.

      Os ansiolíticos, sedativos e hipnóticos têm como principal

indicação o tratamento da ansiedade e/ou a indução ou manutenção

do sono, como por exemplo: Xanax, Lexotan, Tranxene, Valium e

Serenal.

      Os psicodepressores e antipsicóticos são usados no tratamento

da esquizofrenia outras psicoses e alterações de comportamento,

entre os quais o Socian e o Largactil.

      Os antidepressivos são medicamentos cuja acção decorre no

sistema nervoso central, normalizando o estado do humor, quando se

encontra deprimido, o que equivale para o doente a tristeza, a

angustia, desinteresse, desmotivação, falta de energia, alterações do


                                       72
somo e do apetite, etc. Os medicamentos antidepressivos não actuam

quando     o   estado     do   humor    é        normal,    distinguindo-se   dos

psicoestimulantes. São exemplos de antidepressivos o Deprimil e o

Prozac.

      A automedicação é um processo que conduz a que o doente

assuma a responsabilidade de melhoria da sua saúde sem recurso à

consulta médica. Esta independência do doente permite-lhe resolver

situações auto-limitadas e de curta duração.

      A automedicação tem sido alvo de discussões na União

Europeia (UE), tendo havido consenso quanto ao facto de se

recomendar apenas para o alívio de sintomas, não excedendo a

duração de sete dias (três para o caso de febre), requerendo atenção

especial da grávida, mulheres a amamentar, bebés e crianças e ainda

contra-indicada quando os sintomas forem graves, persistentes, ou

quando houver suspeita de reacções adversas responsáveis pelos

mesmos.

      A lei portuguesa define 41 situações que são passíveis de

automedicação, das quais destaco: contracepção de emergência e

métodos contraceptivos, dores musculares e de cabeça ligeiras e

moderadas, contusões, febre, diarreia, queimaduras de primeiro grau,

vómitos, hemorróidas, dores de dentes, tratamento local de varizes,

feridas   superficiais,   irritação   ocular,      prisão   de   ventre,   azia   e

endoparasitoses intestinais.

      Destaco três situações de risco de auto-medicação:




                                            73
O Efeito cumulativo, quando uma pessoa consome uma grande

quantidade de um determinado remédio por muito tempo. Como por

exemplo, o princípio corticóide, encontrado em anti-alérgicos. O

medicamento, nesse caso, além de combater o antigene da doença,

extermina também as células imunológicas, enfraquecendo o sistema

de defesa do organismo;

     A Sobredosagem, que pode causar intoxicações graves e

provocar reacções adversas;

     A Baixa dosagem, nos antibióticos, por exemplo, uma dosagem

menor do que a necessária, em vez de destruir, aumenta a

resistência das bactérias e o medicamento deixa de ter efeito.

     A receita médica não é obrigatória para todos os medicamentos.

A obrigatoriedade da receita médica depende da classificação dos

medicamentos quanto à dispensa: medicamentos sujeitos a receita

médica (MSRM) ou medicamentos não sujeitos a receita médica

(MNSRM).

     Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 134/2005, de 16 de Agosto, com

as alterações que lhe foram introduzidas pelo Decreto-Lei n.º

238/2007, de 19 de Junho, indica quais os medicamentos não sujeitos

a receita médica e que podem ser comprados sem a apresentação da

receita emitida pelos médicos.

     Os medicamentos que só podem ser adquiridos com receita

médica são-no geralmente porque podem constituir, directa ou

indirectamente, um risco, mesmo quando usados para o fim a que se

destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica.


                                    74
Dos    medicamentos       referidos,    apenas   os       analgésicos   não

estupefacientes, anti-inflamatórios e antipiréticos não estão sujeitos a

receita médica


      GENÉRICOS


      Um medicamento genérico é um medicamento com a mesma

substância activa, forma farmacêutica e dosagem, e com a mesma

indicação que o medicamento original, de marca. Os medicamentos

genéricos têm a mesma qualidade, eficácia e segurança, mas a um

preço 35% inferior ao medicamento original. O medicamento genérico

é mais barato porque os fabricantes de genéricos, ao produzirem

medicamentos após ter terminado o período de protecção de patente

dos   originais,    não   têm   os   custos   inerentes     à    investigação   e

descoberta     de    novos      medicamentos.     Assim,         podem    vender

medicamentos genéricos com a mesma qualidade mas a um preço

mais baixo do que o medicamento original.

      Os     medicamentos         genéricos      são      identificados       pela

Denominação Comum Internacional (DCI) das substâncias activas,

seguida do nome do titular da Autorização de Introdução no Mercado

(AIM) ou de um nome de fantasia, da dosagem e da forma

farmacêutica e da sigla «MG», inserida na embalagem exterior do

medicamento.

      Os medicamentos genéricos são comparticipados com base nos

mesmos escalões que os restantes medicamentos, mas têm uma

comparticipação 10% superior.


                                         75
Os médicos e os farmacêuticos estão informados sobre os

benefícios     dos    medicamentos   genéricos, mas          cabe-nos   a     nós,

cidadãos, questionarmo-nos sobre a opção de adquirir um genérico.

Até porque, caso exista um medicamento genérico para o tratamento

do nosso problema de saúde, o resultado está assegurado através

dos controlos de produção, qualidade e segurança. De facto, estou

convencido de que a opção da utilização de medicamentos genéricos

é a melhor escolha.


      COMPOSIÇÃO DOS MEDICAMENTOS


      Os medicamentos são compostos por substâncias activas e

excipientes.

      O princípio activo é a substância de estrutura química definida

responsável por produzir uma alteração no organismo que pode ser

de   origem    vegetal    ou   animal.   A    investigação    moderna       utiliza

sobretudo substâncias activas artificiais, obtidas através de síntese

química, técnicas da biotecnologia ou de género genético.

Os excipientes são as substâncias que existem nos medicamentos e

que completam a massa ou volume especificado. Um excipiente é

uma substância inactiva usada como veículo para o princípio activo,

assim como para facilitar o seu fabrico, corrigir o sabor e cheiro, etc.

      ROTULAGEM DOS MEDICAMENTOS


      A informação que consta da rotulagem dos medicamentos é

aprovada       pelo      INFARMED.       Da     informação       que    consta

obrigatoriamente da embalagem, destaca-se a seguinte: o nome do

                                         76
medicamento,        composição            em       substâncias     activas,     forma

farmacêutica, modo e via de administração, prazo de validade,

incluindo mês e ano; número do lote de fabrico; preço de venda ao

público,   nome     e    morada      do    responsável      pela    autorização     de

introdução no mercado, classificação do medicamento relativamente à

sua   dispensa,         prazo   de      utilização     após      reconstituição     do

medicamento ou abertura do recipiente, pela primeira vez, se for caso

disso, precauções particulares de conservação e destruição, quando

for caso disso.

      A Aspirina 500 da Bayer contém como substância activa o ácido

acetilsalicílico e apresenta-se na forma de comprimidos. Outros

ingredientes   são       a   celulose     e    o    amido   de     milho.   O   ácido

acetilsalicílico é um éster acetilado do ácido salicílico.

      Os cristais são alargados, de sabor ligeiramente amargo e de

cor esbranquiçada.

      Cada comprimido de Aspirina 500 mg contém como substância

activa 500 mg de ácido acetilsalicílico. A aspirina 500 mg encontra-se

disponível em embalagens de 20 comprimidos. O ácido acetilsalicílico

pertence   a   um       grupo   de    substâncias        conhecidas     como      anti-

inflamatórios não-esteróides, eficazes no alívio sintomático de dores

e febre.



      Fórmula: CH 3 COO (C6H4) COOH




                                               77
A Aspirina também está disponível, noutras dosagens, por

exemplo 1000 mg. Assim como a sua substância activa (ácido

acetilsalicílico), se encontra em diversos medicamentos, entre os

quais os genéricos.

Para    reconhecer    a   equivalência    entre    dois     medicamentos   é

necessário que estes possuam o mesmo princípio activo, a mesma

forma farmacêutica, a mesma dosagem e para os quais tenham sido

realizados testes de bioequivalência. Este é o caso dos genéricos


       OS VÍRUS


       Os vírus são seres que não possuem células, são constituídos

por ácido nucléico que pode ser o DNA ou o RNA, envolvido por um

invólucro proteico denominado capsídeo. Possuem cerca de 0,1µm de

diâmetro,   com   dimensões     apenas        observáveis    ao   microscópio

electrónico. Por serem tão pequenos conseguem invadir células,

inclusive a de organismos unicelulares, como as bactérias. É

parasitando células de outros organismos que os vírus conseguem

reproduzir-se. Como são parasitas obrigatórios eles causam nos

seres parasitados doenças designadas por viroses.

       Os vírus apresentam formas muito diferentes, mas todos

possuem uma cápsula feita de proteína, onde se localiza o material

genético que sofre modificações, ou seja, mutações com frequência

levando ao aparecimento de outras variedades de um mesmo vírus.

Este fenómeno dificulta o seu combate e compromete a eficiência de

várias vacinas, que são preparadas para combater tipos específicos


                                         78
de microrganismo. A capacidade de sofrer mutações genéticas é uma

das características que os vírus têm em comum com os seres vivos.




            Diferentes formas dos capsídeos dos vírus.




                   Esquema do Vírus

      Os vírus não são constituídos por células, embora dependam

delas para a sua multiplicação. Alguns vírus possuem enzimas. Por

exemplo, o HIV tem a enzima Transcriptase reversa que faz com que

o processo de Transcrição reversa seja realizado (formação de DNA a

partir do RNA viral).

      O vírus da imunodeficiência adquirida (VIH) destrói as células

imunitárias do corpo, expondo o indivíduo ao que se chama as

                                        79
doenças oportunistas. O vírus evolui rapidamente para destruir as

defesas imunitárias do indivíduo, o que implica que uma eventual

vacina terá de adoptar-se ao perfil instável do vírus da SIDA. Os

médicos sabem que a progressão da doença se faz a ritmos muito

diferentes segundo os indivíduos, em função das capacidades dos

variantes dos genes HLA (antigenes dos leucócitos humanos) a

combater a doença. O vírus é susceptível de mudar quando enfrenta

variantes mais eficazes contra ele. As variantes do gene HLA diferem

com frequência de uma região do mundo para a outra, levando a

mutações diferentes do vírus.

     Segundo alguns cientistas, assim que for encontrada uma

vacina eficaz para a SIDA, será preciso mudá-la com regularidade

para que responda a um vírus em evolução, como acontece para a

vacina da gripe.


     TERAPÊUTICAS ALTERNATIVAS


     A minha experiência de vida na área das medicinas, sejam elas,

tradicionais ou alternativas, fez-me ter a percepção das suas

vantagens   e      desvantagens.   Como   vantagens   da   toma   dos

medicamentos naturais identifico, a elevada eficácia, o reduzido

número de contra-indicações, a possibilidade de serem administrados

em qualquer tipo de doente e a existência de várias formas de

administração, das quais destaco a via oral, através da qual podem

ser ingeridos comprimidos e xaropes.




                                     80
A grande desvantagem dos medicamentos naturais reside no

facto de não serem reconhecidos e, logo, não serem comparticipados

pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), ficando mais caros para os

doentes. Para além desta, também existe outra desvantagem, a do

seu efeito ser mais demorado.

      Actualmente, cada vez mais, as pessoas procuram tratar os

seus problemas de saúde recorrendo às terapêuticas alternativas,

como é o caso da aquaterapia, aromaterapia e acupunctura.



What is acupuncture?

The   5.000-year-old   Chinese    art   of   acupuncture   involves   the

stimulation of specific points on the body by a variety of techniques-

usually hair-thin metallic needles-to treat or prevent illness. In 1997,

after looking at thousands of studies and interviewing leading

researchers, a panel of experts convened by the National Institutes of

Health concluded that acupuncture is an effective treatment for

nausea and vomiting caused by chemotherapy, surgery in adults and

post-operative dental pain. Getting needled, the panel said, can also

be helpful in combination with other therapies in the treatment of

addictions, stroke rehabilitation, headaches, menstrual cramps, tennis

elbow, fibromyalgia, myofascial pain, osteoarthritis, low-back pain ,

carpal tunnel syndrome, and asthma.

                                              In:www.cafeterra.info/2008

Osteopathy




                                        81
Osteopathy is a non-invasive, safe and effective hands-on

therapeutic    discipline.   Osteopathy    is   a   complete   system   of

assessment, treatment and integration of all the bodies systems and

tissues. Osteopathy is based on a detailed study of human anatomy,

physiology and biomechanics.

     Osteopaths use a refined sense of touch (palpation) and a

‘gentle, deep pressure’ to diagnose, treat and integrate tissue

dysfunction. Osteopaths do not treat symptoms of dysfunction (i.e.

pain), but rather, they treat the primary source or cause of that

dysfunction.

     Osteopaths are trained to treat all the tissues/systems of the

body (e.g. musculoskeletal, craniosacral, visceral, fascial, arterial,

and nervous). The purpose of an osteopathic treatment is to identify,

restore, maintain and improve the natural harmonious working of all

the body tissues/systems.

                                                In: www.satoriwellness.com




                                      82
In: www.setupmy.com



     Penso que o Governo e a Assembleia da República deveriam

alterar as leis, no sentido de serem incluídas no SNS as terapêuticas

naturais, pois cada vez mais os cidadãos recorrem a estas práticas,

tanto para tratamentos de beleza, como para tratamento de doenças e

dores que lhes estão associadas.




                                    83
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS


     A   vida   nocturna   é   propícia    à   transmissão   de   doenças

sexualmente transmissíveis (DST) também conhecidas por doenças

venéreas, porque são transmitidas através de relações sexuais, mas

também podem ser transmitidas através de objectos que transportam

os agentes causadores destas doenças, principalmente através de

contacto com sangue.

     Estas doenças podem ser detectáveis e tratadas, mas quando

são detectadas demasiada tarde, podem tornar-se bastante graves e

até podem causar a morte.

     O número de doentes com DST tem aumentado em todo o

Mundo, tornando as doenças venéreas, uma praga social.

     Das DST, a VIH/SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida)

assume uma principal importância, pois afecta milhões de pessoas

em todo o mundo.

     O aparecimento de novos casos de infectados com o vírus da

imunodeficiência adquirida (VIH) teve o seu pico nos últimos anos da

década de 90. Nesta época, surgiram três milhões de novas infecções

por ano. Em 2007, o número de novos casos desceu para 2.5

milhões, significando 6800 contágios por dia, o que reflecte uma

tendência natural da epidemia, assim como o resultado dos esforços

de prevenção realizados. O número de pessoas que morrem de SIDA

diminuiu nos últimos três anos. A SIDA é uma das principais causas

de morte no mundo e a principal em África.



                                      84
A África é o continente mais pobre do mundo, é o segundo

continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia), tem mais de 800

milhões de habitantes, distribuídos em 54 países, representando

cerca de um sétimo da população do mundo e é o terceiro continente

mais extenso, atrás da Ásia e das Américas, onde estão quase dois

terços dos portadores do vírus HIV da Terra. A continuidade das

guerras, o avanço de epidemias e o crescimento da miséria põem em

causa o seu desenvolvimento. O principal bloco económico é o SADC

(Southern African Development Community), formado por 14 países.

O atraso económico, a ausência de uma sociedade de consumo em

larga escala, a falta de informação, a higiene precária, etc., colocam

o mercado africano em segundo plano no mundo globalizado. Cerca

de 260 dos 783 milhões de habitantes da África vivem com menos de

1 dólar ao dia, abaixo do nível da pobreza definido pelo Banco

Mundial. A idade média da população era de 18,3 anos, em 1998.

     Em   2007,   existiam   no   mundo   33.2   milhões   de   pessoas

infectadas com o VIH, em que 15.4 milhões eram mulheres, 2.5

milhões eram crianças com menos de 15 anos de idade; foram

infectadas 2.5 milhões de novas pessoas e morreram da doença 2.1

milhões em todo o mundo.

     Apesar da taxa de novos casos e da mortalidade provocada

pela doença estar a diminuir, as estimativas apontam para o

aparecimento de 6800 novos casos por dia e cerca de 5700 mortes.

Desde 2001, o número de pessoas a viver com o vírus na Europa de

Leste e Ásia Central aumentou mais de 150 por cento, de 630 mil


                                    85
para 1.6 milhões de casos em 2007. Na Ásia, estima-se que o número

de infectados no Vietname tenha duplicado entre 2000 e 2005 e que a

Indonésia tenha o crescimento mais rápido da epidemia.

      A África é o continente onde se regista o maior número de

casos, mas certas zonas da Ásia apresentam as taxas de crescimento

de infecções mais rápidas. O VIH é causa de morte e doença em

grande crescimento, especialmente na África Sub-Sahariana, onde

existem cerca de 22,5 milhões de pessoas infectados pelo VIH, mas o

número de novos casos anuais (1.7 milhões) é menor do que os

registados nos anos anteriores. Na Ásia, existem 4,9 milhões de

pessoas infectadas pelo VIH e no Vietname, o número de casos

duplicou desde 2000. Os dados mostram que em 2007, foram

infectadas 2.5 milhões de pessoas, um valor abaixo do ponto alto

registado no final dos anos 90, onde se registavam cerca de três

milhões de novas infecções por ano.

      A diminuição do número de mortes anuais para 2.1 milhões

deve-se   ao   maior   acesso      a   medicamentos         anti-retrovirais    e

tratamentos.   A   UNAids    (Joint    United     Nations     Programme        on

HIV/AIDS) diz que os casos passaram de 39,5 milhões, em 2006, para

33,2 milhões, em 2007.

Cerca de 68 por cento dos infectados pelo vírus encontram-se na

África Sub-Sahariana. No entanto, o número de novos casos tem

vindo a diminuir. Actualmente são 22.5 milhões de pessoas a viverem

com   VIH/SIDA     nesta   zona.   Apenas       oito   países   desta    região

contabilizam um terço das novas infecções e mortes por SIDA no


                                        86
mundo. Na Suazilândia, por exemplo, 33.4 por cento da população

entre os 15 e os 49 anos está infectada. No Botswana, são quase 25

por cento da população, no Lesoto cerca de 23 por cento e no

Zimbabué 20 por cento da população.

      Na Europa Ocidental e Central e na América do Norte a maioria

das infecções pelo VIH foram adquiridas por via homossexual ou pelo

uso de drogas injectáveis, mas nos últimos anos uma proporção cada

vez   maior    das    infecções    é   adquirida    através    de   contacto

heterossexual sem utilização de preservativo.

      A União Europeia (UE) tem 27 estados membros, é a maior e mais

importante entidade política, económica e cultural do mundo, e é também, a

maior economia mundial, ultrapassando os Estados Unidos. Contudo, apesar

da maior parte da Europa incluir-se no mundo desenvolvido, o diagnóstico de

infecções adquiridas por via heterossexual aumentou em 122% entre 1997 e

2002. Uma grande percentagem destes novos diagnósticos é efectuada em

pessoas oriundas de países com grande incidência da infecção, principalmente

países da África Sub-Sahariana. O diagnóstico de novas infecções em

homossexuais do sexo masculino aumentou em 22% na Europa Ocidental

entre 2001 e 2002. 5075 em 2004). No entanto, na Bélgica, Dinamarca,

Portugal e Suíça houve um ligeiro, e na Alemanha um significativo, aumento.

      Embora o uso de drogas injectáveis seja responsável por um número

decrescente de novas infecções na maioria dos países da Europa Ocidental,

permanece um factor epidemiológico importante em países como Itália,

Portugal e Espanha e em algumas cidades de outros países. Apesar desse

fenómeno, em Portugal o número de novas infecções em toxicodependentes


                                        87
diminuiu de 2400, em 2000 para 1000, em 2004. Em Portugal cerca de 50%

dos casos diagnosticados em 2002 foi em toxicodependentes, mais de 40%

dos casos registados tiveram origem em indivíduos heterossexuais com

comportamento de risco.

        Em 2007, depois da Estónia, Portugal foi o país com a maior

taxa de número de novos casos de VIH por habitante dentro da União

Europeia, foram diagnosticados 205 novos casos por cada milhão de

habitantes, valor só ultrapassado pela Estónia, onde ocorreram 504,2

novas infecções em cada milhão de habitantes. Em terceiro lugar,

encontrava-se o Reino Unido (148,8 por milhão) e, em quarto lugar, a

Letónia (130.3 por milhão). A média europeia, em 2007, era de 67

novos casos por cada milhão de habitantes. O número de casos de

VIH na Europa e partes da Ásia quase que duplicou nos últimos seis

anos.

        Continua a verificar-se um aumento da proporção de mulheres

infectadas. O crescente impacto da epidemia nas mulheres também é aparente

no Sul e Sudeste asiático, onde existem quase dois milhões de mulheres

infectadas, assim como na Europa de Leste e na Ásia Central. A maioria das

mulheres no Mundo é infectada devido ao comportamento de risco do seu

parceiro sexual, sobre o qual têm pouco ou nenhum controlo.

        Uma das principais causas de transmissão de doenças venéreas é o

aumento da promiscuidade sexual, na sequência de várias alterações sociais,

tais como a intensidade das migrações, o que favorece relações sexuais

ocasionais; a eficiência dos meios terapêuticos actuais que diminuiu o receio




                                        88
de contágio; uma maior tolerância na área sexual; a utilização de novos

métodos contraceptivos e o aumento no uso de drogas, incluindo o álcool.

      Todas as pessoas atingidas por estas doenças, devem evitar a

contaminação de outras pessoas. No entanto, todos nós temos que estar

conscientes dos riscos que corremos ao termos um comportamento de risco,

que nos pode levar à morte.

      As DST são, por definição, doenças infecciosas transmitidas durante a

actividade sexual ou por contacto genital (a pessoa que sofre destas doenças

contagia a pessoa com quem mantém relações).

Os agentes causadores destas doenças, chamados agentes infecciosos, são,

geralmente, bactérias e vírus, que podem não afectar apenas as vias genitais,

mas também outros órgãos do corpo. Actualmente, existem cerca de 30

doenças sexualmente transmissíveis de difícil controlo, algumas delas

causando danos irreparáveis no organismo.




                                        89
DST                                        Agente                                                 Sintomas                               Transmissão                                      Prognóstico
G o n o rr e i a         N e i s se ri a              g o n o rr h o e a e       I n f l a ma çã o          do         colo         do   C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a             E s te ri l i d a d e                      e

                         (b a c té ri a )                                        ú te ro ,                        t ra n s to rn o s     i n t e r i o r, to a l h a s .                  i n fl a m a ç ã o d a p é l v i s .

                                                                                 m e n st ru a i s,           u r e t ri te         no                                                                     P o ss ív e l

                                                                                 homem,                                se c re çã o                                                       c e g u e i ra        do       recém-

                                                                                 a ma re l a d a .                                                                                        n a s ci d o .
S íf il is               T r e p o n e ma                     pallidium          I n i ci a l me n t e ,                  úlceras        C o n ta ct o        sexual,            vi a     Lesões               no       s i s te ma

                         (b a c té ri a )                                        g e n i ta i s    que          não        cu ra m.      p l a ce n t á r i a .                           ci rc u l a t ó r i o e n e rv o s o .

                                                                                 P o st e r i o rm e n te ,           lesões na                                                           M a l fo rm a ç ã o o u m o r te

                                                                                 p e l e e mu co sa s.                                                                                    d o r e c é m - n a sc i d o .
U re tr it e         e   C h l a my d i a               tr a c h o ma ti s       C o rr i m e n to   a ci n z e n ta d o ,               C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a             A rt ri te s. In fe cç õ e s n o s

v u lv o v a g in it     (b a c té ri a )                                        e sp u m o s o ,          co m        ch e i r o    a   i n t e r i o r, to a l h a s .                  o l h o s, p e l e e b o c a .

e                                                                                p e i x e . N o s h o me n s , d o r a o

                                                                                 u ri n a r .
H e rp e s               V í ru s h o mi n i s ( ví ru s)                        Lesões            ve si c u l a re s            nos     C o n ta ct o se xu a l .                        P o d e co n ta g i a r o f e t o .

g e n i ta l                                                                     ó rg ã o s g e n i ta i s e xt e r n o s.                                                                A u me n t a         o     risco         de

                                                                                                                                                                                          c a n cr o       do        colo          do

                                                                                                                                                                                          ú te ro .
H e p a t it e B         V á r i o s t i p o s d e v ír u s                      L e s õ e s h e p á ti ca s , h e p a t i t e ,         Sangue,                    e sp e r ma ,         P ro d u z                     graves

                                                                                 ci rr o s e .                                           se cr e ç ã o       va g i n a l ,      vi a     p ro b l e ma s          no    f íg a d o .

                                                                                                                                         plancentária,                        leite       P o d e ca u sa r a mo rt e .

                                                                                                                                         ma te rn o , sa l i va .



S ID A                   V IH (v ír u s )                                        A n e mi a ,      f e b re ,         p e rd a      de   Sangue,                   e s p e rm a ,         T r a n sm i t e - s e        ao      fe to .

                                                                                 p e so ,                          alterações            se cr e ç ã o       vaginal,           vi a      In fe cç õ e s

                                                                                 i m u n i tá ri a s .                                   plancentária,                        l e i te    g e n e r a l i za d a s e m o r te .

                                                                                                                                         ma te rn o .


Candidíase               C â n d i d a a l b i ca n s (f u n g o )               P i ca d a s              ao              urinar,       C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a             Ma i s        fr e q u e n t e           na

                                                                                 co mi ch ã o ,            f l u xo       vaginal        i n t e r i o r, t o a l h a s, ro u p a         mu l h e r.           Não              tem

                                                                                 mu i t o a b u n d a n t e .                            h ú mi d a .                                     co n s e q u ê n ci a s.
T ri c o mo n í a s      T ri ch o m o n a                    va g i n a l i s   A r d o r,    comichão,                      fl u x o   C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a             In fe cç ã o     u r i n á ri a          na

e                        (p ro to zo á r i o )                                   va g i n a l a ma re l o .                              i n t e r i o r, to a l h a s .                  mu l h e r       e    u re tr i t e      no

                                                                                                                                                                                          h o me m.
P e d i c u lo s e       Phtirius pubis                                          L e sõ e s n a p e l e , p i ca d e l a s               F a l ta        de          higiene,             Sem consequências se

p ú b l ic a             (a rt ró p o d e )                                      n a zo n a p ú b i ca .                                 l e n çó i s,               to a l h a s ,       d e sp a ra si ta r a p e l e e

(chatos)                                                                                                                                 co n t a c to s e x u a l .                      d e si n fe ct a r a ro u p a e m

                                                                                                                                                                                          á g u a f e r ve n t e .




                            Os primeiros sintomas das DST podem passar despercebidos,

               podendo mesmo existir portadores saudáveis, ou seja, pessoas que

               podem transmitir a doença sem que esta se tenha manifestado nelas.

               Com            o        tempo,                   a         infecção                       alastrar-se-á                              a       várias                       partes                do

                                                                                                                      90
organismo.As DST podem ter consequências graves e permanentes,

especialmente nas mulheres e nos recém-nascidos (como esterilidade

e cegueira), e afectar repetidamente a mesma pessoa por não

existirem vacinas. No entanto, existem tratamentos eficazes e quase

todas as DST podem ser curadas. Para isso, é necessário um

diagnóstico     precoce,   medicação    específica    contra   os    agentes

infecciosos e um correcto tratamento até à cura total.Apesar de tudo,

nos últimos anos tem-se verificado uma expansão das DST, em

grande parte devido a uma mentalidade cada vez mais aberta

relativamente à sexualidade.

     Actualmente já não se pode falar em grupos de risco, mas sim

em comportamentos de risco. O risco de contrair estas doenças não

obriga à abstinência sexual, mas sim à prática de sexo seguro,

através do uso do preservativo e da fidelidade ao/do parceiro sexual.

É muito importante não esquecer que o preservativo é o único método

contraceptivo    eficaz    na   preservação   das    DST,   uma     vez   que

representa uma barreira que impede que o sangue, o sémen ou o

fluido vaginal entrem em contacto; é o único método recomendado

para relações sexuais que ocorram em ambientes de “lazer”, locais

onde, por vezes, ocorrem com pessoas que não conhecemos o

suficiente. Contudo, deve dar-se importância à fidelidade do parceiro

sexual, à higiene de todo o corpo e, em particular, dos órgãos

genitais, além das idas regulares ao médico de família. Mas é

importante que fique claro que nunca se conhece completamente uma

pessoa, seguro é prevenir sempre.


                                        91
Relativamente à hepatite B e à SIDA, não se deve partilhar,

seja com quem for, mesmo que sejam pessoas da mesma família,

objectos pessoais de higiene, tais como escovas de dentes, lâminas

de barbear e outros objectos cortantes. A prevenção da hepatite B

inclui também uma vacina.A transmissão das DST pode estar

relacionada com ocorrências no ambiente de trabalho, por exemplo o

caso dos profissionais da saúde que estão de alguma forma expostos

aos fluidos de pacientes infectados. Os profissionais que sofrem um

acidente do trabalho, expostos ao sangue e a outros fluidos de

pacientes potencialmente contaminados devem ser tratados como

casos de emergência médica, uma vez que para maior eficácia, as

medidas e os tratamentos profilácticos da infecção, de algumas DST,

necessitam ser iniciados logo após a ocorrência do acidente.

Contudo, como medida de prevenção, os profissionais da área da

saúde, uma área de algum modo exposta aos riscos, devem usar

luvas, máscaras, etc. As restante áreas de trabalho não são muito

propensas à transmissão de DST, considerando que as formas de

transmissão destas doenças ocorre por via sexual ou por contacto

com sangue contaminado e não é por nós convivermos em ambiente

de trabalho, por exemplo com pessoas portadoras de VIH que ficamos

infectados; para que isso aconteça é necessários que tenhamos

algum tipo de comportamento de risco. As doenças emergentes têm

sido definidas como aquelas cuja incidência nos seres humanos tem

aumentado nas últimas décadas, são aquelas que não tinham

significado no passado e num determinado momento surgem como


                                   92
novas, são causadas por agentes etiológicos desconhecidos. A SIDA,

por exemplo, mostra bem a definição, o vírus VIH quando foi

identificado, era diferente de tudo o que já se tinha visto. Outro

exemplo recente de doença emergente é a gripe aviária por mutação

do vírus H5N1; também a transmissão interpessoal das febres

hemorrágicas virais, como os casos recentes das febres Marburg e

Ébola, em África, apresentam grande potencial epidémico.

      As doenças reemergentes são aquelas que devido ao seu

reaparecimento ou, ao aumento do número de infecções por uma

doença já conhecida, volta a ser considerada um problema de saúde

pública.

      Entre as chamadas doenças reemergentes, há conhecimento de

um recente surto de poliomielite em cerca de quinze países de África

e Médio Oriente, por falhas nas coberturas vacinais; a epidemia de

cólera que, nos últimos quarenta anos, afectou mais de 75 países e

que causou, nos últimos dois anos, só em Angola, cerca de cinquenta

mil casos e duas mil mortes.

      Actualmente, a sífilis é considerada uma doença reemergente,

devido ao grande aumento da sua incidência nos países em

desenvolvimento, enquanto nos países desenvolvidos é actualmente

considerada epidemiologicamente estável. A sífilis foi descrita pela

primeira vez há aproximadamente 500 anos. Durante estes séculos

sua importância foi destacada não só pela alta incidência como pelo

aparecimento de formas graves, malformações produzidas nos recém-

nascidos e a sua grande mortalidade.


                                   93
O conceito de transmissão sexual apareceu por volta de 1850.

Nesta época, a sua disseminação dava-se quase que exclusivamente

em locais onde o sexo era usado como moeda de troca. Foi atribuído

à promiscuidade o maior número de contaminados.

      Com a descoberta da penicilina, o tratamento da sífilis levou a

uma grande diminuição da incidência. Na década de 60 do século XX

chegou-se a prever a sua erradicação até o final dos anos 80.

Entretanto, a partir de 1986, nos Estados Unidos da América (EUA),

observou-se um aumento na incidência de sífilis em mulheres na

idade fértil e, portanto, um aumento dos casos de sífilis congénita.

Este facto foi atribuído a problemas sociais como a pobreza e a

promiscuidade, uso de drogas e pelo facto do sexo se ter tornado

moeda de troca dos viciados em crack e cocaína, para conseguirem a

droga. Com a adopção de medidas de controle epidemiológico, as

mesmas usadas no controle da SIDA, hepatite B e outras, a

incidência já estava estabilizada na América do Norte em 1995.

      As causas mais comuns de emergência e reemergência de

doenças infecciosas são: o crescente número de pessoas vivendo e

deslocando-se     pelo   mundo;   as    rápidas   e   intensas    viagens

internacionais;   a   superpopulação    em   cidades    com      precárias

condições sanitárias; o aumento da exposição humana a vectores

(seres vivos capazes de transmitirem de forma activa ou passiva um

agente infeccioso, que pode ser um parasita, bactéria ou vírus) e

reservas naturais; as alterações ambientais e mudanças climáticas.




                                       94
A partir de 2002, o número global anual de novas infecções em

homossexuais do sexo masculino na Europa Ocidental diminuiu

ligeiramente (de 5453 em 2002 para 5075 em 2004). No entanto, na

Bélgica, Dinamarca, Portugal e Suíça houve um aumento ligeiro, e na

Alemanha um significativo, aumento.


      AGRICULTURA


      Apesar de não ser um agricultor profissional tenho tido sempre

procurado a melhor informação sobre a evolução das novas técnicas

e práticas bem como as alternativas agrícolas.

      A passagem da técnica da recolha itinerante de alimentos para

eliminar as necessidades alimentares, para a técnica do cultivo

provocou grandes alterações no modo de vida das pessoas e dos

campos agrícolas.

      A agricultura actua sobre o meio e permite a obtenção de

recursos de natureza diversa, entre os quais os alimentares. A prática

agrícola levada a cabo há milhares de anos pelo homem em proveito

próprio, pode ser feita de forma mais ou menos intensiva, com maior

ou menor respeito pelos equilíbrios naturais, com maior ou menor

grau de protecção e melhoria do meio e da qualidade de vida.

      Durante muito tempo, as técnicas utilizadas respeitaram o solo,

a   fertilidade,   a   diversidade   e   a    qualidade   das   produções,

seleccionando e/ou domesticando variedades e raças. Devido às

novas tecnologias, que surgiram principalmente no início do século

XX, conseguiram-se produções muito elevadas, em que se utilizaram


                                         95
todos os tipos de recursos disponíveis, sem limitações nos impactos

negativos, algumas vezes irreversíveis ou de difícil recuperação, isto

é, a agricultura desenvolveu-se de uma forma não sustentável.

      Com o objectivo de contrariar esta forma de produção agrícola,

surgiu uma forma de agricultura alternativa, cujo principal objectivo é

a aproximação da agronomia à ecologia, recuperando técnicas e

práticas tradicionais, mas sem deixar de parte a utilização de

algumas das novas tecnologias.

      Depois de muitas décadas de intensificação agrícola, com

importantes prejuízos ambientais, a agricultura biológica tenta ser

uma aproximação da agricultura à ecologia recuperando técnicas

tradicionais.

      Os produtos de agricultura biológica são produzidos sem o

recurso a pesticidas, ingredientes artificiais e conservantes, agro-

químicos sintéticos, irradiação, etc., sendo por esse motivo mais

saborosos e saudáveis.

      A agricultura biológica é um modo de produção certificado e,

que de acordo com o regulamento 2092/91, da União Europeia, que

não utiliza aditivos prejudiciais à saúde e evita os pesticidas.

      Este método de produção agrícola é cientificamente testado,

respeita o equilíbrio entre o homem, o solo, as plantas e os animais,

contribuindo para a sustentabilidade do ecossistema.No solo fértil e

saudável, são produzidos alimentos de elevada qualidade, que

proporcionam uma melhor qualidade de vida a quem os consome.




                                      96
A agricultura biológica é um sistema de produção que visa a

manutenção da produtividade do solo e da cultura, para proporcionar

nutrientes às plantas e controlar as infestantes, parasitas e doenças,

com utilização preferencial de rotações de culturas, adição de sub-

produtos agrícolas, estrumes, leguminosas, detritos orgânicos, rochas

ou minerais triturados e controlo biológico de pragas, evitando-se

assim o uso de fertilizantes e pesticidas de síntese química,

reguladores de crescimento e aditivos nas rações.

      A agricultura biológica baseia-se numa série de objectivos e

princípios, assim como em práticas comuns desenvolvidas para

minimizar o impacto humano sobre o ambiente e assegurar que o

sistema agrícola funciona da forma mais natural possível. As práticas

tipicamente usadas em agricultura biológica incluem: rotação de

culturas, como um pré-requisito para o uso eficiente dos recursos

locais; limites muito restritos ao uso de pesticidas e fertilizantes

sintéticos,   de   antibióticos,   aditivos   alimentares   e   auxiliares

tecnológicos, e outro tipo de produtos; proibição absoluta do uso de

organismos geneticamente modificados; aproveitamento dos recursos

locais, tais como o uso do estrume animal como fertilizante ou

alimentar os animais com produtos da própria exploração; escolha de

espécies vegetais e animais resistentes a doenças e adaptadas às

condições locais; criação de animais em liberdade e ao ar livre,

fornecendo-lhes alimentos produzidos segundo o modo de produção

biológico; utilização de práticas de produção animal apropriadas a

cada espécie.


                                       97
Mas a agricultura biológica também faz parte duma cadeia de

abastecimento maior, que engloba os sectores de transformação,

distribuição e revenda, e por último, o próprio consumidor. Cada

elemento desta cadeia desempenha um papel importante na geração

de benefícios através dum vasto leque de áreas, incluindo a

protecção ambiental, bem-estar animal, confiança do consumidor,

sociedade e economia.

         A crescente procura do consumidor por alimentos de agricultura

biológica originou muitas oportunidades em todos os sectores da

cadeia     de   abastecimento          de    alimentos,   com     um   aumento     no

desenvolvimento económico e social de muitas áreas rurais da União

Europeia.       Além       de   oferecer     maior     segurança    financeira    aos

agricultores,     transformadores,           distribuidores   e   revendedores     de

produtos     biológicos,        os   benefícios      económicos    desta   tendência

acabam inevitavelmente por se introduzir noutros negócios rurais e na

comunidade rural em geral, directa e indirectamente.

         A natureza da agricultura biológica é propícia à criação de

novos postos de trabalho, a populações rurais mais alargadas e a

prosperidade rural. Os factores que contribuem para isto incluem: as

explorações de agricultura biológica tendem a ser de menores

dimensões e mais diversificadas do que as explorações de agricultura

não biológica que, por comparação, têm tendência para serem, em

geral,    maiores      e    geridas     de    forma    mais   intensiva;   a     maior

necessidade de mão-de-obra frequentemente gerada pela restrição de

factores de produção e ênfase nos métodos de produção físicos e


                                                98
mecânicos; a elevada compatibilidade das explorações agrícolas

biológicas com empreendimentos rurais e de ecoturismo; novas áreas

de investigação (protecção de plantas, bem-estar animal, recursos

renováveis) para os cientistas.

      Os agricultores biológicos são mais beneficiados em questões

de saúde, por não terem que trabalhar com produtos químicos,

normalmente utilizados na agricultura.

      A    agricultura   biológica   origina    paisagens   naturais     mais

atractivas, uma vez que são plantadas sebes e prados, preserva a

flora e a fauna nativas, protege e melhora o solo e os recursos

hídricos e utiliza espécies animais e vegetais e recursos autóctones.

O conjunto destas práticas aumenta a atractividade global das áreas

rurais, tornando-as mais capazes de fixar habitantes, num momento

em que as populações rurais estão a diminuir. A agricultura biológica

também contribui para um maior envolvimento das comunidades

rurais na cadeia de abastecimento. Os membros da cadeia de

abastecimento estão mais envolvidos.

      A agricultura biológica tem crescido exponencialmente ao longo

dos últimos anos, sendo praticada em mais de 120 países. A área

cultivada mundialmente       em   agricultura   biológica   é de cerca     de

31 milhões de hectares. Acrescem 62 milhões de hectares de recolha

de plantas silvestres, que são certificadas em agricultura biológica.

      As plantas necessitam de diversos elementos químicos, no

entanto,   alguns   desses    elementos      estão   disponíveis   no    meio

ambiente e são assimiláveis pelas plantas, como, por exemplo, o


                                        99
carbono, hidrogénio e oxigénio. Outros como nitrogénio (azoto),

apesar de existir em abundância na atmosfera, não são directamente

absorvidos pelas plantas, ou o processo de absorção é muito lento

face à necessidades de produção.




     O CICLO DO AZOTO




     O ciclo do nitrogénio ou ciclo do azoto é o processo pelo qual o

nitrogénio ou azoto circula através das plantas e do solo pela acção

de organismos vivos. O ciclo do azoto é um dos ciclos mais

importantes nos ecossistemas terrestres. O nitrogénio é usado pelos

seres vivos para a produção de moléculas complexas necessárias ao

seu desenvolvimento, tais como aminoácidos, proteínas e ácidos

nucleicos.


                                   100
O principal repositório de nitrogénio é a atmosfera (78% é

composta por nitrogénio), no estado gasoso (N 2 ). Outros repositórios

consistem em matéria orgânica nos solos e oceanos. Apesar de

extremamente abundante na atmosfera o nitrogénio é frequentemente

o nutriente limitante do crescimento das plantas. Isto acontece,

porque as plantas apenas conseguem usar o nitrogénio sob duas

formas sólidas: ião de amónio (NH 4 + ) e ião de nitrato (NO 3 - ), cuja

existência não é tão abundante. Estes compostos são obtidos através

de vários processos tais como a fixação e nitrificação.

      A maioria das plantas obtém o nitrogénio necessário ao seu

crescimento através do nitrato, uma vez que o ião de amónio lhes é

tóxico em grandes concentrações. Os animais recebem o nitrogénio

que necessitam através das plantas e de outra matéria orgânica, tal

como outros animais (vivos ou mortos).

As etapas do ciclo do azoto são:

Fixação - A fixação é o processo através do qual o azoto é capturado

da atmosfera em estado gasoso (N 2 ) e convertido em formas úteis

para outros processos químicos, tais como amoníaco (NH 3 ), nitrato

(NO 3 - ) e nitrito (NO 2 - ). Esta conversão pode ocorrer através de vários

processos, os quais são descritos nas secções seguintes.

Assimilação - Os nitratos formados pelo processo de nitrificação

são   absorvidos   pelas   plantas   e    transformados    em   compostos

carbonados para produzir aminoácidos e outros compostos orgânicos

de nitrogénio. A incorporação do nitrogénio em compostos orgânicos




                                         101
ocorre em grande parte nas células jovens em crescimento das

raízes.

Mineralização - Através da mineralização (ou decomposição) a

matéria orgânica morta é transformada no ião de amónio (NH 4 + ) por

intermédio de bactérias aeróbicas , anaeróbicas e alguns fungos.

Nitrificação - A oxidação do amoníaco, conhecida como nitrificação,

é um processo que produz nitratos a partir do amoníaco (NH3). Este

processo é levado a cabo por bactérias (bactérias nitrificantes) em

dois passos: numa primeira fase o amoníaco é convertido em nitritos

(NO2-) e numa segunda fase (através de outro tipo de bactérias

nitrificantes) os nitritos são convertidos em nitratos (NO3-) prontos a

ser assimilados pelas plantas.

Desnitrificação - A desnitrificação é o processo pelo qual o azoto

volta à atmosfera sob a forma de gás quase inerte (N2). Este

processo ocorre através de algumas espécies de bactérias em

ambiente     anaeróbico.     Estas    bactérias    utilizam    nitratos

alternativamente ao oxigénio como forma de respiração e libertam

azoto em estado gasoso (N2).

Eutrofização - corresponde a alterações de um corpo de água como

resultado de adição de azoto ou fósforo. Os compostos de azoto

existentes no solo são transportados através dos cursos de água,

aumentando a concentração nos depósitos de água, o que pode fazer

com que estes sejam sobre-populados por certas espécies de algas

podendo ser nocivo para o ecossistema envolvente.




                                     102
Aos elementos necessários e que são normalmente adicionados

pelos agricultores às suas plantações para eliminar essas faltas e

aumentar a produtividade, chama-se fertilizante ou adubo .

        Podem ser aplicados através das folhas mediante pulverização

manual ou mecânica, chamada de adubação foliar, via irrigação ou

através do solo.

        Os fertilizantes, não obstante o seu mérito na agricultura,

podem causar poluição dos solos e dos cursos de água.

        Existem dois tipos de adubos ou fertilizantes, nomeadamente:

Adubos minerais - são extraídos de minas e transformados em

indústrias químicas. São directamente assimilados pelas plantas ou

sofrem    apenas     pequenas    transformações     no     solo   para   serem

absorvidos. Podem conter apenas um elemento ou mais de um. Os

principais elementos fertilizantes são: nitrogénio, fósforo e potássio.

   Adubos orgânicos - são resíduos animais ou vegetais, sendo de

acção     mais     lenta   que   os    minerais,   visto    que    necessitam

transformações maiores antes de serem utilizados pelos vegetais.

Promove o desenvolvimento da flora microbiana e por consequência

melhoram as condições físicas do solo; assim, a presença de matéria

orgânica acelera a actuação dos adubos químicos.

        O herbicida é um produto químico utilizado na agricultura para

o controle das ervas daninhas. Os herbicidas são um tipo de

pesticida. Algumas das vantagens da utilização deste produto é a sua

rapidez de acção, o custo reduzido, etc. Os problemas que surgem da

utilização   dos    herbicidas   são   a    contaminação     ambiental    e   o


                                           103
aparecimento de ervas resistentes. Todos os herbicidas são tóxicos

para os seres humanos em alguma medida e também existem

herbicidas     naturais.     Os   herbicidas        podem   ser       agrupados      por

actividade, uso, modo de acção, grupo químico ou tipo de vegetação

controlada.

      O fungicida é um pesticida que destrói ou inibe a acção dos

fungos   que    habitualmente       atacam      as    plantas.    A     utilização   de

fungicidas sintéticos é muito comum na agricultura convencional, e

representa um grave risco para o homem e o meio ambiente, por se

tratar de um produto muito tóxico e perigoso.

      Para além de produtos químicos, na agricultura também são

utilizadas    diversas      máquinas    que     contribuem       para       uma   maior

produção e para aliviar o trabalho dos agricultores, como por

exemplo:

      O arado é um instrumento que serve para lavrar os campos,

revirando a terra com o objectivo de descompactá-la e facilitar o

desenvolvimento das raízes das plantas. O arado pode ser de tracção

animal, para pequenas áreas; ou por tracção motorizada, quando se

utiliza o tractor.

      O tractor é um tipo de máquina que exerce tracção. Possibilita a

execução      de       trabalho   produtivo     com     conforto       ao    operador,

multiplicando      a    força humana. É         normalmente projectado             para

arrastar vários tipos de alfaias ou implementos de uso específico, um

mesmo tractor com diferentes implementos possibilita diversos tipos

de aplicações.


                                              104
A enfardadeira é uma máquina de uso agrícola que permitem

recolher e enfardar o feno ou a forragem no campo, para posterior

aproveitamento como alimento de animais em época de seca ou

Inverno.    Produzem        os     tradicionais      fardos    em     forma       de

paralelepípedos, ou os modernos fardos cilíndricos. Normalmente são

traccionadas por um tractor agrícola.


      PRESERVAÇÃO DO AMBIENTE


      O planeta Terra está doente e, apesar de todas as campanhas

no sentido de se melhorar a qualidade do ambiente, tudo que

fizermos é pouco, porque ainda há muito para fazer. Embora as

campanhas de preservação do ambiente se tenham intensificado, o

certo é que, ainda há muitas pessoas que não têm qualquer tipo de

cuidado com o ambiente. Não separam os lixos, não poupam água e

não fazem qualquer esforço para preservarem e melhorarem o meio

ambiente, assim como a sua qualidade de vida.

      O    crescimento      populacional        da   espécie     humana       e    o

desenvolvimento económico e tecnológico têm como consequência

um aumento da exploração dos recursos naturais.

      Os recursos naturais são elementos constituintes da Terra com

utilidade para o Homem, no sentido de permitir a sua sobrevivência e

o desenvolvimento da civilização. Os recursos naturais podem ser

renováveis e não renováveis.

      Os recursos não renováveis formam-se a um ritmo muito lento,

de   tal   modo   que   a   taxa    da   sua    reposição      pela   natureza     é


                                          105
infinitamente menor que a taxa do seu consumo pelas populações

humanas.    São   recursos   finitos.    Os   recursos   renováveis    são

ciclicamente   repostos   pela   Natureza,    num   intervalo   de   tempo

compatível com a duração da vida humana. O aumento da exploração

de recursos naturais é acompanhado pelo aumento da produção de

resíduos. A poluição pode afectar o solo, o ar e a água. A

transformação de materiais residuais, usados ou inúteis, em materiais

de novo reaproveitáveis, constitui o objectivo da reciclagem.


     A POLUIÇÃO


     As actividades humanas são responsáveis pelo lançamento de

grandes quantidades de materiais poluentes na água. São diversas as

fontes de poluição das águas subterrâneas, dos rios e dos oceanos.




     A indústria é uma das actividades mais poluidoras da água. Nos

circuitos de produção, a água é utilizada de diversos modos: como

                                        106
dissolvente, como reagente químico, na lavagem e no arrefecimento,

acabando por ficar poluída. Por vezes a água residual é lançada por

tratar,     directa   ou    indirectamente,     nos    rios,   ribeiras,   lagos    ou

albufeiras, onde provoca graves desequilíbrios e a morte de muitos

seres, sobretudo aquáticos e anfíbios. Por outro lado, se esta água se

infiltrar    no   solo     vai   contaminar    as     águas    subterrâneas,       com

consequências graves para a saúde pública.

         A utilização de fertilizantes e pesticidas na agricultura tem

consequências para os recursos hídricos, poluindo e alterando a

qualidade das águas, quer superficiais, quer subterrâneas. As águas

das chuvas e de irrigação conduzem esses poluentes para os rios,

lagos e albufeiras, onde provocam problemas aos diversos seres

vivos.

         Devido à elevada concentração de nutrientes, especialmente

azoto e fósforo – eutrofização – algumas algas multiplicam-se

extraordinariamente, formando uma camada espessa à superfície da

água e dificultando, desta forma, a penetração da luz. As algas que

se situam em níveis mais profundos morrem devido à forte diminuição

da   luminosidade.         Como    consequência,       o   meio    perde    oxigénio

acabando todos os seres vivos por serem afectados e muitos

morrerem.

         Os produtos utilizados na agricultura, ao infiltrarem-se no solo,

podem atingir as águas subterrâneas, com consequências graves

para a qualidade da água e para os seres vivos que a utilizam.




                                              107
As actividades domésticas e hoteleiras em regiões de grande

concentração urbana constituem também fontes de poluição, através

das águas residuais que são lançadas nos cursos de água, por vezes,

sem tratamento prévio.


      ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS


      A    utilização   de   combustíveis         fosseis,    principalmente   nos

automóveis e nas indústrias, resulta na emissão para a atmosfera de

toneladas de substâncias poluentes sob a forma de gases, como o

dióxido de carbono, e de poeiras.

      A acumulação de dióxido de carbono na atmosfera pode

provocar o aquecimento global do planeta.

      As    poeiras,    partículas   de     pequeníssimas        dimensões,    são

produzidas nas siderurgias e indústrias de cimento e ainda pelos

escapes dos automóveis. Contribuem globalmente para a mudança

climática na Terra.

      O dióxido de enxofre proveniente de muitas indústrias é um gás

que está na origem das chuvas ácidas, que afectam as árvores, os

animais e danificam os monumentos.

      Os solos são poluídos, principalmente, quer pela acumulação

de resíduos sólidos – lixos domésticos e resíduos industriais – quer

por poluentes químicos resultantes de indústrias e por pesticidas e

fertilizantes utilizados na agricultura.

      As    substâncias      radioactivas    também          podem   ser   grandes

poluidoras do solo, porque durante milhões de anos continuam a


                                            108
emitir radiações altamente perigosas para todas as formas de vida.

Não existe, hoje em dia, uma solução inteiramente segura para se

guardar o lixo radioactivo, sendo este por vezes depositado em

contentores      selados,    à   espera   que     se   encontre    uma     solução

definitiva.

        O aumento demográfico, a desertificação de certas áreas e a

poluição de outras, levam a uma maior ocupação de áreas de risco

geológico por populações humanas que assim ficam sujeitas, com

maior       probabilidade,   a   desastres       geológicos    como:      erupções

vulcânicas,      deslizamento     e    subsidência     de     terrenos,    sismos,

maremotos, inundações e impactos de meteoritos.


        O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


        O      desenvolvimento        sustentável      é      um   modelo      de

desenvolvimento que vai ao encontro das nossas necessidades no

presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras.

Para o conseguir, é necessária uma melhor gestão ambiental,

nomeadamente através das seguintes medidas:

                  •   Redução de impactes ambientais negativos;

                  •   Ordenamento do território;

                  •   Recuperação de áreas degradadas;

                  •   Redução da produção de resíduos e reciclagem;

                  •   Utilização de subprodutos;

                  •   Conservação do património geológico.




                                           109
A RESPONSABILIDADE ECOLÓGICA


     São pequenos gestos que marcam a diferença e que não têm

custos, quando os praticamos. Penso que as pessoas deveriam andar

menos de carro próprio e optarem mais pelos transportes públicos ou

pelas caminhadas a pé, quando as distancias assim o permitem.

Desta forma, contribuíam para a redução das emissões de dióxido de

carbono (CO 2 ) para a atmosfera.

     Actualmente, outro problema a que o meio ambiente está

exposto é a massiva utilização de sacos plásticos pelos humanos,

devido ao facto da sua decomposição levar anos a ser feita. Se todos

nós, quando nos deslocamos aos supermercados para realizar as

nossas compras, levássemos sacos de pano para colocarmos os

produtos que compramos, o problema da poluição ambiental por

plástico seria, substancialmente, mais reduzido.

     A falta de responsabilidade ecológica é o principal problema do

planeta em que vivemos. Não é a poluição, a destruição da camada

de ozono ou algo parecido. O principal motivo do grande problema

ambiental que a Terra enfrenta é que não há um número bastante

grande de seres humanos que tenha desenvolvido a consciência

necessária para a sua conservação.

     Na base da crise ecológica está uma crise de valores, mas não

nos podemos esquecer que a sobrevivência da espécie humana

depende disso.Eu sei que se assumir a minha responsabilidade na

sociedade, assumo um papel activo: interajo com o meio ambiente

que me rodeia, com o intuito de o preservar. É fundamental que os

                                     110
homens e as mulheres estejam conscientes que o meio ambiente é

um bem comum a todos os seres vivos, para que todos os recursos

naturais que a Terra nos oferece não sejam extintos.


     O DIÓXIDO DE CARBONO


     O dióxido de carbono é essencial à vida no planeta, visto que é

um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese –

processo pelo qual os organismos fotossintetizantes transformam a

energia solar em energia química. Esta energia química, por sua vez,

é distribuída para todos os seres vivos através da cadeia alimentar.

Este processo é uma das fases do ciclo do carbono e é vital para a

manutenção dos seres vivos.




                   Fonte: www.aticaeducacional.com.br

     O   carbono    é   um   elemento   básico   na    composição   dos

organismos, tornando-o indispensável para a vida no planeta. Este
                                    111
elemento é armazenado na atmosfera, nos oceanos, solos, rochas

sedimentares e está presente nos combustíveis fósseis (petróleo,

carvão mineral e gás natural). Contudo, o carbono não fica fixo em

nenhum desses locais. Existem uma série de interacções por meio

das quais ocorre a transferência de carbono de um local para outro

(fluxos).

      Muitos organismos nos ecossistemas terrestres e nos oceanos,

como as plantas, absorvem o carbono encontrado na atmosfera na

forma de dióxido de carbono (CO 2 ). Esta absorção dá-se através do

processo de fotossíntese. Por outro lado, os vários organismos, tanto

plantas como animais, libertam dióxido de carbono para a atmosfera

mediante o processo de respiração. Existe ainda a troca de dióxido

de carbono entre os oceanos e a atmosfera por meio da difusão.



                           Fotossíntese




                               Respiração




                                   112
A libertação de dióxido de carbono através da queima de

combustíveis fósseis e alterações no uso da terra, impostas pelo

homem, constituem importantes alterações nos armazéns naturais de

carbono e têm um papel fundamental na mudança do clima do

planeta. Isto porque depois do vapor de água, o CO 2 é o gás do efeito

estufa que mais contribui para o aquecimento global.


        O UNIVERSO


        A Terra faz parte do sistema solar a que pertence a Via Láctea,

uma acumulação de milhares de estrelas parecidas ao Sol. Ao

reflectir    sobre   as     dimensões   do   Universo     reconheço    como    é

insignificante o nosso planeta se o compararmos com o resto dos

corpos celestes.

O astro central do nosso sistema é o Sol que emite luz própria, à sua

volta giram nove grandes planetas, além dos inumeráveis pequenos

asteróides, como os cometas e os enxames de meteorito.Todos os

planetas giram à volta do Sol em órbitas planas e com o mesmo

sentido de revolução; reflectem a luz que recebem do Sol e estão

envolvidos numa atmosfera semelhante à da Terra.

        A Terra, o terceiro astro a contar do Sol, é um planeta de

pequeno tamanho que se move numa trajectória elíptica, muito

próximo de uma circunferência. Sobre a origem do sistema solar e da

Terra       têm   surgido    diversas   hipóteses   que    muitas     vezes   se

contradizem entre si. Hoje em dia, poucas afirmações se podem

demonstrar com total segurança como, por exemplo, afirmar que a Via


                                          113
Láctea   se    formou   há   mais   de   6000   milhões   de   anos   como

consequência da agregação de matéria muito fragmentada (gás e pó).

     Graças à investigação sobre desintegração radioactiva dos

elementos químicos, foi possível determinar com maior exactidão os

diferentes períodos do tempo geológico da Terra. O nosso planeta

formou-se à 4600 milhões de anos, a partir da aglomeração de

partículas cósmicas.

     Se estivéssemos no local situado no Universo fora da Terra

decerto observaríamos que a Terra tem múltiplos e desconcertantes

movimentos. Observando com atenção do mesmo lugar, verificamos

que o Sol nem sempre nasce no mesmo sítio do horizonte e nem

sempre se põe no mesmo sítio. De facto, o Sol só nasce exactamente

a Oriente e só se põe exactamente a Ocidente nos dias 21 de Março

e 23 de Setembro (os equinócios). Mas, qualquer que seja o dia do

ano, passado um ano (cerca de 365 dias), o Sol volta a nascer no

mesmo sítio.

Por outro lado, observando ao longo do ano também do mesmo lugar

mas de noite, verificamos que o aspecto do céu à mesma hora da

noite não é o mesmo, todos os meses. Mas tudo se repete de ano a

ano. Vemos o céu nocturno diferente todos os meses, porque a Terra

se está a mover no espaço e fica virada para zonas diferentes do céu

à medida que os meses passam.

     O tempo que a Terra demora a dar uma volta completa em volta

do Sol não é exactamente de 365 dias, mas sim 365 dias e 6 horas,

pelo que, de quatro em quatro anos, existe um ano com um dia a mais


                                         114
no calendário, sempre o último de Fevereiro. Esses anos são

chamados bissextos.

     Tanto os diferentes lugares onde nasce e se põe o Sol como o

diferente aspecto do céu durante os vários meses do ano são

explicados pelo movimento de translação da Terra em torno do Sol.

Dizemos que o período de translação da Terra é um ano, o tempo

formado por 365 dias e 6 horas. Por outro lado,    sabemos que os

vários meses do ano têm um clima diferente. As quatro estações do

ano (Primavera, Verão, Outono e Inverno) caracterizam-se por

 tempos meteorológicos bem distintos. No hemisfério Norte, a

Primavera começa a 21 de Março, o Verão a 21 de Junho,     o Outono

a 23 de Setembro e o Inverno a 21 de Dezembro, pelo que as

estações dividem o ano em quatro partes aproximadamente iguais.




                           Translação da Terra



     No Verão, está mais quente e no Inverno mais frio. Mas o Verão

e o Inverno ocorrem em épocas diferentes do ano no        hemisfério

Norte e no hemisfério Sul. No hemisfério Norte, o Verão vai de 21 de

Junho a 23 de Setembro e o Inverno de 21 de Dezembro a 21 de

                                   115
Março. Mas, no hemisfério Sul, o Verão vai de 21 de Dezembro a 21

de Março e o Inverno de 21 de Junho a 23 de Setembro. Tal facto,

explica-se também pelo movimento de translação da Terra.

     O tempo quente no Verão no hemisfério Norte não se deve ao

menor afastamento da Terra em relação ao Sol nem o tempo frio no

Inverno no mesmo hemisfério se deve ao maior afastamento da Terra

em relação ao Sol. A órbita terrestre é quase circular, pelo que a

Terra está sempre praticamente à mesma distância do Sol.    Acontece

que o eixo de rotação da Terra está inclinado do ângulo de 23º em

relação ao plano da órbita da Terra.    Assim, no Verão do hemisfério

Norte, este hemisfério está mais inclinado para o Sol (e o hemisfério

Sul está menos inclinado para o Sol).

     No Verão, a luz do Sol      incide mais frontalmente    sobre o

hemisfério Norte. Devido à inclinação do eixo de rotação da Terra,

durante a Primavera e Verão no hemisfério Norte, é sempre dia no

pólo Norte e é sempre noite no pólo Sul. Do mesmo modo, durante o

Outono e Inverno no hemisfério Norte, é sempre dia no pólo Sul e é

sempre noite no pólo Norte. A duração dos dias e das noites varia,

portanto, à medida que nos afastamos do equador, para Norte ou

para Sul.

     Os diferentes lugares onde nasce e se põe o Sol ao longo do

ano, o diferente aspecto do céu nocturno, a sucessão das estações

do ano e a diferente duração dos dias e das noites num certo lugar da

Terra são, todos eles,   explicados pelo movimento de translação da

Terra.


                                    116
A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA


        Durante toda a história, o ser humano, munido de inteligência,

procurou formas, de vencer os obstáculos impostos pela natureza.

Desta     forma,    foi   desenvolvendo         e   inventando   instrumentos

tecnológicos com o objectivo de superar dificuldades. E torna-se

óbvio    que    a   necessidade   é   a    mãe      das   grandes   invenções

tecnológicas.

        Antes da Revolução Industrial, a actividade produtiva era

artesanal e manual, no máximo com o emprego de algumas máquinas

simples. Dependendo da escala, grupos de artesãos podiam se

organizar e dividir algumas etapas do processo, mas muitas vezes um

mesmo artesão cuidava de todo o processo, desde a obtenção da

matéria-prima até à comercialização do produto final. Os trabalhos

eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos.

        A Revolução Industrial, iniciada em Inglaterra em meados do

século XVIII, consistiu num conjunto de mudanças tecnológicas com

um grande impacto no processo produtivo aos níveis económico e

social, que se expandiu pelo mundo a partir do século XIX.

        Ao longo deste processo, a era agrícola foi superada, a

máquina foi ultrapassando o trabalho humano, uma nova relação

entre capital e trabalho se impôs, novas relações entre nações se

estabeleceram e surgiu o fenómeno da cultura de massa.

        Essa transformação foi possível devido a uma combinação de

factores, como o liberalismo económico, a acumulação de capital e



                                          117
uma série de invenções, tais como o motor a vapor. O capitalismo

tornou-se o sistema económico vigente.

        O facto de ser a Inglaterra o país que deu início ao processo de

Revolução Industrial, no século XVIII, pode ser explicado através de

diversos factores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão

mineral no seu subsolo, a principal fonte de energia para movimentar

máquinas a vapor. Para além da fonte de energia, os ingleses

também possuíam grandes reservas de ferro, a principal matéria-

prima utilizada neste período.

        O século XVIII foi marcado pelo grande salto tecnológico nos

transportes e máquinas. As máquinas a vapor, principalmente os

gigantes teares, revolucionaram o modo de produzir. Se por um lado

a máquina substituiu o homem, gerando milhares de desempregados,

por outro baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de

produção.

        Na área de transportes, destacou-se a invenção da locomotiva a

vapor. Com este meio de transporte, tornou-se possível transportar

mais mercadorias e pessoas, num tempo mais curto e com custos

mais baixos.

        A Revolução Industrial permitiu que os métodos de produção se

tornassem mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos

mais rapidamente, permitindo a prática de preços mais baixos e,

desta     forma,    estimulando        o    consumo.     As   máquinas   foram

substituindo,      aos   poucos,   a       mão-de-obra   humana.   A   poluição

ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo rural e o


                                             118
crescimento desordenado das cidades também foram consequências

prejudiciais para a sociedade.

     Na primeira metade do século XIX, os sistemas de transporte e

de comunicação desencadearam as primeiras inovações com os

primeiros   barcos   a    vapor   (Robert    Fulton/1807)   e     locomotiva

(Stephenson/1814),       revestimentos      de   pedras     nas    estradas

McAdam/1819), telégrafos (Morse/1836). As primeiras iniciativas no

campo da electricidade como a descoberta da lei da corrente eléctrica

(Ohm/1827) e do electromagnetismo (Faraday/1831).

     No sector têxtil a concorrência entre ingleses e franceses

permitiu o aperfeiçoamento de teares (Jacquard e Heilmann). O aço

tornou-se uma das mais valorizadas matérias-primas. Em 1856 os

fornos de Siemens-Martin, o processo Bessemer de transformação de

ferro em aço. A indústria bélica sofreu significativo avanço (como os

Krupp na Alemanha) acompanhando a própria tecnologia metalúrgica.

     A explosão tecnológica conheceu um ritmo ainda mais frenético

com a energia eléctrica e os motores a combustão interna. A energia

eléctrica aplicada aos motores, a partir do desenvolvimento do

dínamo, deu um novo impulso industrial. Movimentar máquinas,

iluminar ruas e residências, etc. Os meios de transporte foram-se

aperfeiçoando e surgiram navios mais rápidos. As hidroeléctricas

aumentavam, o telefone dava novos contornos à comunicação

(Bell/1876), o rádio (Curie e Sklodowska/1898), o telégrafo sem fio

(Marconi/1895), o primeiro cinematógrafo (irmãos Lumière/1894) eram

sinais evidentes da nova era industrial consolidada.


                                      119
E, não posso deixar de lado, a invenção do automóvel movido a

gasolina (Daimler e Benz/1885) que originou muitas mudanças no

modo de vida das grandes cidades. O motor a diesel (Diesel/1897) e

os dirigíveis aéreos revolucionavam os limites da imaginação criativa

e a tecnologia avançava a passos largos.

      Mas não foi apenas na época da Revolução Industrial que o

homem percebeu      que o vapor podia provocar       movimento nos

objectos.

Já no século I d.C., um estudioso chamado Heron de Alexandria,

construiu uma espécie de turbina a vapor, chamada eolípila. Neste

invento, enchia-se uma esfera de metal com água que produzia vapor

que se expandia e fazia a esfera girar quando saía através de dois

bicos, colocados em posições diametralmente opostas. Todavia,

embora isso movimentasse a esfera, nenhum trabalho útil era

produzido por esse movimento e o sábio não conseguiu ver nenhuma

utilidade no seu invento.

      Muitos séculos mais tarde, a máquina a vapor foi a primeira

maneira eficiente de produzir energia para além da força muscular do

homem e do animal, e da força do vento e das águas correntes. A sua

invenção e uso foi uma das bases tecnológicas da Revolução

Industrial. Na sua forma mais simples, as máquinas a vapor usam o

facto de que a água, quando convertida em vapor se expande e ocupa

um volume de até 1.600 vezes maior do que o original, quando sob

pressão atmosférica.




                                   120
Em 1690, o físico francês Denis Papin usou esse princípio para

bombear água. O equipamento bastante rudimentar, era constituído

por um pistão dentro de um cilindro que ficava sobre uma fonte de

calor e no qual se colocava uma pequena quantidade de água.

Quando a água se transformava em vapor, a pressão forçava o pistão

a subir. Então, a fonte de calor era removida o que fazia o vapor

esfriar e condensava-se. Isto criava um vácuo parcial (pressão abaixo

da pressão atmosférica) dentro do cilindro. Como a pressão do ar

acima do pistão era a pressão atmosférica, ela o empurrava para

baixo, realizando o trabalho. Mas, a utilização desta tecnologia

apenas se iniciou com a invenção de Thomas Savery patenteada em

1698 e aperfeiçoada em 1712 por Thomas Newcomen e John Calley.




                               Nesta máquina, o vapor gerado numa

                               caldeira   e   era   enviado   para   um

                               cilindro   localizado   no     cimo   da

                               caldeira. Um pistão era puxado para

cima através de um contrapeso. Depois que o cilindro ficava cheio de

vapor, injectava-se água, o que provocava a condensação do vapor.

     Este procedimento reduzia a pressão dentro do cilindro e fazia

o ar externo empurrar o pistão para baixo. Um balancim era ligado a

uma haste que levantava o êmbolo quando o pistão se movia para

baixo. O vácuo resultante retirava a água de poços de mina

inundados.


                                   121
Um construtor de instrumentos escocês chamado James Watt

notou que a máquina de Newcomen, que usava a mesma câmara para

alternar vapor aquecido e vapor resfriado condensado desperdiçava

combustível.   Por   isso,   em   1765,    ele   projectou   uma   câmara

condensadora separada, refrigerada a água. Ela era equipada com

uma bomba que mantinha um vácuo parcial e uma válvula que

retirava periodicamente o vapor do cilindro, o que reduziu o consumo

de combustível em 75%. Esta máquina corresponde à moderna

máquina a vapor.

     No ano 1782, James Watt projectou e patenteou a máquina

rotativa de acção dupla, na qual o vapor era introduzido de ambos os

lados do pistão de modo a produzir um movimento para cima e para

baixo. Isto tornou possível prender o êmbolo do pistão a uma

manivela ou um conjunto de engrenagens para produzir movimento

rotativo e permitiu que essa máquina pudesse ser usada para

impulsionar mecanismos, girar rodas de carroças ou pás para

movimentar navios em rios.

     No fim do século XVIII, as máquinas a vapor produzidas por

Watt e pelo seu companheiro Matthew Boulton, forneciam energia

para fábricas, moinhos e bombas na Europa e na América.

     O aparecimento das caldeiras, que podiam operar com altas

pressões e que foram desenvolvidas por Richard Trevithick na

Inglaterra e por Oliver Evans nos Estados Unidos, no início do século

XIX, tornaram-se a base para a revolução dos transportes, uma vez




                                     122
que elas podiam ser usadas para movimentar locomotivas, barcos

fluviais e, depois, navios.

      A máquina a vapor tornou-se a principal fonte produtora de

trabalho do século XIX e o seu desenvolvimento deu-se no esforço de

melhorar o seu rendimento, a fiabilidade e a relação peso/potência.

No entanto, o aparecimento da energia eléctrica e do motor de

combustão interna no século XX, condenaram pouco a pouco, a

máquina a vapor ao quase esquecimento.

No século XX, a máquina a vapor, como fornecedora de energia foi

sendo substituída por turbinas a vapor, para a geração de energia

 eléctrica; motores de combustão interna para transporte; geradores

para fontes portáteis de energia; e motores eléctricos, para uso

industrial e   doméstico.

Mesmo assim, o vapor ainda hoje tem extensa aplicação industrial,

nas mais diversas formas, dependendo do tipo de indústria e da

região onde está instalada.




      OS DIREITOS HUMANOS


      Na minha vida, tanto privada como profissional defendo sempre

os direitos humanos. Para mim todo o ser humano tem direito a

crescer num meio ambiente saudável e de acordo com o ponto

número 1, do artigo 29º, da Declaração Universal dos Direitos

Humanos, toda a pessoa tem deveres com a comunidade pois só nela

é que pode desenvolver livre e plenamente a sua personalidade.


                                   123
De acordo com o nº 2 do artigo 16º, da Constituição da

República    Portuguesa,         torna-se       evidente       que      “Os    preceitos

constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser

interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal

dos Direitos do Homem”.

     A Constituição da República Portuguesa rege-se pelo princípio

da universalidade, em que: todos os cidadãos gozam dos direitos e

estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição; as pessoas

colectivas   gozam     dos    direitos      e    estão       sujeitas    aos    deveres

compatíveis com a sua natureza.

     E também pelo princípio da igualdade: todos os cidadãos têm a

mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

     Ninguém       pode    ser     privilegiado,      beneficiado,        prejudicado,

privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de

ascendência,   sexo,      raça,    língua,      território    de     origem,    religião,

convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou

condição social.

     Em todo o Mundo, os progressos sociais e de cidadania das

últimas décadas são visíveis, mas as mulheres e crianças continuam

a ser as maiores vítimas de violação dos direitos humanos. Em todo o

Mundo, os direitos das crianças são violados, em vários aspectos. As

crianças são alvo de violência, exploração, abusos, doença, conflitos

armados, falta de educação e muitas outras formas de violação de

direitos, apesar da Convenção dos Direitos da Criança existir desde

1989.Em Portugal, não há estatísticas rigorosas sobre o número de


                                             124
crianças maltratadas, mas foram denunciados cerca de sete mil casos

à Associação de Apoio à Vítima entre 2000 e 2007 e os casos

sucedem-se.

     A procura de lucros fáceis, deixou as crianças expostas a

graves riscos como a prostituição e a pornografia. As crianças, em

particular as meninas, são vítimas de costumes como a mutilação

genital ou crimes de honra.

     A violência doméstica é um atentado à dignidade das vítimas,

que são sobretudo mulheres. Os direitos humanos das mulheres são

muitas vezes violados em contexto doméstico, em que o cônjuge é o

agressor físico e psicológico. Em Portugal, desde 2000, a violência

doméstica é crime público. Esta legislação veio opor-se ao ditado

popular "entre marido e mulher não metas a colher". A partir deste

momento, o número de denúncias tem vindo a aumentar.

     As portuguesas, também, são discriminadas no trabalho, apesar

de desempenharem as mesmas funções dos homens ganham menos

do que eles e têm menos oportunidades de progressão nas carreiras.




     AS MIGRAÇÕES


     A minha passagem pelo sul do País foi muito importante para o

meu futuro. Aprendi muito, tanto a nível pessoal como profissional,

também conheci novas gentes, bem como outras culturas e raças.

Como na minha área profissional, existe muita migração, convivi com




                                  125
muitas pessoas de países africanos, mas também dos países de

Leste.

     Portugal tem sido, principalmente, nos últimos 35 anos, um

destino de imigrantes, primeiro das antigas colónias Portuguesas,

Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. A mão-de-

obra, na construção civil, era escassa e o Estado Português abriu as

portas do país a estes imigrantes, por se tratar de povos provenientes

das ex-colónias portuguesas.

     A partir dos anos 80, começaram a chegar pessoas dos países

de leste, em maior número os Ucranianos, seguindo-se os Russos,

Moldavos e os Romenos. Também, tem aumentado o número de

brasileiros, principalmente, no sector da restauração. Estes cidadãos,

em muitos casos, vivem em situações de pobreza, desemprego e falta

de oportunidades. Um grande número de imigrantes de leste, tem

formação superior, obtida nos países de origem, mas como os

salários eram muito baixos, optaram por trabalhar nas obras em

Portugal, porque ganham mais aqui nas obras do que a exercer as

profissões de médico, professor ou engenheiro, nos seus países de

origem.

     Em Portugal, está a aumentar o número de imigrantes asiáticos,

mais precisamente os oriundos da China, mas estes distinguem-se

dos demais, por escolherem Portugal como país para investimentos

comerciais. Cada vez mais, há lojas exploradas por chineses,

espalhadas por todo o país. Penso que o desenvolvimento deste tipo

de comércio é uma situação benéfica, porque os imigrantes chineses


                                    126
trazem riqueza para o nosso país, apesar de muitos casos de

imigração estarem associados à criminalidade.

     A    criminalidade   é   um   factor   bastante     referenciado   pela

comunicação social sensacionalista, porque dá muito destaque à

criminalidade associada aos imigrantes.

     Depois do ciclo de prosperidade veio a crise económica que

afectou tanto os imigrantes como os portugueses. Sei que muitos dos

sem-abrigo mais recentes são cidadãos estrangeiros apanhados por

uma crise que não conseguem enfrentar por falta de enquadramento

social mínimo.

     Os imigrantes procuram-nos para melhorar a sua vida, pois

torna-se necessário proporcionar o acesso a condições mínimas de

sustentação e de integração. Este dever não se prende apenas por

motivos de ordem ética e humanista, mas também por motivos de

interesse nacional.

     Na    nossa   sociedade   existem      imigrantes    insuficientemente

integrados, instáveis, com problemas sociais, que são factores de

perturbação e que contribuem para a insegurança dos cidadãos

portugueses. É dever dos imigrantes, assim como dos portugueses,

aceitarem e praticarem as regras mínimas de convivência social

consagradas na Constituição da República Portuguesa.

     Numa perspectiva de integração, é necessário reforçar os

mecanismos de integração dos imigrantes, e estender-lhes um

conjunto mínimo de mecanismos de protecção social idênticos aos

dos portugueses.


                                      127
A emigração em Portugal é um fenómeno com uma história

longa de séculos, embora tenha variado no decorrer dos anos, as

suas características nos planos geográfico e social. Concentrando

atenção apenas no século XX, é possível identificar diferentes fases e

correntes da emigração portuguesa.

     No início do século XX, a emigração portuguesa para o Brasil

era muito grande. Como consequência das duas guerras mundiais e

da grave crise económica dos O grande fluxo emigratório surge nos

finais da década de 50, devido às políticas restritivas de imigração do

Brasil e ao desenvolvimento económico da Europa após a Segunda

Guerra Mundial.

     A falta de mão-de-obra originada em grande parte pela falta de

recursos humanos no pós-guerra, atraíram os movimentos migratórios

dos países mais pobres.

     Durante as décadas de 60 a 80, Portugal sofreu algumas

reestruturações sociais, devido ao acentuado fluxo emigratório que se

manteve no nosso país.

     Algumas das suas causas prendem-se com o regime ditatorial

implantado em Portugal, a pobreza e as dificuldades de emprego na

zona rural, obrigando muitos portugueses a procurar melhores

condições de vida na Europa, Venezuela, África do Sul, E.U.A e no

Brasil, assim como nas antigas províncias do ultramar, entre outros.

O   movimento     transatlântico   que    se   fez   sentir   nos   anos   50,

especialmente para o Brasil e América é substituído pela emigração

intra-europeia. A partir do ano de 1963 as saídas para França


                                         128
ultrapassam as saídas registadas para o Brasil, algumas razões para

esta nova corrente migratória: a proximidade geográfica, a facilidade

em atravessar as fronteiras, normalmente através da região dos

Pirenéus e finalmente, a possibilidade de manter contacto directo com

os emigrantes que regressam de férias a Portugal.

      Contudo, desde a década de 50 que a evolução económica dos

países desenvolvidos do norte e centro da Europa e a abertura do

mercado de trabalho, é um convite para os portugueses emigrarem

principalmente para França, Luxemburgo e Alemanha.

      A França foi um dos principais destinos dos emigrantes

portugueses, seguido da Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo, Bélgica,

Holanda e países nórdicos.

      Devido às dificuldades de conseguir a saída legalizada desde

Portugal, face à precária situação económica no país e à oferta de

trabalho nos países do norte da Europa, muitos trabalhadores

entraram clandestinamente nos países de acolhimento, através das

redes de tráfico.

      A   década    de   70   foi   marcada   pela   crise   económica   e

consequente diminuição de procura de mão-de-obra pelos países

industrializados da Europa, surgindo novas políticas de imigração

mais restritivas.

      Entre o final dos anos 70 e meados dos anos 80, Portugal

assiste à diminuição do fluxo migratório, em virtude das políticas de

barreira à imigração dos países anfitriões e da situação económica.

Neste período, registam-se somente 30 000 saídas anuais.


                                       129
A adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia vem

alterar    de    forma     substancial   o     nosso       perfil   migratório.    Os

trabalhadores portugueses viram mudar o seu status de e/imigrantes

para cidadãos europeus, e aptos a circular livremente pelo espaço

europeu.    O     Estado    Português    assumiu       o     seu    papel   de    país

comunitário, pondo de lado o passado de país emigrante e das

histórias tristes dos bidonvilles, nos arredores de Paris. Nos anos 80,

aumenta a emigração sazonal.

Portugal torna-se, simultaneamente, em país de emigração e de

acolhimento.


      O RACISMO


      Uma grande parte do povo português é racista, não apenas em

relação aos negros, mas a todas a outras raças.

      O racismo é sinónimo de falta de inteligência, cultura e até de

educação.        Frequentemente,     quando        vamos       às    compras      aos

supermercados, somos abordados, nos parques de estacionamento,

por crianças ou mulheres com crianças ao colo, de raça cigana ou

dos Países de Leste, a pedir esmola e a vender objectos de que não

precisamos, como por exemplo, pensos e pilhas. Mas, é nestas

situações       que   testamos   a   nossa     tolerância.      Nestas      situações

devemos olhar para as pessoas como seres humanos, porque são

pessoas como nós, no entanto, devido às adversidades da vida, nos

seus países de origem, na maior parte dos casos, nunca tiveram a

oportunidade de ter uma melhor vida.


                                             130
A DEMOCRACIA


      Desde os 18 anos de idade que exerço o meu direito de voto.

O direito à participação é consagrado como um direito civil e político

que significa, em democracia, a possibilidade de todos os cidadãos

escolherem os representantes políticos do seu país.

      A democracia é um regime de governo onde o poder de tomar

decisões políticas está com os cidadãos, directa ou indirectamente,

através dos seus representantes eleitos. Uma democracia, tanto pode

existir   num   regime   presidencial     ou   parlamentar,    como     num

republicano ou monárquico. A democracia opõe-se à ditadura e ao

totalitarismo, em que o poder está concentrado numa elite auto-eleita.

      As democracias podem ser divididas em vários tipos. A

distinção mais importante é entre democracia directa, em que o povo

expressa a sua vontade através do voto relativamente a cada

assunto, e a democracia representativa, onde o povo exprime a sua

vontade através da eleição de representantes que tomam decisões

em nome daqueles que os elegeram.

      A   participação   voluntária   e   individual   é   encorajada   nas

democracias modernas, mas não é obrigatória. Qualquer um é livre de

agir ou não como cidadão.

      Para passarmos da democracia representativa, mediada pelos

interesses económicos e grupos políticos, à democracia participativa,

para conseguirmos que a maioria das pessoas se motive e trabalhe

na procura das soluções que lhe interessam, temos que ir muito além

da participação na votação periódica de quatro em quatro anos.

                                        131
Numa democracia há tolerância nas diversas doutrinas, desde

que o comportamento a seguir não ameace directamente a ordem

pública nem a segurança do Estado.

     As instituições de governo típicas de uma democracia são: o

parlamento, a assembleia e o congresso. Todos eleitos, debatem e

informam em público, num sistema multipartidário.

Nas democracias modernas, as novas leis são feitas por uma

assembleia de representantes ou parlamento. A lei entre indivíduos é,

sobretudo, uma questão de contrato, mas regulada por regras gerais,

por juízes imparciais e não por favores pessoais e intervenções.

     O crescimento dos jornais e a sua libertação do controlo do

Estado   encontra   paralelismos   com     o   crescimento   dos   direitos

democráticos. O funcionamento eficaz dos regimes democráticos

acaba por depender cada vez mais do acesso a uma informação

razoavelmente acertada sobre a forma como o Estado é governado e

sobre como é capaz de avaliar necessidades públicas e reacções de

modo preciso.

     Nas democracias, a política é sempre tolerada e activamente

encorajada. A política é reconhecida como uma actividade pública

conciliadora com o objectivo de estabelecer um acordo. O conflito é

inerente a qualquer democracia, mesmo às mais prósperas.

O pensamento democrático defende que o conflito social e o debate

público são dois elementos constituintes das democracias modernas.

Não existe democracia sem convivência com os conflitos e a sua

solução através do compromisso ou da argumentação, ou de uma


                                     132
combinação de ambos. Democracia é o único regime político no qual

os conflitos são considerados. A democracia é o regime do conflito

social, da argumentação e do compromisso, mas é também o regime

da lei e da ordem.

     Entre conflito e ordem existe uma contradição que os regimes

democráticos estão pensados para resolver. A democracia revelou-se

o regime político mais capaz de combinar a lei com o conflito social, a

ordem com os interesses contraditórios das classes sociais e dos

grupos de interesse.

     Em Portugal, enfrentamos hoje dificuldades devido ao mau

desempenho da economia. O desemprego e a insatisfação aumentam,

o que tem como resultado o protesto social e o crescimento da

criminalidade. Actualmente, em Portugal, não são apenas as classes

mais desfavorecidas economicamente que criam conflitos. Também a

classe trabalhadora o faz, através das centrais sindicais e das

associações profissionais e empresariais. As classes com mais poder

económico, também participam no conflito através das organizações

que representam, dominando os meios de comunicação social,

financiando campanhas políticas, e utilizam pessoas influentes para

defenderem as suas causas. A principal diferença está no facto das

classes abastadas defenderem posições em nome da lei, e as classes

mais carentes economicamente, tentarem conquistar posições que

muitas vezes só podem ser atingidas desafiando e mudando a lei. Ao

governo não resta alternativa senão manter a ordem, exigir o respeito

à lei. Senão não será governo. Mas, se for democrático, garantirá a


                                    133
liberdade do protesto e buscará atender, na medida do possível, as

reivindicações. Se for autoritário, tentará apenas impor a ordem.

Os conflitos sociais aumentaram, como era de esperar, mas são

inerentes à democracia que, em Portugal, está consolidada.


      OS MASS MEDIA


      É o poder de atracção dos diferentes media que nos prende

todos os dias, por vezes várias horas por dia, à televisão, à Internet,

mas que também nos leva, por vezes, ao cinema e à leitura de

revistas, jornais e até mesmo livros.

      A comunicação de massas é um círculo fechado, no qual se

desconhece quem influencia quem e quem é influenciado por quem.

De facto, existe a ideia de que os meios de comunicação social, em

especial a televisão, através da emissão de inúmeras imagens,

coordenam a vida social, política e económica dos telespectadores.



I will identify some types of text used in the media:



Chronicle - is the record of a fact or incident, usually taken from

everyday life and apparently without significance, through a highly

personal speech, the chronicler of this then this comment or incident,

it highlights dimensions that at first sight to escape an observer

inattentive.



Interview - formal conversation between an investigator and a person


                                        134
from whom you want to know anything in particular. The purpose of an

interview is to learn the personality of a public figure, an artist or their

work.



Scientific article - is a focus of scientific knowledge to a specific

audience expresses the field of research and can help to make

reference to other authors who have focused on the same subject.



Technical paper - is a diffuser that expands knowledge in the field of

art.



Article of critical appreciation - is an informative and interpretive

text, marked by a high burden of subjectivity. In this kind of article,

the author, besides presenting a reality, usually artistic or cultural,

makes a critical on it, to its valuation.




        ALGUNS DIREITOS DOS CIDADÃOS


        Em democracia os cidadãos têm de ter o direito de formar

associações ou organizações relativamente independentes, incluindo

partidos políticos independentes e grupos de interesse.

        O   sindicalismo   é   o   movimento   social   de   associação   de

trabalhadores assalariados para a protecção dos seus interesses.

Também é uma doutrina política segundo a qual os trabalhadores

sindicalizados têm um papel activo na condução da sociedade.


                                        135
A Declaração Universal dos Direitos do Homem, no art. 20º,

estabelece      o   associativismo     como       um   direito   universalmente

incontestável        e    extensível       a      qualquer       ser    humano,

independentemente da religião, da raça ou da cultura em que esteja

inserido.

        A nossa democracia representativa esgota o poder do cidadão

no voto. Mas para além desta cidadania sazonal, um poder que nos

assiste de uma forma ocasional, o cidadão tem mais dois poderes: o

de não produzir, exercido durante as greves, e ainda o de não

consumir, exercido por exemplo através da greve de fome, que tem

sido menosprezado.

        É fundamental em democracia exercermos o nosso dever cívico,

desenvolvermos uma cultura de associativismo, de solidariedade, de

diálogo e de responsabilidade, dando origem a uma sociedade mais

democrática, justa e harmoniosa.

        No nosso país, há relativamente pouco tempo, assistimos a uma

situação em que os camionistas se juntaram em sinal de protesto

contra    o   elevado    preço   dos   combustíveis,       impedindo    que   as

distribuições dos mais variados produtos se fizesse a nível nacional e

desta    forma      fizeram   com    que    não    pudessem       ser   vendidos

determinados produtos, evitando desta forma o consumo.

        A greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho

realizado pelos trabalhadores com o objectivo de obterem benefícios,

como por exemplo o aumento de salários, melhores condições de

trabalho ou para evitar a perda de benefícios.


                                           136
A   greve     é    uma   forma    legítima,   em   democracia,   dos

trabalhadores defenderem os seus direitos e tentarem influenciar a

política do governo.

     A democracia directa é o regime em que os cidadãos decidem

directamente sobre cada assunto por votação. Nas democracias

representativas,   os    cidadãos     elegem   representantes   por   um

determinado período de tempo.

     No entanto, muitas democracias representativas modernas

incorporam alguns elementos da democracia directa, normalmente o

referendo.

     O referendo é um instrumento da democracia semi-directa

através do qual os cidadãos eleitores são chamados a pronunciar-se

por sufrágio directo e secreto, a título vinculativo, sobre determinados

assuntos de relevante interesse.

     Em Portugal, o referendo acontece mediante proposta da

Assembleia da República, ou do Governo, ao Presidente da República

que decide a sua realização.

     A Constituição da República Portuguesa dispõe, nos termos do

seu artigo 115º, que, sob proposta da Assembleia da República, do

Governo ou por iniciativa de um grupo de cidadãos dirigida à

Assembleia da República, pode o Presidente da República convocar o

referendo no qual podem ser chamados a votar todos os cidadãos

recenseados no território nacional.




                                       137
OS TRANSPORTES


       Os transportes têm um papel fundamental no desenvolvimento

de qualquer país ou região, são um factor essencial de comunicação

entre diferentes locais. Existem diferentes tipos de transportes que

encurtam as distâncias e estabelecem a comunicação por todo o

mundo, nomeadamente

        Modos           Tipo        Exemplos de Meios de Transporte
                     Ferroviário        Comboio

  Terrestre             e                   Automóvel

                     Rodoviário             Camião
                      Fluvial
                                            Barco
  Aquático              e
                                            Submarino
                      Marítimo
      Aéreo            Aéreo                Avião


       A escolha do meio de transporte utilizado para a deslocação

das    pessoas   e   das    mercadorias    baseia-se,   principalmente,   na

finalidade da viagem a efectuar, na distância a percorrer, no tempo

que se leva a percorrer uma determinada distância, no seu custo e

nas características dos bens a transportar.

       Um dos primeiros veículos terrestres foi o trenó, utilizado há

mais de dez mil anos nas grandes migrações da Ásia para a América,

pelo estreito de Bering. A domesticação de animais, por volta do

quarto milénio antes de Cristo, representou um grande avanço nos

transportes e aumentou a sua utilidade comercial. Os animais mais

usados nos transportes eram o burro, o boi, o elefante, o lama, o

camelo e o cavalo.

                                          138
A invenção da roda, por volta de 3500 a.C., revolucionou o transporte

terrestre e nos milénios seguintes o uso de carros de duas ou quatro

rodas expalhou-se pela Ásia e pela Europa.

     O progresso nos transportes acelerou a partir do século X a.C.,

com a construção de estradas, primeiro na Mesopotâmia e mais tarde

no Império Romano. Depois da Idade Média, a invenção do sistema

de suspensão possibilitou o emprego da carruagem no transporte de

passageiros e incentivou a retomada da construção de estradas.

     O grande marco na era moderna foi a substituição da tracção

animal pela mecânica, devido às pressões económicas, tecnológicas

e comerciais da Revolução Industrial. Nesta fase, houve uma grande

abertura de mercados e o uso de meios de transporte mais racionais

para a distribuição dos bens produzidos.

     A invenção da máquina a vapor, no início do século XIX,

significou o triunfo da ferrovia e a sua expansão pelo mundo e o

automóvel, inventado na mesma época, em 1885 com os modelos

equipados com motores a gasolina também teve importância. Desde

então, o automóvel, o autocarro, o camião e o comboio dominaram o

transporte terrestre e reduziram o uso dos veículos de tracção animal

a destinos distantes.

     Durante    a   Primeira   Guerra     Mundial,   as   possibilidades

comerciais que os transportes rodoviários permitiram tiveram grande

importância. A produção em grande escala de veículos militares

aconteceu na mesma época em que também eram aproveitados no

transporte de soldados e das armas de guerra. Os táxis de Paris, por


                                    139
exemplo, foram requisitados para o rápido transporte de tropas para a

batalha do Marne em Setembro de 1914.

      Depois da Segunda Guerra Mundial, o sector dos transportes

expandiu-se de uma forma extraordinária. Foram muitos os modelos

criados de transporte tanto de passageiros como de carga. O sector

dos transportes cresceu de uma forma acelerada em todos os países,

desenvolveram-se os mais variados meios de transporte e ampliaram-

se as redes rodoviárias. O uso comercial do transporte rodoviário

cresceu, em proporção, de uma forma muito superior à do transporte

ferroviário.

      O comboio teve grande impacto no desenvolvimento económico.

Este meio de transporte permitiu que os mercados de produtos

manufacturados e matérias-primas tivessem um grande crescimento,

reduziram-se os custos de produção, e devido ao crescimento do

volume de vendas, os lucros dispararam.

      Na primeira metade do século XX, o sector dos transportes

sofreu um declínio acentuado em todo o mundo, mas começou a

recuperar a partir da década de 1970, devido a dois factores,

nomeadamente o progresso tecnológico e a consideração de novos

aspectos económicos globais.

      O avanço técnico deu origem a comboios capazes de circularem

a velocidades superiores a 300km/h, os comboios de alta velocidade

e aumentou a eficiência e segurança do sector com a introdução de

recursos electrónicos no controle das linhas férreas.




                                    140
O metro circula quase sempre em vias subterrâneas e é

utilizado para transportar grandes quantidades de passageiros nas

áreas urbanas e suburbanas, é o mais eficiente meio de transporte

urbano da actualidade.

      O desenvolvimento do metro levou em conta não apenas o seu

valor social, especialmente para o transporte de passageiros de

reduzidas   posses    económicas,    como    teve   em   consideração   a

protecção ambiental, como a redução do uso de alguns veículos que

usam combustíveis poluentes.

      Em 1994, a inauguração do túnel do canal da Mancha, que liga

o Reino Unido à França, marcou o crescimento do uso da rede férrea

e uma nova etapa no processo de integração ferroviária-rodoviária.

      O transporte marítimo tem sido usado desde a antiguidade. De

custo operacional muito baixo, é utilizado no transporte para grandes

distâncias, de produtos de baixo valor em relação ao peso.

      O uso adequado de uma rede marítima exige a construção de

infra-estruturas que muitas vezes implicam a abertura de canais para

ligação das vias fluviais naturais, a adaptação dos leitos dos rios

devido à profundidade necessária às embarcações, a correcção dos

cursos fluviais e vias de ligação com outras redes, como a ferroviária

ou a rodoviária. Os custos dos investimentos e manutenção das infra-

estruturas são rapidamente recuperados pela grande rentabilidade

deste tipo de transporte, existente em todos os países desenvolvidos.

A   evolução   do    transporte   marítimo   acompanhou    o   progresso

tecnológico e científico, as mudanças sociais e económicas das


                                      141
comunidades, as procuras pelos mercados e a ligação do mundo

depois dos grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI.

No   século   XX    o    transporte    marítimo     perdeu   o   mercado

intercontinental de passageiros para o transporte aéreo, mas a perda

foi compensada pelo grande avanço do transporte marítimo de carga.

     Com a evolução dos transportes, foi possível reduzir o tempo e

o custo das viagens. De facto, actualmente, procura-se que os meios

de transporte sejam cada vez mais rápidos, para se demorar menos

tempo a percorrer as distâncias, e com custos mais baixos, para que

sejam acessíveis ao maior número de pessoas.

     As   redes    de   transporte    influenciam   a   organização   e   a

distribuição no espaço da população, das actividades económicas, e

o desenvolvimento. Estas também aumentam a interacção entre os

diferentes espaços e criam um maior dinamismo económico e social.

     A mobilidade das pessoas e das mercadorias depende da

acessibilidade aos lugares. Uma rede de transportes equilibrada

contribui para o desenvolvimento harmonioso do espaço e uma rede

de transporte desequilibrada, que favoreça apenas parte de uma

região, conduz a um desenvolvimento desequilibrado do espaço em

que se encontra implantada.

     A influência das redes de transportes na organização do espaço

é particularmente evidente no modo como se expandem as áreas

urbanas, geralmente ao longo dos principais eixos rodoviários e

ferroviários, ou no modo como crescem as áreas suburbanas, a partir




                                       142
dos pontos de chegada (nós) que ligam os transportes à cidade

principal e também segundo o traçado das vias.

      A   evolução   dos      transportes   tem   permitido    aos   homens

conhecerem o mundo, estabelecerem interacções aos mais diversos

níveis, sejam eles económicos, sociais, culturais, etc.

Os meios de transportes terrestres são os mais utilizados no

quotidiano. Não imagino a vida das pessoas sem dispor do automóvel

ou do autocarro, que, em pouco tempo, lhes permitem chegar a locais

bem distantes.

      Mas    é   necessário    saber   estes   meios   de     transporte   em

segurança e de forma a evitar gastos desnecessários das reservas de

combustíveis fósseis, contribuindo o menos possível para a poluição

ambiental.

      O consumo energético dos veículos de transporte colectivo ou

familiar depende do estilo de condução, do tipo de percurso, do

estado do pavimento, das condições de circulação, das condições

atmosféricas, da pressão dos pneus e da qualidade do combustível.

      Para evitar consumos energéticos desnecessários é importante:

conduzir de forma atenta e adaptada às condições do tráfego, sem

acelerações e travagens bruscas, velocidades excessivas e percursos

desnecessários; verificar regularmente a pressão dos pneus – quando

a pressão é inferior à recomendada o consumo de energia aumenta;

efectuar regularmente a revisão do motor e do óleo; optar por

estradas com menos curvas e com bom estado do pavimento; sempre

que possível, circular fora das horas de maior transito nas estradas;


                                        143
não usar o automóvel para percursos inferiores a 2 Km; não

sobrecarregar o automóvel com demasiada bagagem.

        Sempre que evitamos consumos desnecessários de combustível

estamos também a poluir menos o ambiente.

        Podemos ainda diminuir a poluição ambiental causada pelos

meios    de   transporte   se   sempre    que   possível,   preferirmos   os

transportes públicos ao transporte individual; optarmos por um

transporte que utilize, como combustível, gás em vez de gasolina ou

gasóleo.

        Sei que ao optar pela utilização dos transportes públicos em

detrimento dos transportes privados, para além de estar a contribuir

para um melhor ambiente, também estou a contribuir para um menor

congestionamento do tráfego.

        A sedentarização, associada à evolução dos transportes, tem

tido algumas consequências nas populações, principalmente nas

urbanas, a vários níveis:

Trânsito – Engarrafamentos, lentidão, nervosismo, cansaço, são as

consequências diárias do trânsito caótico que a maioria das cidades

alcançou,

Poluição – Tanto a poluição atmosférica como a poluição sonora são

dois terríveis problemas que as cidades da actualidade têm de

enfrentar. Os escapes de muitos veículos e outras fontes poluentes,

tornam a atmosfera urbana, muitas vezes irrespirável,

Infra-estrutura – Com o crescente aumento do número de meios de

transporte,    as   infra-estruturas     construídas   rapidamente    ficam


                                         144
ultrapassadas e sem meios de satisfazer as necessidades urbanas.

Considero nestas infra-estruturas a dimensão das estradas. A maior

parte destas estruturas foi feita para servirem um determinado

número de habitantes que, rapidamente é ultrapassado,

Doenças - As situações de nervosismo e ansiedade que se vivem no

trânsito das cidades, principalmente em horas de ponta, levam

imensas vezes a situações de saturação e de stress. Isto pode ser o

suficiente para originar outro tipo de doenças. Algumas formas de

poluição, como a atmosférica e a sonora, podem conduzir a doenças

respiratórias e a perturbações psíquicas.

     A propulsão é o movimento criado a partir de uma força que dá

impulso. A propulsão pode ser criada em qualquer acto de impelir

para frente ou dar impulso. Os automóveis têm como fonte de

propulsão o motor, os submarinos nucleares têm como fonte de

propulsão os reactores nucleares fortes, etc.

     Nos meios de transporte rodoviários, podemos encontrar como

meio de propulsão, a força humana e o motor.

     Se considerar uma bicicleta, um veículo com duas rodas presas

a um quadro movido pelo esforço do próprio utilizador (ciclista)

através de pedais. Apercebo-me que o meio de propulsão é a força

humana.

     No entanto, no caso dos veículos motorizados com quatros

rodas que são geralmente destinados ao transporte de passageiros

ou mercadorias, o meio de propulsão utilizado é a gasolina, o gasóleo

ou o gás.


                                    145
O motor de um carro transforma em movimento o combustível

que vai fazer o carro andar.

      O metro é um meio transporte ferroviário, que funciona com

motores eléctricos, logo o motor eléctrico é o meio de propulsão.

      Para além do metro, também existem ou existiram outros meios

de transporte ferroviário: o comboio a vapor, que era propulsionado

por um motor a vapor; o comboio a diesel – eléctrico, em que o motor

diesel transmite energia a um gerador ou alternador que transmite

energia às rodas através de um motor eléctrico; e, comboio de alta

velocidade (TGV), este comboio é alimentado através de catenárias

ou por um terceiro carril.

      No barco à vela é utilizada a energia eólica, como meio de

propulsão, que tem sido aproveitada desde a antiguidade para mover

os barcos impulsionados por velas, como por exemplo a caravela.

      O barco a vapor tem um motor a vapor, como meio de

propulsão, que acciona um conjunto de pás montadas inicialmente na

lateral   e   depois   na   popa.   São   tipicamente   caracterizados   por

possuírem grandes chaminés. Embora a roda de pás tivesse evoluído

para a hélice e o motor a vapor para as turbinas a vapor dando

origem aos modernos navios, alguns modelos fluviais continuaram a

utilizar esse tipo de propulsão.

      Os submarinos nucleares usam os reactores nucleares como

meio de propulsão, para além de turbinas a vapor e engrenagens de

redução para accionar o eixo propulsor principal, que fornece o

impulso para a movimentação na água. Os submarinos também


                                          146
precisam de energia eléctrica para poder utilizar os equipamentos a

bordo. Para fornecer essa energia, eles são equipados com motores a

diesel, que queimam combustível e/ou reactores nucleares, que usam

ficção    nuclear.   Os   submarinos     também     possuem   baterias.   Os

equipamentos eléctricos normalmente são ligados às baterias que,

por sua vez, obtêm a sua energia do motor a diesel ou do reactor

nuclear.

         Os aviões a jacto fazem uso de turbinas, como meio de

propulsão, para a criação da força necessária para a movimentação

da aeronave para a frente. Estes aviões possuem muito mais força e

criam um impulso muito maior do que aviões que fazem uso de turbo

– hélices.

         Ainda   podemos     encontrar     outros     transportes   aéreos,

nomeadamente o balão, que é uma aeronave cuja sustentação é

assegurada por uma estrutura insuflada com gás ou ar quente, que se

move por influência do vento, ou a avioneta, um avião de pequenas

dimensões e pouco potente. Os monomotores, bimotores e turbo-

hélices utilizam radiais como meio de propulsão.


         VEÍCULOS MOTORES E POLUIÇÃO


         Devido ao problema da poluição ambiental surgiu a ideia da

criação de um automóvel com um consumo de combustível muito

inferior aos veículos de hoje em dia. Tendo em consideração esse

problema que nos afecta a todos, as empresas do sector automóvel

continuam trabalhando para encontrarem uma solução que permita a


                                         147
diminuição do consumo de combustível e da emissão de poluentes.

Até agora é quase consensual que os veículos híbridos devem ser o

caminho intermediário, até que seja adoptada uma solução mais

definitiva e revolucionária como as células a combustível.

      Um investigador da Universidade de Missouri, ao debruçar-se

sobre este assunto de interesse mundial,    teve uma idéia diferente,

em vez de substituir totalmente os motores a combustão, a solução

também seria híbrida, mas com motores eléctricos alimentados por

pequenas células a combustível, capazes de dar ao veículo uma

autonomia de não mais do que 40 quilómetros.

      Baptizada pelo professor de tecnologia híbrida “plug-in”, a sua

solução é uma versão modificada do veículo híbrido, que utiliza

baterias para abastecer os seus motores elétricos. As baterias

elétricas seriam mantidas, mas poderiam ser menores.

      Algumas marcas de prestigio no ramo automóvel tem vindo, aos

poucos, a darem-nos uma ideia de como serão os automóveis do

futuro.

A Porsche anunciou que em 2010 vai disponibilizar no mercado dos

híbridos o Cayenne S, com eficiência e um consumo de combustível

igual a um motor de 4 cilindros e que pode atingir de 0 a 100 Km/h

em sete segundos.

      O motor eléctrico do Cayenne S, que pode atingir 140 Km/h,

sem a mínima necessidade de utilizar o motor de combustão, significa

um grande beneficio para o meio ambiente, pois não emite poluentes

e o consumo de combustível fóssil é nulo.


                                    148
MOVIMENTOS


      No meu dia-a-dia utilizo alguns termos para justificar os

movimentos que os meios de transporte que utilizo efectuam. A

velocidade média é uma grandeza vectorial que corresponde à razão

entre o deslocamento (∆ r) e o intervalo de tempo necessário (∆ t)

para se dar esta variação de posição.




      A unidade de medida da velocidade, no S.I., é o metro por

segundo   (m/s).   No   entanto,     são    vulgarmente    utilizadas   outras

unidades de medida: quilómetro por hora (km/h), centímetro por

segundo (cm/s), milha por hora (mph).

      No movimento rectilíneo uniforme, a velocidade é um vector que

tem a mesma direcção, o mesmo sentido e o mesmo valor em todos

os instantes.

      Em qualquer movimento uniforme o valor da velocidade é igual

à rapidez média, a distância é directamente proporcional ao tempo e

o valor da velocidade é constante.

      Este tipo de movimento verifica-se quando a velocidade é

sempre a mesma num determinado intervalo de tempo, não varia.

      Se o corpo se movimenta segundo uma trajectória rectilínea

com   rapidez   constante,    isto   é,    percorre   distâncias   iguais   em

intervalos de tempo iguais.

                                           149
∆X
                            V=
                                    ∆t

      Como: ∆X = X − X 0


                                                      x = x0 + v.t
      Obtém-se a lei do movimento:

                                                      X – Posição

                                                      X 0 – Posição inicial

                                                      V – Velocidade

                                                      t – tempo

      Conhecendo a lei de um movimento é possível conhecer a

posição do móvel em cada instante.

      Considerando a lei do movimento de uma partícula:

X = 4 + 6. t

      Concluo que a posição inicial é 4 m e a velocidade é de 6 m/s

      Utilizando   esta   equação        posso   determinar     a   posição   da

partícula   em   qualquer     instante,   substituindo     t   pelos   diferentes

valores.



      Para t= 0s                    X = 4 + 6 x 0 = 4 m

      Para t= 1s                    X = 4 + 6 x 1 = 10 m

      Para t= 2s                    X = 4 + 6 x 2 = 16 m

      Para t= 3s                    X = 4 + 6 x 3 = 22 m

      Para t= 4s                    X = 4 + 6 x 4 = 28 m

                      t (s)     0   1      2     3    4
                      X (m)     4   10     16    22   28

                                          150
A aceleração média mede a variação da velocidade por unidade

de tempo:




        A aceleração instantânea, tem o mesmo significado, apenas é

calculada num intervalo de tempo muito curto, com duração quase

nula.



                                  ∆v
                             a=      (m / s 2 )
                                  ∆t


        Como: ∆v = v − v0
                            v = v0 + a.t


Considerando a lei das velocidades de uma partícula material que

descreve uma trajectória rectilínea:



        V = 10 + 5. t



Concluo que a velocidade inicial é 10 m/s e a aceleração é de 5 m.s -2

Utilizando esta equação posso determinar o valor da velocidade em

qualquer instante, substituindo t pelos diferentes valores.



        Para t= 0s                 V = 10 + 5 x 0 = 10 m.s -1


                                           151
Para t= 1s                     V = 10 + 5 x 1 = 15 m.s -1

     Para t= 2s                     V = 10 + 5 x 2 = 20 m.s -1

     Para t= 3s                     V = 10 + 5 x 3 = 25 m.s -1

     Para t= 4s                     V = 10 + 5 x 4 = 30 m.s -1



                t (s)    0     1      2    3    4
              v (m/s)   10     15    20    25   30




     Logo, concluo que a partícula se desloca com movimento

rectilíneo uniformemente acelerado (m.r.u.a.) e que o módulo da

velocidade aumenta no decorrer do tempo.

     No m.r.u.a., os vectores velocidade e aceleração possuem a

mesma direcção e o mesmo sentido.

     Podemos observar o movimento acelerado no velocímetro de

um automóvel que varia a sua velocidade.




                             Movimento Acelerado




                                          152
Para além do movimento rectilíneo uniformemente acelerado,

também existe o movimento rectilíneo uniformemente retardado

(m.r.u.r).

         No m.r.u.r., os vectores velocidade e aceleração possuem a

mesma direcção e sentidos opostos.

         Podemos perceber esse movimento quando um automóvel

perde velocidade.




                          Movimento Retardado




         O módulo da velocidade diminui no decurso do tempo, até

parar.




                                  v




                                            t



                                      153
O movimento realizado por uma partícula é circular uniforme,

quando descreve uma circunferência com velocidade módulo (valor)

constante.

       O movimento circular da esfera é consequência da acção sobre

o corpo de uma força de valor constante e de direcção perpendicular

em cada instante à da velocidade da pedra.

       O vector velocidade tem módulo constante, mas a direcção

muda continuamente, pois mantêm-se tangente à circunferência em

cada ponto.

       No movimento circular uniforme o corpo passa, de tempos a

tempos, pelo mesmo ponto da trajectória, com a mesma velocidade. O

movimento repete-se em intervalos de tempo constantes. Por isso,

dizemos      que   o    movimento   circular   uniforme   é   um   movimento

periódico.

       Período (T) – é o tempo que a partícula demora a realizar uma

volta completa. A unidade SI do período é o segundo (s).

       Frequência (f) – é o número de repetições das características

do movimento por unidade de tempo. A unidade SI da frequência é o

hertz (Hz) ou s - 1 .

       No movimento circular e uniforme, um hertz corresponde a uma

volta por segundo.

       Se uma partícula tiver a frequência de um hertz, em 1 min

executará 60 voltas.

       A frequência é o inverso do período:




                                         154
1
      f =
            T


      O conceito de força é um conceito a que estou habituado na

minha vida diária. Este conceito está frequentemente associado à

noção de força mecânica, que actua por contacto. É o caso, por

exemplo, da força que fazemos para empurrar um caixote, para

levantá-lo, atirá-lo, puxá-lo, ou da força que fazemos para nos

segurarmos quando estamos num comboio que tem as habituais

oscilações, travagens etc.

      Mas essas forças não são as únicas forças que existem na

Natureza. Existem ainda as chamadas forças à distância que estão

associadas às interacções gravítica, eléctrica, magnética, etc.

      O conceito e a definição da força surge com a 2ª lei de Newton,

que é considerada a lei fundamental da Dinâmica. Esta lei enuncia

que qualquer alteração da quantidade de movimento de um corpo ou

partícula livre é devida à presença de uma força que se exerce sobre

esse corpo ou partícula. Segundo Newton: a aceleração (a) adquirida

por um corpo é directamente proporcional à intensidade da resultante

das forças que actuam sobre o corpo, tem direcção e sentido da

resultante de forças (F) e é inversamente proporcional à sua massa

(m). Expressa-se pela equação:

      Caso existam várias forças a actuar num corpo, podemos

considerá-las como uma única força que corresponde à soma

vectorial de todas as forças:


                                    155
Em todas as situações da nossa vida, convivemos com o atrito.

Se em muitos casos, a existência de atritos é prejudicial, pois implica

uma diminuição de energia útil dos sistemas, há situações em que é

muito útil.

      As forças de atrito resultam de interacções entre as superfícies

em contacto. As superfícies, por mais polidas que sejam, têm a nível

microscópicas irregularidades. São essas minúsculas saliências que,

quando       um   corpo   desliza   sobre     outro,   interagem   de   forma

complicada, com maior ou menor intensidade.

      A acção destas interacções traduz-se por uma força – a força

de atrito.

      Numa situação de deslizamento de um corpo, em que o atrito

tem uma acção contrária ao movimento, dizemos que está a actuar

uma força de atrito que tem um sentido oposto ao do movimento e,

como tal, retira energia do corpo.


      O PATRIMÓNIO


      Nas viagens pessoais e profissionais que faço pelo país

aproveito para conhecer um pouco mais do Património. Normalmente,

utilizo a palavra Património para definir aquilo que considero ser uma




                                        156
herança que pode ser traduzida em bens materiais, valores, pessoas,

etc. No entanto, património natural considero tratar-se da herança

que a Natureza tem vido a transmitir aos homens, ao longo de

milhares de anos.

      Portugal tem algumas zonas protegidas, devido à riqueza que

esses locais têm em termos de paisagens e recursos naturais, como é

o caso do parque nacional de Peneda-Gerês, na região norte; parque

natural de Sintra-Cascais, na região centro; e o parque natural da Ria

Formosa, no Algarve.


      OS ORGANOGRAMAS


      A Estrutura organizacional é o conjunto de relações formais

entre os grupos e os indivíduos que constituem uma determinada

organização. Define as funções de cada unidade da organização e os

modos de colaboração entre as diversas unidades e é normalmente

representada num diagrama chamado organigrama ou organograma.




      O organograma pode ser muito útil, porque facilita as decisões

relacionadas com a gestão e comunicação entre os departamentos ou

membros. Através de uma análise de um organograma é possível

identificar   deficiências   hierárquicas     na    organização.Num
                                    157
organograma, os órgãos são dispostos em níveis que representam a

hierarquia existente entre eles. Os organogramas deverão ter alguns

requisitos, deverão ser de leitura fácil, permitir uma boa interpretação

dos componentes da organização, fazer parte de um processo

organizacional de representação estrutural e ser flexível.

     Como existem diversas formas de estruturar as organizações,

logo existem diferentes tipos de organogramas: clássico ou vertical,

sectorial, radial ou circular, horizontal, funcional, matricial, etc.

O tipo mais comum de organograma é o Clássico ou vertical. É

elaborado com rectângulos que representam os órgãos e linhas que

fazem a ligação hierárquica e de comunicação entre eles. Este tipo de

organograma procura deixar bem evidentes os níveis de hierarquia.




     Para além do organograma clássico, existem outros tipos,

como, por exemplo, o Horizontal que tem uma finalidade idêntica à do

organograma clássico, embora amenize a discriminação hierárquica,

uma vez que a escala de poder é representada da esquerda para a

direita e não de cima para baixo.



                                     158
O downsizing surgiu como uma necessidade de solucionar o

excesso de burocracia que se verificava em muitas organizações, o

que, além da morosidade, dificultava a tomada de decisões e a

adaptação às novas realidades ambientais.

         O downsizing resulta na redução dos níveis da gestão e na

redução da dimensão da organização através da anulação de áreas

produtivas não essenciais, centrando-se no que melhor sabem fazer

(core       competence),     subcontratando     ao   exterior       (outsourcing)

actividades não fundamentais para o core-business permitindo uma

maior flexibilização da estrutura organizacional.

        A aplicação do downsizing consistiu, na maior parte dos casos,

no corte de custos em áreas consideradas não essenciais, resultando

geralmente no despedimento de trabalhadores.

        Apesar das vantagens dos cortes nos custos e na maior

flexibilização da organização, normalmente através da anulação de

actividades relacionadas com áreas ou produtos menos rentáveis, o

que permite uma concentração de esforços e recursos nas áreas mais

rentáveis, o downsizing continua a ser muito criticado e mal aceite

devido ao problema dos despedimentos.

        A     reengenharia     consiste   em     repensar       e    redesenhar

radicalmente as práticas e processos nucleares da organização tais

como o serviço ao cliente, o desenvolvimento de novos produtos, a

cultura organizacional, a resposta às encomendas, entre outras, para
                                          159
aumentar a produtividade através da redução de custos e do aumento

do grau de satisfação do cliente.

     A reengenharia não procura introduzir melhorias em processos

já existentes mas a eliminação e total reinvenção das regras e

processos    já    ultrapassados,     assim      como      os      pressupostos

fundamentais que lhe servem de base.

     A reengenharia parte de cima para baixo, dos gestores para os

subordinados, e tem por objectivo obter resultados num curto espaço

de tempo.

     O outsourcing é uma forma de acrescentar valor a um negócio

transformando um centro de custos interno num serviço externo

através da subcontratação, permitindo a libertação dos gestores para

concentrarem a sua atenção nas áreas de negócio de maior

importância estratégica.

     As principais vantagens do outsourcing são a libertação de

recursos, incluindo a atenção dos próprios gestores, para enfoque no

negócio central da organização; e o acesso a competências de

organizações      altamente     especializadas     e     que     beneficiam     de

importantes economias de escala e economias de experiência o que

permite, por um lado, a introdução de melhorias significativas nos

processos sobre os quais é efectuado o outsourcing e, por outro, a

redução dos custos operacionais.

     Os processos a que deve ser aplicado o outsourcing são os

processos   de    importância    estratégica     baixa    para    o   negócio    e

simultaneamente de baixo risco.


                                        160
Os processos a que o outsourcing é mais frequentemente

aplicado são a contabilidade, o processamento de salários, a consulta

económica e financeira, a consultoria estratégica, os serviços de

cobrança, o transporte de mercadorias, a consultoria jurídica, o

recrutamento e selecção de pessoal, a formação, a manutenção de

equipamentos, os serviços de limpeza, as pesquisas de mercado, a

publicidade, entre outros.

     Uma das variantes do outsourcing é o outsourcing estratégico

que corresponde à contratação no exterior de uma ou mais fases da

cadeia operacional, tais como o design do produto, a investigação e

desenvolvimento, o fabrico de componentes, ou a comercialização

dos produtos através do estabelecimento de relações de cooperação.


     A INFORMÁTICA


     Actualmente, os sistemas operativos mais difundidos no mundo

dos PC são os da família Microsoft Windows. Estes marcam uma

viragem, no mundo dos PC, para os ambientes gráficos (GUI –

Graphics User Interface).

     As    primeiras   versões   dos     ambientes   de   trabalho   que

conheceram algum êxito ficaram conhecidas como Windows 3.x e

surgiram entre 1985 e 1995.No entanto, estas versões do Windows

não eram sistemas operativos propriamente ditos, mas sim ambientes

de trabalho gráfico que se instalavam sobre o MS-DOS, esse, sim, o

real sistema operativo. As subsequentes versões do Windows 95 e 98

procuraram libertar-se do MS-DOS e afirmar-se como sistemas


                                       161
operativos autónomos, sem que o tivessem conseguido a 100%. Estas

versões do Windows ficaram conhecidas por Windows 9x.

     A primeira versão do Windows que surgiu integralmente como

um novo sistema operativo sem qualquer relação com o MS-DOS foi o

Windows NT (New Technology).

     O Windows NT surgiu com capacidades acrescidas ao nível da

segurança da informação e do trabalho em rede, apresentando-se em

duas modalidades:

     Windows    NT    server    –   destinado    a   gerir   máquinas     que

desempenham     o    papel     de   servidor    (server)     em   redes    de

computadores;

     Windows NT Workstation – versão para computadores que

funcionam como estações de trabalho Workstations) ligadas em rede.

     Com a entrada em 2000, a Microsoft lançou o Windows 2000,

também em duas versões:

     Windows 2000 server – para servidor de rede;

     Windows 2000 professional – uma versão para estações de

trabalho ligadas em rede.

     O Windows Me (Millenium Edition) surgia como uma nova

versão para PC de uso doméstico.

     Actualmente, as versões do Windows que estão a conhecer

maior difusão são as seguintes:

     Windows XP Home Edition – destinadas a substituir a versões

Windows 9x e ME;




                                      162
Windows XP Professional – destinado a substituir o Windows

NT e o 2000 Server.

      Windows Vista

      O software de aplicação engloba todos os programas de

computador que se destinam a realizar tarefas com interesse para os

utilizadores, para além daquilo que o software de sistema permite ou

é vocacionado.

      Entre os pacotes de aplicação mais úteis ao nível da utilização

pessoal    encontram-se        os   chamados   pacotes    de   software   de

produtividade pessoal ou de escritório. Este tipo de software também

é designado por Office suites ou pacotes de aplicação do tipo Office.

      A designação Office advém do facto de este tipo de programas

se destinar, em grande medida, ao trabalho de escritório.

      Os pacotes de software de produtividade pessoal ou de

escritório actualmente mais divulgados são as versões da Microsoft

Office: MS Office 2003, MS Office XP e Microsoft Office 2007.

      Os pacotes de software de produtividade pessoal, de escritório

ou Office suites costumam conter, como programas ou aplicações

principais, os seguintes:

      Um programa de processamento de texto –por exemplo: Word

(Office   da     Microsoft),    WordPerfect    (Corel    Office),   StarWrite

(StarOffice), etc.;

      Um programa de apresentações –por exemplo: PowerPoint (MS

Office), Lotus Freelance (Lotus Office), Corel Presentation (Corel

Office), etc.;


                                        163
Um programa de folha de cálculo por exemplo; Excel (MS

Office), Lotus 1-2-3 (Lotus Office), Quatro pró (Corel Office), etc.;

      Um programa de base de dados – por exemplo: Access (MS

Office), Lotus Approach (Lotus Office), Paradox (Corel Office), etc.;

      Programas de agendamento de trabalho pessoal e/ou correio

electrónico – como, por exemplo, o Outlook da Microsoft, etc.

      O funcionamento de um computador digital é baseado no

cálculo binário.

      O    sistema      binário   é   um   sistema   de   numeração       que   é

comparável com o nosso padrão sistema decimal. O sistema usa 10

dígitos decimais, de 0 a 9, e é referido como um sistema de base-10.

O sistema binário tem apenas dois dígitos, 0 e 1, assim é referido

como um sistema de base-2.

      O bit (BInary digiT) é a unidade básica de informação utilizada

nos computadores, tem o símbolo b e pode assumir dois valores, 0 ou

1.

      Um número binário constituído por 8 bits é designado por byte,

um número binário de 16 bits é uma word, e um de 32 bits, uma

double word.


      35           2
      1            17             2
                   1              8          2
                                  0          4            2
                                             0            2           2
                                                          0           1




                                           164
Para fazermos a conversão dos números binários para decimais

podemos recorrer à calculadora científica que se ocupa da conversão.

     A minha idade (35 anos), no sistema binário é 100011.

     Os    bytes   representam   todas    as   letras   (maiúsculas   e

minúsculas), sinais de pontuação, acentos, sinais especiais e até

sinais que não podemos ver, mas que servem para comandar o

computador e que podem, inclusive, serem enviados pelo teclado ou

por outro dispositivo de entrada de dados e instruções.

     Foram determinadas algumas medidas para que as pessoas

compreendessem a capacidade de armazenamento, processamento e

manipulação de dados nos computadores, nomeadamente:



     1 Byte = 8 bits

     1 Kilobyte (ou KB) = 1024 bytes

     1 Megabyte (ou MB) = 1024 kilobytes

     1 Gigabyte (ou GB) = 1024 megabytes

     1 Terabyte (ou TB) = 1024 gigabytes

     1 Petabyte (ou PB) = 1024 terabytes

     1 Exabyte (ou EB) = 1024 petabytes


                                    165
1 Zettabyte (ou ZB) = 1024 exabytes

     1 Yottabyte (ou YB) = 1024 zettabytes



     Um monitor é um dispositivo de saída do computador que serve

de interface visual para o utilizador, que permite a visualização dos

dados e sua interacção com eles. Os monitores são classificados de

acordo   com   a   tecnologia   utilizada   na   formação   da   imagem.

Actualmente, essas tecnologias são duas: CRT e LCD. A superfície

do monitor sobre a qual se projecta a imagem chama-se tela ou ecrã.




     CRT (Cathodic Ray Tube - tubo de raios catódicos) é o monitor

"tradicional", em que a tela é repetidamente atingida por um feixe de

electrões, que actuam no material fosforescente que a reveste, assim

formando as imagens.



     LCD (Liquid Cristal Display - tela de cristal líquido) é um tipo

mais moderno de monitor. Nele, a tela é composta por cristais que

são polarizados para gerar as cores.



     As características técnicas mais relevantes de um monitor são:


                                      166
Áudio com três canais – Alguns monitores oferecem saídas de

áudio para que o leitor possa recorrer ao set de colunas.

     SCART – Tal como acontece com os televisores standard,

alguns monitores também dispõem de entradas SCART, o que torna

possível a sua utilização com videogravadores e caixas digitais.

     VGA – É a ligação standard para ligar o PC ao monitor.

     Colunas – Alguns monitores trazem colunas embutidas.

     Alimentação – Os monitores consomem alguma energia, pelo

que deve sempre ter o dispositivo ligado à tomada eléctrica.

     Ecrã – Existem imensos tipos diferentes de ecrãs.

     Luminosidade – É especialmente relevante no caso dos LCD.

Mede a intensidade da luz no ecrã, quanto maior, melhor.

     Ratio de contraste – É a diferença em intensidade entre o mais

brilhante dos brancos e o mais escuro dos pretos que um monitor

consegue “mostrar”. Uma relação maior (600:1) é melhor que uma

mais baixa, como é óbvio (300:1). Maior contraste representa

normalmente uma representação de cores mais fiel.

     Tamanho do ecrã – É a distância diagonal no display, desde

um canto ao outro. A área visível pode ser mais pequena. Se isso

acontecer, deverá ver informações precisas nas especificações. Por

exemplo: ecrã de 19 polegadas com uma área visível de 18”.

     Dot pitch – Um dot pitch mais baixo significa que os pixels

estão mais próximos uns dos outros no display, razão pela qual as

imagens têm mais nitidez. O valor “normal” é 0,26mm, mas 0,22mm é

bastante melhor para o mesmo tamanho de ecrã.


                                    167
Taxa de refrescamento – Define quão rápido é “varrido” o ecrã

do monitor. Quanto mais alto for o valor da refresh rate, mais estável

ficará a imagem.

      Ajustamento de altura – Para que possa usar o seu monitor

confortavelmente, é melhor que consiga ajustar a altura a que ele fica

da secretária, de forma a poder subi-lo ou descê-lo.

      Efeito pivot – Alguns ecrãs podem rodar 90 graus, de forma a

ficarem na vertical.

      Menus de instalação – Todos os monitores têm um menu

embutido para definir a qualidade de imagem. A configuração de

luminosidade e contraste é uma opção básica.

      Definição – é o número de pontos (pixel) que o ecrã pode

afixar, este número de pontos é compreendido geralmente entre

640x480 (640 pontos em comprimento, 480 pontos em amplitude) e

2048x1536,         mas   as    resoluções    superiores    são   tecnicamente

possíveis.


      OS MASS MEDIA II


      Actualmente, os media para além de fazerem a publicidade a

marcas, modelos e características de telemóveis, também influenciam

as pessoas a comprar novos equipamentos, em detrimento de outros.

      Por vezes, a pressão exercida pelos media faz com que as

pessoas      não    efectuem    as   compras      mais   adequadas   às   suas

necessidades.




                                            168
The communication revolves around the needs of the public and

changed in all areas.

     Today, in different media, the word appears closely linked to the

image and, sometimes, seems to take advantage of it.

     The image and visual message is an instrument of expression

and communication. Whether expressive or communicative, a picture

is always a message to another.

      The images have a great potential: because of their language,

they can be understood anywhere in the world.

     It is the power of attraction of different media that we do every

day, sometimes several hours a day, the television, the Internet, but

also leads us sometimes to the cinema and reading of journals,

newspapers and even books.

       The communication of the masses is a closed circle, which

knows who influences whom and who is influenced by whom. Indeed,

there is the idea that the media, particularly television, through the

issuance of numerous images, coordinate the social, political and

economic viewers.

     Previously, the media were basically the newspapers and then

came the radio and television, but at the end of the twentieth century,

the Internet also entered the sector. Even mobile phones can already

be considered a new form of media.

     In the era of globalization, the digital information has become a

new merchandize in circulation.




                                     169
Today, the media cannot sell date information to citizens, but

they are selling the citizens to advertisers.

      The revolution of the digital age has attracted to the sector of

information, with the prospect of easy profits, a group of businessmen

from various sectors that have built great empires, monopolizing the

media.

      The media should have freedom of expression, with certain

obligations, for example, respect for human dignity.

         Also the people are among the forces that are able to influence

the media.

      The economic groups influence the information to gain big

profits, but can also provide more resources and protect the contents

of governmental pressures and advertisers and provide them a better

investment.

         The Internet has, however, make possible the existence of

alternative forms of expression and lead to an inconsistent journalism,

made by citizens.



      As campanhas publicitárias de telemóveis concebidas com o

objectivo de convencer as pessoas a comprar determinados modelos,

muitas vezes, conseguem transmitir a ideia de que o telemóvel é um

objecto indispensável.

          Os   media   conseguem     ter    muito   impacto    na   sociedade,

principalmente, a televisão, que tem um grande poder de influência

nos   telespectadores.     Através    da     transmissão      de    informação,


                                           170
conseguem    criar   modas   de   uso    de   equipamentos,   o   que   é,

perfeitamente, visível nas pessoas.




     A IMPORTÂNCIA DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E


COMUNICAÇÃO


     É fundamental termos         conhecimentos de     TIC, porque      ao

sabermos usar todas as suas ferramentas de um computador, temos

nas mãos um mundo de programas, facilidades e muita interacção,

para pesquisas, trabalhos, descobertas e comunicação.

     Embora a tecnologia da informação não substitua o homem e as

suas mais complexas capacidades, possibilita que esse homem faça

mais coisas em menos tempo e com mais eficiência.

     As Tecnologias da Informação e da Comunicação estão cada

vez mais presentes nas nossas actividades, enquanto estudantes,

profissionais, ou simplesmente como seres humanos, criadores de

conhecimento e utilizadores da informação.

     A forma como nos organizamos, trabalhamos, divertimos e até

pensamos, é influenciada pela utilização das tecnologias.

     Numa Sociedade da Informação, as pessoas aproveitam as

vantagens das tecnologias em todos os aspectos das suas vidas: no

trabalho, em casa e no lazer.


     A INTERNET


     A Internet traz-nos a informação com, apenas, um clique.


                                        171
A Internet (abreviação de Interconnected Networks) é formada

por milhares de redes regionais e nacionais que, todas interligadas

entre si, criam uma rede virtual comunicando a velocidade elevada e

utilizando as mais diversas tecnologias.

     As redes que fazem parte da Internet pertencem às mais

variadas instituições, desde universidades a empresas passando por

instituições governamentais e militares.

     Nem todas as redes que constituem a Internet estão abertas ao

público. Existem redes privadas destinadas à comunicação no seio

das organizações, e estas são de domínio privado.

     Para percebermos como nasceu a Internet é necessário recuar

até ao ano de 1957. Nesta época a União Soviética lançou para o

espaço o primeiro satélite.

     Parte da resposta americana ao avanço tecnológico da União

Soviética foi a criação da ARPA (Advanced Research Projects

Agency). No final da década de 60, esta agência criou uma rede

experimental   chamada    ArpaNet,     que    utilizava   uma    tecnologia

chamada    packet   switching   para    o    transporte   de    informação,

tecnologia que serve de suporte às comunicações efectuadas na

Internet. Esta tecnologia funciona da seguinte forma: quando um

computador de uma rede quer enviar informação a outro computador,

divide essa informação em diversos pacotes, e em vez de estabelecer

uma ligação directa ao computador receptor, envia os pacotes para o

computador mais perto de nós, com indicação em cada pacote do

computador remetente e do computador destinatário. Os pacotes


                                       172
viajam pelos computadores que estão ligados entre si, e cada

computador encarrega-se de enviar os pacotes pelo caminho mais

curto disponível até ao destino.

      A grande vantagem deste sistema é o facto de ser à prova de

ataque, porque se parte do sistema ficar indisponível, a rede é

inteligente o suficiente para enviar a informação através das linhas e

computadores ainda disponíveis.

      Os   correios   funcionam     de     uma   forma   semelhante:   ao

colocarmos uma carta (pacote) no correio ela tem o endereço de

destino mas não é enviada directamente para casa do destinatário.

Primeiro a carta é recolhida pelos funcionários do posto de correios

local, é enviada para o posto mais próximo do destinatário e de

seguida é levada pelo carteiro até à casa do destinatário. Se o posto

de correios mais próximo estiver fechado a carta é enviada para o

posto imediatamente anterior e distribuído a partir daí.

      Inicialmente,   apenas       organismos     militares   e   grandes

universidades estavam ligados entre si pela ArpaNet, mas com o

crescimento da rede foi sendo permitida a entrada de empresas e

outras redes mais pequenas foram-se ligando também a esta rede,

formando um conjunto de redes de computadores ligadas entre si, a

que hoje se chama Internet.

      A Internet não tem nenhum ponto central, nem é gerida por

ninguém, é apenas um conjunto de redes de computadores ligadas

entre si, que utilizam a mesma tecnologia para enviar e receber

informação.


                                         173
O   e-mail   (electronic-mail)   foi    o    primeiro   serviço   a   ser

disponibilizado, em 1972, embora demorasse algum tempo até que as

suas potencialidades fossem assimiladas.

       As páginas Web, a face mais visível da Internet, apenas foi

criada em 1993, e foi esta tecnologia utilizada na Internet a

responsável pela verdadeira explosão de número de utilizadores,

computadores e redes ligadas entre si. Até à época, os utilizadores

da Internet apenas trocavam correio electrónico, descarregavam

ficheiros e utilizavam serviços baseados em texto.

       O principal objectivo da Internet é a partilha, divulgação e

comunicação de informação entre os seus utilizadores.

       A partir do momento em que um utilizador se liga à Internet,

pode realizar uma série de operações que dependem apenas da sua

vontade e das suas necessidades de informação, não existe um plano

a seguir. Por exemplo, uma pessoa pode começar por consultar o site

(o conjunto das páginas de informação disponibilizadas por uma

entidade) de uma revista, onde lê que a sua banda preferida vai

realizar um concerto em Faro e decide assistir ao espectáculo,

depois, acede ao site da empresa que vende os bilhetes e reserva o

seu lugar no concerto. Por último, e ainda através da Internet, liga-se

aos seus amigos que estão nesse momento a utilizar a Internet e

conversa com eles, enviando-lhes e recebendo mensagens, entre as

quais os convida para irem ao concerto.

       Os principais serviços que podemos utilizar através da Internet

são:   e-mail   (correio   electrónico),      Web    (acesso    a   informação


                                        174
disponível    em   páginas   Web),   IRC    (conversas   em   tempo   real,

constituídas por trocas de curtas mensagens de texto), Instant

Messenger (troca de mensagens instantâneas), FTP (transferência de

ficheiros).

      O correio electrónico é o envio e recepção de mensagens

electrónicas através de um programa adequado. Para enviarmos uma

mensagem, basta termos o endereço electrónico do destinatário,

digitá-lo, assim como o assunto e o texto da mensagem. Depois, a

mensagem demora alguns segundos a chegar à caixa de e-mail do

destinatário.

      A Web é um dos serviços mais utilizados na Internet, e muitas

pessoas confundem a Web com a Internet, porque pensam que as

páginas Web são a Internet, mas na realidade a Web é apenas um

dos serviços disponíveis da Internet.

      O IRC (Internet Relay Chat) é o serviço que permite conversar

com outros utilizadores em tempo real, em modo de texto. Ao

utilizarmos um programa para este tipo de serviço podemos escolher

um dos muitos servidores de conversa disponíveis, um nick name

(pseudónimo) e, escolher um dos muitos canais, também chamados

de salas, para conversarmos com os utilizadores que aí estiverem

presentes. Tudo o que escrevermos numa sala pode ser lido pelos

utilizadores da sala, e vice-versa. Também é possível conversar em

privado com um só utilizador.

      O Instant Messenger é um serviço de mensagens instantâneas,

que nos permite definir uma lista de amigos e verificar, sempre que


                                      175
estão ligados à Internet. Também permite enviar mensagens sem

utilizar o correio electrónico.

      O FTP (File Transfer Protocol) é um conjunto de regras que

permite transferir informação entre dois dispositivos electrónicos. O

protocolo FTP é utilizado para disponibilizar ficheiros e pastas

possibilitando a respectiva transferência através da Internet.

      Ao   fazer   uma    análise    da    evolução    histórica     da    Internet

apercebo-me     que   a   finalidade      para   a   qual    que   foi    criada    e

inicialmente utilizada, principalmente para fins militares e para

utilização de apenas algumas instituição, já não é a mesma dos

nossos dias.

      Actualmente,    a   Internet     tornou-se     um     meio   de     troca    de

informação ao alcance de todos, não para apenas um grupo restrito.

O actual utilizador pode ir desde o professor, ao aluno e até mesmo à

dona de casa, que pouco percebe de tecnologia.

      Tornou-se vulgar o convívio online e qualquer pequena empresa

tem um site na Internet. O tipo e a dimensão da instituição que a

utiliza já não tem importância, o que me faz concluir que nos nossos

dias a tecnologia utilizada na criação da Internet está ao dispor da

sociedade, para os mais variados fins.

      Nas formas de acesso à Internet, estão incluídas, redes para a

utilização da Internet com ou sem fios.

      A conexão por dial up, também conhecida como banda estreita,

é um tipo de acesso à Internet no qual um utilizador usa um modem e




                                          176
uma linha telefónica para se ligar a uma rede do provedor de Internet

(ISP - Internet Service Provider).

      Apesar desta forma de acesso à Internet ainda existir, está

perdendo cada vez mais espaço no mercado, devido ao aumento dos

acessos de banda larga, existentes no mercado, como por exemplo a

DSL ou ADSL, ligações por cabo e por rádio, entre outros tipos de

conexões, e também devido à baixa velocidade da conexão. Ainda

assim, é utilizada em áreas onde a banda larga não está disponível

ou não é viável.

      Inicialmente, banda larga era o nome usado para definir

qualquer ligação à Internet acima da velocidade padrão dos modems

analógicos. Usando linhas analógicas convencionais, a velocidade

máxima de ligação é de 56 Kbps. Para obtermos uma velocidade

acima desta temos que optar por uma outra forma de ligação do

computador com o fornecedor do serviço. Actualmente, existem várias

soluções no mercado.

      De acordo com a Anacom , 88,4% dos clientes Internet em

Portugal tinham acesso por banda larga em Novembro de 2006, tendo

o número de utilizadores de banda larga aumentado mais de 50% em

2006. Mais de metade das ligações em banda larga são feitas através

do ADSL "Asymmetric Digital Subscriber Line".

      Em Portugal, são várias as empresas que disponibilizam este

serviço, que nos permite o acesso à Internet, nomeadamente a Sapo

ADSL (Portugal Telecom), Clix ADSL (Sonaecom SC ), Tele2, Oni ,




                                     177
Netcabo ADSL (Netcabo ), Duplex ADSL (Vodafone ), Novis ADSL

(Sonaecom SC ) e a Meo (Portugal Telecom).

      A tecnologia wireless, sem fios permite a conexão entre

diferentes pontos sem a necessidade do uso de cabos, através de

equipamentos      que       usam     radiofrequência       ou    comunicação       via

infravermelhos.

      A     Wireless    é    uma      tecnologia     capaz      de   unir   terminais

electrónicos, geralmente computadores, entre si devido às ondas de

rádio ou infravermelhos, sem necessidade de utilizar cabos de

conexão entre eles. O seu uso mais comum é em redes de

computadores, onde a grande maioria dos usuários utiliza-se da

mesma rede para navegar pela Internet no escritório, bar, aeroporto,

parque, em casa, etc.

      Uma rede de computadores sem fios são redes que utilizam

ondas electromagnéticas em vez de cabos, tendo sua classificação

baseada na área de abrangência delas: redes pessoais ou curta

distância    (WPAN),        redes    locais   (WLAN),      redes     metropolitanas

(WMAN) e redes geograficamente distribuídas ou de longa distância

(WWAN).

      A tecnologia por cabo, também conhecida por Cable Modem,

utiliza as redes de transmissão de TV por cabo convencionais para

transmitir dados em velocidades que variam de 70 Kbps a 150 Mbps,

fazendo uso da porção de banda não utilizada pela TV a cabo. Utiliza

uma   topologia    de       rede    partilhada,     onde   todos     os   utilizadores

partilham a mesma largura de banda.


                                              178
Para este tipo de acesso à Internet utiliza-se um cabo coaxial e

um modem. O computador do usuário deve estar equipado com placa

de rede Ethernet. Em Portugal, todas as companhias de TV por cabo

disponibilizam internet por cabo: TVCabo , Cabovisão , Bragatel ,

TVTEL , Pluricanal . A maior velocidade disponível em Portugal é de 60

Mbps e é oferecida pela TVTEL.

      Antigamente, era muito difícil obter determinadas informações

e, quando as conseguíamos era com uma perda substancial de

tempo. Recordo-me que, muitas vezes, para conseguir uma simples

informação, tinha de atrasar o trabalho, juntando a isto, os gastos

associados às deslocações.

      O telemóvel e o computador com Internet são dois instrumentos

indispensáveis para mim, hoje em dia, e fazem a diferença na minha

vida pessoal e profissional. Utilizo-os para organizar muitas coisas

importantes e permitem encurtar distâncias entre pessoas e serviços.

Com esta proximidade virtual, ganhamos tempo e dinheiro, que

podem ser investidos noutras áreas.


      OS ELECTRODOMÉSTICOS


      No meu dia-a-dia utilizo vários electrodomésticos, aparelhos

que   vieram   ajudar   na   realização     das   tarefas   domésticas,

principalmente às mulheres, porque ainda hoje são elas quem mais se

ocupa das tarefas do lar.

      A função dos electrodomésticos é, essencialmente, a de facilitar

a execução das várias tarefas domésticas, tais como cozinhar,


                                      179
conservar os alimentos, limpar a casa, lavar e engomar a roupa, nos

cuidados   de   beleza    e    alguns   são     utilizados   como   formas   de

entretenimento.


     O USO RACIONAL DA ENERGIA


     Considerando         que      cada       vez     mais     se    compram

electrodomésticos, compete-nos fazer um uso racional da energia

sem pôr em causa a nossa qualidade de vida.

     Se tivermos consciência de como é gasta a energia nas nossas

casas, podemos tomar algumas medidas para pouparmos energia,

algum dinheiro e estamos a contribuir para um melhor ambiente.

     Quando tenciono comprar um electrodoméstico para além de

verificar o preço, a marca e o volume, também, verifico a etiqueta

energética. Por vezes, também, recorro à revista Proteste que faz

estudos sobre os vários electrodomésticos. Através desta revista

analiso    e    comparo       as   suas    características     técnicas      dos

electrodomésticos que pretendo comprar, antes de me dirigir aos

estabelecimentos comerciais para os comprar.

     A etiqueta de eficiência energética, de apresentação obrigatória

em local bem visível nos electrodomésticos, existe desde 1995. A

atribuição da etiqueta energética levou a que se verificasse uma

melhoria significativa na eficiência energética dos electrodomésticos,

primeiro pela retirada do mercado dos equipamentos com classe

inferior a D, e depois pelo incentivo que deu aos fabricantes para

melhorarem os seus equipamentos, de tal forma que actualmente


                                          180
existem no mercado vários equipamentos com níveis superiores ao

necessário para se obter a classificação máxima (A), tendo sido

criadas as classes A+ e A++ para distinguir estes equipamentos.




     O aspecto que mais valorizo nos electrodomésticos é o preço, o

consumo de energia e a eficiência energética do equipamento.

     Sempre    que   compro    um    electrodoméstico      leio   as   suas

instruções de utilização e quando o velho já não funciona e não tem

recuperação entregue-o à loja, porque sei que esta irá entregá-lo a

centros de reciclagem.

     Quando    um    electrodoméstico      avaria,   habitualmente,    peço

sempre um orçamento       a um      técnico especializado, depois de

diagnosticado o motivo da avaria e de saber o preço da reparação,

decido se irei repará-lo ou substitui-lo por um novo electrodoméstico.

     Antes de comprar o meu frigorifico, medi a área disponível na

cozinha e acrescentei 1 cm às laterais, 5 cm na parte de trás, até à

parede, e 10 cm no topo, porque sei que se eu tiver estas medidas

                                     181
em atenção estou a assegurar a circulação do ar e a fácil abertura

das portas e gavetas.

      Os frigoríficos transferem calor do seu interior para o exterior,

para conservar os alimentos a uma temperatura mais ou menos

constante.

      O   consumo         de   electricidade   dos   frigoríficos   depende

especialmente da regulação da temperatura, da capacidade de

isolamento e do desempenho do compressor.

      A temperatura ideal de conservação dos alimentos é entre 3 e

5º C. Se regularmos o termóstato do frigorífico para temperaturas

inferiores a 3ºC estamos a aumentar o consumo sem necessidade. É

importante, as borrachas do frigorífico vedar bem, se as borrachas

não estão a vedar bem, o frigorífico então a perde muita energia.

      A utilização e manutenção dos frigoríficos interfere muito no

consumo de energia e por esse motivo devemos ter em atenção

algumas situações:

      Assegurar a existência de espaço entre a parte de trás do

frigorífico e a parede.

      O afastamento do frigorífico de fontes de calor (fogão, janelas)

é muito importante para manter a sua eficiência energética, porque

quanto mais aquecer mais vai ter que trabalhar para arrefecer, e vai

consumir mais energia.

      Reduzir o número de vezes que abrimos a porta e o tempo que

está aberta, pois 20% do consumo global dos equipamentos de frio é

devido às aberturas das portas.


                                        182
A presença de gelo nas paredes do congelador provoca um

aumento no consumo de energia e por essa razão devemos evitar a

formação     destas       camadas,    fazendo     a   limpeza    do    gelo

frequentemente.

      A grelha exterior do frigorífico deve ser limpa pelo menos uma

vez   por   ano,   para   evitar   grandes    acumulações   de   poeiras   e

consequente redução na eficiência de arrefecimento do frigorífico,

causando maior consumo de energia.

      Os alimentos retêm melhor o frio do que o ar, por isso quanto

mais cheio estiver o frigorífico melhor. Mas não devemos abusar, os

alimentos não podem estar comprimidos, porque o ar frio precisa de

circular.



      O microondas é um electrodoméstico que permite descongelar

alimentos, preparar cozinhados, aquecer comida com reduzidos

consumos de energia e de tempo.

      A grande diferença num cozinhado feito num forno microondas

é que o calor parte de dentro para fora, sendo o processo feito

através da estimulação de moléculas de água, principalmente, e não

da transmissão de calor, como num forno convencional.

      Existem vários tipos de microondas, nomeadamente, com ou

sem grelhador. Também existem microondas encastráveis, integráveis

e independentes. Os consumos destes electrodomésticos podem

variar entre os 128 e os 883 Kw/h e a potência pode variar entre os

750 e os 3600 W.


                                        183
Devemos ter alguns cuidados no uso deste aparelho, como por

exemplo, não utilizar recipientes metálicos, porque reflectem os

microondas, devemos tapar os alimentos para evitar salpicos e para

reduzir o tempo de descongelação, devemos utilizar bolsas de

plástico com pequenas aberturas resistentes ao calor e devemos

limpar com cuidado o seu interior porque os restos de comida

provocam um maior consumo de energia.

      Um aquecedor a óleo é um aparelho de uso doméstico que usa

resistências eléctricas e um sistema de circulação de óleo para

aquecer ambientes. Os aquecedores a óleo são muito usados como

fonte básica de aquecimento para sistemas de aquecimento de ar e

água. A maioria dos sistemas residenciais de aquecimento a óleo

usados actualmente é chamada de compressor a óleo. Nesse tipo de

sistema, o óleo é pulverizado em uma câmara de combustão a alta

pressão, impulsionado por um compressor e aceso por uma faísca

eléctrica.




                                  184
A maioria dos aquecedores a óleo utilizados actualmente é

chamada de compressor a óleo. Nesse tipo de sistema, o óleo é

pulverizado dentro de uma câmara de combustão a alta pressão. Os

aquecedores a óleo mais usados não queimam o oxigénio e por isso

são indicados para espaços pequenos, como por exemplo os quartos.

Aquecem    o   ambiente   sem   eliminar   a   humidade,   desligam-se

automaticamente em caso de sobreaquecimento e têm controladores

de temperatura.   Os aquecedores eléctricos são muito mais simples

que a óleo, mas ainda assim, podem apresentar problemas.

     Apesar de o sistema de aquecimento eléctrico ter vantagens,

o custo   operacional   geralmente   torna-o   menos   desejável   que

quaisquer outros sistemas de aquecimento. O alto custo significa que

minimizar a perda de calor causada por ductos inadequadamente




                                     185
instalados ou por mau isolamento é ainda mais importante do que nos

outros tipos de sistemas.




     Os aquecedores eléctricos usam elementos de aquecimento

controlados   por   relés   para    aquecer     o   ar.   Os   elementos   são

alimentados por fusíveis em um painel separado. Os dois tipos de

aquecedores referidos são bons, mas o aquecedor a óleo é mais

seguro para quem tem crianças em casa, porque não tem o perigo

destas   encostarem-se      e   queimar-se.     Quanto     ao    consumo   de

eletricidade, o aquecedor a óleo é mais caro.



                            As bombas de calor são equipamentos que

                      utilizam as diferenças de temperatura existentes

                      na natureza (terra, ar e água) como fonte de

                      energia      para   climatização     (aquecimento    ou

arrefecimento).




                                          186
Para   o   aquecimento      estes     equipamentos       retiram   energia

térmica do ambiente libertando-a dentro de casa. Os reversíveis

também podem arrefecer, retirando energia de dentro da habitação e

libertando-a no exterior.

      Estes equipamentos são bastante eficientes, com rendimentos

de 300 a 600% (ou seja, por cada unidade de energia eléctrica

consumida, são trocadas 3 a 6 unidades de energia térmica, entre o

ambiente e a habitação). Mas há um problema com a maioria das

bombas de calor, que é o facto de sobre os tubos externos depositar-

se gelo, o que diminui a sua eficiência . Assim, a bomba de calor

tem que derreter esse gelo periodicamente, e uma forma de fazer

isso, é a bomba de calor alternar automaticamente para o modo de ar

condicionado, para aquecer os tubos. Para evitar a queda de

temperatura dentro de casa, a bomba de calor acciona também os

aquecedores eléctricos para aquecer o ar frio que o ar condicionado

está insuflando. Uma vez derretido o gelo, a bomba de calor volta

para o modo de aquecimento.

      As bombas de calor mais comuns são:

      Geotérmicas     –     utilizam   a   diferença   entre    a   temperatura

constante do subsolo e a da habitação como fonte de energia,

obtendo uma maior eficiência energética. Para a sua instalação serão

necessárias movimentações ou perfurações do terreno que rodeia a

habitação, para colocar os tubos por onde circula o fluído que realiza

as trocas térmicas.




                                           187
Aerotérmicas – utilizam a diferença entre a temperatura do ar

exterior e a da habitação como fonte de energia. A sua instalação é

mais simples que a das bombas geotérmicas, pois não exige

trabalhos no solo, sendo a unidade exterior mais adequada a

edifícios. No entanto, é necessário realizar obras para a ligação entre

as unidades interiores e as unidades exteriores.

      Algumas bombas de calor permitem aproveitar a instalação de

climatização já existente na habitação, tornando-a mais eficiente.

Existem também equipamentos com a função de aquecimento de

águas para uso sanitário. Podem ainda ter como complemento

instalações de painéis solares térmicos.

      As bombas de calor consomem 3 a 6 vezes menos do que um

aquecedor normal e utilizam as diferenças de temperatura existentes

na natureza para produzir calor. Assim sendo, necessitam de menos

energia eléctrica para produzir a mesma quantidade de calor.

      Os acumuladores de calor são uma das formas de aquecimento

eléctrico mais populares. São práticos e eficientes e, constituem a

base da maior parte dos sistemas de aquecimento doméstico

eléctrico, e são também ideais para complementar outros tipos de

aquecimento já existentes. A sua instalação em escritórios ou outros

ambientes comerciais é frequente, porque são equipamentos fiáveis e

versáteis.

      Os acumuladores de calor eléctricos têm a grande vantagem da

tarifa nocturna de baixo custo (tarifa bi-horária) para proporcionarem

um sistema de aquecimento eficiente e económico. Essa tarifa é


                                    188
disponibilizada ao cliente, quando requisitada, à companhia de

distribuição de electricidade, apresentando um custo por quilowatt,

cerca de 41% inferior à tarifa normal diurna.

      Do uso de uma tarifa menos penalizadora para o utilizador

surgem duas vantagens: a economia e a dispersão dos picos de

consumo, uma vez que, não sobrecarregam as instalações no horário

diurno.

      Outra vantagem é que, com custos de instalação muito baixos e

sem necessidade de manutenção programada, o custo de utilização

do sistema de acumulação de calor é consideravelmente inferior a

outros sistemas de aquecimento.

      Comparativamente às alternativas em sistemas de aquecimento

disponíveis        no   mercado,    a    acumulação    de    calor   eléctrica    é

economicamente rentável. Apresentando um consumo máximo de

apenas 7 horas por dia sob a tarifa bi-horária, instalação fácil e pouco

dispendiosa,        sem    tubagens,     caldeiras    ou    armazenamento        de

combustível a considerar, apenas uma simples fixação à parede e a

ligação ao circuito eléctrico. Dispensam por completo, qualquer plano

de manutenção regular pré-estabelecido, algo que mais nenhum outro

sistema       de   aquecimento      de   características    semelhantes     pode

argumentar:

          •    Utilizam a electricidade mais barata dos períodos de vazio

                   (tarifa bi-horária)

          •    Funcionamento silencioso

          •    Possibilidade de regulação por período de utilização.


                                            189
•    A ausência de partes móveis complexas proporciona uma

             longa vida útil do aparelho e a quase inexistência de

             manutenção.

        •    Ambiente confortável

        •    Versatilidade na selecção de temperaturas

     Grande flexibilidade na instalação, uma vez que se tratam de

aparelhos individuais.

     Em resumo, os acumuladores de calor eléctricos são sistemas

de aquecimento para toda a casa, cujas principais características e

benefícios   são   a   sua   eficiência    energética,   rentabilização   de

despesas em consumos, fácil instalação e manutenção, melhorando o

nível de conforto global de toda a habitação.


     A ELECTRICIDADE


     A corrente eléctrica é o que coloca os aparelhos a funcionar,

entre os quais os electrodomésticos.

     A corrente eléctrica é um fluxo de partículas electricamente

carregadas e que pode ser temporária ou permanente.

     A corrente eléctrica temporária é do tipo da que é produzida na

descarga eléctrica durante as trovoadas. Permite manter um fluxo

contínuo de cargas eléctricas como, por exemplo, nas pilhas. As

pilhas são constituídas por dois metais diferentes (eléctrodo negativo

e positivo) e uma solução condutora (electrólito). A produção da

corrente é devida à existência de reacções electroquímicas que




                                          190
provocam um fluxo de cargas que se transmite ao circuito exterior,

quando ligado às pilhas.

     A circulação de cargas eléctricas faz-se do pólo negativo para o

positivo – sentido real da corrente. No entanto, convencionou-se que,

nos circuitos eléctricos, o sentido da corrente é do pólo positivo para

o negativo – sentido convencional da corrente.




                      Sentidos da corrente eléctrica

     Um circuito eléctrico é constituído por uma sequência de

componentes por onde circula a corrente eléctrica. Os circuitos

eléctricos podem ser descritos através de palavras, fotografados ou

desenhados. A forma mais habitual de os representar é através de

esquemas     onde   são    utilizados    símbolos      para   representar   os

diferentes   componentes.      Na       tabela   que     se    segue,   estão

representados os símbolos de alguns desses componentes:




                                         191
Os      diferentes   componentes     de   um   circuito   eléctrico

desempenham uma função específica:

      Fontes de energia – componentes de um circuito que produzem

energia eléctrica a partir de outra forma de energia. Exemplos: pilha,

gerador, bateria.

      Receptores de energia – componentes de um circuito que

transformam energia eléctrica noutra forma de energia. Exemplos:

lâmpada, motor, resistência.

      Fios de ligação – componentes de um circuito eléctrico cuja

função é estabelecer a ligação entre os restantes componentes que o

constituem.

      Interruptor – componente de um circuito eléctrico que tem como

função interromper ou permitir a passagem da corrente eléctrica.




                                     192
Aparelho de medida – componentes de um circuito eléctrico que

permitem medir as grandezas que se pretende analisar. Exemplo:

voltímetros, amperímetros.

      A intensidade da corrente eléctrica é uma grandeza que mede a

carga eléctrica que passa em cada secção do circuito, por unidade de

tempo. Representa-se pela letra I.

      Para    medirmos   a    intensidade   de   uma    corrente    eléctrica,

utilizamos um aparelho chamado amperímetro.

      Regras para a utilização do amperímetro:

      Seleccionar o comutador para corrente contínua ou alterna,

consoante o circuito em que se pretende efectuar a medição.

      Seleccionar a escala adequada em função do valor que se

pretende medir.

      O ampere (A) é a unidade que mede a intensidade da corrente

eléctrica, ou seja, a quantidade de carga eléctrica que passa num

determinado ponto de um circuito eléctrico, por unidade de tempo.

      A força que é capaz de estabelecer corrente eléctrica, como por

exemplo para acender uma lâmpada, chama-se força electromotriz.

      A tensão eléctrica ou diferença de potencial entre dois pontos

de um circuito eléctrico é uma grandeza que representa a energia

transferida   entre   esses   dois   pontos,     por   unidade     de   carga.

Representa-se pela letra U.

      No Sistema Internacional de Unidades (S.I), a unidade de

medida é o volt (V). Pode, também, ser utilizado o milivolt (mV).

      1 V = 1000 mV


                                      193
1 mV = 0,001 V

     O Volt é a unidade usada para indicar o valor das diferentes

forças electromotrizes.

     O valor em volts é obtido medindo a diferença de potencial

eléctrico existente entre seus terminais e para isso utiliza-se um

aparelho chamado voltímetro.

     Regras para a utilização do voltímetro:

     Seleccionar o comutador para corrente contínnua ou alterna,

consoante o circuito em que se pretende efectuar a medição.

     Seleccionar a escala adequada em função do valor que se

pretende medir.

     Ligar o terminal positivo do voltímetro ao terminal positivo do

gerador.

     O escoamento das cargas eléctricas num circuito mede-se

através de uma grandeza física designada por resistência, cujo

símbolo é R.

     No S.I., a unidade de medida é o ohm (Ω).

     A resistência pode ser calculada pela seguinte expressão:

     R = U

           I



     R – resistência, em ohm (Ω)

     U – tensão eléctrica, em volt (V)

     I – intensidade da corrente, em ampere (A)




                                    194
A resistência eléctrica pode ser medida utilizando um aparelho

chamado ohmímetro.

       A resistência eléctrica depende do material de que é feito o

condutor.

       A resistência eléctrica relaciona-se com a oposição que os

condutores oferecem à passagem de corrente eléctrica.

       Quanto menor é a resistência dos condutores maior é a

intensidade da corrente nos circuitos eléctricos.

       Quanto maior é a resistência eléctrica dos condutores menor é

a intensidade da corrente nos circuitos eléctricos.

       A palavra resistência é usada com dois significados diferentes:

para indicar a propriedade que os condutores têm de se oporem à

passagem da corrente eléctrica e para designar dispositivos que se

opõem à passagem da corrente eléctrica.

       Existem dispositivos chamados resistências ou resístores, que

também têm grande resistência eléctrica, como, por exemplo:




       Resistências metálicas

      Função                      Símbolo             Foto
      Resistência     metálica,

juntamente coma resistência

carvão é a mais utilizada em

circuitos electrónicos.
       Potenciómetro

      Função                      Símbolo             Foto

                                            195
É um tipo de resistência

variável       comum,             sendo

normalmente         utilizado      para

controlar      o     volume          em

amplificadores         de         áudio,

variadores de tensão, tudo o

que é ajustável em função de

um    valor    variável      de    uma

resistência.




       PTC

       Função                          Símbolo         Foto
       É      uma     resistência

dependente de temperatura

com         coeficiente            de

temperatura                positivo.

Quando a temperatura se

eleva, a resistência do PTC

aumenta.           PTCs           são

encontrados em televisores,

em    série    com     a    bobina

desmagnetizadora,             onde

são usados para fornecer

uma curta (tempo) corrente

na     bobina        quando         o

                                                 196
aparelho      é    ligado.       Uma

versão     especializada          de

PTC é o polyswitch que age

como     um       fusível      auto-

rearmável.




         NTC

       Função                           Símbolo   Foto
       Também             é       uma

resistência       dependente       da

temperatura,             mas      com

coeficiente negativo. Quando

a   temperatura          sobe,    sua

resistência       cai.    NTC     são

frequentemente           usados   em

detectores          simples        de

temperaturas, e instrumentos

de medidas.




                                          197
Resistência Ajustável

       Função                                   Símbolo           Foto
       É         uma          resistência

ajustável, é colocada no interior

dos        circuitos         electrónicos,

permite      ajustes      que      se   vão

manter      no       funcionamento        do

circuito.




       LDR - Foto Resistência

       Função                                  Símbolo         Foto
       LDR       (Light      Depended

Resistor) é uma resistência

sensível         à      luminosidade

exterior, pode ser ligada a

circuitos     que      actuem       com

ausência      de      luz,    ou    com

luminosidade.
                                                          Www.electronica-pt.com



       Quando ocorre um curto-circuito, a diferença de potencial

continua a ser a mesma mas a intensidade da corrente é muito

grande porque o circuito não tem praticamente resistência. A energia

eléctrica transformada em calor é também muito grande.

                                                 198
O calor libertado é tanto que os materiais isoladores podem

arder e originar um incêndio. É por isso que as fichas que ligam os

aparelhos eléctricos às tomadas estão equipadas com um dispositivo

corta-circuitos fusível.

      A energia eléctrica é transformada nos receptores noutras

formas de energia e a potência eléctrica é a grandeza que mede a

rapidez com que a energia é transformada. Representa-se pela letra

P.

      No Sistema Internacional de Unidades (S.I), a unidade de

medida é o watt (W), pode ser utilizado o quilowatt (kW).

      1 kW = 1000 W

      1 W = 0,001 KW

      A potência de um aparelho pode ser calculada pela seguinte

expressão matemática:

      P = U x I

      P – Potência, em watt (W)

      U – tensão eléctrica, em volt (V)

      I – intensidade da corrente, em ampere (A)




                                     199
Interior de uma lâmpada




     O princípio da lâmpada incandescente verifica-se quando uma

corrente eléctrica, suficientemente intensa passa por um filamento

condutor, as moléculas do filamento vibram, aquecendo e, num

determinado instante brilham.

     As   actuais   lâmpadas    incandescentes    utilizam   um   fio   de

tungsténio fechado num bulbo de vidro. Este fio tem um diâmetro

inferior a 0,1 mm e é enrolado segundo uma hélice cilíndrica.

     Ao passar corrente eléctrica no filamento, este aquece a uma

temperatura na ordem dos 3000º C. O filamento torna-se então

incandescente, e começa a emitir luz.

     Antigamente, fazia-se vácuo no interior do bulbo, no entanto,

facilitava a sublimação do filamento. Actualmente, injecta-se um gás

inerte, habitualmente o argónio ou o criptónio.




                                     200
A lâmpada incandescente é uma lâmpada de baixo rendimento,

gera muito mais calor do que luz. Aproximadamente 5% da energia é

transformada em luz.

      Quando existe corrente eléctrica, a resistência causa fricção e a

fricção causa calor, quanto maior for a resistência mais calor produz.

Por exemplo, o secador de cabelo tem um pequeno rolo de fios de

grande resistência, que quando está ligado gera calor e permite

secarmos o cabelo.

      As lâmpadas incandescentes existem com as potências de 60

watts, 75 watts, 100 watts, etc.

      O consumo de energia eléctrica, no S.I., é medido em joule (J)

e é calculado através da expressão:

      E = P x t

      E – energia eléctrica, em joule (J)

      P – potência eléctrica, em watt (W)

      t – tempo, em segundo (s)



      Existe uma outra unidade muito utilizada para medir o consumo

de energia eléctrica e que é utilizada nos contadores das nossas

casas, o quilowatt-hora (kWh). Neste caso, para o cálculo da energia

eléctrica, a unidade da potência eléctrica é o quilowatt (Kw) e a

unidade de tempo é a hora (h)




                                      201
PREOCUPAÇÕES AMBIENTENTAIS NA EMPRESA II


     O meio ambiente é uma das grandes preocupações na minha

empresa.

     Preservar   o   meio   ambiente    depende   dos   responsáveis   e

gestores da empresa, mas sobretudo dos funcionários.

     Todos os resíduos da empresa são recolhidos por empresas

certificadas. Têm sido instalados equipamentos de extracção de

fumos e poeiras com filtros, para que não sejam lançados na

atmosfera os gases resultantes das soldaduras, poeiras de lixar e

cortar as madeiras, e os fumos das pinturas.

     A empresa dispõe de pontos de armazenamento para separar

todos os resíduos como os desperdícios de ferro, alumínio, inox,

madeiras, papel e plásticos. Também, usamos aparadeiras para evitar

o derramamento, para o chão, dos óleos usados nas montagens e na

assistência dos sistemas hidráulicos.

     Os óleos usados são misturas complexas e variáveis de uma

infinidade de substâncias químicas.

     Os óleos usados são classificados como resíduos perigosos, de

acordo com a legislação em vigor, porque contêm inúmeros produtos

perigosos que induzem graves riscos para a saúde e para o ambiente.

     A título de exemplo, contêm metais pesados, como cádmio,

crómio e chumbo1. Quando o óleo usado é derramado no solo ou na

água, contamina estes recursos e prejudica a vida das plantas e

animais. O homem pode igualmente ser afectado quando bebe água



                                       202
ou, através da cadeia alimentar, quando se alimenta de plantas ou

animais contaminados.

     Na água, o óleo cria uma barreira que não deixa passar a luz

nem o oxigénio, afectando todos os seres vivos aquáticos. Estima-se

que um litro de óleo possa contaminar um milhão de litros de água,

ou seja, o equivalente a meia piscina olímpica.

     Para protegermos a nossa saúde e o ambiente é fundamental

colocar o óleo usado em recipientes e locais próprios, para que

depois seja recolhido e tratado correctamente.



     O número de computadores vendidos, quer para o mercado

doméstico quer para o mercado empresarial, cresceu muito. Tendo

em conta que, em média, para um computador existe uma impressora,

é fácil avaliar a quantidade de consumíveis que diariamente são

desperdiçados nos nossos caixotes do lixo. A estes poderemos ainda

juntar um número elevado de tinteiros e cartuchos de faxes de jacto

de tinta e toner, assim como cartuchos de toner das fotocopiadoras.

     Todos estes materiais possuem elevados riscos ambientais

sendo necessário proceder à sua separação dos restantes lixos e à

sua incineração para diminuir o risco de poluição.

     Nos últimos anos, tem-se assistido a um aumento dos níveis de

poluição em todo o mundo, sendo as regiões mais desenvolvidas,

aquelas que maior quantidade de poluentes produz.

     No entanto, nem só os         actuais níveis    de consumo das

sociedades    tecnologicamente     mais    avançadas     podem    ser


                                    203
considerados responsáveis pela degradação ambiental. O aumento na

procura de bens e serviços resultante do crescimento demográfico

mundial, e a consequente intensificação das actividades humanas

contribuíram para a complicada situação ambiental em que o Mundo

se encontra.

     As indústrias, os transportes e as actividades domésticas,

comerciais e outras lançam para o ar grandes quantidades de dióxido

de   carbono   (CO 2 ),   metano    (CH 4 ),    dióxido    de     azoto     (NO 2 ),

clorofluorocarbonetos     (CFC)     que    provocam       uma     concentração

anormal destes gases, provocando uma elevada poluição atmosférica.


     A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA


     A poluição atmosférica é a principal causa de uma série de

problemas bastante preocupantes para a humanidade, nomeadamente

o aquecimento climático, o buraco na camada de ozono, as chuvas

ácidas e o smog.

     Um dos problemas causados pela poluição atmosférica é o

aquecimento climático da Terra. Esta subida anormal da temperatura

resulta do aumento do efeito de estufa provocado principalmente pelo

homem.

     Para além dos efeitos provocados pelo homem, também existem

causas de origem natural que agravam o efeito de estufa como, por

exemplo, os grandes incêndios florestais ou as erupções vulcânicas.

     As   mudanças        globais   no    clima   da      Terra    e   as    suas

consequências sobre todos os ecossistemas parecem irremediáveis


                                          204
se não se tomarem medidas urgentes para reduzir a emissão dos

chamados gases de efeito de estufa.

        O aquecimento global, resultante do intensificar do efeito de

estufa, provocará a fusão das grandes calotes polares e dos glaciares

das altas montanhas, o que terá como primeira consequência a

subida do nível médio das águas do mar.

        A subida do nível médio das águas do mar dará origem à

submersão de partes significativas da Terra, sobretudo nas pequenas

ilhas e zonas de delta, como por exemplo o caso das ilhas Maldivas,

das Canárias ou do delta do Nilo, no Egipto. Todos os países com

áreas    costeiras    de   reduzida   altitude    encontram-se   ameaçados,

sobretudo    nas     cidades   litorais,   onde   vivem   milhões   de   seres

humanos.

        A modificação climática produzirá ainda um aumento dos

valores da precipitação e, sobretudo, uma maior variabilidade na sua

distribuição gerando cheias numas áreas e secas noutras.

        A maior concentração de ozono (O 3 ) existente na atmosfera

verifica-se na estratosfera, ocupando uma faixa localizada entre os 20

e os 50 km de altitude, normalmente designada por camada do ozono.

A existência deste gás é de extrema importância para a vida na Terra,

porque funciona como um filtro, ao absorver cerca de 95% da

radiação ultravioleta enviada pelo Sol.

        Apesar da enorme importância deste gás, a realidade é que,

nos últimos anos, a sua concentração tem vindo a diminuir, sobre

certas áreas, dando origem ao chamado buraco do ozono.


                                           205
Os principais responsáveis pela destruição da camada do ozono

são    dois   gases,    nomeadamente       os   clorofluorcarbonetos      e     o

halogéneo. Estes dois gases são substâncias químicas criadas pelo

homem, que quando chegam às altas camadas atmosféricas tornam-

se activos e provocam a destruição da camada do ozono, diminuindo

a sua espessura.

       Essa diminuição deve-se à acção dos CFC, que entram na

composição dos sprays, nos sistemas de refrigeração e das espumas.

       Por acção da radiação UV, os CFC libertam átomos de cloro,

que vão destruir a camada do ozono. Os CFC libertos para a

atmosfera, mantêm-se activos por mais de 100 anos e basta apenas

um átomo de cloro para destruir muitas moléculas de ozono. A

Europa, consumindo mais de metade dos CFC de todo o Mundo, é o

principal responsável pela sua emissão para a atmosfera.

       O buraco é cada vez maior, na Antárctida, mas o Árctico

também apresenta uma importante destruição. Contudo, os cientistas

prevêem uma recuperação da camada de ozono, em 2010.

       Os CFC são provenientes de determinados tipos de indústria,

do isolamento térmico e de alguns bens de uso corrente, como é o

caso   dos    frigoríficos,   dos   aparelhos   de   ar   condicionado,       dos

aerossóis, dos extintores, etc.

       As principais consequências para o Homem, da diminuição do

ozono são o cancro da pele, os problemas de visão e a afectação do

sistema imunitário.




                                         206
Os restantes seres vivos também sofrem alguns efeitos

nomeadamente através de alterações genéticas, que terão reflexos

em toda a cadeia alimentar.

      Podemos contribuir para diminuir a emissão de CFC para a

atmosfera, por exemplo, quando comprarmos aerossóis, artigos de

refrigeração ou espumas, devemos certificar-nos que não têm CFC;

em vez dos sprays, devemos optar por produtos roll-on ou stick,

desodorizantes que sejam amigos do ambiente, e devemos preferir

produtos que respeitem o ambiente.

      As chuvas ácidas são outra das consequências da poluição

atmosférica. O dióxido de enxofre (SO 2 ) e o óxido de azoto (NO),

libertados em grande quantidade para a atmosfera, combinam-se com

o vapor de água e o oxigénio, originado o ácido sulfúrico (H 2 SO 4 ) e o

ácido nítrico (HNO 3 ) que, ao dissolverem-se nas gotículas de água de

uma nuvem, acidificam-nas dando mais tarde origem a chuvas ácidas.

      As precipitações com elevado grau de acidez são responsáveis

pela contaminação das águas e dos solos, pela destruição de

florestas e das culturas, pela corrosão de edifícios, etc.

      As chuvas ácidas são um problema que não conhece fronteiras,

uma vez que a circulação do ar na atmosfera transporta as partículas

poluentes a grandes distâncias.

      Algumas medidas que podem ser colocadas em prática para

minimizar as chuvas ácidas, são: reduzir o consumo de combustíveis

fósseis e utilizar tecnologia mais eficiente que produza menos óxidos

de enxofre e azoto.


                                      207
O “smog” é um fenómeno característico das áreas urbano-

industriais, onde se registam elevados níveis de poluição.

     As grandes quantidades de partículas sólidas lançadas na

atmosfera pelas indústrias e pelos transportes rodoviários constituem

núcleos de condensação (pequenas partículas, por exemplo, poeiras,

fumos, pólenes, etc., em suspensão na atmosfera em torno das quais

podem ocorrer fenómenos de condensação) que, mantendo-se a

baixa altitude, favorecem o aparecimento de nevoeiros.

        Por sua vez, estes nevoeiros impedem a disseminação dos

poluentes para a alta atmosfera, dando origem a um espesso manto

nebuloso muito poluído. Este fenómeno, para além de provocar

problemas respiratórios e visuais, pode colocar em risco a própria

vida das pessoas.

     Para combater o “smog”, as chuvas ácidas, o aumento do efeito

de estufa, a destruição da camada de ozono e alterações climáticas,

podem ser adoptadas medidas de preservação da Natureza, tais

como:



         •A redução das emissões de dióxido de carbono para a

atmosfera;

         •A utilização de filtros nas chaminés das fábricas;

         •A promoção de energias alternativas, não poluentes;

         •A eliminação da utilização de CFC;

         •A utilização de tecnologias “limpas”.

         •A promoção da reciclagem;

                                     208
•A reutilização de determinados produtos, por exemplo a

utilização de garrafas de vidro em substituição das de plástico

descartável;

     A    redução        na   utilização    de    determinados      produtos   mais

poluentes, como o plástico.

     O uso de tecnologias “limpas”, colaboram no combate à

poluição atmosférica, através de:

                  •Redução dos consumos de energia através da sua

     utilização mais racional ou de utilização de outras fontes de

     energia alternativas responsáveis por menores emissões de

     CO 2 e de outros poluentes;

                  •Utilização      de      combustíveis       que    reduzam     as

     quantidades de poluentes emitidos (dessulfuração de derivados

     de       petróleo   ou    utilização    de    gasolina   sem    chumbo,    por

     exemplo);

                  •Substituição de compostos nocivos, tais como os CFC

     e alguns solventes, por outros inofensivos ou de menores

     inconvenientes;

          •    Utilização     de    tecnologias       geradoras      de   menores

               quantidades poluentes.

          •    Diminuta utilização de produtos com CFC, prejudiciais à

               camada de ozono.

     No entanto, o Homem dispõe actualmente de técnicas e

conhecimentos suficientes para controlar a poluição do ar provocada

pelas suas actividades, sendo necessário:


                                             209
•   Determinar as fontes dos contaminantes e identificá-los;

         •   Demonstrar os efeitos na saúde e no ambiente de cada

             contaminante;

         •   Preparar e pôr em prática medidas de prevenção e

             controlo da contaminação atmosférica, como a colocação

             de filtros.

       Algumas das medidas para minimizar as emissões de poluentes

são:

         •Instalar depuradores (filtros líquidos) – ao passar os fumos

da combustão por estes filtros, que têm água e cal, obtém-se um

precipitado, com diminuição da emissão de poluentes;

         •Construir centrais e equipamentos de energia alternativa

(ex. centrais de energia atómica, parques eólicos e solares);

         •Reduzir o consumo de electricidade.

       Contudo, estas medidas são economicamente dispendiosas uma

vez que exigem tecnologia avançada, à excepção dos depuradores,

que são muito eficazes e pouco          dispendiosos; para além de

problemas de segurança nas centrais de energia atómica e da gestão

de conflitos e interesses entre os vários países.

       Por isso, só uma forte vontade política e económica poderá

ajudar a resolver estes graves problemas ambientais. Enquanto a

poluição der lucro e não for devidamente penalizada não haverá

progressos significativos na sua redução.




                                     210
LIXO E RECICLAGEM


     Nos escritórios da empresa usamos papel e tinteiros reciclados,

evitamos   imprimir   as     mensagens     de      correio   electrónico.   São

pequenos gestos, mas muito importantes, que podem ajudar a evitar o

aquecimento global, ou seja, o aumento da temperatura da superfície

terrestre que influencia o regime de chuvas e secas. Uma das

consequências deste fenómeno é o derretimento dos glaciares da

Antárctida que em ritmo acelerado aumenta o nível das águas do mar

e, consequentemente, irá inundar as cidades costeiras.

     As lixeiras são depósitos não controlados de lixo, onde para

além de não existir vedações, os resíduos não são cobertos e não há

controlo de acessos, permitindo, a descarga clandestina de resíduos

perigosos; não existem impermeabilizações, nem tratamento das

águas   contaminadas       (águas   lixiviantes),    produzidas     durante   a

biodegradação dos resíduos orgânicos.

     As lixeiras provocam a libertação de gases para a atmosfera

que contribuem para o efeito de estufa ou, no caso de ficarem retidos,

podem ocasionar incêndios.

     Por tudo isto, as lixeiras provocam a contaminação dos solos,

dos rios e das águas subterrâneas, a libertação de fumos e de odores

desagradáveis   e,    até,   o   aumento      de    roedores.   Desta   forma,

constituem um risco para a saúde pública e para a degradação da

paisagem e da Natureza.




                                        211
Actualmente, as lixeiras têm vindo a ser encerradas por todo o

país e substituídas por sistemas integrados de gestão dos resíduos:

aterros sanitários, incinerações e compostagens.

      Um aterro sanitário é um local construído, onde é feita a

deposição controlada de resíduos, tendo em conta vários parâmetros

de   funcionamento.   Contudo,   apresenta   algumas    vantagens   e

desvantagens.

      As vantagens são: diminui a contaminação dos solos, rios, e

águas subterrâneas, devido à impermeabilização; diminui a libertação

de fumos e odores desagradáveis; evita a dispersão de materiais;

evita a degradação da paisagem

      Enquanto as desvantagens são: a matéria-prima, com que se

produziram os resíduos, não é recuperável; a médio e a longo prazo,

a escolha dos locais, que reúnem todas as condições necessárias à

construção destes aterros, começa a ser cada vez mais difícil.

      O processo de incineração consiste numa queima de resíduos

em fornos especificamente construídos para o efeito, em condições

controladas de temperatura e oxigénio, salvaguardando a combustão

completa.

      As suas vantagens são: não exige do cidadão qualquer

mudança no seu comportamento habitual; os serviços de limpeza são

bastante simples, limitam-se a recolher o lixo que é depositado na

central de incineração; os resíduos da incineração representam um

volume 80% inferior ao dos resíduos originais; existe aproveitamento

do calor produzido.


                                    212
Por outro lado, no que diz respeito às desvantagens, estas

são: há perda de matérias-primas; existe emissão de gases de

combustão,       que   podem     conter     poluentes     tóxicos,   devido,

essencialmente, às dificuldades técnicas de controlo do processo; o

resíduo resultante do procedimento de incineração é tóxico e deve

ser armazenado num aterro para resíduos industriais; o custo deste

procedimento é elevadíssimo e superior ao de qualquer outra

solução.

     A compostagem é o processo de decomposição, na presença

de oxigénio, da matéria orgânica dos resíduos empilhados, por acção

de   bactérias    e    fungos,   produzindo    uma      substância   húmica

(Componente orgânica complexa do solo resultante da decomposição

de tecidos vegetais e animais), designada por composto.

     Este processo permite tratar os resíduos orgânicos domésticos

(restos de alimentos e resíduos de jardim), bem como os resíduos

provenientes da limpeza de jardins e parques públicos.

     As suas vantagens são: contribui para reduzir o volume de

resíduos; permite a aplicação do composto final no solo como

fertilizante, o que permite devolver à terra os nutrientes de que

necessita, aumentando a sua capacidade de retenção de água e

evitando o uso de fertilizantes químicos

     As desvantagens são: riscos de maus cheiros em caso da pilha

de compostagem não ser suficientemente arejada ou ter água a mais;

se o contentor de compostagem for aberto, é fácil e possível atrair

ratos, moscas, etc.


                                      213
Não existem soluções isentas de riscos e inconvenientes para o

armazenamento dos resíduos, mas o abandono dos resíduos em

locais não controlados representa perigos graves.


      OS MOVIMENTOS ECOLOGISTAS


      Os movimentos ecologistas têm vindo a crescer e a aumentar a

sua influência, junto dos órgãos de poder forçando-os a tomarem

medidas    legislativas,   assim   como    junto   da   opinião   pública,

consciencializando os cidadãos e chamando a atenção para os

problemas ambientais.

      A nível internacional, a Greenpeace é a organização mais

mediática e interveniente na defesa do ambiente por realizar acções

de grande impacto na opinião pública, algumas muito polémicas, e

até mesmo de desobediência civil.

      Em Portugal, as organizações não governamentais, como a

Quercus, o Geota, Os Amigos da Terra e a Liga Para a Protecção da

Natureza, têm tido um papel importante na defesa do ambiente.

      No nosso pais foi criada em 1987, a Lei de Bases do Ambiente

(Lei n.º 11/87), e que tem como princípios gerais:

      - Todos os cidadãos têm direito a um ambiente humano e

ecologicamente equilibrado e o dever de o defender, incumbindo ao

Estado, por meio de organismos próprios e por apelo a iniciativas

populares e comunitárias, promover a melhoria da qualidade de vida,

quer individual, quer colectiva.




                                     214
- A política de ambiente tem por fim optimizar e garantir a

continuidade      de   utilização    dos    recursos    naturais,    qualitativa   e

quantitativamente, como pressuposto básico de um desenvolvimento

auto-sustentado.

         Ainda na mesma lei, no artigo 40º, estão descritos os direitos e

deveres dos cidadãos, em questões ambientais, nomeadamente:

         1- É dever dos cidadãos, em geral, e dos sectores público,

privado e cooperativo, em particular, colaborar na criação de um

ambiente       sadio   e    ecologicamente        equilibrado   e    na   melhoria

progressiva e acelerada da qualidade de vida.

         2- Às iniciativas populares no domínio da melhoria do ambiente

e   da    qualidade    de    vida,   quer   surjam     espontaneamente,       quer

correspondam a um apelo da administração central, regional ou local,

deve     ser   dispensada     protecção      adequada,     através     dos   meios

necessários à prossecução dos objectivos do regime previsto na

presente lei.

         3- O Estado e as demais pessoas colectivas de direito público,

em especial as autarquias, fomentarão a participação das entidades

privadas em iniciativas de interesse para a prossecução dos fins

previstos na presente lei, nomeadamente as associações nacionais

ou locais de defesa do ambiente, do património natural e construído e

de defesa do consumidor.

         4- Os cidadãos directamente ameaçados ou lesados no seu

direito a um ambiente de vida humana sadio e ecologicamente




                                            215
equilibrado podem pedir, nos termos gerais de direito, a cessação das

causas de violência e a respectiva indemnização.

     5-   Sem   prejuízo   do   disposto    nos   números   anteriores,   é

reconhecido às autarquias e aos cidadãos que sejam afectados pelo

exercício de actividades susceptíveis de prejudicarem a utilização dos

recursos do ambiente o direito às compensações por parte das

entidades responsáveis pelos prejuízos causados.

     Cada vez mais me apercebo de que a Revolução Industrial

mudou para sempre a relação entre o homem e a natureza.

     Várias actividades humanas lançam na atmosfera gases que

provocam o efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO 2 ) entre

outros, provocando o aquecimento global e perturbando a forma com

que o clima mantém o equilíbrio.

     Cada vez mais, é necessário utilizar-se energias alternativas

que combatam e controlem de algum modo as grandes emissões de

CO 2 , produzidas pelo homem e que diariamente vão para a atmosfera.


     AS ENERGIAS ALTERNATIVAS


     As energias alternativas, são aquelas que a partir da primeira

crise do petróleo (1973), se apresentam como substitutivas dos

crudes e não são consideradas clássicas.

                           Existem quatro tipos de energias típicas

                    alternativas      aos         combustíveis    fósseis,

                    nomeadamente a solar, eólica, biomassa e a

                    geotérmica. Costumam caracterizar-se pela sua


                                     216
descontinuidade de obtenção no tempo e pela sua irregularidade no

espaço. Dependem de factores meteorológicos (solar e eólica) ou

naturais   (biomassa   e     geotérmica).    Noutras    épocas    da   história

constituíram a principal fonte de energia, antes de serem postas de

parte a pouco e pouco pelo desenvolvimento tecnológico. São

energias   limpas,   visto   que,   como     não    estão    concentradas,     à

semelhança das clássicas (carvão, petróleo, hidroeléctrica, gás

natural ou nuclear), os seus efeitos sobre o meio ambiente são menos

desfavoráveis.

     A energia solar não polui durante a sua utilização.

     Os painéis solares são cada vez mais potentes e o seu custo

vem diminuindo, o que torna cada vez mais a energia solar uma

solução economicamente viável.

     A energia solar é excelente para ser utilizada em lugares de

difícil acesso, e a sua instalação em pequena escala não obriga a

enormes investimentos. No entanto este tipo de energia ainda

apresenta algumas desvantagens. A forma de armazenamento da

energia solar é pouco eficiente quando comparada, por exemplo, com

a dos combustíveis fósseis, a energia hidroeléctrica e a biomassa.



                                             A     energia   eólica    é    hoje

                                     considerada        uma      das        mais

                                     promissoras       fontes    naturais    de

                                     energia, principalmente porque é

                                     renovável. Além disso, as turbinas


                                       217
eólicas podem ser utilizadas tanto em conexão com redes eléctricas

como em lugares isolados.

      A energia eólica é renovável, limpa, amplamente distribuída e,

se for utilizada para substituir fontes de combustíveis fósseis, auxilia

na redução do efeito de estufa.



                             A energia de biomassa é a energia obtida

                       a partir da biomassa.

                             A biomassa é a quantidade de matéria

orgânica   existente   por   unidade   de    volume   ou   superfície   num

ecossistema.

      As plantas transformam a luz em energia química por meio da

fotossíntese. Armazenam anualmente dez vezes mais energia do que

a armazenada pelos outros seres vivos, por todos os outros meios em

conjunto. A energia química armazenada pelas plantas recupera-se

queimando-as e transformando o calor em energia eléctrica. As

centrais podem funcionar utilizando como combustível a matéria

vegetal de plantações especiais. Se a produção de biomassa se

fizesse a um ritmo viável, o dióxido de carbono produzido na

combustão seria compensado pelo absorvido na fotossíntese e não

provocaria o efeito de estufa.

      As turbinas de gás são utilizadas para gerar electricidade a

partir da biomassa. Nelas, a biomassa é transformada em gás,

queimando-se o combustível resultante e conduzindo-se os produtos

da combustão para uma turbina onde se gera electricidade. A


                                       218
utilização da biomassa como combustível oferece boas perspectivas

nas áreas onde existem indústrias açucareiras e destilarias. Nos

países produtores de cana-de-açúcar este sistema poderia produzir

metade da energia que se produz actualmente por outros métodos.

      Além da utilização da biomassa para produzir electricidade,

esta pode também ser utilizada para a produção de combustíveis

sintéticos para outros fins. Tanto o metanol como o etanol surgem

como combustíveis alternativos à gasolina, para os veículos.

      Em 100 anos, a temperatura média do planeta subiu 0,6ºC, é o

suficiente para causar vários desastres naturais, como mortalidade de

anfíbios, redução da cobertura de neve do planeta, redução da

espessura do gelo do Árctico. O nível do mar também subiu,

colocando em riscos cidades costeiras.


      AS MIGRAÇÕES DAS ESPÉCIES ANIMAIS


      O impacto do aquecimento global sobre os seres vivos é maior

do   que   se   imagina.   As   migrações   de   várias   espécies   estão

relacionadas com as mudanças climáticas, por exemplo as borboletas

do norte da Europa chegaram a mudar-se para regiões a mais de 150

quilómetros de distância de seu habitat devido às alterações de

temperatura na estação quente.

      Várias espécies migram à procura de reencontrar as mesmas

condições climáticas dos locais onde viviam anteriormente.




                                      219
O aquecimento global está a ocorrer em função do aumento de

poluentes,   principalmente   de   gases   derivados   da   queima   de

combustíveis fósseis (gasolina, gasóleo, etc.), na atmosfera.




     O EFEITO DE ESTUFA


     Os tipos de gases que mais existem na atmosfera são: ozono,

dióxido de carbono e o mais grave é o monóxido de carbono. Os

gases formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão,

causando o efeito estufa.




     A desflorestação e as queimadas das florestas são as duas

causas constantes do aquecimento. Os raios de Sol atingem o solo e

irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta

a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global.

Embora este fenómeno ocorra de forma mais evidente nas grandes

cidades, já se verificam as suas consequências a nível global.


                                     220
A retenção de calor na superfície terrestre pode influenciar

directamente no aumento exagerado de chuvas e secas em várias

partes do mundo, afectando cidades, plantações e florestas. Algumas

florestas   podem   sofrer   processos     de   desertificação,   enquanto

algumas plantações poderão ser destruídas por alagamentos. O

resultado disto é o movimento migratório de animais e seres

humanos.

      O processo de desertificação é provável que aconteça em

algumas regiões, assim como a destruição de plantações. Acho

necessário diminuir a desflorestação, logo, todos nós podemos

contribuir para o aumento do reflorescimento, evitar o uso de

produtos químicos, optar pelo consumo de produtos não prejudiciais

para camada de ozono, diminuir a altitude a que os aviões lançam

poluentes e diminuir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.


      A RECICLAGEM


      Penso que em Portugal existe uma crescente preocupação no

sector empresarial, em relação às questões ambientais, mas há ainda

um longo caminho a percorrer.

       O ano passado, a reciclagem de produtos de metal foi a que

mais se destacou, alcançando um valor na ordem dos 1,3 milhões de

toneladas, o equivalente a cerca de 50% do total.

      O sector de reciclagem integra cerca de 53 empresas privadas

que fazem a reciclagem de embalagens e gerem um total de 62

centros de tratamento. Operam ainda em Portugal 34 sistemas


                                     221
municipais e algumas empresas que fazem a reciclagem dos resíduos

industriais, ainda que sejam em número reduzido no nosso país.

       Porto e Aveiro são os distritos onde se concentra o maior

número de centros de reciclagem, com 15 e 14 respectivamente,

Setúbal com 7, Lisboa e Braga com 6.

       Prevê-se que as actividades de reciclagem dos resíduos em

Portugal   continuem    a    crescer     a    médio   prazo,   no   entanto,    a

deterioração na produção industrial e o agravamento da conjuntura

económica faz prever uma desaceleração nesta área para o biénio

2009-2010.

       Em Portugal o abate dos veículos em fim de vida (VFF) é uma

das áreas onde se tem evidenciado uma maior preocupação e para

isso existem centros especializados de abate, locais onde são usados

métodos       de   reciclagem       de         materiais   provenientes        do

desmantelamento de veículos, como: a Fragmentação.



       Numa        instalação          de

fragmentação,          os          VFV

desmantelados são triturados em

pequenos pedaços, dando origem a

três   fracções:    metais      ferrosos

(aço); metais não ferrosos (cobre, alumínio, magnésio, etc.); e,

resíduos de fragmentação (plásticos, borracha, resíduos metálicos

de pequena dimensão, etc.). Depois da fragmentação do VFV, os

metais ferrosos são separados mediante a passagem por um campo


                                             222
magnético.

       Técnicas de triagem automáticas ou manuais permitem, em

seguida, separar os metais não ferrosos dos restantes materiais.

Durante e após a fragmentação, as partículas de materiais de

menor     densidade     são      aspiradas,     dando    origem     à     fracção

denominada por resíduos leves de fragmentação.

       As fracções de metais ferrosos e metais não ferrosos são,

                                      posteriormente, encaminhadas para

                                      a   reciclagem,     sendo         utilizadas

                                      como matéria-prima secundária em

                                      outros    ciclos   de    produção,      por

                                      exemplo,      em         siderurgias      e

fundições. Os resíduos de fragmentação são actualmente enviados

para    aterro.   No   entanto,    encontram-se      a   ser     desenvolvidas

tecnologias       de   triagem     pós-fragmentação,          que    permitirão

seleccionar para valorização alguns dos componentes dos resíduos

de fragmentação.

                                                          (Fonte: VALORCAR)



       Para que os resíduos não prejudiquem a nossa saúde, é preciso

tratá-los e aproveitá-los, mas só o podemos fazer se os separarmos

primeiro.

       Através da recolha selectiva, é possível aproveitar o mais

possível todos os resíduos potencialmente recicláveis ou reutilizáveis.

Devemos assim separar os resíduos, de modo a poder dar-lhes

destinos diferentes.

                                          223
Para que o sistema de recolha selectiva funcione bem é

necessário que todos nós demos uma ajuda. Assim, é necessário que

cada um de nós, em nossa casa, comece a separar os diferentes

tipos de lixo. Depois da nossa separação, estes deverão ser

colocados nos devidos contentores do ecoponto , para que depois

sejam reciclados.

     Se o lixo for logo separado, o resto do processo será

extremamente facilitado. Depois dos resíduos separados devem ser

levados para o ecoponto e colocados no contentor certo, de modo a

que possam posteriormente ser conduzidos para as Unidades de

Reciclagem.

     É importante não esquecer, que para que os resíduos sejam

reciclados é necessários que estejam devidamente limpos. Assim,

antes de serem colocados no ecoponto , deve sempre verificar-se se

estão limpos.

     Os ecopontos são um conjunto de grandes contentores, cada

um destinado a um tipo de lixo específico. Para permitir uma

utilização mais fácil, cada um deles tem uma cor diferente.




                                    224
Os ecopontos são constituídos por 4 contentores de cores

diferentes. O de cor azul designa-se por papelão, o verde por vidrão,

o amarelo por embalão e o vermelho por pilhão. Neles devemos

depositar apenas os materiais correspondentes.



          Papelão

       Colocar: papel e cartão;      revistas; cadernos; jornais, sacos de

papel, etc.

       Não colocar: guardanapos; lenços de papel; papel plastificado

ou metalizado; papel autocolante; pacotes de batata frita; fraldas; etc.



          Vidrão

       Colocar: garrafas; frascos; boiões

       Não    colocar:   espelhos;   cristais;   vidro   de   janelas;   loiça;

cerâmica; lâmpadas; boiões de perfumes e cosméticos; etc.



          Embalão

       Colocar: Embalagens de plástico e metal, pacotes de leite,

sumo e vinho; garrafas e garrafões de plástico; sacos de plástico

limpos; esferovite; latas de refrigerante, etc.

       Não colocar: electrodomésticos; pilhas e baterias; tachos,

panelas e talheres; embalagens de óleos, combustíveis e margarinas,

etc.



          Pilhão


                                        225
Colocar: pilhas usadas e acumuladores (pilhas recarregáveis)

       Os     ecopontos       encontram-se         espalhados         por   todas    as

localidades, perto das pessoas que quiserem utilizá-los.

       Uma vez colocados nos respectivos contentores do ecoponto ,

os resíduos são recolhidos, em camiões próprios, e são levados para

a Estação de Triagem, onde sofrem uma escolha mais cuidada, na

medida      em   que    alguns     tipos    de     resíduos     podem       ainda    ser

subdivididos em outras categorias (o caso das latas, entre as latas de

alumínio e as de chapa).

       Todos     os    resíduos    que     não     podem        ser    separados     ou

aproveitados, vão para o aterro sanitário.

       Quanto aos resíduos separados, estes são enviados para as

Unidades de Reciclagem onde são aproveitados para produzir novos

materiais, contribuindo assim para proteger o ambiente e a natureza.

       A reciclagem é uma forma de dar valor aos resíduos, em que se

recuperam diferentes materiais, para que possam ser integrados

noutros processos de fabrico, dando origem a novos produtos. Com

este   processo,      reduzimos     também        as    grandes       quantidades    de

resíduos que vão para o aterro sanitário.

       Os produtos recicláveis têm interesse comercial. Só para se ter

uma ideia, produtos como garrafas PET são transformados em

cadeiras; as caixas do leite são usadas na confecção de telhas e

brinquedos;      os   tubos   de   creme     dental       são    aproveitados       para

divisórias   e   telhas,   enquanto        pneus       usados    são    utilizados   na

confecção de cadeiras e puffs.


                                            226
Quando compramos produtos reciclados sabemos igualmente

que estamos a poupar recursos extras, que seriam consumidos para

produzir o mesmo produto, a partir de matéria-prima nova.

               No meu dia-a-dia, esforço-me por contribuir para um

ambiente melhor, por exemplo, na deslocação para a empresa, eu e o

meu irmão utilizamos o mesmo automóvel; evito a utilização do ar

condicionado, porque sei que evito a emissão de gases poluentes

para a atmosfera; em casa poupo a água ao optar pelo duche em

detrimento do banho de imersão; fecho a torneira, enquanto ensaboo

as mãos, lavo os dentes, corto a barba e lavo a louça do jantar. Estes

os pequenos gestos contribuem para poupar o ambiente e euros.


     A GLOBALIZAÇÃO


     O euro, a moeda única europeia, é uma prova da globalização,

ou seja, do processo de interdependência entre as sociedades do

planeta.

     A globalização é o processo de integração mundial, com

diminuição   crescente    das   barreiras   tarifárias   entre   os   países,

desenvolvimento   do     comércio   internacional    e   de   correntes   de

informações entre os vários locais do planeta.

     A produção da Serralharia Barros Lda. é de mais de 70% para

clientes espanhóis. Esta proximidade com o povo vizinho, fez-me

aprender a falar e a conhecer a língua espanhola, pelo menos, o

suficiente para poder comunicar com os meus clientes. Por vezes,

não é fácil este relacionamento, porque alguns clientes e outras


                                      227
pessoas com quem contacto, em Espanha, não fazem qualquer

esforço para comunicar.

      Penso que os meus clientes espanhóis, em comparação com os

portugueses, pertencem a um povo mais divertido e que dá mais valor

à   vida,   aos   bens   materiais   e    trabalha   com   menos   stress,

provavelmente, porque têm uma cultura diferente.

      No mundo, os povos não são todos iguais, nem se localizam

todos na mesma região.Cada povo, cada sociedade possui a sua

cultura, que é o conhecimento transmitido de geração em geração,

resultante da forma como esse povo se relaciona com o meio

envolvente, bem como do tipo de relação e de padrão comportamental

existente entre os indivíduos.

      Assim, facilmente se identificam diferentes culturas distribuídas

pelo mundo, as quais se distinguem pelos seus factores de identidade

cultural. Os principais factores de identidade de um povo são a sua

raça e etnia, a sua religião, a sua língua, a sua localização

geográfica, a sua história, o seu vestuário, as suas técnicas, os seus

costumes e ainda, a sua gastronomia.


      OS VALORES


      O conceito de valor pode ser entendido de várias formas. Os

valores referem-se, em geral, sempre a acções, justificam-nas. Mas

nem todos possuímos os mesmos valores, nem valorizamos as coisas

da mesma forma.




                                         228
Os valores não são coisas nem simples ideias que adquirimos,

mas conceitos que traduzem as nossas preferências. Existe uma

enorme diversidade de valores, podemos associá-los da seguinte

forma:

       Valores éticos: os que se referem às normas ou critérios de

conduta que afectam todas as áreas da nossa actividade, por

exemplo, a solidariedade, honestidade, verdade, lealdade, bondade,

etc.

       Valores estéticos: os valores de expressão, por exemplo, a

harmonia, beleza, etc.

       Valores religiosos: referentes à relação do homem com o

sagrado e o sobrenatural, por exemplo, a pureza, santidade, etc.

       Valores     políticos:    justiça,    igualdade,   imparcialidade,

cidadania, liberdade.

       Valores vitais: referentes à saúde, resistência física, etc.


       AS CARACTERÍSTICAS DOS INDIVÍDUOS


       As atitudes de cada ser humano não são determinadas pela sua

herança biológica, mas por uma aprendizagem sociocultural. O

processo     de socialização    implica a aquisição de hábitos        e a

interiorização de crenças e valores.

       São estes elementos da cultura que condicionam a adaptação

do indivíduo à sociedade e a reprodução do modelo social e das suas

características culturais, pois o indivíduo expressará a cultura do seu

grupo no seu comportamento pessoal.


                                       229
A localização geográfica, por vezes, confere à população

características próprias, mas a raça assim como a etnia a que

pertencem também distinguem as populações na superfície terrestre.

As diversas etnias humanas, devido às migrações, deixaram-se de

restringir às suas áreas de origem e espalham-se pelo planeta.

      A localização geográfica também determina o tipo de habitação

e de vestuário, muitas vezes de acordo com o clima.

      A história de um país também contribui para a identidade das

populações,    por   exemplo,    se     um    país   foi    colonizado   pelos

portugueses, a língua oficial é o português.

      As línguas são um importante veículo de transmissão de

cultura, por exemplo, a Europa é um continente com uma grande

diversidade de línguas e culturas.

      A religião é um fenómeno que contribui para a diversidade

cultural e reflecte a visão que os povos têm do Mundo. Desde os

tempos mais remotos que as religiões têm vindo a ser motivo de

conflitos entre as sociedades.

      A cultura varia de sociedade para sociedade, já que nem todos

os   objectivos,   crenças,   valores   e     padrões      de   comportamento,

respeitados por uma sociedade, são reconhecidos pelas outras.

      A sexualidade, por exemplo, sendo uma necessidade ligada à

perpetuação da espécie, encontrou no mundo cultural humano uma

grande variedade de formas de manifestação. Também a religião,

embora esteja presente em todas as culturas, tem rituais e modos de

conceber a natureza dos deuses bastante diferentes,


                                        230
É por isso que as pessoas educadas de acordo com os mesmos

padrões culturais e submetidas aos mesmos valores apresentam

comportamentos semelhantes. Cada cultura tem uma identidade a

preservar. Os costumes, os usos e as tradições, são transmitidos de

geração em geração e garantem a estabilidade cultural.


         A ALIMENTAÇÃO


         A alimentação desenvolve-se seguindo algumas regras da

sociedade, que influenciam as nossas escolhas. Estas regras podem

surgir    representadas      no   modo   de     confecção   dos   alimentos,

apresentação dos pratos, na distribuição das posições das pessoas à

mesa, etc. De acordo, com os valores da sociedade a que pertence, o

homem selecciona os recursos naturais disponíveis e transforma-os

em refeições para satisfazer as suas necessidades.

         As   práticas   alimentares   são    apreendidas   culturalmente   e

transmitidas de geração em geração, pelo que não são facilmente

deslocadas e apreendidas.

         As restrições alimentares são as proibições relativamente à

ingestão de determinadas bebidas e comidas, que as pessoas evitam

ingerir por motivos religiosos, culturais ou de saúde.

         A alimentação é um complicado sistema que se traduz em

hábitos, ritos e costumes. As regulamentações alimentares estão

presentes na sociedade, ao observarmos as várias identidades

étnicas, nacionais e regionais e, as religiões.




                                         231
São várias as religiões que proíbem o consumo de certos tipos

de carne.

     Para os muçulmanos não é permitido comer carne de porco e

de animais carnívoros ou qualquer forma de sangue. Nesta religião, o

abate de frangos deve seguir os rituais da religião islâmica.

     As práticas religiosas reflectem-se nos hábitos dos indivíduos

no dia-a-dia e os hábitos alimentares não são excepção.

     Algumas restrições culturais contra o consumo de alguns

animais podem ser atribuídas à sua função de animais de estimação.

Dentro de qualquer sociedade , alguns tipos de carne são excluídos

porque estão fora da definição aceite como género alimentar.

     O vegetarianismo é defendido por muitas religiões, como por

exemplo                                                             na

Igreja Adventista do Sétimo Dia.

     Os praticantes desta religião têm regras de conduta próprias.

Vestem-se de uma forma simples, cultivam um espírito pacífico e

tranquilo, preservam o meio ambiente e zelam pela sua saúde,

através de uma alimentação racional e de um equilíbrio entre a

actividade física e o descanso. Estas práticas mostram disciplina e

contenção, e também preservam o corpo enquanto receptáculo do

Espírito Santo.

     Muitos adventistas defendem o regime vegetariano. E a isto não

é indiferente o contexto histórico-social em que surge esta religião no

séc. XIX. Esta foi a época das grandes reformas na área da saúde e

da expansão do vegetarianismo. A alimentação dos adventistas


                                     232
privilegia os cereais integrais, fruta, verduras e oleaginosas; evitam

as gorduras, a cafeína e os condimentos muito estimulantes. Rejeitam

o tabaco, álcool e drogas.

       Os adventistas do sétimo dia são conhecidos como uma das

comunidades mundiais que apresenta maior longevidade, atribuída à

sua dieta alimentar. Também dão uma grande importância à educação

e à saúde. Foram os fundadores por todo o mundo de várias escolas,

onde   as   crianças   podem   seguir    uma   alimentação   vegetariana,

incluindo a Universidade de Linda Loma, nos EUA.

       Por toda a Terra, existem restaurantes vegetarianos, cujos seus

proprietários são adventistas do Sétimo Dia.

       Na década de 90, os hábitos alimentares dos portugueses

conheceram importantes mudanças na dieta, devido ao aparecimento

das grandes superfícies, do fast food (alimentação rápida), à invasão

dos produtos da União Europeia, etc.

       A dieta mediterrânica é uma alimentação saudável, descrita a

partir de estudos feitos na população do sul da Europa e associada

em particular a bom nível de saúde cardiovascular. Caracteriza-se

pelo consumo elevado de alimentos ricos em hidratos de carbono

complexos, fibras, vitaminas, minerais e numerosos antioxidantes

protectores da saúde do coração, e pelo baixo consumo de alimentos

ricos em gordura saturada e de grande valor calórico. Neste tipo de

alimentação predominam: os cereais e derivados, incluindo o pão e

as massas; legumes; hortaliças; leguminosas; frutos; arroz; e batata.

Implica um consumo moderado de: ovos, peixe, carne de criação


                                        233
(aves, coelho). A principal gordura utilizada é o azeite seja para

temperar em cru, nas sopas ou em outras formas de cozinhar.

     A culinária escolhida é simples, as refeições são tomadas em

ambiente tranquilo e o número de refeições diárias ronda as cinco.

     Do ponto de vista histórico, a dieta mediterrânica surgiu por

influência da geografia, do clima, da flora e da fauna típica desta

região da Terra.

     A dieta mediterrânica é uma espécie de filosofia de vida,

baseada numa cultura e estilo de vida típico, em receitas e modos de

cozinhar muito típicos, resultando numa alimentação composta por

ingredientes   tradicionais,   actualizados   em   função   da   evolução

tecnológica ao longo dos tempos.

     É uma combinação harmoniosa de vários elementos. Por um

lado o sol, o mar, a tradição, a variedade e combinação de

elementos, a moderação no consumo e a actividade física essencial à

actividade profissional e ao dia a dia. Todos estes elementos

combinam-se com os alimentos de uma vasta região.

     É   de    referir   também   outros    aspectos,   nomeadamente    a

existência de uma culinária simples, uma fronteira bem definida entre

o que é festa e o que é o habitualmente consumido no dia-a-dia, a

comida bem distribuída ao longo do dia, a sazonalmente adequada

em função das estações do ano e das disponibilidades alimentares e

bem adaptada à actividade física desenvolvida.

     De uma forma mais abrangente, podem-se classificar                as

vantagens da dieta mediterrânica, como sendo:


                                      234
Alimentares – Diversificada, fácil de confeccionar, saborosa,

ajustada às necessidades e à vida actual.

      Nutricionais – Equilibrada, adequada, protege e previne várias

doenças.

      Económicas – É muito económica, no entanto a União Europeia

paga para não se produzir.

      Ambientais – É mais ecológica e amiga do ambiente.

      Existem     vários   métodos   de    confecção   dos   alimentos,

nomeadamente:

      Assar - É a cozedura em forno tradicional ou a calor rotativo.

As temperaturas variam em função das diferentes preparações

culinárias.

      Vantagens dietéticas: em atmosfera seca, sem água e muitas

vezes, sem gorduras, grande parte do valor nutricional do alimento é

preservado. O sabor permanece concentrado dentro do alimento.

      Cozer - Os alimentos são mergulhados numa determinada

quantidade de água fria ou já a ferver. O tempo de cozedura é

variável em função do tipo de alimentos e do objectivo: curto, no caso

de se pretender apenas branquear os alimentos; grande no caso de

se            querer         uma            cozedura         profunda.

Vantagens dietéticas: Se os alimentos forem mergulhados em água já

a ferver, obtém-se um alimento muito saboroso. Os aromas e os

nutrientes vão passando lentamente para a água da cozedura.




                                     235
A cozedura com água em grande ebulição é de evitar porque

provoca uma perda superior de minerais, bem como de vitaminas

solúveis na água e sensíveis ao calor.

     Cozedura a Vapor - O alimento é cozinhado numa panela

especial para o efeito, ou simplesmente pousado sobre um passador,

em cima de água a ferver.

     Vantagens dietéticas: não há contacto com a água, o que

permite preservar todas as propriedades e nutrientes dos alimentos, o

seu sabor e a sua forma, ficando com um aspecto mais apetecível.

     Cozedura em Microondas - A cozedura dos alimentos é

efectuada   através   de    ondas    electromagnéticas   ultra   curtas

(Frequência de 2450 mHz). Elas são emitidas e conduzidas dentro do

microondas e agem sobre as moléculas de água dos alimentos,

agitando-as com força e aumentando a sua temperatura. Esta técnica

é comparada à técnica de estufar, porque os alimentos cozem na sua

própria água.

     Vantagens dietéticas: as perdas nutricionais são limitadas mas

os aromas não se desenvolvem, nem atingem um aspecto crocante e

dourado como no forno tradicional.

     Estufar- é uma cozedura lenta do alimento na sua própria água,

uma vez que esta se vai condensando nas paredes da caçarola,

hermeticamente fechada.

     Esta preparação não necessita de gordura e pode ser usada

para legumes, carnes e peixes, ricos em água.




                                     236
Vantagens dietéticas: o sabor dos alimentos é excelente. A sua

água constitui um sumo rico em elementos aromáticos e em minerais.

      As perdas nutricionais são mínimas, sobretudo se a cozedura

for rápida

      Fritar - o alimento é imerso numa determinada quantidade de

matéria gordurosa a ferver (180º), muitas vezes envolto por uma

cobertura para fritar.

      Vantagens dietéticas: não há difusão dos princípios aromáticos

no banho da fritura, no entanto, aumenta sensivelmente o valor

energético dos alimentos.

      Deve ter-se em atenção dois aspectos fundamentais: nunca

deixe queimar o óleo da fritura e substitua-o regularmente.

      Grelhar - o alimento é colocado em contacto com uma fonte de

emanação     de   calor.   Pode   ser    grelha   de   fornalha,   chapa   ou,

directamente, nas brasas.

      Vantagens dietéticas: o alimento grelhado mantém o seu valor

nutritivo porque as proteínas formam rapidamente uma camada

protectora à volta do alimento. Desta forma a maior parte dos

nutrientes permanecem no alimento.

      Na Panela de Pressão - O alimento é cozido numa panela

hermética onde a pressão sob o efeito do calor, permite obter uma

temperatura de cozedura superior a 100º.

      Vantagens     dietéticas:   esta    preparação     tem   3   vantagens

principais: rapidez de preparação; se os tempos de cozedura forem

respeitados, o sabor dos alimentos também se mantêm; uma vez que


                                         237
o tempo de cozedura é diminuído para metade, as perdas de

vitaminas são pouco significativas. Estas resistem melhor a uma

temperatura elevada durante um curto espaço de tempo, do que a

uma temperatura menos elevada durante mais tempo. Em virtude da

quantidade de água acrescentada ser pouca, há pouca diluição dos

aromas e minerais no líquido de cozedura.

      Saltear - o alimento é cozinhado rapidamente em manteiga ou

gordura,   com   lume   muito   quente   até   ficar   levemente   tostado.

Posteriormente, a cozedura é terminada em lume mais brando.

      Vantagens   dietéticas:   as   proteínas    formam    uma    camada

protectora em contacto com o calor forte, que mantém as substâncias

nutritivas e aromáticas dentro do alimento.



Também existem vários métodos de conservação dos alimentos.

      Os métodos de conservação de alimentos permitem a sua

conservação ao longo do tempo, evitando a sua deterioração para uso

futuro.

      Nos primeiros métodos de conservação de alimentos utilizava-

se o sal e especiarias para evitar a deterioração.

      O uso de calor para conservar alimentos tem por objectivo a

redução da carga microbiana e a desnaturação de enzimas. Vários

tipos de tratamentos térmicos podem ser aplicados, e dependem da

sensibilidade à temperatura dos alimentos e da sua sensibilidade à

deterioração, bem como da estabilidade requerida do produto final.




                                      238
Existem alguns tipos de tratamentos através do calor, os mais

conhecidos são a pasteurização e esterilização .

      Através do método de fervura, eleva-se a temperatura até

100ºC para eliminar os microrganismos existentes nos alimentos. Na

pasteurização, ferve-se o alimento entre 65ºC e 85ºC, e logo em

seguida arrefece-se o alimento.

      A conservação pelo frio consiste em arrefecer o alimento,

através do congelamento, no congelador ou do arrefecimento, no

frigorífico.   O   frio   dificulta   a   reprodução   dos    microrganismos,

impedindo que existam nos alimentos.

      A liofilização também é um dos meios de conservação de

alimentos. Com este método de conservação, podemos congelar um

alimento a -40°C, seguidamente ele é transformado em vapor e

depois em líquido.

      O fumeiro, a secagem usando fumo, também dificulta a acção

dos microrganismos, este processo é usado principalmente na

conservação da carne.

      A salga impede a proliferação dos micróbios. Com este método,

a carne dura cerca de 2 a 3 meses e este método pode ser utilizado

em carne de vaca, peixe e porco.

      Existe a conservação através de aditivos químicos, como por

exemplo: corantes, estabilizantes, aromatizantes, etc. São usadas

substâncias    químicas      para     conservar   alimentos   industrializados,

principalmente enlatados como milho verde, ervilha, etc.




                                           239
As diferentes técnicas e processos de conservação têm vindo a

desenvolver-se com o objectivo de manter, durante o maior período

de tempo possível, a qualidade dos alimentos.

       Alguns processos de conservação, ao permitirem melhorar o

aspecto final do produto, podem, por vezes, mascarar uma falta de

qualidade das matérias-primas utilizadas no seu fabrico ou mesmo do

processo em si.

       Se há alguns, como as lecitinas (E322), que facilitam a

homogeneização de um produto e são perfeitamente aceitáveis,

outros há que não serão tão insuspeitos. É, por exemplo, o caso dos

nitritos (E249 e E250) e nitratos (E251 e E252), classificados como

conservantes e que permitem manter a cor vermelha das carnes e

enchidos. De facto, sabe-se que eles dão origem à formação de

nitrosaminas no estômago, quando em presença das proteínas da

própria   carne.     E     embora    as   quantidades   de   aditivos     sejam

regulamentadas e muito pequenas, essas nitrosaminas são agentes

cancerígenos.

       Também alguns corantes sintéticos, como o E102 (tartrazina

para   corar    de       amarelo),   frequentemente     usados   em     pudins

instantâneos,      guloseimas,       gelados    e   outros   alimentos,     são

potencialmente, agentes alergizantes em indivíduos mais sensíveis,

como pode ser o caso das crianças.

       Ter uma alimentação equilibrada associada a bons hábitos,

como uma prática regular de desporto, contribui para uma melhor

qualidade de vida.


                                          240
Uma dieta saudável pode ser resumida por três palavras:

variedade, moderação e equilíbrio.

      A alimentação deve ser fornecida em quantidade e qualidade

suficientes e estar adequada à necessidade do indivíduo.

      Mas para ficar explicito do que falo é melhor começar por duas

definições:



      Alimentos – são substâncias que visam promover o crescimento

e a produção de energia necessária para as diversas funções do

organismo.



      Nutrientes – substâncias que estão presentes nos alimentos

que e são utilizadas pelo organismo. Os nutrientes são os produtos

que obtemos depois da transformação dos alimentos ao longo do

aparelho digestivo e todos eles desempenham funções essenciais ao

crescimento e à vida. Os nutrientes agrupam-se em proteínas,

hidratos de carbono (glícidos), gorduras (lípidos), vitaminas, minerais

e oligoelementos, fibras e água e desempenham basicamente três

grandes funções:

      Função Construtora ou Plástica - Alguns nutrientes servem

para construir e renovar as estruturas do nosso corpo, como, por

exemplo, as proteínas (por exemplo, para os músculos) e alguns

minerais (por exemplo, o cálcio para ossos e dentes).

      Função Energética - As proteínas, os hidratos de carbono e as

gorduras fornecem a energia necessária a todos os processos (por


                                     241
exemplo, andar) e reacções do organismo (por exemplo, respirar).

Fornecem a energia que necessitamos para as actividades do dia-a-

dia.

       Funções Reguladora, Activadora e Protectora - As fibras, a

água, as vitaminas e os minerais e oligoelementos (por exemplo, o

ferro presente na carne) regulam e activam as reacções que ocorrem

no organismo (por exemplo, a actividade intestinal) e permitem que

outros nutrientes sejam aproveitados e o protejam de diversas

agressões e doenças.

       As proteínas, os hidratos de carbono e as gorduras formam o

grupo dos macronutrientes, que são aqueles de que precisamos em

maior quantidade e também os que existem nos alimentos em maior

proporção.

       As   vitaminas,   os   minerais   e     oligoelementos   e   as   fibras

pertencem ao grupo dos micronutrientes. São necessários em menor

quantidade, mas, apesar disso, não desempenham um papel menos

importante.

       As proteínas constituem a base estrutural do nosso corpo e são

indispensáveis para a formação e crescimento dos músculos, órgãos,

pele e ossos. Além disso, também fornecem energia.

       Numa dieta equilibrada, as proteínas devem contribuir com 10 a

15% do valor energético diário. As proteínas existem em maior

quantidade na carne, aves, peixe, ovos, produtos lácteos e soja.




                                         242
As proteínas podem ser de origem animal (existem na carne e

no peixe, no leite, iogurtes, manteiga e nos ovos) ou vegetal (existem

no grão, no feijão, nas lentilhas, na soja e nos frutos secos).

      As proteínas de origem vegetal alimentam tanto como as de

origem animal; no entanto, só as proteínas de origem animal contém

certas    substâncias   indispensáveis     ao   nosso   organismo   (os

aminoácidos essenciais), pelo que se deve suplementar a dieta com

estes aminoácidos na alimentação exclusivamente vegetariana.

      Os hidratos de carbono fornecem o combustível que o nosso

cérebro e o nosso corpo precisam para as suas actividades diárias.

Recomenda-se um consumo entre 55 a 60% do valor energético

diário.

      Os hidratos de carbono são um grupo diverso que inclui

açúcares (presentes, por exemplo, na fruta e no açúcar de adição) e

amidos (presentes, por exemplo, no pão, arroz, massas e batatas).

Quanto aos açúcares, a frutose é benéfica, já que é um constituinte

natural de muitos alimentos como a fruta. Pelo contrário, o açúcar

adicionado (sacarose) aos alimentos ou às bebidas pode tornar-se

problemático, se for consumido em exagero. A Organização Mundial

de Saúde (OMS) recomenda que, para uma ingestão de 2000

Kcal/dia, o valor de hidratos de carbono adicionado não deve exceder

os 420 g/dia.

      As gorduras fornecem energia, principalmente sob forma de

calor, entram na constituição de todas as estruturas celulares do

nosso corpo, fornecem os ácidos gordos essenciais, ajudam na


                                     243
absorção das vitaminas A, D, E e K e ainda melhoram o sabor dos

alimentos.

       No entanto, devemos evitar ingeri-las em doses elevadas, no

máximo devem representar 30 a 35% da ingestão calórica diária.

Algumas fontes de gorduras são o azeite, manteiga, óleos vegetais,

frutos secos oleaginosos, ovos, peixes gordos e carnes gordas.

       As vitaminas são nutrientes indispensáveis para o crescimento

e para a manutenção do equilíbrio do organismo. Não fornecem

energia, mas são essenciais em pequena quantidade para regular

muitos dos nossos processos metabólicos. Têm funções diversas e

específicas e encontram-se numa grande variedade de alimentos de

origem animal e vegetal.

       As vitaminas têm uma função de protecção contra certas

doenças, como o raquitismo, o escorbuto e a pelagra.

       Os    minerais   e   oligoelementos        são   substâncias       que   não

fornecem     energia,   mas     que   são    imprescindíveis       ao   organismo

humano em pequena quantidade. Estes nutrientes são fundamentais

para   a    conservação     e   renovação         dos   tecidos,   para    o    bom

funcionamento das células nervosas (cérebro) e intervêm em muitas

reacções que ocorrem no organismo. Existem em muitos alimentos de

origem animal e vegetal. Entre os minerais, é de realçar o sódio,

pelos seus efeitos nocivos na pressão arterial. As principais fontes de

sódio são os alimentos cozinhados e o sal de cozinha.

       A quantidade de sal ingerida por dia deve ser inferior a 5 g. A

melhor forma de satisfazer esta recomendação é moderar não só o


                                            244
consumo de produtos salgados (por exemplo, charcutaria, enlatados,

batatas fritas e aperitivos) mas também a utilização de sal ao natural.

A substituição do sal por ervas aromáticas (por exemplo, aipo,

alecrim, alho, cebolinho, coentros, estragão, hortelã, louro, orégãos e

salsa), especiarias (por exemplo, açafrão, canela, caril, colorau e

noz-moscada) e marinadas na preparação e confecção dos alimentos

é uma boa alternativa para adicionar sabor e realçar a cor dos

alimentos.

      As fibras são nutrientes que, dependendo da sua origem e

processamento, apenas são parcialmente digeridos e absorvidos pelo

nosso organismo. Existem dois tipos fundamentais de fibras: as mais

fermentáveis (solúveis) e as menos fermentáveis (insolúveis).

      As fibras solúveis (presentes, por exemplo, nos hortícolas,

frutas e aveia) têm um papel importante na redução dos níveis de

colesterol e do risco de doenças cardiovasculares e ainda contribuem

para a regulação dos níveis de glicemia e aumentam a sensação de

saciedade. As fibras insolúveis (presentes, por exemplo, nos cereais

e   leguminosas)   têm   um   papel   fundamental   no   funcionamento

intestinal, ajudando a prevenir a obstipação. A ingestão de fibras

também ajuda a prevenir alguns tipos de cancro.

      A sua função é estimular o funcionamento intestinal. Absorvem

líquidos e ligam substâncias, por isso previnem a prisão de ventre,

eliminando também elementos tóxicos do organismo.

      Comendo poucas fibras pode-se ter doenças como: hipertensão,

colesterol alto, obesidade, hemorróidas e cancro do intestino. Alguns


                                      245
alimentos fontes de fibra são o pão integral, frutas com casca,

vegetais crus, grãos, leguminosas e cereais integrais.


     DIVERSIDADE CULTURAL


     A existência de diferentes povos deveria ser um motivo de

satisfação social para a humanidade, mas, em muitas situações,

assim não aconteceu.

     As migrações ao longo dos tempos e, mais recentemente, o

desenvolvimento das novas tecnologias de informação desencadeou a

difusão e contacto entre as várias culturas. Se, em determinados

casos, a difusão e contacto de diferentes culturas se fez de forma

natural, através de uma integração pacífica (aculturação), dando

origem a sociedades multiculturais, noutros casos, o contacto entre

diferentes culturas originou rejeição e revolta, levando a situações de

racismo (preconceito baseado em diferenças biológicas, como a

discriminação baseada na cor da pele) e xenofobia. (menosprezo por

estrangeiros).

     A intolerância entre os povos causa por vezes atitudes de

racismo e xenofobia. A xenofobia é ainda entendida num vasto

sentido, referindo-se a qualquer forma de preconceito em relação à

raça, a grupos minoritários ou culturas. Apesar desta versão ser

frequentemente aceite, este sentido pode gerar confusões e associar

a xenofobia a preconceitos, o que pode levar a crer que qualquer

preconceito é uma fobia.




                                    246
Xenofobia    pode      realmente         causar    aversões     que       levam    a

preconceitos raciais ou de grupos. Contudo nem todo preconceito

provém de fobia. Os preconceitos podem ter origem em diversos

motivos.

       Os estereótipos das minorias, por exemplo, podem levar um

indivíduo a ter uma ideia errada de outro grupo podendo conduzi-lo

ao ódio, não por medo, mas por desinformação, como, por exemplo,

afirmar que o asiático é sujo, o muçulmano é violento, o negro é

menos inteligente, etc.

       Os ciganos são ainda hoje em Portugal sujeitos a atitudes

xenófobas. É fundamental esclarecer os menos informados que, como

toda minoria étnica, os ciganos têm direitos fundamentais e o primeiro

é o direito a não ser objecto de discriminação.

       Para   além     das      formas       de       aculturação      (processo         de

transformação      cultural     por     influência       de   outras   culturas)     por

integração de elementos culturais de outras sociedades, existem

processos de aculturação forçada e violenta, em que se assiste à

destruição    de    uma       cultura     por     imposição      de    outra      julgada

civilizacionalmente superior.

       Esta destruição feita em nome de uma desejada superioridade

resulta de uma sobrevalorização da própria cultura (etnocentrismo), e

pode    assumir    formas      tão      violentas     que     conduzam       à    própria

eliminação física de indivíduos ou raças, através do genocídio.




                                                247
O século XX foi rico em conflitos, ora por razões religiosas, ora

por razões territoriais, ora por razões políticas, dos quais destaco as

guerras do Iraque, Afeganistão, Israel e Palestina.

      A atitude etnocêntrica analisa as outras culturas a partir dos

seus próprios padrões culturais e pode facilmente levar à xenofobia e

ao racismo.

      Para que não hajam conflitos entre pessoas de diferentes

culturas é importante olharmos de um modo diferente para a

diversidade cultural e valorizarmos as diferentes prácticas culturais,

termos uma atitude de respeito pelas outras culturas, aceitando cada

uma como forma própria de entender e relacionar-se com o mundo

(Relativismo cultural ou culturalismo).

      A atitude que devemos ter em relação à outras culturas deverá

ter em consideração que os padrões de comportamento e os sistemas

de valores dos povos com os quais entramos em contacto devem ser

julgados e avaliados sem referência a padrões absolutos.

      Para que haja paz no mundo devemos ser tolerantes com as

diferenças e respeitar as outras culturas. Para além disso, devemos

eliminar a tendência para julgar como inferior, irracional e bizarro

tudo o que é diferente dos nossos costumes.

      Com base no relativismo cultural, devemos respeitar todas as

culturas, mas não podemos aceitar prácticas culturais que não

respeitem a dignidade humana.

      O alargamento da União Europeia, a livre circulação de

trabalhadores e a globalização, alargaram o carácter multicultural de


                                     248
muitos países, no que se refere ao número de línguas, religiões,

etnias e culturas.

      Actualmente, para evitar conflitos derivados da diversidade

cultural, é fundamental que haja um diálogo intercultural entre povos

e nações, que contribua para um entendimento mútuo e um melhor

convívio, para explorar os benefícios da diversidade cultural e para

encorajar uma cidadania activa.

      Os        estereótipos    são    as         representações     imaginárias

esquemáticas de um grupo sobre os membros de outros grupos e são

muitos     os    estereótipos   culturais    sobre     os   quais   assentam   a

comunidade global. Estão na origem de opiniões, de preconceitos

sobre o actor social em questão.

      Naturalmente, orientam as atitudes e as condutas em relação

aos beneficiários dos clichés de opiniões emitidas.

      Os estereótipos formam-se a partir de uma deformação da

vivência relacional e são transmitidos aos membros de um grupo

através de diferentes processos. Os estereótipos são utilizados

muitas vezes na comunicação social para referir, sem nomear,

determinados atributos, e associá-las por efeito de proximidade às

qualidades ou defeitos dos grupos apresentados.

      Os meios de comunicação servem-se dos estereótipos para

alcançarem audiências, talvez até muitas vezes sem se aperceberem,

para transmitirem imagens e mensagens tendenciosas e que poderão

condicionar as opiniões do público em geral.




                                            249
A comunicação social, após o 11 de Setembro de 2001, tem,

constantemente, associado os muçulmanos ao terrorismo.

     Os   estereótipos   étnicos    e    religiosos   afectam   milhões   de

pessoas apenas devido à sua origem ou crença, milhões de pessoas

correm o risco de serem vítimas de estereótipos. É frequente, as

autoridades atribuírem suspeitas de crime a pessoas, pelo simples

facto de serem muçulmanos.

     Quando observo uma comunidade de indivíduos, verifico a

presença de mais algumas variáveis, para além das referidas (raça e

etnia, língua e religião), que podem caracterizar um indivíduo, como

por exemplo, o sexo, a idade, e a escolaridade.

     Na variável sexo, existem dois grupos distintos, nomeadamente

o grupo feminino e o masculino. A idade também é uma característica

dos indivíduos. Podemos dividir uma população em bebés, crianças,

adolescentes, adultos e idosos.

     Os indivíduos podem ser agrupados de acordo com o nível de

escolaridade que possuem, nomeadamente o ensino pré-escolar, o

ensino básico, o ensino secundário e o ensino superior.

     Da combinação de todas estas variáveis surge um indivíduo

com características únicas.


     O ADN


     Todos os organismos adquirem alguma informação dos seus

antepassados,   à   medida    que   se    sucedem     as   gerações.   Essa

informação passa de pai para filho, durante a reprodução. No


                                        250
momento em que se dá a união entre o espermatozóide e o óvulo, a

célula resultante, o ovo, possui já toda a informação genética desse

novo ser.

     A informação genética é toda e qualquer informação obtida a

partir de sequências de genes, cariótipo, produtos génicos e até a

análise de características hereditárias. Estas informações podem ser

obtidas a partir de amostras biológicas de um indivíduo, de uma

família, ou de um grupo de pessoas (ex. etnias).

     Todas as informações genéticas de um indivíduo estão retidas

nos seus genes, podendo também, serem obtidas a partir do produto

destes. Estas informações são hereditárias e únicas, não existem

duas pessoas que apresentem informações genéticas idênticas,

excepto os gémeos monozigóticos (gémeos idênticos).

     Há muitos anos que os médicos utilizam as informações

genéticas para realização de diagnósticos clínicos, baseiam-se na

história médica familiar, para calcular por exemplo a probabilidade de

aparecimento de uma patologia hereditária numa criança, ainda

durante a gravidez.

     Existem alguns tipos de testes que podem ser feitos a partir das

informações genéticas de um indivíduo, nomeadamente:

     Testes pré-nupciais: podem ser utilizados para identificar se

algum elemento de um casal, que planeie ter um filho, é portador de

uma cópia defeituosa de um gene e prever a probabilidade dos seus

filhos herdarem o gene defeituoso.




                                     251
Testes pré-natais: Pode ser feito a partir do material genético

recolhido do embrião, é utilizado para diagnosticar possíveis doenças

físicas ou mentais.

         Testes     preventivos:    detectam     a   doença    logo     a   pós   o

nascimento,       podendo   impedir    o   aparecimento       de   complicações

futuras. O conhecido exame do pezinho, é um exemplo deste tipo de

teste.

         Rastreio    de   doenças     de   manifestação       tardia:   detectam

doenças possíveis de aparecerem em adultos com determinadas

características genéticas. Podem ser preditivos ou diagnósticos.

         Identificação de identidade: este teste é utilizado para a

identificação de pessoas, tem grande aplicação judicial; pode ser

utilizado, tanto para determinar a paternidade de um indivíduo, como

para identificar um criminoso, uma vítima de acidente ou um crime.

         A informação genética é uma informação pessoal e deve ser

tratada como qualquer informação médica individual. No entanto,

alguns factores obrigam a um tratamento especial:

           •Trata-se de informação única para cada pessoa;

           •Pode ser obtida a partir de pequenas amostras corporais

sem o consentimento da pessoa, por exemplo cabelo, sangue, saliva,

esperma, etc.;

           •Tem um valor preditivo relativo, indica apenas a tendência

do aparecimento de uma determinada doença, que uma pessoa pode

manifestar no futuro, e que pode indicar a outros familiares a

probabilidade de virem a contraí-la;


                                           252
•Estas previsões podem ter um elevado interesse para

terceiros (companhias de seguros, agentes empregadores);

         •Tem um valor comercial potencial para organizações que

introduzam   novos    desenvolvimentos        baseados   em   informação

genética.

      É o núcleo das células que contém a maior parte da informação

genética relativa às características hereditárias.

      O citoplasma representa o meio indispensável para a realização

dos   processos    que   tornam    possível    a   manifestação   dessas

características. Na maioria das células, o DNA está localizado no

núcleo, associado a proteínas, sendo o complexo DNA-proteínas

denominado cromatina. O número de filamentos de cromatina, em

cada célula, pode variar de espécie para espécie. Deste modo, o

termo cromossoma é utilizado para designar uma unidade morfológica

e fisiológica de cromatina, que contém informação genética.

      Nos cromossomas existentes nas células de cada indivíduo

(cariótipo), está armazenada toda a informação genética. Na espécie

humana existem 23 pares de cromossomas (os cromossomas de um

par designam-se cromossomas homólogos), sendo um par relativo

aos cromossomas sexuais (o 23º) e os restantes 22 referentes a

cromossomas não-sexuais (autossomas).

      Cada um de nós herda metade dos pares do pai e metade dos

pares da mãe. Dentro dos cromossomas, cadeias de açúcares e

fosfatos estão ligados por pares de bases químicas, vulgarmente

designadas pelas suas letras: A (adenina), C (citosina), G (guanina) e


                                     253
T (timina). É este alfabeto de letras, agrupadas em mais de três

milhões de pares, em combinações diversas, que funciona como um

código usado pela Natureza para criar a vida.




                           Estrutura do DNA




     A estrutura do DNA, é constituída por dois segmentos (duas

cadeias polinucleotídicas) enrolados em hélice à volta de um mesmo

eixo, assemelha-se a uma escada de corda enrolada em hélice,

formando assim uma dupla hélice.

     Dá-se o nome de genoma ao conjunto dos genes que constitui a

informação genética de um indivíduo.

     Até agora, apenas em 100 genes, dos cerca de 30 mil que

fazem parte do ser humano, se conseguiram detectar mutações

genéticas relacionáveis com determinadas doenças. Assim, o mapa

                                    254
do genoma humano não só nos permite compreender a evolução da

vida mas também as doenças que nos afligem.

     Os genomas dos indivíduos podem, em certas circunstâncias,

alterar-se. A essas alterações bruscas no genótipo, constituição

genética que é própria do individuo e da qual dependem as suas

características, dá-se o nome de mutação, e quem a manifesta é um

mutante.

     As mutações podem ocorrer nas células somáticas, as não

reprodutoras, ou nas células reprodutoras. As primeiras não são

transmitidas à descendência, ou seja, não são hereditárias. As

mutações que ocorrem nas células reprodutoras transmitem-se à

descendência. Apesar deste tipo de mutações não afectar o fenótipo,

caracteres que o indivíduo manifesta, resultantes do seu genótipo, os

seus efeitos podem fazer-se sentir na descendência, podendo até, em

certos casos levar à morte.

     As mutações podem ocorrer ao nível dos genes (mutação

genética) ou ao nível dos cromossomas (mutação cromossomática).

     Alguns exemplos de mutações cromossomáticas


     Mutação numérica                     Doença / características
                                          Síndroma        de    Down      ou

           Trissomia 21             Mongolismo      –    Esta    doença     é

     (cariótipo – 47, XY; 47, XX)   consequência da      não disjunção    dos

                                    cromossomas     do    par   número    21,

                                    durante a gametogénese de um dos

                                    progenitores.        Os       indivíduos

                                    mongolóides são de pequena estatura e


                                    255
apresentam           anomalias          físicas      e

                        mentais. Têm cabeça redonda, face

                        larga, olhos oblíquos e prega cutânea

                        sobre     os    olhos.      Apresentam        atraso

                        mental. Nas mãos curtas apresentam

                        uma única prega transversal na palma.

                        São frágeis e vulneráveis às infecções.
                               Síndroma de Turner – Resulta

                        da   não     disjunção      dos       cromossomas

                        sexuais, durante a espermatogénese ou

                        a ovogénese, que conduz à formação

Monosssomia XO          de      um         gâmeta     com        os       dois

(cariótipo – 45, XO)    cromossomas sexuais e de outro sem

                        nenhuns.        Os     indivíduos,       do       sexo

                        feminino, afectados por esta doença

                        são de pequena estatura e estéreis.

                        Apresentam           uma       frequência          de

                        daltonismo          elevada       e     caracteres

                        sexuais pouco desenvolvidos.
                              Síndroma                                     da

                        Supermasculinidade – Esta anomalia

                        resulta        da     não      disjunção          dos

Trissomia XYY           cromatídeos-irmãos do cromossoma Y

(cariótipo – 47, XYY)   durante        a     espermatogénese.              Os

                        indivíduos afectados por esta anomalia

                        apresentam                     comportamentos

                        agressivos. São indivíduos de estatura

                        superior à média e possuem, por vezes,

                        anomalias nos órgãos genitais.




                        256
As mutações podem ocorrer de forma espontânea, embora a

probabilidade    de   ocorrerem   aumente    devido   a    certos    agentes

ambientais, como por exemplo, o contacto com radiações ionizantes,

raios X, raios ultravioleta, metais radioactivos, formol, etc.

       O conhecimento dos genes responsáveis por certas doenças

permite, à luz dos conhecimentos actuais, aplicar técnicas de terapia

genética.

       Até agora conhecem-se mais de 4300 doenças originadas por

genes defeituosos, como por exemplo, genes que sofrem mutações.

Através da técnica da terapia genética é possível substituir o gene

defeituoso ou mutante por um gene normal.

       A engenharia genética permite a utilização dos organismos

vivos como matéria-prima para mudar as formas de vida já existentes

e criar novas.

       As características de um organismo são determinadas pelo

DNA, que se encontra no núcleo de suas células. O DNA contém a

informação genética que determina como as células individuais e,

consequentemente, o organismo como um todo, será construído,

como        funcionará     e      se     adaptará         ao        ambiente.

Um gene é um segmento de DNA, que possui uma composição

química que vai determinar o seu comportamento. Como isso é

passado de geração em geração, a descendência herda estes traços

dos pais. Desenvolvendo-se constantemente, os genes permitem que

o organismo se adapte ao ambiente. Este é o processo da evolução.




                                       257
A engenharia genética utiliza enzimas para quebrar a cadeia de

DNA em determinados lugares, inserindo segmentos de outros

organismos e costurando a sequência novamente. Os cientistas

podem cortar e colar genes de um organismo para outro, mudando a

forma do organismo e manipulando a sua biologia natural com o

objectivo     de   obter    características      específicas;    por       exemplo,

determinados genes podem ser inseridos numa planta para que esta

produza toxinas contra determinadas pestes. Este método é muito

diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos

genes. O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado

completamente, o que pode causar resultados inesperados, uma vez

que os genes de outras partes do organismo podem ser afectados.

        Os    genes   são   transferidos    entre     espécies   que       não   se

relacionam, como genes de animais em vegetais, de bactérias em

plantas e até de humanos em animais.

        São inúmeras as aplicações da engenharia genética, entre as

quais    se   destaca   a   possibilidade     de    obter   animais    e    plantas

transgénicos, ou seja geneticamente modificados, de modo que

passem a ter certas características úteis ao homem

        Quanto mais os genes são isolados de suas fontes naturais,

maior é o controle dos cientistas sobre a vida. Eles podem criar

formas de vida próprias (animais, plantas, árvores e alimentos), que

jamais ocorreriam naturalmente. Na verdade, a indústria está tentar

gerir o curso da evolução.




                                           258
Em suma, a manipulação genética assume uma importância

cada vez maior nas nossas vidas. No entanto, apesar das inúmeras

vantagens, levanta sérios problemas éticos e sociais, quer a nível

ambiental, devido à alteração definitiva de genomas de certas

espécies ou à redução da biodiversidade, quer a nível das questões

humanas, nomeadamente quando envolve aspectos relacionados com

a alteração do genoma humano, a manipulação do indivíduo, a

discriminação com base em motivos genéticos, etc.

      A teoria das Probabilidades pode ser utilizada para estabelecer

a   probabilidade   de   um   descendente   possuir   uma   determinada

característica, por exemplo, se o pai tiver um gene recessivo anormal

no cromossoma X e a mãe possuir dois genes normais, todas as

filhas receberão um gene anormal e um gene normal, o que as

tornará portadoras.

      Nenhum de seus filhos receberá o gene anormal. Se a mãe for

portadora e o pai tiver o gene normal, qualquer filho apresenta a

probabilidade de 50% de receber o gene anormal da mãe. Qualquer

filha apresenta uma probabilidade de 50% de receber um gene

anormal e um gene normal (tornando-se portadora) ou de receber

dois genes normais.




                                     259
A GLOBALIZAÇÃO II


       O   fenómeno   da   globalização    não    se   limita   apenas   às

transacções comerciais e económicas, mesmo sendo esses aspectos

os principais factores do processo de globalização. Para além das

relações económicas, este processo envolve outras áreas que fazem

parte das sociedades, como a cultural, social e política.

       É considerado como início da globalização moderna o fim da

Segunda Guerra mundial. Nesta época a vontade de impedir que uma

nova   guerra   acontece-se   novamente,    fez   com    que    as   nações

chegassem à conclusão que era de extrema importância para o futuro

da humanidade a criação de mecanismos diplomáticos e comerciais

para aproximar cada vez mais as nações uma das outras.

       Deste consenso nasceu a Organização das Nações Unidas

(ONU), e começou a surgir o conceito de bloco económico pouco

tempo depois com a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e

do Aço (CECA).


                                     260
A necessidade de expandir os seus mercados levou as nações,

aos poucos, a começarem a aceitar os produtos de outros países.

        A dinâmica da fase da globalização em que vivemos assenta

principalmente na livre circulação de mercadorias e na sua livre

transacção, no fundo a velha aspiração do comércio livre. Portugal

antes de aderir à Comunidade Económica Europeia (CEE), fez parte

de    uma     outra     organização   europeia,   a   European     Free   Trade

Association (EFTA), cuja finalidade era a criação de uma zona de

comércio livre entre países europeus, sem outros objectivos políticos.

        A globalização caracteriza-se por um processo de integração

global que alicia ao crescimento da interdependência entre as

nações.

        O carácter transnacional da organização económica faz com

que grandes empresas multinacionais, operem à escala mundial.

        A globalização das comunicações tem sua face mais visível na

internet, a rede mundial de computadores, possível graças a acordos

e    protocolos    entre     diferentes   entidades   privadas     da   área   de

telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um fluxo de

troca    de    ideias    e   informações    sem   critérios   na    história   da

humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada à imprensa local,

agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as

tendências do mundo inteiro, tendo apenas como factor de limitação a

barreira linguística.




                                           261
Em geral, a globalização é vista como o movimento sob o qual

se constrói o processo de ampliação do domínio económico, político e

cultural ocidental sobre as restantes nações.

     Apesar das contradições há um certo consenso a respeito das

características da globalização que envolve o aumento dos riscos

globais de transacções financeiras, perda de parte da soberania dos

Estados com a ênfase das organizações supra-governamentais,

aumento do volume e velocidade como os recursos vêm sendo

transaccionados    pelo    mundo,    através    do   desenvolvimento

tecnológico.

     Além das discussões que envolvem a definição do conceito, há

controvérsias em relação aos resultados da globalização. Tanto

podemos encontrar pessoas que se posicionam a favor como contra.

     Existem alguns aspectos positivos e negativos na globalização.

No que se refere aos aspectos negativos, refiro a facilidade com que

tudo circula não havendo grande controlo.

      Esta globalização serve para que os mais fracos se organizem

para fazerem frente aos mais fortes, pois tudo se consegue adquirir

através da grande auto-estrada da informação, que é a Internet.

Outro dos aspectos negativos é a grande instabilidade económica que

se cria no mundo, pois qualquer fenómeno que acontece num

determinado país atinge rapidamente os restantes, como se trata-se

de uma epidemia que se alastra a todos os locais da Terra, como se

de um único local se tratasse. Os países cada vez estão mais

dependentes uns dos outros e já não há possibilidade de se isolarem.


                                    262
Como aspectos positivos, considero a rapidez com que as

inovações se espalham entre países e continentes, o acesso fácil e

rápido à informação e aos bens de consumo. Não esquecendo que

para as classes desfavorecidas economicamente, especialmente nos

países em desenvolvimento, esse acesso não é fácil, porque o seu

custo é elevado e não se trata de um processo rápido.

       A sociedade em que vivemos é uma sociedade global porque a

tecnologia, assim, o permitiu. Todos os locais estão unidos. Todos os

sites se ligam numa rede sem fronteiras físicas.

       As estradas virtuais, assim como as estradas físicas, devido à

evolução das tecnologias são encurtadas, isto é, as distâncias são

cada   vez   menores,     por     outras    palavras,   vivemos     na   era   da

globalização.


       EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS


       Ao longo dos últimos anos, fui adquirindo conhecimentos para

a utilização de equipamentos industriais como: os equipamentos que

executam     todos   os   tipos    de      soldadura,   Soldadura    MIG/MAG,

Soldadura Tig, Soldadura com eléctrodos revestidos, Soldadura por

pontos.



       Soldadura MIG/MAG, o princípio desta soldadura consiste na

introdução de um fio de metal na tocha que é fundido no arco

eléctrico. O arame de soldar desempenha duas funções, porque é o




                                            263
eléctrodo que conduz corrente e o material de adição a ser

introduzido na soldadura.




                            Soldadura MIG/MAG




     Na Soldadura TIG, o arco eléctrico estabelece-se entre um

eléctrodo de tungsténio não consumível e o metal básico. Para

proteger o eléctrodo de tungsténio e o banho de fusão, são

necessários gases inertes, tais como o árgon ou o hélio, ou misturas

de gases com componentes não oxidantes.

     Este tipo de soldadura é utilizado nos metais soldáveis por

fusão. A escolha do tipo de corrente, polaridade e gás de protecção

depende do metal base.




                               Soldadura Tig




     A Soldadura com eléctrodos revestidos, é o processo de

soldadura mais comum, e em que a coalescência dos metais é obtida

pelo calor produzido por um arco eléctrico, mantido entre a ponta de
                                   264
um eléctrodo revestido e a superfície do metal de base, trata-se de

um processo manual com múltiplas aplicações, como em quase todo o

tipo de soldadura pode ser feita, em todas as posições e, em diversos

materiais como o aço, carbono, inoxidáveis, ferros fundidos, cobre,

níquel e alguns tipos de alumínio.




                      Soldadura com eléctrodos revestidos




     A Soldadura por pontos, o mais conhecido dos processos de

soldadura por resistência, é muito utilizada para soldar chapas

metálicas de reduzida espessura, a soldadura é descontínua e

limitada a um ou a diversos pontos, com as duas peças de trabalho

normalmente sobrepostas.




                             Soldadura por pontos

                                     265
A par da grande evolução dos equipamentos de soldadura,

também, aumentaram os riscos para a saúde das pessoas que os

utilizam. O manuseamento destes equipamentos pode originar graves

problemas nos pulmões, devido à inalação de gases e fumos, bem

como graves queimaduras na pele e, principalmente, nos olhos.

     Para evitar acidentes de trabalho, existem equipamentos de

segurança pessoal (ISP), tais como óculos de protecção, máscaras de

vidro escuro, luvas em pele, botas com sola e biqueira de aço e

avental para protecção dos chamados salpicos da soldadura.

     Para além da utilização destes equipamentos, é necessário ter

sempre alguns cuidados básicos ao fazermos soldaduras, como por

exemplo, não usar roupas finas e largas para não se incendiarem e

não efectuarmos o trabalho perto de qualquer material inflamável.

     Acho   que,   infelizmente,   mesmo   com   tanta   fiscalização   e

sensibilização por parte das entidades fiscalizadoras, ainda, não

existem muitos soldadores a cumprir as regras básicas de segurança,

porque a utilização dos ISP é incómoda, principalmente, quando está

calor. Este factor contribui para o aumento do número de doenças

profissionais e acidentes de trabalho.


     O ALUMÍNIO


     O alumínio é uma das matérias-primas que eu mais utilizo nas

minhas empresas, o alumínio em perfis é para a concessão das

caixilharias e o alumínio em chapa é utilizado o nos componentes de

acabamentos exteriores mas também alguns interiores.
                                     266
O alumínio é um elemento químico metálico, tem o símbolo Al,

o número atómico 13, massa atómica relativa 26.98184 e temperatura

de fusão de 658ºC. É o terceiro elemento e o primeiro metal mais

abundante na crosta terrestre e constitui cerca de 8.1% da sua

massa, as suas principais características são: baixo peso, elevada

resistência   mecânica,   em   liga;   elevada   resistência   à   corrosão

atmosférica e química; fácil fabricação e soldadura; baixa resistência

à rotura, o que permite um fácil manuseamento; reciclável; e, um

vasto leque de acabamentos possíveis.

      As aplicações do alumínio são várias, das quais destaco:

caixilharias, telhados, isolamentos, utensílios de cozinha, mobiliário,

navios, motores de viaturas, carroçarias, embalagens e cabos de alta

tensão.

      Extracção / Produção

      Na natureza, o alumínio nunca é encontrado no seu estado

metálico, mas como parte de vários minerais, onde normalmente está

combinado com silício e oxigénio. Bauxite é a único minério do qual o

alumínio pode ser extraído de uma forma economicamente viável.

Depois de extraído o minério (Bauxite), um processo químico é usado

para extrair óxido de alumínio (Alumina) e um processo electrolítico

transforma a alumina em alumínio. São necessárias cerca de quatro

ou cinco toneladas de bauxite para produzir duas toneladas de

alumina que irão resultar numa única tonelada de alumínio.




                                       267
Processo químico (Bauxite>Alumina)

      O primeiro passo do processo consiste em misturar bauxite

triturado numa solução de soda cáustica quente. Isto, permite que o

hidrato de alumina se dissolva do minério. Depois de a escória ser

removida através de decantação e filtragem, a solução cáustica é

transferida para grandes tanques onde o hidrato de alumina cristaliza.

Este hidrato é depois seco e submetido a elevadas temperaturas e

transformado num pó, branco e fino, conhecido por alumina.



      Processo electrolítico (Alumina> Alumínio)

      A equação deste processo é 2Al 2 O 3 + 2C = 4Al + 3CO 2

      A substância obtida no processo anterior é um composto de

oxigénio (O 2 ) e alumínio (Al). Para obter metal a partir da alumina, os

elementos têm de ser separados por electricidade, num processo de

fundição. Este processo tem lugar em grandes recipientes bobinados

a   cobre,    através    dos    quais      circula   corrente   eléctrica.

O fundo dos recipientes actua como cátodo, um eléctrodo negativo.

Blocos de carbono (C) são suspensos por cima dos recipientes para

actuarem como ânodos, eléctrodos positivos. A corrente eléctrica que

circula por resistências mantém a mistura quente, derretendo-a e


                                     268
causando a separação em oxigénio e alumínio; o oxigénio reage com

os blocos de carbono transformando-se em dióxido de carbono (CO 2 ).

O alumínio fica no fundo do recipiente, no estado fundido.

      Depois deste processo, o alumínio é tratado para garantir

pureza   e   alguns   elementos   são    adicionados   para   aumentar   a

resistência ou conferir certas características especiais à liga.

      O alumínio é então, ainda no estado líquido, despejado em

"lingoteiras" para solidificar na forma de lingotes/biletes. Estes serão

depois, através do processo de extrusão transformados em perfis.



      Processo de Extrusão

      O processo de extrusão do alumínio consiste na transformação

do bilete de alumínio num perfil com a forma desejada. Este processo

pode-se resumir da forma seguinte: os biletes são aquecidos,

variando a temperatura entre os 420 e os 500ºC, conforme: tipo de

matriz (sólida ou tubular) e comprimento do lingote.

      O alumínio é forçado, pelo êmbolo de um cilindro de uma

prensa hidráulica, através de uma matriz, um molde que confere ao

alumínio a forma do perfil pretendido. O perfil é esticado já na fase de

arrefecimento e, simultaneamente, todas as cotas são controladas e a

superfície é submetida a um rigoroso teste de qualidade. O perfil é,

então, cortado nas medidas desejadas. Por fim, é conferida têmpera

ao perfil através de cozimento em fornos à temperatura de 230ºC,

aproximadamente.

      Tratamentos e Acabamentos


                                        269
O alumínio pode ser alvo de vários tratamentos e acabamentos,

não só para a protecção do material, mas também por motivos

estéticos com uma grande variedade de cores.

                                                  (Fonte: Alumínios Navarra)


      AS NOVAS OPORTUNIDADES


      Numa sociedade competitiva, excludente e com diferenças

sociais que limitam as oportunidades de evolução profissional devido

à falta de habilitações escolares, nos últimos anos em Portugal, têm

surgido novas oportunidades de formação para pessoas que não

concluíram a escolaridade com a idade em que na maior parte dos

casos é habitual.

      Considerando o elevado número de jovens e adultos, que por

motivos de várias naturezas, foram afectados no seu percurso

escolar, foi criado um programa educacional, que coloca os jovens e

adultos com baixa habilitações escolares, em pé de igualdade com

alguns dos seus colegas de trabalho.

      O reconhecimento das competências adquiridas ao longo da

vida em contextos não formais e informais de aprendizagem constitui

não só um importante mecanismo de reforço da auto-estima individual

e de justiça social, mas também um recurso fundamental para

promover    a   integração   dos   adultos   em    novos    processos    de

aprendizagem de carácter formal, a inserção ou a reconversão

profissional.

      Através do RVCC, são reconhecidas e valorizadas as várias

competências que o cidadão foi adquirindo ao longo do seu percurso
                                      270
de vida, tanto a nível privado como profissional. Também o curso de

Educação de Adultos, integrado na iniciativa novas oportunidades,

veio tentar colmatar o baixo nível de escolaridade dos portugueses.

      Em ambos os casos, os formandos vêem-se confrontados com a

necessidade de demonstrarem e exercitarem os seus conhecimentos

de informática ao realizarem os trabalhos que lhes são propostos.

      Acredito que para algumas pessoas, principalmente as mais

jovens, trabalharem com as novas tecnologias é quase uma diversão,

no entanto, para os mais velhos, nem sempre é assim tão fácil.

      Os formandos das novas oportunidades, principalmente aqueles

que   no    seu   trabalho       não    exercem    tarefas      de    secretariado    e

administrativas,      por    vezes,       sentem    algumas          dificuldades    ao

trabalharem com um computador, mas apesar disso, esforçam-se e

muitas vezes num sistema de auto-aprendizagem e de colaboração

familiar, empenham-se para levarem a cabo o objectivo de obterem

um determinado grau de escolaridade.

      Por    vezes,    algumas         empresas,     proporcionam         cursos     de

formação     adequados       ao        trabalho    desempenhado          pelos      seus

funcionários, de forma a aumentarem os seus conhecimentos, numa

determinada área.

      Habitualmente,        os     cursos     na    área     de      informática    são

considerados       como     um     instrumento       útil   e     indispensável      na

valorização e progressão dos trabalhadores e por esse motivo, fazem

muitas vezes parte dos cursos de formação proporcionados pelas

entidades empregadoras.


                                             271
Actualmente, muitas pessoas também procuram cursos de

formação na área de informática, por iniciativa própria, porque

reconhecem que é uma ferramenta de trabalho necessária na

sociedade contemporânea. Apesar destes cursos, também serem

procurados por pessoas mais velhas, que estão reformadas e sentem

necessidade de actualizarem os seus conhecimentos e até mesmo

para     falarem   com   os   familiares   que     vivem   longe,   através   de

programas como o Messenger.




       PROJECTOS


         Estou a iniciar um projecto de criação de uma nova empresa,

para     separar   a   tradicional   serralharia   civil   da   construção,   da

construção de caravanas e reboques. A Serralharia Barros Lda.

ficará com a tradicional concessão das caixilharias de alumínio, ferro

e inox. A nova empresa, Zirmiteca construções especiais, Lda.,

com sede e fábrica, na freguesia de Nogueira, no concelho da Maia,

ficará vocacionada apenas para a construção e transformação de

caravanas e reboques.

       A nova empresa já foi constituída através do novo modelo de

empresa na hora, um modelo mais simples e rápido, porque no

mesmo local, na conservatória de registo comercial, trata-se de toda

a documentação e a empresa fica a funcionar em pouco mais de duas

horas.




                                           272
Neste momento estou a viver uma nova fase da minha vida. A

Mónica, minha    mulher, encontra-se a frequentar um curso de

Educação e Formação de Adultos na mesma escola que eu, na Escola

Secundária de Alfena. Todos os dias, das 19 horas às 23horas, tem

de frequentar as aulas. Por esta razão, tenho que fazer o jantar,

ajudar a minha filha nos trabalhos de casa, manter a casa arrumada,

e ainda construir o meu portfólio porque me encontro em processo

RVCC.

     Apesar de ter pouco tempo livre, estou iniciar a aprendizagem

de outros idiomas, tais como: o Inglês, Francês, Alemão e Italiano e a

melhorar o Espanhol. Estas aprendizagens têm sido feitas através de

um curso de línguas, promovido pelo Jornal de Notícias (JN), que é

composto por livros e CD’s, com exercícios e vocabulário. Este é um

dos projectos que eu me proponho realizar a nível pessoal no

decorrer do ano de 2009.

     A nível profissional o grande objectivo para este ano é

aumentar o fabrico de caravanas e reboques para Espanha e tentar

fabricar também para os restantes países da Europa.




                        REFLEXÃO


        REFLEXÃO SOBRE O DESEMPENHO NO PROCESSO DE

                                RVCC
                                    273
 Nas        sessões   compreendi    e   desenvolvi   os   trabalhos

    propostos.

 Organizei o PRA, sem dificuldades.

 Nas sessões e em casa, revi alguns temas abordados.

 O RVCC foi, essencialmente, um processo de reflexão,

    uma tomada de consciência sobre os conhecimentos que

    adquiri ao longo da vida, que sempre estiveram presentes,

    mas foi através deste processo que me apercebi que os

    tinha.

 Aprendi que não é em vão, o percurso que, por vezes

    sinuoso, percorremos ao longo das nossas vidas.

 Este processo serviu não só para ver reconhecidas as

    competências adquiridas, ao nível do secundário, mas

    também para reforçar a ideia de que vale a pena absorver o

    máximo de todos os momentos ao longo das nossas vidas.

    A vida é uma constante aprendizagem, e devemos tirar

    partido e aproveitar enquanto podemos.




                               274
REFERÊNCIAS


BIBLIOGRÁFICAS

 Www.setupmy.com

 Www.satoriwellness.com

 Www.cafeterra.info/2008

 Www.aticalducacional.com.br

 Www.electrónica-pt.com

 Valorcar

Www.agrisustentavel.com

Www.bio-sabores.pt

 Alumínios Navarra

 Www.europarl.europa.eu

Www.educacao.te.pt

Www.ciencias3c.cvg.com.pt

Www.apambiente.pt

Livro: Globalização e Migrações – Autor: António Barreto

Livro: Direitos e Deveres para Aprender – Autor: Estela Fabrício

Livro: Medicamentos Que Realidade? – António Hipólito Aguiar




                                 275
AGRADECIMENTOS


   Dra. Filomena Madureira

   Dra. Eva Marques

   Dra. Ângela Gonçalves

   Dr. Luís Marques

   Mónica Paula (Minha Esposa)

   Andreia Filipa (Minha Filha)



     E a todos os que directa ou indirectamente participaram

nesta aventura



Muito Obrigado!




                            276

C:\Fakepath\PortefóLio Reflexivo De Aprendizagem

  • 1.
    2009 Portefólio Reflexivo de Aprendizagens Laurentino João Cardoso de Barros 28-05-2009
  • 2.
    ÍNDICE IDENTIFICAÇÃO PESSOAL Laurentino João Cardoso de Barros  DATA DE NASCIMENTO: 1 de Junho 1973 2
  • 3.
     NATURALIDADE: Lugardo Reguengo Freguesia de Alfena Concelho de Valongo  Nº IRMÃOS: 11  ESTADO CIVIL: Casado  IDADE: 35 Anos  FILHOS: 1 filha  HABILITAÇÕES ESCOLARES: 6º Ano de Escolaridade  ACTIVIDADE PROFISSIONAL: Empresário na área da serralharia  INTERESSES: Desporto, teatro, leitura de jornais e revistas, passear e conviver com a família INTRODUÇÃO 3
  • 4.
    RAZÕES DA INSCRIÇÃONO PROCESSO DE RVCC- SECUNDÁRIO  Porque defendo a mesma ideia, que está associada ao slogan do programa Novas Oportunidades.  Para ver reconhecidos e validados os conhecimentos que adquiri ao longo do meu percurso pessoal, formativo e profissional. 4
  • 5.
    A MINHA HISTÓRIADE VIDA INFÂNCIA DOS 0 AOS 6 ANOS O meu nome é Laurentino João Cardoso de Barros, filho de João Rodrigues de Barros e Esmeralda da Costa Cardoso. Foto dos meus pais Nasci no lugar do Reguengo, freguesia de Alfena, concelho de Valongo, no dia 1 de Junho 1973. Sou o 7º de 12 filhos: 7 rapazes e 5 raparigas. A minha infância, como quase toda a minha vida, foi passada em Alfena. Posso dizer que apesar de ter uma família numerosa e pobre, tive uma infância muito feliz. Visto que as diferenças de idades, entre nós, irmãos, eram em média 1 ano, foi favorável em termos de organização familiar. 5
  • 6.
    Vivia numa casamuito grande e com um grande terreno de cultivo e pinhal, onde juntamente com os meus irmãos, amigos e vizinhos brincávamos e aprendíamos uns com os outros. Com os mais velhos, entre outras coisas, aprendi a fazer cabanas. Cortávamos estacas, das Austrálias e das Mimosas, para fazer a estrutura da cabana, amarravam-se com fios e cordas, depois com os ramos das árvores cobria-se a cabana, de forma a ficar bem vedada. Brincávamos aos casais, os mais pequenos eram os filhos e cada casal escolhia os seus. Fazíamos de conta que organizávamos festas, lanches. Também, organizávamos jogos, tais como: escondidas, cabra cega e caçadinhas. Como é normal nesta idade, também aprendi algumas traquinices, a minha preferida era fazer armadilhas. Recordo-me que uma vez enchi um saco com pedras e meti-o por cima do tronco de um sobreiro amarrado com um fio, para que, quando alguém se aproximasse da minha cabana, pela parte da frente, tocava no ramo que segurava o saco e levava com as pedras em cima da cabeça. Certo dia tive azar, a minha avó que andava sempre a ver se estávamos a fazer asneiras, foi ao pinhal aproximou-se da minha cabana e levou com o saco das pedras na cabeça. Nesse dia levei uma tareia do meu pai e aprendi uma grande lição. A lição que aprendi foi que podia brincar, mas sem fazer mal às outras pessoas, ou seja, sem fazer asneiras. Naquele dia, podia ter magoado a minha avó com gravidade. Esta situação fez-me entender 6
  • 7.
    que nós devemosrespeitar toda gente, principalmente os mais velhos. Nós adorávamos brincar ao ar livre, mas sabíamos que tínhamos que cumprir certas regras: não podíamos estragar as terras de cultivo da minha avó e não se podia cortar todas as árvores do pinhal. A regra mais importante era que havia horas para brincar e estudar. Aos 5 anos, tive uma breve passagem, de apenas alguns meses, pelo infantário do centro social e paroquial de Alfena. No início chorava muito, pois não gostava de ir para lá. Estava habituado a gozar da liberdade e não compreendia porque tinha de ficar fechado, ter de obedecer a regras e horários, se tinha casa para estar. A LIBERDADE Conforme vamos crescendo, vamo-nos apercebendo de valores importantes como é a liberdade. A liberdade é a capacidade que os indivíduos têm de escolher, sem restrições, de fazer ou deixar de fazer alguma coisa, em virtude da sua determinação, sem interferir com a liberdade dos outros. A liberdade de cada um depende de muitos factores, ou seja, é regulada pela organização política da sociedade, normas de conduta e pressões sociais decorrentes das tradições, costumes e padrões culturais predominantes nas comunidades onde vivemos. 7
  • 8.
    Em conclusão, aliberdade é a capacidade individual de autodeterminação, caracterizada por conciliar a autonomia e o livre- arbítrio com os múltiplos condicionantes naturais, psicológicos ou sociais que impõem tendências ao agir das pessoas. É a capacidade de pensamento, escolha e acção dos humanos, mas para que vivamos numa sociedade harmoniosa, teremos sempre de respeitar os outros e cumprir as regras prevista na lei. Nessa época, já éramos 10 irmãos e as dificuldades financeiras eram muitas, apesar de os meus irmãos mais velhos ajudarem a minha mãe monetariamente. Os meus irmãos também colaboravam com a minha mãe nas tarefas domésticas, porque ela era muito doente e não podia tomar conta de tantas crianças. Para além disso, ainda trabalhava em casa e na confecção de roupa. De facto, foram tempos vividos com muitas dificuldades. A minha mãe estava sempre doente, passava muito tempo internada nos hospitais, com dores nas pernas, dificuldade no andar, cansaço, dificuldades respiratórias e durante muitos anos pensava-se ser tuberculose, no entanto, não era, e os médicos não sabiam qual a sua doença. Por diversas vezes, a minha mãe esteve internada no Hospital S. João, no Sanatório no Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, e no Hospital Joaquim Urbano. Contudo, no ano 1986, foi-lhe diagnosticada sarcoidose, uma doença rara que, quando lhe foi diagnosticada, só havia conhecimento de dois casos em Portugal. 8
  • 9.
    INFÂNCIA DOS 6AOS 12 ANOS Aos 6 anos entrei para a escola primária de Cabêda, em Alfena. A minha primeira professora chamava-se Olinda, uma excelente profissional, com quem aprendi muito. Guardo boas recordações da D. Olinda lembro-me dela com um grande carinho, pois foi um pilar muito importante na minha vida. Estive com a professora Olinda até concluir a 3ª classe, ano em que reprovei devido ao elevado número de faltas justificadas. O motivo das faltas foi doença, na sequência de um acidente doméstico. O acidente doméstico ocorreu em casa, depois das aulas. Como éramos muitos irmãos jogávamos à bola, uns descalços outros com o que houvesse para calçar. O meu irmão mais velho, o José Carlos, calçava uns tamancos/socas de madeira do meu pai, ao chutar a bola soltou-se um tamanco do pé, foi pelo ar e caiu em cima da minha cabeça. De imediato desmaiei e fiquei com um grande golpe na cabeça. Após o sucedido, o meu pai levou-me a um enfermeiro que me coseu a cabeça, mas o ferimento não foi bem tratado e infectou. Penso que o enfermeiro se fosse um bom profissional teria rapado os cabelos em redor da ferida e lavado com bastante água oxigenada ou outro desinfectante, um procedimento que não teve. Também deveria ter aconselhado os meus pais a levarem-me a um hospital para ser observado por um médico. Assim sendo, o que aconteceu foi que o 9
  • 10.
    golpe foi piorandocada vez mais. Na sequência do acidente e da falta de cuidados médicos fiquei com uma grande e feia infecção, que me provocou muitas dores durante algum tempo. Constantemente a infecção reaparecia, dirigia-ma à clínica, onde a lancetavam, mas passados alguns dias surgia uma nova infecção, situação que se repetiu por várias vezes. O local onde vivia era propício a infecções devido às más condições financeiras, que se traduziam em higiene deficiente e fraca alimentação. O meu pai tinha uma oficina de serralharia em casa, local onde trabalhavam muitos empregados e tinha muito trabalho, mas apesar de ganhar muito dinheiro, infelizmente, também gastava muito. Estive sem frequentar a escola durante mais de 3 meses. Quando lá regressei, ainda, tentei recuperar o tempo perdido, com a ajuda da professora Olinda. Cheguei a ir alguns dias, depois das aulas, para casa da professora que morava em Ermesinde, estudar para tentar recuperar o ano, mas não foi possível e reprovei. No ano seguinte, fiquei na 3ª classe com a professora Luísa. Não gostei muito desta professora porque era má, gritava e batia muito nos alunos, era o oposto da professora Olinda, que era muito boa para os alunos. Esta experiência permitiu-me aprender que duas pessoas com a mesma profissão, apesar de desempenharem o mesmo trabalho, procedem de forma diferente. Todavia, apliquei-me e conclui a terceira e a quarta classe com sucesso e passei para a escola preparatória. 10
  • 11.
    Frequentei a escolapreparatória do Barreiro, em Alfena, onde concluí o 5º e 6º ano. Gostei desta escola porque conheci novos colegas e muitos professores. Na escola preparatória havia mais liberdade e tínhamos muitos intervalos, mas tinha uma grande desvantagem, a grande distância que separava a minha casa da escola. Este factor fez com que tivesse de almoçar na escola e menos tempo para fazer os trabalhos escolares. Com a idade que tinha já mostrava alguma responsabilidade e depois das aulas, chegava a casa e ia para a oficina do meu pai trabalhar. Na oficina do meu pai faziam-se bancos e mesas em tubo. Normalmente, era eu que fazia as pernas dos bancos. Para as fazer utilizava um balancé manual que tinha um molde em que se metia o tubo que estampava e curvava até ficar em forma de U. Depois uniam-se os dois U’s em cruz com soldadura de eléctrodo para fazer as quatros pernas. De seguida, fazia quatro furos em cada banco com o berbequim, para apertar com parafusos o tampo de madeira. A seguir, com uma pequena rebarbadora, rebarbava as soldas e rebarbas dos tubos para não magoar as mãos. Costumávamos fazer, também, grades e portões de ferro. Para este tipo de trabalho eu cortava cantoneiras, barras, ferros t e ferros U numa grande tesoura com o molde do próprio ferro. Também usava a forja com carvão para aquecer o ferro em brasa, para puder fazer as peças decorativas das grades e portões. A determinada altura, preferia mais trabalhar na oficina, do que fazer os trabalhos de casa. Ainda me lembro, como se fosse hoje, 11
  • 12.
    que no finaldo primeiro mês de trabalho na oficina, nas férias de verão, fui surpreendido pelo meu pai com um envelope que continha duas notas de quinhentos escudos. Fiquei felicíssimo e comecei a dar mais valor ao dinheiro e importância ao trabalho. Naquele tempo tudo era manual, havia poucas máquinas, mas eu não me importava. Eu gostava de experimentar e trabalhar com as máquinas que existiam. Com 11 anos já cortava ferro, fazia furos, rebarbava e soldava ferro. Além de ajudar o meu pai na oficina, trabalhava no campo com a minha avó e os meus irmãos mais velhos. Nós criávamos alguns animais para o consumo doméstico, tais como: galinhas, patos, porcos, coelhos e tínhamos um viveiro com rolas e pássaros. Tínhamos coelheiras e galinheiros feitas em madeira, onde se criavam coelhos, galinhas, patos e, onde nasciam novas crias. Existia, também, uma corte para os porcos passarem a noite e os dias de Inverno com muita chuva. Nos dias de sol, as galinhas, os patos e os porcos andavam à solta no quintal. Eram criados em liberdade, o que fazia com que as carnes fossem mais saudáveis e de melhor qualidade. A minha experiência na agricultura e pecuária fez-me nutrir o gosto pela vida rural. Ainda hoje mantenho a minha horta, onde cultivo as minhas sementes e verduras, tenho também o meu galinheiro com galinhas, coelhos, patos e duas cabras. Fui uma criança que cresceu um pouco à força, mas feliz. Na minha infância estudei, trabalhei e apesar de todas as adversidades 12
  • 13.
    da vida, concluio ensino preparatório com distinção, porque era bom aluno. Todos os anos, em Fevereiro, alugo um tractor agrícola, para lavrar e fresar as terras. Actualmente, tudo isto é possível, graças a uma grande evolução, que tem havido nos equipamentos agrícolas, nomeadamente nas máquinas e alfaias agrícolas, como, por exemplo, as fresas a estrutura das fresas é fabricada em aço macio, um material ferroso e que contem no máximo, 0.3 % de carbono e outros elementos considerados como impurezas. O aço é fácil de trabalhar, manualmente ou à máquina, solda-se facilmente e é caracterizado pela baixa tensão de rotura e elevada ductilidade, trabalhado a frio aumenta a resistência e reduz a ductilidade, que pode ser recuperada por recozimento. As facas da fresa, também, são fabricadas em aço, para garantir uma maior resistência ao choque e ao desgaste, podem ser submetidas a tratamentos térmicos, particularmente à têmpera, um tratamento térmico que confere mais dureza ao aço. O processo consiste no aquecimento de uma peça a uma elevada temperatura, designada por temperatura de têmpera. A peça é arrefecida, rapidamente, em seguida, ao ser mergulhada num fluído como a água, óleo etc., quando temperado, obtém-se uma peça com superfície dura e resistente ao desgaste. 13
  • 14.
    Alfaia agrícola (fresa) A terra é lavrada e fresada, manualmente, com a enxada, são abertos os regos na terra e semeio batatas, favas, ervilhas, feijão entre outros produtos. Também, abro os regos com a enxada, planto couves, tomateiros, pimenteiros, pepinos e cebolo. À medida que os produtos agrícolas vão crescendo, as plantações são regadas e tratadas. Removo as ervas daninhas, mexo a terra e aconchego-a às plantas com uma pequena enxada ou sacho. No momento certo, costumo deitar os produtos químicos, tais como, sulfato, venenos para escaravelhos e caracóis, necessários para que a horta cresça, sem nenhum problema. Tal como, a minha avó dizia: “ fazer os deveres à horta”. Como sou uma pessoa que se preocupa com o meio ambiente, esforço-me por preservá-lo. Sempre que utilizo pesticidas, manuseio as embalagens com precaução e leio com muita atenção os rótulos dos produtos. Assim sendo, considero que tomo todas as precauções necessárias. Na preparação das caldas dos pesticidas, lavo muito bem as embalagens vazias e guardo-as em local seco, fora do alcance das crianças. No final de todos os tratamentos feitos às plantações, faço 14
  • 15.
    a entrega dasembalagens vazias, na Cooperativa de Agricultores de Valongo, onde são organizadas, anualmente, campanhas de recolha de embalagens vazias de produtos químicos utilizados na agricultura. Campanha de Recolha de Embalagens Vazias de Produtos Fitofarmacêuticos PRÓXIMO PERÍODO DE RECOLHA: 2 DE MAIO A 2 DE JUNHO DE 2009 Na preparação da calda utilizo a água da lavagem das embalagens, para não a escoar na terra. Tenho muito cuidado no seu armazenamento, coloco-a em local seco, arejado e, principalmente, fora do alcance das crianças e animais. Deste modo, evito a contaminação dos caudais de água. Também, preocupo-me em não fazer queimadas, com as ramas das plantações e a poda das árvores. ADOLESCÊNCIA DOS 13 AOS 18 ANOS Com 13 anos de idade, feitos recentemente e após sair da escola, comecei a trabalhar com o meu pai, primeiro na sua oficina e depois na montagem de portas e janelas nas obras. A montagem de portas e janelas era um trabalho diferente, daquele que fazia na oficina. As janelas e as portas chegavam às obras nos camiões e, eram descarregadas e distribuídas pelos vários andares dos edifícios. Depois, colocávamos, individualmente, mástique na ombreira e soleira da janela ou porta, para esmagar com 15
  • 16.
    o alumínio, demodo a obtermos uma boa vedação. Em seguida, fazíamos os furos nas ombreiras, com um berbequim de furar pedra e apertávamos os parafusos. Quando a janela ou porta estava bem fixa, procedia à sua vedação, com mástique e efectuava os acertos finais. Na época, estabeleci contactos com outras pessoas, ligadas à área da serralharia e construção civil, pessoas com vastas experiências pessoais e profissionais. Estes novos contactos foram bons para mim, porque aprendi a relacionar-me mais e melhor com as outras pessoas e, também, a conhecê-las. O ALCOOLISMO Entretanto, o meu pai devido a problemas de saúde, relacionados com o álcool, teve um esgotamento e foi internado no Hospital Conde Ferreira. Esta doença condicionou, de certa forma, todo o seu futuro. Durante muitos anos, convivi, indirectamente, com um caso de alcoolismo. No início, a família não colocava a hipótese de ser tratar de alcoolismo. Apenas, achávamos que o meu pai bebia um pouco demais e justificávamos como causas mais prováveis para o problema, questões de ordem financeira e emocional. Com o passar dos anos, após alguns internamentos e às situações a agravarem-se, começámos a aceitar o facto de o meu pai ter um problema grave de alcoolismo, uma doença que o começou a atacar de uma forma lenta, disfarçada e que o levou à destruição. 16
  • 17.
    Não só lheafectou o corpo, como também a mente, a família e a sua vida social. Quando alguém é dependente do álcool, é-lhe muito difícil viver, sem a sua regular ingestão, porque o organismo fica dependente desta substância. O consumo excessivo do álcool acarreta graves consequências para saúde do doente e da sua família, também é o grande causador da maioria dos acidentes de trabalho e viação. As consequências mais comuns na saúde são a cirrose hepática e ascite, conhecida por barriga de água, entre outras. Hoje em dia, penso que o alcoolismo é um problema grave que existe na nossa sociedade não só nos homens, mas entre as mulheres e, cada vez mais, nos jovens. As pessoas bebem bebidas alcoólicas, porque estão contentes ou querem ficar e pensam que agindo desta forma são bem aceites pela comunidade. A explicação está no facto de o álcool provocar desinibição. O alcoolismo é uma dependência que apenas com muitas campanhas de prevenção e sensibilização, principalmente, junto das camadas mais jovens da população, é que poderá vir a ser erradicada. 17
  • 18.
    O QUE APRENDI NA SERRALHARIA LEONEL BARANDELA O meu irmão mais velho, o José Carlos, com 19 anos de idade, abandonou a empresa e levou-a ao encerramento, por não se sentir preparado para avançar com o negócio do nosso pai. Dadas as circunstâncias, fui trabalhar para uma empresa de serralharia no Porto, a Leonel Barandela, Lda. Estive ao serviço da empresa, aproximadamente, três anos, local onde aprendi a trabalhar com maquinaria moderna, nomeadamente com a máquina de corte de disco, semi-automática; a máquina de cravar cantos das esquadrias das caixilharias; a máquina de fresar e a máquina de fazer curvas em alumínio lacado ou anodizado. Para além destas, utilizava a máquina de corte, de disco, semi-automática, em que se colocava o perfil com seis metros, encostava no batente com a medida a cortar, carregava num botão e o disco subia, automaticamente, para efectuar o corte. A máquina de fresar, também ela, semi-automática, em que se colocava o perfil na posição a fazer os rasgos para fechaduras, dobradiças, fechos e furos. Então, colocava os batentes de matriz e a máquina automaticamente efectuava todos os rasgos e entalhes. Na máquina de cravar cantos das esquadrias das caixilharias, colocava-se um canto em alumínio maciço, no interior das esquadrias, que encostava na matriz, carregava no pedal e o canto era cravado com uns punções que se faziam movimentar, através de uma bomba hidráulica. 18
  • 19.
    A máquina defazer curvas em alumínio lacado ou anodizado funcionava com rolos de nylon, para não arranhar o alumínio, os rolos eram ajustados em função do perfil e do raio de curva a fazer. Assim, carregava num pedal que fazia movimentar os rolos, para traz e para frente, e o perfil deslizava de forma a ganhar a curva. Toda a maquinaria que utilizei era adequada para a concepção de caixilharia de alumínio, tais como janelas, portas, marquises bem como outras peças de serralharia. As caixilharias que, anos antes, eram feitas de matérias-primas como a madeira e o ferro, por serem mais baratas, passaram a ser feitas, cada vez mais, em alumínio, porque garante mais durabilidade, um melhor isolamento térmico e acústico, sem necessidade de tratamentos posteriores, como pinturas e envernizamento. Nos dias de hoje, já existem melhores caixilharias, concebidas com novos perfis de ruptura térmica e com a possibilidade de opção por cores diferentes, no interior e exterior. Foi na empresa Leonel Barandela, Lda., que comecei a desempenhar, nas obras, algumas funções de responsabilidade, tais como: recepcionar e conferir materiais, como, por exemplo, caixilhos, massas de vedação, acessórios e ferramentas que chegavam à obra com a respectiva guia de transporte e de serviço; tinha de identificar através dos desenhos de projecto da especialidade o que se ia aplicar nos caixilhos, se era de abrir, de correr ou fixo, bem como a posição de abertura das portas e janelas; efectuar contacto com o encarregado geral da obra, de forma a tomar conhecimento do 19
  • 20.
    funcionamento da obrae das normas de segurança no local de trabalho; distribuir as tarefas a efectuar pelos restantes colegas de trabalho; e dar diariamente conhecimento à empresa do andamento dos trabalhos. O voto de confiança dado pelo meu patrão, deveu-se à experiência que tinha adquirido com o meu pai e irmãos mais velhos. O meu patrão atribui-me a responsabilidade das montagens das caixilharias de alumínio nas obras dos edifícios, em vila d’este, em Vila Nova de Gaia, entre outras. ENTRADA PARA A EMPRESA BERNARDO COUTO Na época, como já demonstrava ser muito responsável e com capacidade para executar qualquer trabalho fui convidado para trabalhar noutra empresa, a ganhar o dobro do salário. Esta empresa, a Bernardo Couto Lda., com sede no Monte da Caparica, no Concelho de Almada, estava ligada ao ramo da construção civil e obras públicas. Antes de aceitar a proposta, fui falar com o meu patrão, o Sr. Leonel e expliquei-lhe as minhas razões, ou seja, que pretendia ir mais além, ganhar mais dinheiro, mais experiência, mais conhecimento, conhecer novas pessoas e outros lugares e, principalmente, aprender a fazer outros trabalhos. O Sr. Leonel até me ofereceu mais dinheiro, mas as questões monetárias, como já referi, até nem eram as mais importantes, e perante tais fundamentos o meu patrão ficou convencido com os 20
  • 21.
    meus argumentos ecom a minha determinação em mudar. Achou que fui sincero e que era digno desta nova oportunidade, assim sendo, prescindiu do comprimento do tempo de dois meses a dar à casa, com o acordo de eu prescindir de ser ressarcido de alguns dos meus direitos e pagando-me apenas os subsídios de férias e de Natal do ano a decorrer. Mas, apesar de tudo, deixando-me a porta da sua empresa sempre aberta, a um possível regresso da minha parte. O que não se chegou a verificar, mas ainda hoje tenho boa relação com o Sr. Leonel Barandela. Na nova empresa Bernardo Couto Lda. trabalhava o meu cunhado Orlando Nova e, um irmão mais velho, o António João. Estive na empresa durante ano e meio, e desempenhei várias funções. Fui soldador na Siderurgia Nacional e na Quimigal, durante empreitadas de manutenção, chamadas de paragens em sectores específicos de produção das fábricas. No caso concreto, da Siderurgia Nacional, em paragens de uma semana, trabalhávamos 24 sobre 24 horas, de modo a ser feito o mais rápido possível. Uma vez que parava um forno e toda linha de lingotes de ferro, para ser feita a manutenção e reparação das estruturas, carros de transporte e tapetes e carril das pontes rolantes. Onde com soldadura, fazia o enchimento e correcção, pois derivado ao calor existia um maior desgaste dos materiais circundantes ao forno e ao transporte dos ferros em brasa. Na Quimigal, as empreitadas eram, principalmente, quando por avaria dos silos, rolos dos tapetes de transporte e enchimentos de 21
  • 22.
    adubos e outrosquímicos, tínhamos de trabalhar dias e noites seguidos, se necessário, para fazer as reparações, de forma a minimizar os prejuízos da paragem. Este trabalho era um pesado, mas melhor renumerado. Nestas empreitadas, só utilizei a soldadura com eléctrodos revestidos, pois na época, ainda, eram poucas as empresas com equipamentos para todo o tipo de soldaduras, por serem muito caros os postos de soldadura. Contudo, ao longo dos últimos anos, fui adquirindo conhecimentos para a utilização de todos os equipamentos que executam todos os tipos de soldadura. Ao serviço desta empresa, aprendi e trabalhei com várias máquinas pesadas, tais como tractores, retroescavadoras, moto niveladoras, autobetoneiras e gruas. Para operar com estas máquinas, assisti a várias acções de formação no local de trabalho, dadas pelos técnicos da marca e pelo pessoal da empresa. As formações tinham como objectivo a boa utilização das máquinas, ensinavam-nos a conhecer e a respeitar as normas que garantiam a segurança dos equipamentos, operadores, terceiros e bens existentes no local. A utilização das máquinas exigia o respeito das normas de segurança, previstas para termos em consideração antes da sua utilização e para isso tinha sempre de consultar o livro de instruções. Este guia ensinou-me como testar a pressão dos pneumáticos; a fazer a verificação do bom estado dos engenhos de trabalho; nas 22
  • 23.
    manobras, a evitarmovimentos bruscos e a manter ligadas as luzes de indicação de máquina em movimento; a usar cinto de segurança; e, capacete de protecção. A empresa Bernardo Couto Lda. estava mais vocacionada para obras públicas, aterros e desaterros. Eram, essencialmente, obras de duas a quatro semanas. Por exemplo, em certas ruas, era necessário passar cabos e tubagens para a rede de telecomunicações e eu costumava operar nessas obras, com várias máquinas diferentes. Tanto usava o tractor, com um engenho de furar terra para a colocação de postes; a moto niveladora para a nivelação de terras nas estradas, ruas e caminhos de passagem de cabos e tubos; como a retroescavadora para abrir e tapar as valas de passagem dos cabos e tubagem; usava a auto betoneira, onde se fazia a massa e transportava para construção e reparação de passeios; bem como gruas para descarga de materiais pesados e a máquina de alcatrão betuminoso, onde se colocava o bidão de 200 litros de alcatrão numa caldeira para aquecer e derreter, que depois com a gravilha, ou seja, com pequenas pedras se tapava os buraco nas ruas. ADULTO Quando fiz 18 anos comecei a tirar a carta de condução. Como estava a trabalhar no sul do país, vinha ao norte ao fim- de-semana, apenas uma vez por mês. A minha namorada vivia em 23
  • 24.
    Ermesinde e comeceia ficar cansado da vida longe de casa e com saudades da namorada e da família. Entretanto, faleceu o pai da minha namorada Mónica, hoje minha mulher, porque já estava doente há algum tempo. Este acontecimento influenciou e acelerou, de certa forma, o meu regresso ao norte. Resolvi voltar às origens e fui trabalhar para a serralharia da fábrica da igreja de Alfena, durante alguns meses. Enquanto lá estive, tirei a carta de condução, na escola de condução valonguense, em quatro meses. Na época, trabalhava na fábrica da igreja durante o dia e à noite em casa, num pequeno espaço. Comecei a fazer alguns serviços de serralharia para pessoas conhecidas e como o meu trabalho foi reconhecido, comecei a angariar novos clientes e muito trabalho para fazer. EMPREENDORISMO I O reconhecimento do meu trabalho, levou a que no início do ano de 1992 ficasse em casa e criasse uma empresa em nome individual, na área de serralharia. Com o objectivo de iniciar actividade, desloquei-me ao serviço de finanças de Ermesinde, onde tomei conhecimento dos procedimentos a ter. Com a ajuda de um contabilista, reuni toda a documentação necessária e ultrapassei todas burocracias próprias do nosso sistema fiscal, que naquele tempo eram muito maiores do que 24
  • 25.
    hoje e, assim,nasceu a serralharia de construção civil de Laurentino João Cardoso de Barros. Como no primeiro ano a facturação prevista não era superior a 2000 contos, iniciei a actividade no regime de isenção do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA), no entanto, no ano seguinte passei ao regime de IVA, a ser cobrado ao cliente. Na época, o imposto era 16%, taxa que tem sofrido vários aumentos, por parte da administração fiscal, nos últimos anos. O negócio cresceu em pouco tempo e fui forçado a recrutar o meu irmão Júlio José para trabalhar comigo. O Júlio tem menos três anos do que eu e, actualmente, é meu sócio. Fui adquirindo maquinaria, pois da oficina do meu pai não restou nada, inclusive as instalações, que foram alugadas, alguns anos antes, a um indivíduo para uma oficina de automóveis. O negócio da serralharia cresceu rapidamente e fui ampliando as instalações, já que terreno não faltava na casa dos meus pais. Esta fase da minha vida foi muito complicada, porque passei por muitas dificuldades. Como era jovem tive muitos falsos amigos que tentaram desviar-me para maus caminhos. Propunham-me grandes negócios duvidosos e de risco elevado, também, aliciavam- me para comprar carros, jogar e a frequentar bares nocturnos. Mas não me deixei influenciar, porque já tinha assistido à queda da empresa do meu pai, por causa de não ter tido cabeça e ter sido influenciado pelos falsos amigos. A experiência de vida do meu pai 25
  • 26.
    serviu-me de exemploa não seguir e decidi que não queria acabar como ele. SERVIÇO MILITAR O ano de 1992 foi muito importante, pois passei por várias experiências, umas boas e outras más. Criei e desenvolvi a empresa, mas no final do ano soube que iria cumprir o serviço militar obrigatório. Esta situação foi muito estranha para mim, porque nas listagens afixadas na sede da junta de freguesia, entre tantos jovens meus colegas de escola e infância, fui o único a ir cumprir serviço militar. Ainda por cima, tinha de me apresentar no dia 11 de Janeiro de 1993, no Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS). Tive pouco mais de duas semanas para me habituar à ideia de ir cumprir o serviço militar e para resolver o problema do trabalho que tinha para realizar, que era bastante. O serviço militar não foi mau de todo, pois aprendi muito. O RALIS era um regimento de formação de condutores, apliquei-me nas aulas de condução teórico-práticas e de mecânica, acabei por tirar a carta de condução de pesados e autocarros, com alguma distinção, Passada a fase da recruta que durou onze semanas, fui destacado para cumprir o restante serviço militar no quartel de Queluz. Neste quartel fiquei, então, destacado para condutor de serviço de transporte de militares graduados num autocarro de carreira diária com a volta de Setúbal. 26
  • 27.
    Como condutor doautocarro tinha a responsabilidade de, ao fim do dia, levar os militares residentes na margem sul do Tejo, ou seja, da Costa da Caparica até Setúbal e pernoitava no quartel da Trafaria, no concelho de Almada. Também, neste local a viatura era parqueada. Na manhã do dia seguinte, por volta das seis horas, fazia a volta no sentido contrário. Realizei esta tarefa até ao final do meu serviço militar. Foto de militar. O meu irmão Júlio José que trabalhava comigo, só tinha 16 anos e, embora, soubesse fazer o trabalho, porque era como eu aprendia muito bem, havia um problema, não tinha idade para ter carta de condução e para se deslocar às obras. Sabia que não podia contar com o meu pai, que tinha a saúde muito debilitada, para a resolver problemas, nem com os meus irmãos mais velhos que já tinham os seus empregos e tive que admitir um funcionário, para conduzir a carrinha com os materiais nas deslocações para as obras, durante os dias de semana. 27
  • 28.
    Ao fim-de-semana, nãoera necessária a colaboração do funcionário, porque eu regressava ao final da tarde de sexta-feira. Trabalhava na noite do dia da chegada, no sábado, durante todo o dia e, às vezes, ao domingo para conseguir fazer as obras. ORÇAMENTOS Para além das tarefas de um serralheiro, também, fazia orçamentos. Após o primeiro contacto com o cliente que me pedia um orçamento, deslocava-me ao local da obra, para fazer as medições do trabalho a realizar. Regressava a casa e na oficina fazia um levantamento dos materiais necessários para a execução do trabalho, bem como, o tempo da mão-de-obra dispendida na fabricação e montagem. Na elaboração do orçamento somava as despesas, como a luz e o desgaste das máquinas, posteriormente, acrescentava uma margem de lucro de 30%, o respectivo IVA e chegava ao valor total. Num livro de orçamentos escrevia, manualmente, a descrição da obra, assim como o seu valor, colocava as condições de pagamento e prazos para conclusão dos trabalhos, assinava e colocava o carimbo. Por último, o orçamento era entregue em mãos ao cliente que, às vezes, decidia na hora e outras optava por me contactar posteriormente. Também, visitava os clientes, preparava e planeava o serviço a realizar durante a semana. 28
  • 29.
    Na minha vida privada, também elaboro orçamentos, nomeadamente o orçamento do meu agregado familiar. As receitas referem-se, essencialmente, aos vencimentos salariais, o meu e o da minha mulher. As despesas são divididas em dois tipos, as despesas fixas e as despesas variáveis. As fixas são aquelas que ocorrem todos os meses, e por isso, são previstas com antecedência. Por exemplo: a ama da nossa filha, a alimentação, a água, a luz, o gás, as comunicações (telefones e TV por cabo), gastos com combustível, manutenção e limpeza jardins. 29
  • 30.
    Orçamento Familiar RECEITAS As Vencimentos variáveis serão aquelas que não ocorrem todos os meses, e Laurentino Barros 1.260 € Mónica Martins 656 € Abonos Andreia Barros 31 € Total rendimentos 1.957 € DESPESAS Despesas fixas Alimentação, Supermercado, Talho, Peixe 400 € Produtos Higiene e Limpeza 100 € Ama – Andreia 80 € Água 40 € Gás 20 € Electricidade 70 € Comida do Cão 60 € Seguros 27 € Telefones + TV Cabo + Internet 80 € Jardim Manutenção e Limpeza 80 € Quotizações a Associações 17 € Combustível 65 € Despesas variáveis Compra de Roupa 120 € Ida ao Cinema, Teatro e Exposições 70 € Assistir a Jogos de Futebol 80 € Compra de CDs, DVDs, Livros e Revistas 60 € Manutenção Automóvel 70 € Idas ao Cabeleireiro 35 € Saúde Consultas e Tratamentos 90 € Restaurantes 14030€ Total das Despesas 1.704 € POUPANÇAS
  • 31.
    Como a minhafamília é constituída por três elementos e com diferentes necessidades individuais, as despesas têm de ser planeadas em conjunto. Tendo em conta o nosso orçamento familiar, frequentemente, em reuniões de família projectamos, discutimos e decidimos conforme as medidas a tomar. Temos em sempre em consideração, as várias possibilidades de novos investimentos, mas consideramos em primeiro lugar as despesas prioritárias, tais como, a educação, a formação, o bem- estar e a saúde da família. Deixando, assim para segundo plano, os desejos e as outras necessidades supérfluas de cada membro da família. Com a colaboração de todos os membros da família, chegamos a um consenso, em relação às nossas necessidades e alcançamos, da melhor forma possível, os nossos objectivos do orçamento, sem nos esquecermos da nossa estabilidade financeira. Alcançados os nossos objectivos do orçamento e após análise, fazendo algum esforço financeiro e reduções em algumas despesas pontuais, poderíamos subscrever um PPR- plano de poupança reforma. Assim, dependendo da instituição e do produto que se quer pode-se subscrever um PPR com apenas 150€, reforçando a poupança com entregas periódicas mínimas mensais de 50€. As taxas de juros garantidas resultantes deste tipo de poupança, podem rondar os 2.5% e os 3%, conseguindo-se assim, cada vez mais, um 31
  • 32.
    importante complemento áreforma, a fim de se evitar depender ou usufruir dos rendimentos dos filhos no futuro. No caso concreto da minha família, não subscrevemos nenhum tipo de PPR porque estamos a fazer outras poupanças, no sentido de fazer obras de ampliação da nossa casa, em virtude do projecto actual, que é a de ter mais um filho, mas é uma possibilidade no futuro. Actualmente, os únicos produtos que temos numa instituição bancária pertencem à nossa filha, uma conta a prazo, poupança caixa projecto. O capital só pode ser levantado quando a nossa filha tiver 18 anos. Nesta poupança, colocamos o abono a crianças e jovens, bem como as ofertas por parte dos familiares e amigos que são feitas à Andreia, no seu aniversário e épocas festivas. Estas aplicações irão proporcionar um melhor futuro à nossa filha. CASAMENTO Dois anos mais tarde, como já namorava há algum tempo, resolvi casar e como “quem casa quer casa”, eu não fui excepção, então como a casa dos meus pais era muito grande, apesar de ser antiga e precisar de obras, durante o ano de 1995 decidi fazer-lhe uma grande reforma, reconstruí-a e ampliei-a de forma a ficar uma casa para os meus pais e outra para mim. A casa que ficou para mim e onde, actualmente, vivo tem uma particularidade, o facto de a minha sala de estar ter sido o quarto dos meus pais, portanto, o local onde nasci. 32
  • 33.
    No mês deMarço de 1996, comecei a tratar do casamento, falei com o padre de Alfena para pedir a transferência para Ermesinde, terra da noiva. A Mónica queria casar em Ermesinde, logo, acertei com o padre a data da cerimónia para o dia 27 de Julho de 1996. Tratei das certidões necessárias na Conservatória do Registo Civil e de arranjar um local para a festa. Como o casamento era no Verão, tive de tratar com antecedência do local do copo de água, porque havia muita procura. No entanto, conhecia o restaurante rural O Beco, em S. Romão do Coronado que me facilitou na escolha. Na época, os valores por pessoa rondavam os 5.000 escudos, mas como era muita gente, consegui, facilmente, chegar a acordo com o Sr. Arménio para a organização do copo de água, por 4.500 escudos, com tudo incluído. A ementa do evento incluía as entradas, três pratos, canja ou sopa, bebidas, bolo de noiva e todos os outros doces. Para além de comes e bebes, a festa teria muita música. 33
  • 34.
    A minha casa A reforma da casa terminou e eu casei no ano seguinte, no dia 27 de Julho de 1996. O meu casamento O meu casamento foi como mandava a tradição, um casamento na igreja com a noiva vestida de branco e o noivo trajado a rigor, muitos convidados e uma grande festa que contou com muita música e dança. No dia do casamento partimos em lua-de-mel, para uma viagem de oito dias pelo sul do país, para conhecermos o Alentejo e Algarve, regiões que só conhecia através do livro As Mais belas Vilas e Aldeias de Portugal. Estas regiões têm climas mais quentes e secos, menos vento, paisagens mais planas, praias mais limpas, com águas mais quentes e pessoas muito simpáticas. Na viagem aproveitei para conhecer o património histórico, nomeadamente monumentos e zonas históricas, que é uma das 34
  • 35.
    maiores riquezas dePortugal, embora, mal conservado. No meu entender, o património arquitectónico português deveria ser restaurado e preservado. SERRALHARIA BARROS Lda . Decorria o ano 1996 e resolvi passar a empresa de nome individual para uma sociedade limitada: Serralharia Barros Lda. Uma sociedade é uma união de duas ou mais entidades ou pessoas com um objectivo traçado, a fim de alcançar o sucesso numa determinada acção ou segmento de mercado. Actualmente, a sua gerência é composta por partes iguais, uma minha e outra do meu irmão Júlio José, porque trabalha comigo, praticamente, desde o início. Nos tempos que se seguiram, fui modernizando a empresa acompanhando a evolução das novas tecnologias e adquiri máquinas modernas, tais como, máquinas semi-automáticas de corte, de fresar, prensar, soldar, corte e quinagem de chapa, para melhorar e aumentar a produção de caixilharias e estruturas metálicas. Adquiri, também, equipamentos informáticos tais como, fotocopiadora, fax, impressora, telemóveis e um computador com software de facturação. Equipamentos e software que após uma pequena acção de formação, dada pelo técnico de informática, alguma paciência e vontade de aprender, comecei a utilizar rapidamente e sem dificuldade como por exemplo o programa Comercial 97, um 35
  • 36.
    programa de facturação,orçamentos, guias de remessa e transporte e gestão de stocks. Hoje, posso dizer que trabalho bem com vários programas informáticos (software). Utilizo, diariamente, na empresa: o Microsoft Office 2007, o Windows Mail, o Autocad2009, o Internet Explorer e um programa de Ponto, gestão e controle de produção da Dimep. Foi também no ano de 1996, comprei o meu primeiro telemóvel, na TELECEL, uma grande máquina, pois era um Alcatel S400, um modelo razoável, se tiver em consideração a relação custo/qualidade. No meu trabalho, a comunicação com clientes e fornecedores é essencial. O telemóvel veio permitir que estivesse sempre contactável, em qualquer lugar, e poupar algumas deslocações, tanto minhas como dos meus clientes, para a troca de informações relacionadas com as obras. Na minha vida, o telemóvel tornou-se um objecto bastante útil, porque me permite comunicar com um grande número de pessoas e entidades no contexto privado e profissional. De início, os telemóveis eram grandes e serviam apenas para fazer e receber chamadas, mas rapidamente evoluíram, diminuíram o tamanho e passaram a incorporar máquina fotográfica, leitor e gravador de vídeos, bluetooth, internet e até a possibilitar a realização de vídeo-chamadas. O telemóvel transmite e recebe ondas de rádio ou radiações electromagnéticas numa determinada frequência. O seu 36
  • 37.
    funcionamento baseia-se na transmissão de sons, imagem e mensagens escritas. Lembro-me de, quando era criança, só haver telefones fixos em algumas casas e nas estações de correios. Na minha casa existia telefone porque o meu pai tinha uma oficina e precisava para comunicar com os fornecedores e clientes. No entanto, o que era um bem raro tornou-se vulgar devido à grande evolução no sector das telecomunicações. Hoje, graças ao aparecimento das novas tecnologias em especial do telemóvel e do computador com ligação à Internet, posso gerir de uma maneira mais eficaz e confortável, a minha vida pessoal e profissional. Utilizo as novas tecnologias para consultar as contas bancárias; fazer pagamentos; dar ordens de transferência de dinheiro; requisitar cheques; consultar facturas, gastos de telemóvel e Internet; ver o tempo para o dia seguinte; saber quais as farmácias de serviço; ter acesso às notícias 24 horas por dia; saber quais os filmes e horários do cinema e teatro; a programação dos canais da televisão; ofertas comerciais; entre outras coisas. O meu actual telemóvel é um Qtek S200, no ano de 2008 teve uma avaria, o altifalante deixou de funcionar, como é óbvio deixei de poder ouvir quem falava do outro lado. Peguei no livro de instruções e li-o à procura de respostas, pensei que poderia ser um problema de definições do equipamento, mas não encontrei a solução e decidi então recorrer à assistência técnica para resolver o problema. 37
  • 38.
    Fui, então, àloja de assistência técnica da Optimus, que era a operadora que me prestava o serviço de telecomunicações móveis, há mais de seis anos e situada no Freixieiro, em Matosinhos. No balcão de atendimento falei com o funcionário que lá se encontrava e expliquei-lhe o que se passava com o telemóvel e, disse-lhe que o equipamento estava, ainda, coberto pela garantia, mostrei-lhe a factura como prova da compra, uma vez que tinha sido comprado há menos de um ano e a garantia do fabricante era de dois anos, logo, o telemóvel iria ser reparado gratuitamente. Pensei que seria uma avaria fácil de resolver, mas não foi e tive de lá deixar o telemóvel. O tempo previsto, pela marca do equipamento, para o conserto era de, mais ao menos, 25 dias úteis. Fiquei muito aborrecido porque o Qtek S200 é um equipamento topo de gama e caro, que não deveria avariar tão facilmente. Como eu não podia ficar tanto tempo privado de uma das minhas mais importantes ferramentas de trabalho, o telemóvel, comecei a pensar em comprar outro, mas não foi necessário, porque o funcionário alertou-me para a possibilidade do empréstimo de um equipamento de substituição. Achei uma boa medida, porque facilita bastante a vida aos clientes, ao evitar deste modo mais despesas. Mobile phones have other features beyond sending text messages and making voice calls, including Internet browsing, music playback, memo recording, personal organizer functions, e-mail, 38
  • 39.
    instant messaging, built-incameras and camcorders, ringtones, games, radio, infrared and Bluetooth connectivity, call registers, ability to watch streaming video or download videos for later viewing, video calling and serving as a wireless modem for a PC. Qtek S200 Specifications Size: 108 x 59 x 18 mm Weight: 150 g Screen: 240 x 320 px Networks: 850 / 900 / 1800 / 1900 Camera MP3 Player Memory Card: SD Java Support Date Added: April 26th, 2006 39
  • 40.
    AS DESVANTAGENS DOSTELEMÓVEIS Considero que os telemóveis, também, têm aspectos negativos, perde-se um pouco o contacto com as pessoas, a proximidade física, perde-se, principalmente, a língua portuguesa, pois vamos adquirindo hábitos de escrita, pouco recomendáveis, com mensagens abreviadas e através de sinais, muitas vezes, difíceis de entender. A MINHA FILHA O ano de 1999 marcou-me muito, porque no dia 20 Maio de 1999, nasceu a minha filha, a Andreia Filipa, talvez a coisa mais linda e importante da minha vida, que veio atenuar a dor provocada pela perda do meu pai, que tinha falecido, subitamente, no mês de Fevereiro do mesmo ano. Durante a gravidez da Mónica, a minha mulher, não foi possível sabermos o sexo do bebé, só aquando do nascimento é que soube que era uma menina e fiquei muito feliz. A minha filha é a menina dos meus olhos. Andreia Filipa (filha) 40
  • 41.
    A morte domeu pai, foi o resultado da sua falta de zelo pela saúde, actualmente, sensibilizado por esse passado, tenho outra forma de encarar o tema saúde, não só a minha mas também da minha família. A minha filha, desde o seu nascimento tem sido acompanhada por um pediatra, tem consultas de rotina, acompanhamento do crescimento e cumpre o plano de vacinação. As vacinas são muito importantes, ajudam a prevenir muitas doenças. EMPREENDORISMO II Em 2002, como sou uma pessoa empreendedora, comecei a desenvolver um projecto que tinha de construir caravanas, a partir de um semi-reboque, nomeadamente, caravanas de grande dimensão. A ideia foi inspirada em construções feitas em Espanha. Estabeleci alguns contactos e, após algumas deslocações à fábrica de caravanas Rioja, localizada na cidade com o mesmo nome, no norte de Espanha, consegui obter alguns conhecimentos básicos sobre o processo de construção das caravanas. Numa primeira fase, direccionei o negócio para clientes do ramo circense e mais tarde para feirantes, proprietários de divertimentos em romarias e festas. Ao longo do tempo, fui modernizando os métodos de concepção das construções, actualizando materiais e matérias-primas, bem como automatizando os sistemas de abertura das caravanas, com sistemas 41
  • 42.
    electromecânicos e hidráulicose os acabamentos interiores com decorações adequadas às necessidades de cada cliente. A construção das caravanas inclui um vasto leque de profissões como a serralharia, carpintaria, marcenaria, electricidade, pichelaria, ladrilhador, designer e pintura auto. Para construirmos uma caravana começamos por fazer o projecto, ou seja, o desenho das estruturas, especialidades e dos acabamentos; calculam-se os materiais necessários, em função das medidas e pesos de forma a garantir a estabilidade da caravana; e inicia-se a fabricação do esqueleto da estrutura com vigamentos e perfis tubulares de ferro. Estrutura da caravana. Na estrutura de uma caravana é, previamente, deixado o espaço das janelas e portas, assim como as divisórias interiores. Quando a estrutura de ferro está completa, é feito o tratamento de pintura anti-corrosiva com primário TRIEPOZINC, um primário epoxi de dois componentes formulado à base de resinas epoxi e pó de zinco, endurecido com resinas de amimas, com as seguintes 42
  • 43.
    características: tempo de secagem ao tacto, 30 minutos; em profundidade, 1 hora; espessura mínima recomendado 50μm espessura seca; rendimento teórico 1 litro/ 10m2; tempo de vida da mistura (23,0 ± 0,5ºC) Cerca de 8 horas; relação da mistura, 3 de base para 1 de aducto; diluição com diluente TRIDIL EPOXI, cor da base cinzento, brilho mate, densidade a (23,0 ± 0,5ºC) - 2,74 g/cm3, teor em sólidos 60%, ponto de inflamação> 23ºC. Depois de tratada a estrutura, procedemos ao isolamento exterior, em todo o perímetro da caravana, com painéis de madeira com pele de fibra e poliéster. Após a colocação dos painéis exteriores são feitos os remates com perfis de alumínio em volta de todas as aberturas e extremidades da estrutura, são colocadas as caixilharias, estores eléctricos e, de seguida, avançamos para a preparação e pintura final do exterior. Preparação pintura exterior. Entretanto, iniciamos os trabalhos no interior. As tubagens da água fria, água quente, esgotos e todas as cablagens eléctricas são colocadas no interior das paredes, em locais predefinidos, 43
  • 44.
    Pormenor tubagens e cablagens. Em seguida, é projectado nas paredes e tecto uma camada de poliuretano, um material plástico celular fabricado com matérias- primas de alta qualidade. O poliuretano é uma mistura de duas substâncias, que se encontram no estado líquido (Poliol + Isocianeto) e que é projectado nas superfícies a isolar através de uma máquina especial. A reacção química que se dá é rápida e exotérmica. O calor libertado na reacção, origina a vaporização dos agentes espumantes, o que faz com que na mistura líquida se originem micro bolhas de gás, resultando um aumento do volume na ordem de 25/35 vezes o volume inicial. Em poucos segundos, adquire o aspecto de uma estrutura plástica tridimensional com um poder isolante superior a qualquer outro material. A expansão da espuma deve-se à acção de HFC e CO 2 , decorrente da reacção química da água com o isocianato, de tal forma que a proporção de gases dentro da célula na espuma, ainda não envelhecida, é HFC = 35 - 50%CO2 = 65 - 50%. 44
  • 45.
    Depois de retirado o excesso da expansão começa o acabamento interior, primeiro com umas placas de pré forro e depois com o acabamento final, normalmente na cozinha e casa de banho, é colocado nas paredes e piso cerâmica e nas restantes divisões no piso de cerâmica e nas paredes e tectos é utilizado placas de mdf lacados, colocam-se as portas interiores e os aparelhos de ar condicionado. Interior da caravana sala Os acabamentos interiores variam conforme o cliente e a ajuda do nosso designer, que tem um papel importante nos acabamentos, na conjugação dos materiais de decoração, iluminação e mobiliário. Quarto crianças A construção da caravana fica concluída com a aplicação dos electrodomésticos e louças da casa de banho. 45
  • 46.
    I decided toidentify some symbols that we should take care to not ruin our clothes when we wash them. Caravana com electrodomésticos 46
  • 47.
    Caravana casa banho Na construção das caravanas, tenho sempre em conta a utilização de materiais que sejam o menos inflamável possível e os que garantam a maior estabilidade e durabilidade da caravana, a fim de evitar a necessidade de fazer muitas assistências. A construção da caravana é acompanhada desde o seu início, por um engenheiro mecânico que fiscaliza e garante o comprimento das medidas e das normas de segurança da construção, para ser inspeccionada na delegação do IMTT do Porto, para homologação como reboque vivenda especial feira ou circo. Temos uma equipa preparada para se deslocar até ao cliente em qualquer hora e lugar e actuar de acordo com as necessidades em caso de avaria, defeito de materiais ou fabrico. É também norma da minha empresa, na assinatura dos contratos da construção da caravana, celebrar e assinar com o cliente um termo de responsabilidade e de garantias para o caso de avarias por defeito dos materiais e fabrico, com uma cláusula de ficar retido pelo cliente uma verba de 5% do valor total da construção num período de 12 meses após a entrega da caravana ao cliente, valor esse que não poderá ultrapassar os 5.000€ e será pago findos os 47
  • 48.
    doze meses degarantia ou em data anterior caso se verificar mau uso do equipamento por parte do cliente. Foto: caravana pronta. ASSOCIAÇÕES Decorria o ano de 2002, recebi um convite de um amigo, o José Maria, para fazer parte e ajudar a treinar uma equipa de futebol de juniores, no clube desportivo de S. P. Fins, na cidade da Maia. Como fizemos um bom trabalho, na época seguinte, fomos convidados para treinar outra equipa de juniores, mas de um clube com outra dimensão e melhores condições. Esse clube foi o clube desportivo de Águas Santas, também na cidade da Maia, onde acumulava as funções de treinador adjunto com o cargo de director do futebol júnior. 48
  • 49.
    Cartão de Director Como as pessoas para ajudar as colectividades desportivas são poucas, ajudava sempre que possível. Ao domingo de manhã, sempre que nos deslocávamos aos campos de futebol dos clubes adversários, era eu quem conduzia o autocarro que transportava a nossa equipa. No ano seguinte, houve eleições no clube, que foram disputadas entre duas listas. A assembleia-geral de associados foi marcada com o objectivo de eleger os órgãos da direcção e os membros da assembleia e realizou-se no salão nobre, dos Bombeiros Voluntários de Nogueira da Maia. Estas eleições tiveram uma grande adesão de associados e foram realizadas através do método da mão no ar. O presidente da mesa da assembleia apresentou as listas A e B, e perguntou aos associados quem votava em cada uma das listas. Também, perguntou quem se abstinha. Seguidamente, foi feita a contagem dos votos e venceu a lista B com um maior número de votos e, que representava o grupo desportivo de Águas Santas. 49
  • 50.
    O presidente eleitofoi o Sr. José Augusto Aguiar, opção que não me agradou, porque tinha algumas ideias novas, das quais eu discordava e, então, resolvi sair. ” Em Portugal, a partir do 25 de Abril de 1974, cada cidadão pode ter acesso a um conjunto de associações a que se pode livremente associar. As associações mais comuns, no nosso país, são as associações de caça, pesca, dança, folclore, desporto, os grupos recreativos e culturais, etc. Nos últimos anos, as associações têm sofrido uma redução no número de associados. São vários os factores que podem servir de justificação para o facto, nomeadamente a dificuldade em pagar as cotas, a falta de tempo livre e a rigidez dos órgãos dirigentes que muitas vezes provocam o abandono dos associados. TRABALHO VOLUNTÁRIO O trabalho voluntário para além de ser uma necessidade para muitas pessoas, para outras é uma busca de alternativas para mudar algo que não está bem, para transformar a realidade em que vive o voluntário ou o seu semelhante. No trabalho voluntário, a acção parte da vontade de cada um de realizar algo em benefício de terceiros. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU): 50
  • 51.
    “ Voluntário étoda pessoa que, devido ao seu interesse pessoal dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de actividades, organizadas ou não, de bem-estar social ou em outros campos ”. A prática do trabalho voluntário tem aumentado, mas não o suficiente. Há muito por fazer, porque as desigualdades sociais são grandes, principalmente no que se refere ao desemprego, violência e falta de assistência. O Estado, por vezes, não consegue dar respostas com qualidade à população que dele necessita, e, também, é nossa a responsabilidade procurar alternativas para que surjam as mudanças. Qualquer um pode desenvolver uma actividade que possa contribuir para uma melhor qualidade vida de terceiros. Todos nós podemos contribuir para uma melhor e mais justa sociedade. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal.” - Constituição da República Portuguesa, Art. 46.º, Nº1. EU , TREINADOR DE FUTEBOL Acabado de sair do grupo desportivo de Águas Santas comecei uma nova aventura, fui com o meu amigo José Maria treinar um clube de futebol amador, de seniores, o Reguenga futebol Clube, que estava a disputar o campeonato Inter Municipal e Municipal da Câmara Municipal de Santo Tirso. 51
  • 52.
    No Reguenga FutebolClube comecei como treinador adjunto, mas acabei por ser treinador e jogador, pois tinha muito jeito para o futebol, visto que toda a minha vida joguei à bola com amigos e em pequenos torneios organizados por clubes, principalmente, na época de Verão. Os jogos eram disputados ao sábado à noite ou ao domingo de manhã. No Reguenga futebol Clube joguei regularmente até ao fatídico dia 19 de Março de 2005, num jogo realizado fora, contra o Lamelas Futebol Clube. Aos 15 minutos de jogo, quando sofri uma grave lesão no ombro direito, uma luxação da clavícula, com rotura do ligamento. O massagista do clube fez os primeiros tratamentos e após verificar a gravidade da lesão, fui levado às urgências do hospital de São João, no Porto. Neste hospital, fui observado no serviço de ortopedia, onde me fizeram uma radiografia e a imobilização do braço. Como tinha seguro de acidentes pessoal, fui encaminhado para a companhia de seguros. No dia seguinte, apresentei-me no Instituto de Saúde do Marquês, clínica da companhia de seguros Vitória. Após a consulta com o médico de ortopedia da companhia, fiquei com o braço imobilizado durante cinco semanas. Após esse período, o médico constatou que seria necessário efectuar uma intervenção cirúrgica, porque a clavícula estava deslocada. Fui operado no hospital de Santa Maria, no Porto, pelo doutor Rui Matos, que me colocou ferros no ombro para fixação da clavícula. 52
  • 53.
    Passado um mês,os ferros foram retirados, pela mesma equipa médica que realizou a cirurgia e na mesma sala de operações. Quando estava a iniciar a fase de recuperação com auxílio da fisioterapia, devido aos exercícios que executava, formaram-se na cicatriz alguns quistos, o que me levou novamente à sala de operações, para serem retirados. A recuperação prologou-se por mais de nove meses, todos eles muito difíceis. Após muito sofrimento consegui recuperar, mas nunca mais voltei a jogar futebol, a vida continuou e dediquei-me apenas ao trabalho. LAZER O único desporto que passei a praticar, passou a ser apenas em períodos de lazer, uma vez que abandonei a competição. Comecei a fazer caminhadas, aos domingos na parte da tarde ou à noite nos meses de verão, no parque da cidade, no Porto, e à beira mar. Por vezes, aos domingos de manhã, faço passeios de bicicleta com a família ou amigos. As actividades físicas de lazer são muito boas, porque ajudam a aliviar o stress, exercita o corpo e a mente, e ajudam a prevenir algumas doenças. 53
  • 54.
    As actividades aoar livre são extremamente importantes para melhorar a minha qualidade de vida, reconheço que me dão frescura física e mental para ultrapassar as dificuldades que surgem no dia-a- dia, dão-me uma maior capacidade de reacção em determinadas situações que vão acontecendo inesperadamente, tanto na vida privada como na vida profissional, principalmente em situações no trânsito, como no caso das filas que se apresentam hoje e que temos de ser pacientes. Existem muitas outras situações no trânsito que, devido à falta de civismo dos condutores, devemos manter a calma e não responder às provocações que, por vezes, acontecem. ALARGAMENTO DAS INSTALAÇÕES DA MINHA EMPRESA A partir de meados do ano de 2006, alarguei as instalações fabris da minha empresa, com a aquisição de um armazém na zona industrial de Baguim do Monte, com uma área coberta de cerca de 1000 metros, para o fabrico de auto caravanas, reboques bilheteira, dormitórios e reboques bar. Nestas novas instalações, criei melhores condições de trabalho e de segurança para os meus funcionários. O espaço era maior e separei e armazenei os vários materiais perigosos e inflamáveis, em espaços próprios. Também coloquei em todos os locais necessários as sinaléticas que nos informam dos vários perigos existentes. Na minha empresa, ao longo dos últimos anos, sempre tive como prioridade a preocupação com a segurança e bem-estar dos meus funcionários. Distribuo e coloco à sua disposição equipamentos 54
  • 55.
    individuais e colectivosde segurança, como sapatos de sola e biqueira de aço, protecções para os olhos e ouvidos, luvas, entre outros equipamentos. DIREITOS E DEVERES DOS TRABALHADORES Na minha empresa existe uma preocupação frequente com a consciencialização dos direitos e deveres de todos. Todos os meus trabalhadores têm direito a segurança, higiene e saúde no trabalho; períodos mínimos de descanso; férias remuneradas; igualdade de tratamento; não serem discriminados; e, o direito à greve. Os meus funcionários têm a preocupação de respeitar e tratar com lealdade a entidade patronal. Não fazer negociações por conta própria e em concorrência com a entidade patronal, não divulgam informações relacionadas com a organização, métodos de produção e negócios da empresa. Penso que existem algumas regras fundamentais para o bom funcionamento de uma empresa, nomeadamente a lealdade, o respeito entre colegas e superiores, pontualidade, assiduidade, zelo, responsabilidade, obediência e cumprimento de todas as obrigações e normas previstas nos contratos de trabalho. Em Portugal, ainda há muito por fazer em relação aos direitos e deveres dos trabalhadores. As mentalidades de alguns patrões têm de mudar, porque ainda existem muitas situações de trabalho precário. Alguns trabalhadores oriundos dos países de Leste e de África 55
  • 56.
    exercerem actividades laboraissem condições de segurança e sem qualquer tipo de direito. No entanto, a classe trabalhadora nem sempre cumpre com os seus principais deveres. Sem querer generalizar, é óbvio que existem trabalhadores que só pensam na hora de saída e no fim do mês. Como se costuma dizer e é típico dos portugueses “Todos querem arranjar um emprego, e não um trabalho.” Na Constituição da República Portuguesa, estão mencionados os direitos fundamentais dos cidadãos portugueses, dos quais destaco o Direito ao Trabalho (Artigo 58º) e os Direitos dos Trabalhadores (Artigo 59º), que passo a identificar. Artigo 58º 1. Todos têm direito ao trabalho. 2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover: a) A execução de políticas de pleno emprego; b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais; c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores. Artigo 59º 56
  • 57.
    1. Todos ostrabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito: a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna; b) A organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar; c) A prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e saúde; d) Ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas; e) À assistência material, quando involuntariamente se encontrem em situação de desemprego; f) A assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente de trabalho ou de doença profissional. 2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente: a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento; 57
  • 58.
    b) A fixação,a nível nacional, dos limites da duração do trabalho; c) A especial protecção do trabalho das mulheres durante a gravidez e após o parto, bem como do trabalho dos menores, dos diminuídos e dos que desempenhem actividades particularmente violentas ou em condições insalubres, tóxicas ou perigosas; d) O desenvolvimento sistemático de uma rede de centros de repouso e de férias, em cooperação com organizações sociais; e) A protecção das condições de trabalho e a garantia dos benefícios sociais dos trabalhadores emigrantes; f) A protecção das condições de trabalho dos trabalhadores estudantes. 3. Os salários gozam de garantias especiais, nos termos da lei. É do conhecimento público que, em Portugal, a precariedade no trabalho tem vindo a aumentar nos últimos anos, cerca de um quinto da população activa, embora existam muitas outras situações que não são contabilizadas por se enquadrarem no trabalho ilegal ou clandestino. Muitos trabalhadores não têm férias pagas nem outros subsídios e não podem reclamar porque estão a arriscar-se a ficarem sem trabalho. De acordo com informação do Jornal Correio da Manhã, de Abril de 2008, em Portugal existiam pelo menos meio milhão de pessoas que passavam falsos recibos verdes. Estes trabalhadores estão ligados às empresas de forma permanente, apesar de estarem 58
  • 59.
    colectados como trabalhadoresindependentes, pois têm horário de trabalho, funções definidas, e obedecem a uma hierarquia. Todos este requisitos que, se a lei fosse cumprida, fariam deles trabalhadores por conta de outrem. O combate à precariedade tem sido reivindicado pelas centrais sindicais. A precariedade laboral afecta sobretudo os jovens, com maior incidência na administração pública e nos serviços, na região do Algarve. Cerca de metade dos jovens até aos 25 anos têm contrato não permanente e as raparigas são as mais afectadas. As situações de trabalho precário incluem os trabalhadores com contrato a termo certo, o trabalho temporário, os recibos verdes e o trabalho não declarado. Este tipo de trabalho, em que o trabalhador não tem qualquer tipo de garantias ou de protecção e em que o patrão e trabalhador não cumprem as suas obrigações fiscais, nem descontam para segurança social, predomina na construção civil e restauração, mas sobretudo nas pequenas empresas. O SALÁRIO O facto de ser patrão fez com que aprendesse qual a constituição do salário dos meus empregados e de todos trabalhadores por conta de outrem. 59
  • 60.
    As parcelas queconstituem o salário de um trabalhador por conta de outrem são: o salário, contribuições para a segurança social e para o IRS, o subsídio de refeição, ajudas de custos, subsídio de férias, entre outros subsídios. O Salário é o rendimento que os trabalhadores recebem em troca do trabalho que despendem no processo produtivo. O salário é o preço pago aos trabalhadores em troca de determinada quantidade de trabalho. Sendo um preço, o salário é estabelecido, tal como qualquer outro preço, no mercado através do encontro entre quem oferece trabalho e quem o procura. O IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares) é um imposto directo que incide sobre os rendimentos dos particulares nomeadamente os rendimentos do trabalho (salários e outros) e os rendimentos de capital (juros, rendas, mais-valias, dividendos, etc.). O Subsídio de refeição, também conhecido como subsídio de alimentação, destina-se a compensar os trabalhadores das despesas com a refeição principal do dia em que prestam serviço efectivo durante, pelo menos, 5 horas e não tem natureza retributiva. As Ajudas de custo são um abono que é aplicável quando uma pessoa se ausenta para fora do seu local de trabalho, dentro ou fora de Portugal. A distância tem que ser superior a 5 km do local onde exerce funções, no caso das deslocações diárias (as que se realizam num período de 24 horas), ou superior a 20 km, no caso das deslocações por dias sucessivos (realizam-se por períodos superiores a 24 horas). 60
  • 61.
    É um valorque se recebe a mais por cada dia que se está fora do local normal de trabalho para se fazer face às despesas acrescidas que tem por estar deslocado (alimentação e alojamento). No que diz respeito ao Subsídio de férias, os trabalhadores têm direito a um período de férias remunerado em cada ano civil e estas referem-se ao trabalho prestado no ano anterior. O direito a férias adquire-se no momento da celebração do contrato e vence-se no dia 1 de Janeiro de cada ano civil. Excepcionalmente, se no ano de admissão, o início do trabalho se verificar no 1º semestre, após um período de 60 dias de trabalho efectivo, o trabalhador tem direito a 8 dias úteis de férias. Se o início do trabalho se verificar no 2º semestre, após 6 meses completos de trabalho efectivo, o trabalhador tem direito a 22 dias úteis de férias, no ano imediato. O trabalhador tem direito à retribuição correspondente ao período de férias, acrescido de subsídio de igual valor, a pagar antes do seu início O montante das Contribuições para a segurança social é calculado pela aplicação da taxa contributiva global sobre as remunerações reais, consideradas base de incidência, do seguinte modo: empregador (contribuinte), 23,75%; e Trabalhador, 11%. Existem algumas diferenças entre os trabalhadores por conta de outrem e os trabalhadores independentes. 61
  • 62.
    Um trabalhador dependentetem 14 meses de salário por ano, o trabalhador independente, muitas vezes, cobra apenas 11 ou 12 e não tem direito aos subsídios de Férias e Natal. No caso dos trabalhadores dependentes, a entidade empregadora desconta 23,75% do salário para a segurança social, o que não acontece com os trabalhadores independentes, a contribuição é suportada pelo trabalhador. Uma entidade patronal deve obrigatoriamente ter um seguro de acidentes de trabalho para os seus trabalhadores, no entanto, os trabalhadores independentes têm de o possuir e suportar o custo. Em muitos casos é também necessário um seguro de responsabilidade civil. Os custos de formação profissional podem ser significativos para uma entidade empregadora e também existem para profissionais liberais. A existência do posto de trabalho e das ferramentas a ele associadas pode atingir valores muito elevados para a entidade empregadora e também para trabalhadores independentes, nomeadamente a amortização ou arrendamento das instalações e mobiliário, computadores, licenças de software, telefone, fax, electricidade, acesso à Internet, consumíveis e, em alguns casos, carro e telemóvel. 62
  • 63.
    HIGIENE , SAÚDE E SEGURANÇA NO TRABALHO NA EMPRESA Desde o ano 1997 que mantenho um contrato com uma empresa de Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho (HSST), a INSPECMETRA LDA. Penso que foi uma boa aposta, porque houve uma redução substancial de acidentes e doenças profissionais na empresa. Ao longo dos anos, tem havido uma grande evolução na área da HSST. Recordo-me que no primeiro ano de contrato, as consultas com o médico de trabalho eram uma vez por ano e no consultório, no centro médico da INSPECMETRA LDA, em Valongo. Actualmente, as consultas realizam-se duas vezes por ano e numa unidade móvel que se desloca às empresas, o que é vantajoso para os trabalhadores e para o patrão. Anualmente, também as deslocações dos técnicos para fiscalização são efectuadas várias vezes. A HSST é um direito fundamental dos trabalhadores, a sua aplicação contribui para o aumento da competitividade, mas acima de tudo para a diminuição da sinistralidade entre os trabalhadores. A meu ver, os principais beneficiários das medidas de HSST são as empresas e o país. Penso que deveria ser uma preocupação constante de todos os cidadãos melhorar as condições de trabalho e garantir melhor assistência aos trabalhadores, porque o capital humano é essencial ao desenvolvimento das empresas e das nações. 63
  • 64.
    O tecido produtivo somente com trabalhadores saudáveis é desenvolvido. Em Portugal, existe legislação que regula todos estes princípios e é aplicável a todos os ramos de actividade. Prevê o n.º 1 do art.º 4º do art. D. Lei 141/91 de 14 de Novembro, a obrigatoriedade de todos os trabalhadores poderem usufruir de um médico do trabalho. No mesmo decreto-lei, o n.º 1 do art. 8º, prevê que a entidade patronal é obrigada a assegurar condições de segurança, higiene e saúde a todos os seus trabalhadores, sem excepção. PREOCUPAÇÕES AMBIENTENTAIS NA EMPRESA O meio ambiente é uma das grandes preocupações na minha empresa. Este tema é abordado em reuniões mensais com todos os nossos colaboradores. Nas reuniões tomamos algumas medidas no sentido de contribuirmos para um meio ambiente saudável, tais como: nomear um funcionário para controlar e fiscalizar todas as acções relacionadas com lixos e resíduos. Preservar o meio ambiente depende dos responsáveis e gestores da empresa, mas sobretudo dos funcionários. Todos os resíduos da empresa são recolhidos por empresas certificadas. Têm sido instalados equipamentos de extracção de fumos e poeiras com filtros, para que não sejam lançados na 64
  • 65.
    atmosfera os gasesresultantes das soldaduras, poeiras de lixar e cortar as madeiras, e os fumos das pinturas. A empresa dispõe de pontos de armazenamento para separar todos os resíduos: os desperdícios de ferro, alumínio, inox, madeiras, papel e plásticos. Também, usamos aparadeiras para evitar o derramamento para o chão dos óleos usados nas montagens e na assistência dos sistemas hidráulicos. A UNIÃO EUROPEIA Portugal pertence à Europa, um continente que tem um grande número de estados. Vários acontecimentos políticos no século XX, deram origem a novas fronteiras na Europa. Tendo em conta a localização geográfica, os países europeus são agrupados em quatro conjuntos: Europa Mediterrânica, Europa Ocidental, Europa Oriental e Europa do Norte. 65
  • 66.
    Os países europeustêm um grande número de cidades, destacando-se as que são capitais, por aí se localizarem, geralmente, as principais instituições políticas, económicas e sociais. A Segunda Guerra Mundial deixou a Europa muito destruída. Assim, alguns países europeus constituíram organizações essencialmente económicas de entreajuda com destaque para a Comunidade Económica Europeia (CEE). A Comunidade Económica Europeia (CEE) nasceu a 25 de Março de 1957 com a assinatura do Tratado de Roma, por seis países: França, República Federal Alemã, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. Em 1993, com o Tratado de Maastricht, a CEE adopta a designação de União Europeia (EU). 66
  • 67.
    O funcionamento daEU é assegurado por cinco instituições: o Conselho de Ministros, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu o Tribunal Europeu de Justiça e o Tribunal de Contas. Para além destas instituições, existem dois órgãos comunitários de natureza consultiva: o Comité Económico e Social e o Comité das Regiões. No domínio da política económica e monetária, o Banco Central Europeu (BCE) desempenha um papel importante. PATOLOGIAS A minha mãe foi para mim um exemplo do que é lutar pela vida ao não se deixar vencer facilmente pelas adversidades. O agente causador da sua doença sarcoidose era desconhecido, assim como os seus sintomas e formas de tratamento. Sabia-se que afectava principalmente o sistema respiratório. Devido à raridade e ao pouco conhecimento científico sobre a doença não era possível especificar as suas variáveis ou fazer diagnósticos precisos sobre a patologia. Os médicos afirmavam que a sarcoidose era considerada uma doença rara em Portugal, mas mais frequente nos países africanos, onde predominam pessoas de raça negra. Os tratamentos para a sarcoidose eram, essencialmente, à base de cortisona, substância que a deixava muito debilitada e sem grande esperança de cura. Perante a situação, a minha mãe resolveu recorrer às medicinas alternativas. Numa primeira fase a minha mãe foi a consultas de homeopatia e fez massagens na Ervanária de 67
  • 68.
    Ermesinde, conjuntamente coma medicação de origem química, prescrita no hospital e a medicação da ervanária, de origem natural, receitada pelo Dr. Álvaro. Mais tarde, começou a frequentar as consultas do Dr. Álvaro, em Viseu, onde existia, para além do consultório, um laboratório de medicamentos naturais. Lentamente, a minha mãe abandonou a medicação tradicional, de origem química, e passou a tomar apenas a medicação natural. Actualmente, posso afirmar que a medicina natural mudou a qualidade de vida da minha mãe, apesar de não a ter curado, porque a sarcoidose é uma doença que não tem cura. Contudo, desde 1992, a minha mãe não é hospitalizada, devido aos medicamentos naturais. Hoje em dia, é acompanhada pelo Dr. Álvaro que, entretanto, abriu um consultório em Braga, onde nos deslocamos mensalmente para consultas de rotina, massagens e comprar medicamentos, ervas e chás. MEDICAMENTOS Ao longo dos anos, e na tentativa de obtenção da cura da doença que tem afectado a vida da minha mãe, directa ou indirectamente, tive que recorrer às medicinas convencionais e alternativas ganhando dessa forma um maior conhecimento de várias doenças e vírus bem como as suas terapias, tratamentos e medicamentos. 68
  • 69.
    Um medicamento é um produto utilizado para tratar os fenómenos patológicos do homem e do animal. O medicamento pode curar, aliviar, ou prevenir as doenças. Um medicamento pode substituir as substâncias ou os líquidos produzidos pelo organismo ou neutralizar os germes, parasitas ou outros agentes patogénicos. São várias as formas de administração: sólida, semi-sólida, líquida ou gasosa. As formas sólidas podem ser comprimidos, drageias, cápsulas, pós e supositórios. Nas formas semi-sólidas figuram as pomadas, pastas, cremes e gel. Os medicamentos líquidos são as tinturas, as perfusões, as gotas, as soluções em ampolas, xaropes e sprays. Na forma gasosa figuram as inalações. São vários os grupos de fármacos que podem ser utilizados com a finalidade de diminuir a dor, nomeadamente os analgésicos estupefacientes (opiáceos) e os analgésicos antipiréticos e anti- inflamatórios. Dos primeiros destacam-se a morfina e codeína e são muito potentes no alívio de todas as intensidades e origens, mas têm a capacidade de provocar dependência. São várias as doenças que evoluem com dor, febre e inflamação. Assim o grupo dos analgésicos, antipiréticos e anti- inflamatórios, têm nestas doenças o seu campo de aplicação. Um antipirético é um medicamento que previne ou reduz a febre, diminuindo a temperatura corporal que está acima do normal. Os antipiréticos mais comuns em Portugal são a aspirina e o paracetamol. 69
  • 70.
    Um antibiótico étoda a substância que interfere com a capacidade das bactérias actuarem normalmente. Pode actuar inibindo o seu crescimento ou matar as bactérias. Os antibióticos são usados para tratar infecções bacterianas, que variam desde doenças quase mortais, como a meningite, a problemas comuns como o acne e a amigdalite. No entanto, os antibióticos não servem para curar doenças causadas por vírus, tais como constipações ou gripe. O antibiótico pode agir como bactericida, quando actua eliminando as bactérias, ou, como, bacteriostático, quando interrompe a sua proliferação. Quando as bactérias desenvolvem a capacidade de se defender do efeito de um antibiótico, diz-se que adquiriram resistência aos antibióticos. Ao longo dos anos as bactérias patogénicas, as que causam doenças, tornaram-se resistentes a muitos antibióticos devido ao abuso ou uso incorrecto dos mesmos. Mesmo que uma pessoa se sinta melhor, deverá continuar a tomar o antibiótico exactamente como o médico receitou. Se não terminar o antibiótico, algumas das bactérias perigosas podem não morrer e pode voltar a ficar doente. As bactérias que estão ainda vivas poderão também tornar-se resistentes e fazer com que a infecção se torne mais difícil de tratar. Os antibióticos não são tão eficazes se não forem tomados a horas. Como os medicamentos permanecem no organismo durante um certo período de tempo, devemos tomar cada dose de acordo com 70
  • 71.
    as instruções domédico. Tomar antibióticos de forma irregular permite que as bactérias se adaptem e se multipliquem, aumentando o problema da resistência aos antibióticos. Nunca devemos tomar o resto de antibióticos guardados, quer sejam de outra pessoa ou nossos. Antibióticos específicos são eficazes no combate a bactérias específicas e é errado pensar que o antibiótico de outra pessoa irá funcionar. Os antibióticos devem sempre ser tomados até ao fim, excepto quando o médico dá instruções para parar. Qualquer resto de medicamento deve ser devolvido à farmácia. I made a phone call to a pharmacy located in Maia: Laurentino: Good Afternoon. Pharmacy: Good Afternoon. Laurentino: My name is Laurentino Barros, I live in Porto and I would like to know if your pharmacy has the medicine Aspegic. Pharmacy: Yes, we have. Laurentino: I need it as soon as possible because it is exhausted in my city. Please send it to me. Pharmacy: We can do this, but we need a fax from you with the request of the product. Laurentino: Ok, I’ll send you the fax. But tell me, how can I do the payment? Pharmacy: At the moment of the delivery you’ll pay. Laurentino: How long do I have to wait for the medicine? 71
  • 72.
    Pharmacy: Tomorrow morningyou’ll have it at home. Laurentino: Thank you, I look forward it. Estas linhas de orientação são importantes porque quando os antibióticos não são usados correctamente, as bactérias fracas são mortas, mas as mais resistentes sobrevivem e multiplicam-se. Estas bactérias resistentes podem causar infecções que são muito difíceis de tratar, o que significa que os antibióticos podem não ser tão eficazes quando são mesmo necessários PSICOFÁRMACOS O grupo dos psicofármacos engloba três grupos de medicamentos: ansiolíticos, sedativos e hipnóticos; psicodepressores e antipsicóticos; e antidepressivos. Os ansiolíticos, sedativos e hipnóticos têm como principal indicação o tratamento da ansiedade e/ou a indução ou manutenção do sono, como por exemplo: Xanax, Lexotan, Tranxene, Valium e Serenal. Os psicodepressores e antipsicóticos são usados no tratamento da esquizofrenia outras psicoses e alterações de comportamento, entre os quais o Socian e o Largactil. Os antidepressivos são medicamentos cuja acção decorre no sistema nervoso central, normalizando o estado do humor, quando se encontra deprimido, o que equivale para o doente a tristeza, a angustia, desinteresse, desmotivação, falta de energia, alterações do 72
  • 73.
    somo e doapetite, etc. Os medicamentos antidepressivos não actuam quando o estado do humor é normal, distinguindo-se dos psicoestimulantes. São exemplos de antidepressivos o Deprimil e o Prozac. A automedicação é um processo que conduz a que o doente assuma a responsabilidade de melhoria da sua saúde sem recurso à consulta médica. Esta independência do doente permite-lhe resolver situações auto-limitadas e de curta duração. A automedicação tem sido alvo de discussões na União Europeia (UE), tendo havido consenso quanto ao facto de se recomendar apenas para o alívio de sintomas, não excedendo a duração de sete dias (três para o caso de febre), requerendo atenção especial da grávida, mulheres a amamentar, bebés e crianças e ainda contra-indicada quando os sintomas forem graves, persistentes, ou quando houver suspeita de reacções adversas responsáveis pelos mesmos. A lei portuguesa define 41 situações que são passíveis de automedicação, das quais destaco: contracepção de emergência e métodos contraceptivos, dores musculares e de cabeça ligeiras e moderadas, contusões, febre, diarreia, queimaduras de primeiro grau, vómitos, hemorróidas, dores de dentes, tratamento local de varizes, feridas superficiais, irritação ocular, prisão de ventre, azia e endoparasitoses intestinais. Destaco três situações de risco de auto-medicação: 73
  • 74.
    O Efeito cumulativo,quando uma pessoa consome uma grande quantidade de um determinado remédio por muito tempo. Como por exemplo, o princípio corticóide, encontrado em anti-alérgicos. O medicamento, nesse caso, além de combater o antigene da doença, extermina também as células imunológicas, enfraquecendo o sistema de defesa do organismo; A Sobredosagem, que pode causar intoxicações graves e provocar reacções adversas; A Baixa dosagem, nos antibióticos, por exemplo, uma dosagem menor do que a necessária, em vez de destruir, aumenta a resistência das bactérias e o medicamento deixa de ter efeito. A receita médica não é obrigatória para todos os medicamentos. A obrigatoriedade da receita médica depende da classificação dos medicamentos quanto à dispensa: medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) ou medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM). Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 134/2005, de 16 de Agosto, com as alterações que lhe foram introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 238/2007, de 19 de Junho, indica quais os medicamentos não sujeitos a receita médica e que podem ser comprados sem a apresentação da receita emitida pelos médicos. Os medicamentos que só podem ser adquiridos com receita médica são-no geralmente porque podem constituir, directa ou indirectamente, um risco, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica. 74
  • 75.
    Dos medicamentos referidos, apenas os analgésicos não estupefacientes, anti-inflamatórios e antipiréticos não estão sujeitos a receita médica GENÉRICOS Um medicamento genérico é um medicamento com a mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem, e com a mesma indicação que o medicamento original, de marca. Os medicamentos genéricos têm a mesma qualidade, eficácia e segurança, mas a um preço 35% inferior ao medicamento original. O medicamento genérico é mais barato porque os fabricantes de genéricos, ao produzirem medicamentos após ter terminado o período de protecção de patente dos originais, não têm os custos inerentes à investigação e descoberta de novos medicamentos. Assim, podem vender medicamentos genéricos com a mesma qualidade mas a um preço mais baixo do que o medicamento original. Os medicamentos genéricos são identificados pela Denominação Comum Internacional (DCI) das substâncias activas, seguida do nome do titular da Autorização de Introdução no Mercado (AIM) ou de um nome de fantasia, da dosagem e da forma farmacêutica e da sigla «MG», inserida na embalagem exterior do medicamento. Os medicamentos genéricos são comparticipados com base nos mesmos escalões que os restantes medicamentos, mas têm uma comparticipação 10% superior. 75
  • 76.
    Os médicos eos farmacêuticos estão informados sobre os benefícios dos medicamentos genéricos, mas cabe-nos a nós, cidadãos, questionarmo-nos sobre a opção de adquirir um genérico. Até porque, caso exista um medicamento genérico para o tratamento do nosso problema de saúde, o resultado está assegurado através dos controlos de produção, qualidade e segurança. De facto, estou convencido de que a opção da utilização de medicamentos genéricos é a melhor escolha. COMPOSIÇÃO DOS MEDICAMENTOS Os medicamentos são compostos por substâncias activas e excipientes. O princípio activo é a substância de estrutura química definida responsável por produzir uma alteração no organismo que pode ser de origem vegetal ou animal. A investigação moderna utiliza sobretudo substâncias activas artificiais, obtidas através de síntese química, técnicas da biotecnologia ou de género genético. Os excipientes são as substâncias que existem nos medicamentos e que completam a massa ou volume especificado. Um excipiente é uma substância inactiva usada como veículo para o princípio activo, assim como para facilitar o seu fabrico, corrigir o sabor e cheiro, etc. ROTULAGEM DOS MEDICAMENTOS A informação que consta da rotulagem dos medicamentos é aprovada pelo INFARMED. Da informação que consta obrigatoriamente da embalagem, destaca-se a seguinte: o nome do 76
  • 77.
    medicamento, composição em substâncias activas, forma farmacêutica, modo e via de administração, prazo de validade, incluindo mês e ano; número do lote de fabrico; preço de venda ao público, nome e morada do responsável pela autorização de introdução no mercado, classificação do medicamento relativamente à sua dispensa, prazo de utilização após reconstituição do medicamento ou abertura do recipiente, pela primeira vez, se for caso disso, precauções particulares de conservação e destruição, quando for caso disso. A Aspirina 500 da Bayer contém como substância activa o ácido acetilsalicílico e apresenta-se na forma de comprimidos. Outros ingredientes são a celulose e o amido de milho. O ácido acetilsalicílico é um éster acetilado do ácido salicílico. Os cristais são alargados, de sabor ligeiramente amargo e de cor esbranquiçada. Cada comprimido de Aspirina 500 mg contém como substância activa 500 mg de ácido acetilsalicílico. A aspirina 500 mg encontra-se disponível em embalagens de 20 comprimidos. O ácido acetilsalicílico pertence a um grupo de substâncias conhecidas como anti- inflamatórios não-esteróides, eficazes no alívio sintomático de dores e febre. Fórmula: CH 3 COO (C6H4) COOH 77
  • 78.
    A Aspirina tambémestá disponível, noutras dosagens, por exemplo 1000 mg. Assim como a sua substância activa (ácido acetilsalicílico), se encontra em diversos medicamentos, entre os quais os genéricos. Para reconhecer a equivalência entre dois medicamentos é necessário que estes possuam o mesmo princípio activo, a mesma forma farmacêutica, a mesma dosagem e para os quais tenham sido realizados testes de bioequivalência. Este é o caso dos genéricos OS VÍRUS Os vírus são seres que não possuem células, são constituídos por ácido nucléico que pode ser o DNA ou o RNA, envolvido por um invólucro proteico denominado capsídeo. Possuem cerca de 0,1µm de diâmetro, com dimensões apenas observáveis ao microscópio electrónico. Por serem tão pequenos conseguem invadir células, inclusive a de organismos unicelulares, como as bactérias. É parasitando células de outros organismos que os vírus conseguem reproduzir-se. Como são parasitas obrigatórios eles causam nos seres parasitados doenças designadas por viroses. Os vírus apresentam formas muito diferentes, mas todos possuem uma cápsula feita de proteína, onde se localiza o material genético que sofre modificações, ou seja, mutações com frequência levando ao aparecimento de outras variedades de um mesmo vírus. Este fenómeno dificulta o seu combate e compromete a eficiência de várias vacinas, que são preparadas para combater tipos específicos 78
  • 79.
    de microrganismo. Acapacidade de sofrer mutações genéticas é uma das características que os vírus têm em comum com os seres vivos. Diferentes formas dos capsídeos dos vírus. Esquema do Vírus Os vírus não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua multiplicação. Alguns vírus possuem enzimas. Por exemplo, o HIV tem a enzima Transcriptase reversa que faz com que o processo de Transcrição reversa seja realizado (formação de DNA a partir do RNA viral). O vírus da imunodeficiência adquirida (VIH) destrói as células imunitárias do corpo, expondo o indivíduo ao que se chama as 79
  • 80.
    doenças oportunistas. Ovírus evolui rapidamente para destruir as defesas imunitárias do indivíduo, o que implica que uma eventual vacina terá de adoptar-se ao perfil instável do vírus da SIDA. Os médicos sabem que a progressão da doença se faz a ritmos muito diferentes segundo os indivíduos, em função das capacidades dos variantes dos genes HLA (antigenes dos leucócitos humanos) a combater a doença. O vírus é susceptível de mudar quando enfrenta variantes mais eficazes contra ele. As variantes do gene HLA diferem com frequência de uma região do mundo para a outra, levando a mutações diferentes do vírus. Segundo alguns cientistas, assim que for encontrada uma vacina eficaz para a SIDA, será preciso mudá-la com regularidade para que responda a um vírus em evolução, como acontece para a vacina da gripe. TERAPÊUTICAS ALTERNATIVAS A minha experiência de vida na área das medicinas, sejam elas, tradicionais ou alternativas, fez-me ter a percepção das suas vantagens e desvantagens. Como vantagens da toma dos medicamentos naturais identifico, a elevada eficácia, o reduzido número de contra-indicações, a possibilidade de serem administrados em qualquer tipo de doente e a existência de várias formas de administração, das quais destaco a via oral, através da qual podem ser ingeridos comprimidos e xaropes. 80
  • 81.
    A grande desvantagemdos medicamentos naturais reside no facto de não serem reconhecidos e, logo, não serem comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), ficando mais caros para os doentes. Para além desta, também existe outra desvantagem, a do seu efeito ser mais demorado. Actualmente, cada vez mais, as pessoas procuram tratar os seus problemas de saúde recorrendo às terapêuticas alternativas, como é o caso da aquaterapia, aromaterapia e acupunctura. What is acupuncture? The 5.000-year-old Chinese art of acupuncture involves the stimulation of specific points on the body by a variety of techniques- usually hair-thin metallic needles-to treat or prevent illness. In 1997, after looking at thousands of studies and interviewing leading researchers, a panel of experts convened by the National Institutes of Health concluded that acupuncture is an effective treatment for nausea and vomiting caused by chemotherapy, surgery in adults and post-operative dental pain. Getting needled, the panel said, can also be helpful in combination with other therapies in the treatment of addictions, stroke rehabilitation, headaches, menstrual cramps, tennis elbow, fibromyalgia, myofascial pain, osteoarthritis, low-back pain , carpal tunnel syndrome, and asthma. In:www.cafeterra.info/2008 Osteopathy 81
  • 82.
    Osteopathy is anon-invasive, safe and effective hands-on therapeutic discipline. Osteopathy is a complete system of assessment, treatment and integration of all the bodies systems and tissues. Osteopathy is based on a detailed study of human anatomy, physiology and biomechanics. Osteopaths use a refined sense of touch (palpation) and a ‘gentle, deep pressure’ to diagnose, treat and integrate tissue dysfunction. Osteopaths do not treat symptoms of dysfunction (i.e. pain), but rather, they treat the primary source or cause of that dysfunction. Osteopaths are trained to treat all the tissues/systems of the body (e.g. musculoskeletal, craniosacral, visceral, fascial, arterial, and nervous). The purpose of an osteopathic treatment is to identify, restore, maintain and improve the natural harmonious working of all the body tissues/systems. In: www.satoriwellness.com 82
  • 83.
    In: www.setupmy.com Penso que o Governo e a Assembleia da República deveriam alterar as leis, no sentido de serem incluídas no SNS as terapêuticas naturais, pois cada vez mais os cidadãos recorrem a estas práticas, tanto para tratamentos de beleza, como para tratamento de doenças e dores que lhes estão associadas. 83
  • 84.
    DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS A vida nocturna é propícia à transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DST) também conhecidas por doenças venéreas, porque são transmitidas através de relações sexuais, mas também podem ser transmitidas através de objectos que transportam os agentes causadores destas doenças, principalmente através de contacto com sangue. Estas doenças podem ser detectáveis e tratadas, mas quando são detectadas demasiada tarde, podem tornar-se bastante graves e até podem causar a morte. O número de doentes com DST tem aumentado em todo o Mundo, tornando as doenças venéreas, uma praga social. Das DST, a VIH/SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) assume uma principal importância, pois afecta milhões de pessoas em todo o mundo. O aparecimento de novos casos de infectados com o vírus da imunodeficiência adquirida (VIH) teve o seu pico nos últimos anos da década de 90. Nesta época, surgiram três milhões de novas infecções por ano. Em 2007, o número de novos casos desceu para 2.5 milhões, significando 6800 contágios por dia, o que reflecte uma tendência natural da epidemia, assim como o resultado dos esforços de prevenção realizados. O número de pessoas que morrem de SIDA diminuiu nos últimos três anos. A SIDA é uma das principais causas de morte no mundo e a principal em África. 84
  • 85.
    A África éo continente mais pobre do mundo, é o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia), tem mais de 800 milhões de habitantes, distribuídos em 54 países, representando cerca de um sétimo da população do mundo e é o terceiro continente mais extenso, atrás da Ásia e das Américas, onde estão quase dois terços dos portadores do vírus HIV da Terra. A continuidade das guerras, o avanço de epidemias e o crescimento da miséria põem em causa o seu desenvolvimento. O principal bloco económico é o SADC (Southern African Development Community), formado por 14 países. O atraso económico, a ausência de uma sociedade de consumo em larga escala, a falta de informação, a higiene precária, etc., colocam o mercado africano em segundo plano no mundo globalizado. Cerca de 260 dos 783 milhões de habitantes da África vivem com menos de 1 dólar ao dia, abaixo do nível da pobreza definido pelo Banco Mundial. A idade média da população era de 18,3 anos, em 1998. Em 2007, existiam no mundo 33.2 milhões de pessoas infectadas com o VIH, em que 15.4 milhões eram mulheres, 2.5 milhões eram crianças com menos de 15 anos de idade; foram infectadas 2.5 milhões de novas pessoas e morreram da doença 2.1 milhões em todo o mundo. Apesar da taxa de novos casos e da mortalidade provocada pela doença estar a diminuir, as estimativas apontam para o aparecimento de 6800 novos casos por dia e cerca de 5700 mortes. Desde 2001, o número de pessoas a viver com o vírus na Europa de Leste e Ásia Central aumentou mais de 150 por cento, de 630 mil 85
  • 86.
    para 1.6 milhõesde casos em 2007. Na Ásia, estima-se que o número de infectados no Vietname tenha duplicado entre 2000 e 2005 e que a Indonésia tenha o crescimento mais rápido da epidemia. A África é o continente onde se regista o maior número de casos, mas certas zonas da Ásia apresentam as taxas de crescimento de infecções mais rápidas. O VIH é causa de morte e doença em grande crescimento, especialmente na África Sub-Sahariana, onde existem cerca de 22,5 milhões de pessoas infectados pelo VIH, mas o número de novos casos anuais (1.7 milhões) é menor do que os registados nos anos anteriores. Na Ásia, existem 4,9 milhões de pessoas infectadas pelo VIH e no Vietname, o número de casos duplicou desde 2000. Os dados mostram que em 2007, foram infectadas 2.5 milhões de pessoas, um valor abaixo do ponto alto registado no final dos anos 90, onde se registavam cerca de três milhões de novas infecções por ano. A diminuição do número de mortes anuais para 2.1 milhões deve-se ao maior acesso a medicamentos anti-retrovirais e tratamentos. A UNAids (Joint United Nations Programme on HIV/AIDS) diz que os casos passaram de 39,5 milhões, em 2006, para 33,2 milhões, em 2007. Cerca de 68 por cento dos infectados pelo vírus encontram-se na África Sub-Sahariana. No entanto, o número de novos casos tem vindo a diminuir. Actualmente são 22.5 milhões de pessoas a viverem com VIH/SIDA nesta zona. Apenas oito países desta região contabilizam um terço das novas infecções e mortes por SIDA no 86
  • 87.
    mundo. Na Suazilândia,por exemplo, 33.4 por cento da população entre os 15 e os 49 anos está infectada. No Botswana, são quase 25 por cento da população, no Lesoto cerca de 23 por cento e no Zimbabué 20 por cento da população. Na Europa Ocidental e Central e na América do Norte a maioria das infecções pelo VIH foram adquiridas por via homossexual ou pelo uso de drogas injectáveis, mas nos últimos anos uma proporção cada vez maior das infecções é adquirida através de contacto heterossexual sem utilização de preservativo. A União Europeia (UE) tem 27 estados membros, é a maior e mais importante entidade política, económica e cultural do mundo, e é também, a maior economia mundial, ultrapassando os Estados Unidos. Contudo, apesar da maior parte da Europa incluir-se no mundo desenvolvido, o diagnóstico de infecções adquiridas por via heterossexual aumentou em 122% entre 1997 e 2002. Uma grande percentagem destes novos diagnósticos é efectuada em pessoas oriundas de países com grande incidência da infecção, principalmente países da África Sub-Sahariana. O diagnóstico de novas infecções em homossexuais do sexo masculino aumentou em 22% na Europa Ocidental entre 2001 e 2002. 5075 em 2004). No entanto, na Bélgica, Dinamarca, Portugal e Suíça houve um ligeiro, e na Alemanha um significativo, aumento. Embora o uso de drogas injectáveis seja responsável por um número decrescente de novas infecções na maioria dos países da Europa Ocidental, permanece um factor epidemiológico importante em países como Itália, Portugal e Espanha e em algumas cidades de outros países. Apesar desse fenómeno, em Portugal o número de novas infecções em toxicodependentes 87
  • 88.
    diminuiu de 2400,em 2000 para 1000, em 2004. Em Portugal cerca de 50% dos casos diagnosticados em 2002 foi em toxicodependentes, mais de 40% dos casos registados tiveram origem em indivíduos heterossexuais com comportamento de risco. Em 2007, depois da Estónia, Portugal foi o país com a maior taxa de número de novos casos de VIH por habitante dentro da União Europeia, foram diagnosticados 205 novos casos por cada milhão de habitantes, valor só ultrapassado pela Estónia, onde ocorreram 504,2 novas infecções em cada milhão de habitantes. Em terceiro lugar, encontrava-se o Reino Unido (148,8 por milhão) e, em quarto lugar, a Letónia (130.3 por milhão). A média europeia, em 2007, era de 67 novos casos por cada milhão de habitantes. O número de casos de VIH na Europa e partes da Ásia quase que duplicou nos últimos seis anos. Continua a verificar-se um aumento da proporção de mulheres infectadas. O crescente impacto da epidemia nas mulheres também é aparente no Sul e Sudeste asiático, onde existem quase dois milhões de mulheres infectadas, assim como na Europa de Leste e na Ásia Central. A maioria das mulheres no Mundo é infectada devido ao comportamento de risco do seu parceiro sexual, sobre o qual têm pouco ou nenhum controlo. Uma das principais causas de transmissão de doenças venéreas é o aumento da promiscuidade sexual, na sequência de várias alterações sociais, tais como a intensidade das migrações, o que favorece relações sexuais ocasionais; a eficiência dos meios terapêuticos actuais que diminuiu o receio 88
  • 89.
    de contágio; umamaior tolerância na área sexual; a utilização de novos métodos contraceptivos e o aumento no uso de drogas, incluindo o álcool. Todas as pessoas atingidas por estas doenças, devem evitar a contaminação de outras pessoas. No entanto, todos nós temos que estar conscientes dos riscos que corremos ao termos um comportamento de risco, que nos pode levar à morte. As DST são, por definição, doenças infecciosas transmitidas durante a actividade sexual ou por contacto genital (a pessoa que sofre destas doenças contagia a pessoa com quem mantém relações). Os agentes causadores destas doenças, chamados agentes infecciosos, são, geralmente, bactérias e vírus, que podem não afectar apenas as vias genitais, mas também outros órgãos do corpo. Actualmente, existem cerca de 30 doenças sexualmente transmissíveis de difícil controlo, algumas delas causando danos irreparáveis no organismo. 89
  • 90.
    DST Agente Sintomas Transmissão Prognóstico G o n o rr e i a N e i s se ri a g o n o rr h o e a e I n f l a ma çã o do colo do C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a E s te ri l i d a d e e (b a c té ri a ) ú te ro , t ra n s to rn o s i n t e r i o r, to a l h a s . i n fl a m a ç ã o d a p é l v i s . m e n st ru a i s, u r e t ri te no P o ss ív e l homem, se c re çã o c e g u e i ra do recém- a ma re l a d a . n a s ci d o . S íf il is T r e p o n e ma pallidium I n i ci a l me n t e , úlceras C o n ta ct o sexual, vi a Lesões no s i s te ma (b a c té ri a ) g e n i ta i s que não cu ra m. p l a ce n t á r i a . ci rc u l a t ó r i o e n e rv o s o . P o st e r i o rm e n te , lesões na M a l fo rm a ç ã o o u m o r te p e l e e mu co sa s. d o r e c é m - n a sc i d o . U re tr it e e C h l a my d i a tr a c h o ma ti s C o rr i m e n to a ci n z e n ta d o , C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a A rt ri te s. In fe cç õ e s n o s v u lv o v a g in it (b a c té ri a ) e sp u m o s o , co m ch e i r o a i n t e r i o r, to a l h a s . o l h o s, p e l e e b o c a . e p e i x e . N o s h o me n s , d o r a o u ri n a r . H e rp e s V í ru s h o mi n i s ( ví ru s) Lesões ve si c u l a re s nos C o n ta ct o se xu a l . P o d e co n ta g i a r o f e t o . g e n i ta l ó rg ã o s g e n i ta i s e xt e r n o s. A u me n t a o risco de c a n cr o do colo do ú te ro . H e p a t it e B V á r i o s t i p o s d e v ír u s L e s õ e s h e p á ti ca s , h e p a t i t e , Sangue, e sp e r ma , P ro d u z graves ci rr o s e . se cr e ç ã o va g i n a l , vi a p ro b l e ma s no f íg a d o . plancentária, leite P o d e ca u sa r a mo rt e . ma te rn o , sa l i va . S ID A V IH (v ír u s ) A n e mi a , f e b re , p e rd a de Sangue, e s p e rm a , T r a n sm i t e - s e ao fe to . p e so , alterações se cr e ç ã o vaginal, vi a In fe cç õ e s i m u n i tá ri a s . plancentária, l e i te g e n e r a l i za d a s e m o r te . ma te rn o . Candidíase C â n d i d a a l b i ca n s (f u n g o ) P i ca d a s ao urinar, C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a Ma i s fr e q u e n t e na co mi ch ã o , f l u xo vaginal i n t e r i o r, t o a l h a s, ro u p a mu l h e r. Não tem mu i t o a b u n d a n t e . h ú mi d a . co n s e q u ê n ci a s. T ri c o mo n í a s T ri ch o m o n a va g i n a l i s A r d o r, comichão, fl u x o C o n ta ct o s e x u a l , ro u p a In fe cç ã o u r i n á ri a na e (p ro to zo á r i o ) va g i n a l a ma re l o . i n t e r i o r, to a l h a s . mu l h e r e u re tr i t e no h o me m. P e d i c u lo s e Phtirius pubis L e sõ e s n a p e l e , p i ca d e l a s F a l ta de higiene, Sem consequências se p ú b l ic a (a rt ró p o d e ) n a zo n a p ú b i ca . l e n çó i s, to a l h a s , d e sp a ra si ta r a p e l e e (chatos) co n t a c to s e x u a l . d e si n fe ct a r a ro u p a e m á g u a f e r ve n t e . Os primeiros sintomas das DST podem passar despercebidos, podendo mesmo existir portadores saudáveis, ou seja, pessoas que podem transmitir a doença sem que esta se tenha manifestado nelas. Com o tempo, a infecção alastrar-se-á a várias partes do 90
  • 91.
    organismo.As DST podemter consequências graves e permanentes, especialmente nas mulheres e nos recém-nascidos (como esterilidade e cegueira), e afectar repetidamente a mesma pessoa por não existirem vacinas. No entanto, existem tratamentos eficazes e quase todas as DST podem ser curadas. Para isso, é necessário um diagnóstico precoce, medicação específica contra os agentes infecciosos e um correcto tratamento até à cura total.Apesar de tudo, nos últimos anos tem-se verificado uma expansão das DST, em grande parte devido a uma mentalidade cada vez mais aberta relativamente à sexualidade. Actualmente já não se pode falar em grupos de risco, mas sim em comportamentos de risco. O risco de contrair estas doenças não obriga à abstinência sexual, mas sim à prática de sexo seguro, através do uso do preservativo e da fidelidade ao/do parceiro sexual. É muito importante não esquecer que o preservativo é o único método contraceptivo eficaz na preservação das DST, uma vez que representa uma barreira que impede que o sangue, o sémen ou o fluido vaginal entrem em contacto; é o único método recomendado para relações sexuais que ocorram em ambientes de “lazer”, locais onde, por vezes, ocorrem com pessoas que não conhecemos o suficiente. Contudo, deve dar-se importância à fidelidade do parceiro sexual, à higiene de todo o corpo e, em particular, dos órgãos genitais, além das idas regulares ao médico de família. Mas é importante que fique claro que nunca se conhece completamente uma pessoa, seguro é prevenir sempre. 91
  • 92.
    Relativamente à hepatiteB e à SIDA, não se deve partilhar, seja com quem for, mesmo que sejam pessoas da mesma família, objectos pessoais de higiene, tais como escovas de dentes, lâminas de barbear e outros objectos cortantes. A prevenção da hepatite B inclui também uma vacina.A transmissão das DST pode estar relacionada com ocorrências no ambiente de trabalho, por exemplo o caso dos profissionais da saúde que estão de alguma forma expostos aos fluidos de pacientes infectados. Os profissionais que sofrem um acidente do trabalho, expostos ao sangue e a outros fluidos de pacientes potencialmente contaminados devem ser tratados como casos de emergência médica, uma vez que para maior eficácia, as medidas e os tratamentos profilácticos da infecção, de algumas DST, necessitam ser iniciados logo após a ocorrência do acidente. Contudo, como medida de prevenção, os profissionais da área da saúde, uma área de algum modo exposta aos riscos, devem usar luvas, máscaras, etc. As restante áreas de trabalho não são muito propensas à transmissão de DST, considerando que as formas de transmissão destas doenças ocorre por via sexual ou por contacto com sangue contaminado e não é por nós convivermos em ambiente de trabalho, por exemplo com pessoas portadoras de VIH que ficamos infectados; para que isso aconteça é necessários que tenhamos algum tipo de comportamento de risco. As doenças emergentes têm sido definidas como aquelas cuja incidência nos seres humanos tem aumentado nas últimas décadas, são aquelas que não tinham significado no passado e num determinado momento surgem como 92
  • 93.
    novas, são causadaspor agentes etiológicos desconhecidos. A SIDA, por exemplo, mostra bem a definição, o vírus VIH quando foi identificado, era diferente de tudo o que já se tinha visto. Outro exemplo recente de doença emergente é a gripe aviária por mutação do vírus H5N1; também a transmissão interpessoal das febres hemorrágicas virais, como os casos recentes das febres Marburg e Ébola, em África, apresentam grande potencial epidémico. As doenças reemergentes são aquelas que devido ao seu reaparecimento ou, ao aumento do número de infecções por uma doença já conhecida, volta a ser considerada um problema de saúde pública. Entre as chamadas doenças reemergentes, há conhecimento de um recente surto de poliomielite em cerca de quinze países de África e Médio Oriente, por falhas nas coberturas vacinais; a epidemia de cólera que, nos últimos quarenta anos, afectou mais de 75 países e que causou, nos últimos dois anos, só em Angola, cerca de cinquenta mil casos e duas mil mortes. Actualmente, a sífilis é considerada uma doença reemergente, devido ao grande aumento da sua incidência nos países em desenvolvimento, enquanto nos países desenvolvidos é actualmente considerada epidemiologicamente estável. A sífilis foi descrita pela primeira vez há aproximadamente 500 anos. Durante estes séculos sua importância foi destacada não só pela alta incidência como pelo aparecimento de formas graves, malformações produzidas nos recém- nascidos e a sua grande mortalidade. 93
  • 94.
    O conceito detransmissão sexual apareceu por volta de 1850. Nesta época, a sua disseminação dava-se quase que exclusivamente em locais onde o sexo era usado como moeda de troca. Foi atribuído à promiscuidade o maior número de contaminados. Com a descoberta da penicilina, o tratamento da sífilis levou a uma grande diminuição da incidência. Na década de 60 do século XX chegou-se a prever a sua erradicação até o final dos anos 80. Entretanto, a partir de 1986, nos Estados Unidos da América (EUA), observou-se um aumento na incidência de sífilis em mulheres na idade fértil e, portanto, um aumento dos casos de sífilis congénita. Este facto foi atribuído a problemas sociais como a pobreza e a promiscuidade, uso de drogas e pelo facto do sexo se ter tornado moeda de troca dos viciados em crack e cocaína, para conseguirem a droga. Com a adopção de medidas de controle epidemiológico, as mesmas usadas no controle da SIDA, hepatite B e outras, a incidência já estava estabilizada na América do Norte em 1995. As causas mais comuns de emergência e reemergência de doenças infecciosas são: o crescente número de pessoas vivendo e deslocando-se pelo mundo; as rápidas e intensas viagens internacionais; a superpopulação em cidades com precárias condições sanitárias; o aumento da exposição humana a vectores (seres vivos capazes de transmitirem de forma activa ou passiva um agente infeccioso, que pode ser um parasita, bactéria ou vírus) e reservas naturais; as alterações ambientais e mudanças climáticas. 94
  • 95.
    A partir de2002, o número global anual de novas infecções em homossexuais do sexo masculino na Europa Ocidental diminuiu ligeiramente (de 5453 em 2002 para 5075 em 2004). No entanto, na Bélgica, Dinamarca, Portugal e Suíça houve um aumento ligeiro, e na Alemanha um significativo, aumento. AGRICULTURA Apesar de não ser um agricultor profissional tenho tido sempre procurado a melhor informação sobre a evolução das novas técnicas e práticas bem como as alternativas agrícolas. A passagem da técnica da recolha itinerante de alimentos para eliminar as necessidades alimentares, para a técnica do cultivo provocou grandes alterações no modo de vida das pessoas e dos campos agrícolas. A agricultura actua sobre o meio e permite a obtenção de recursos de natureza diversa, entre os quais os alimentares. A prática agrícola levada a cabo há milhares de anos pelo homem em proveito próprio, pode ser feita de forma mais ou menos intensiva, com maior ou menor respeito pelos equilíbrios naturais, com maior ou menor grau de protecção e melhoria do meio e da qualidade de vida. Durante muito tempo, as técnicas utilizadas respeitaram o solo, a fertilidade, a diversidade e a qualidade das produções, seleccionando e/ou domesticando variedades e raças. Devido às novas tecnologias, que surgiram principalmente no início do século XX, conseguiram-se produções muito elevadas, em que se utilizaram 95
  • 96.
    todos os tiposde recursos disponíveis, sem limitações nos impactos negativos, algumas vezes irreversíveis ou de difícil recuperação, isto é, a agricultura desenvolveu-se de uma forma não sustentável. Com o objectivo de contrariar esta forma de produção agrícola, surgiu uma forma de agricultura alternativa, cujo principal objectivo é a aproximação da agronomia à ecologia, recuperando técnicas e práticas tradicionais, mas sem deixar de parte a utilização de algumas das novas tecnologias. Depois de muitas décadas de intensificação agrícola, com importantes prejuízos ambientais, a agricultura biológica tenta ser uma aproximação da agricultura à ecologia recuperando técnicas tradicionais. Os produtos de agricultura biológica são produzidos sem o recurso a pesticidas, ingredientes artificiais e conservantes, agro- químicos sintéticos, irradiação, etc., sendo por esse motivo mais saborosos e saudáveis. A agricultura biológica é um modo de produção certificado e, que de acordo com o regulamento 2092/91, da União Europeia, que não utiliza aditivos prejudiciais à saúde e evita os pesticidas. Este método de produção agrícola é cientificamente testado, respeita o equilíbrio entre o homem, o solo, as plantas e os animais, contribuindo para a sustentabilidade do ecossistema.No solo fértil e saudável, são produzidos alimentos de elevada qualidade, que proporcionam uma melhor qualidade de vida a quem os consome. 96
  • 97.
    A agricultura biológicaé um sistema de produção que visa a manutenção da produtividade do solo e da cultura, para proporcionar nutrientes às plantas e controlar as infestantes, parasitas e doenças, com utilização preferencial de rotações de culturas, adição de sub- produtos agrícolas, estrumes, leguminosas, detritos orgânicos, rochas ou minerais triturados e controlo biológico de pragas, evitando-se assim o uso de fertilizantes e pesticidas de síntese química, reguladores de crescimento e aditivos nas rações. A agricultura biológica baseia-se numa série de objectivos e princípios, assim como em práticas comuns desenvolvidas para minimizar o impacto humano sobre o ambiente e assegurar que o sistema agrícola funciona da forma mais natural possível. As práticas tipicamente usadas em agricultura biológica incluem: rotação de culturas, como um pré-requisito para o uso eficiente dos recursos locais; limites muito restritos ao uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos, de antibióticos, aditivos alimentares e auxiliares tecnológicos, e outro tipo de produtos; proibição absoluta do uso de organismos geneticamente modificados; aproveitamento dos recursos locais, tais como o uso do estrume animal como fertilizante ou alimentar os animais com produtos da própria exploração; escolha de espécies vegetais e animais resistentes a doenças e adaptadas às condições locais; criação de animais em liberdade e ao ar livre, fornecendo-lhes alimentos produzidos segundo o modo de produção biológico; utilização de práticas de produção animal apropriadas a cada espécie. 97
  • 98.
    Mas a agriculturabiológica também faz parte duma cadeia de abastecimento maior, que engloba os sectores de transformação, distribuição e revenda, e por último, o próprio consumidor. Cada elemento desta cadeia desempenha um papel importante na geração de benefícios através dum vasto leque de áreas, incluindo a protecção ambiental, bem-estar animal, confiança do consumidor, sociedade e economia. A crescente procura do consumidor por alimentos de agricultura biológica originou muitas oportunidades em todos os sectores da cadeia de abastecimento de alimentos, com um aumento no desenvolvimento económico e social de muitas áreas rurais da União Europeia. Além de oferecer maior segurança financeira aos agricultores, transformadores, distribuidores e revendedores de produtos biológicos, os benefícios económicos desta tendência acabam inevitavelmente por se introduzir noutros negócios rurais e na comunidade rural em geral, directa e indirectamente. A natureza da agricultura biológica é propícia à criação de novos postos de trabalho, a populações rurais mais alargadas e a prosperidade rural. Os factores que contribuem para isto incluem: as explorações de agricultura biológica tendem a ser de menores dimensões e mais diversificadas do que as explorações de agricultura não biológica que, por comparação, têm tendência para serem, em geral, maiores e geridas de forma mais intensiva; a maior necessidade de mão-de-obra frequentemente gerada pela restrição de factores de produção e ênfase nos métodos de produção físicos e 98
  • 99.
    mecânicos; a elevadacompatibilidade das explorações agrícolas biológicas com empreendimentos rurais e de ecoturismo; novas áreas de investigação (protecção de plantas, bem-estar animal, recursos renováveis) para os cientistas. Os agricultores biológicos são mais beneficiados em questões de saúde, por não terem que trabalhar com produtos químicos, normalmente utilizados na agricultura. A agricultura biológica origina paisagens naturais mais atractivas, uma vez que são plantadas sebes e prados, preserva a flora e a fauna nativas, protege e melhora o solo e os recursos hídricos e utiliza espécies animais e vegetais e recursos autóctones. O conjunto destas práticas aumenta a atractividade global das áreas rurais, tornando-as mais capazes de fixar habitantes, num momento em que as populações rurais estão a diminuir. A agricultura biológica também contribui para um maior envolvimento das comunidades rurais na cadeia de abastecimento. Os membros da cadeia de abastecimento estão mais envolvidos. A agricultura biológica tem crescido exponencialmente ao longo dos últimos anos, sendo praticada em mais de 120 países. A área cultivada mundialmente em agricultura biológica é de cerca de 31 milhões de hectares. Acrescem 62 milhões de hectares de recolha de plantas silvestres, que são certificadas em agricultura biológica. As plantas necessitam de diversos elementos químicos, no entanto, alguns desses elementos estão disponíveis no meio ambiente e são assimiláveis pelas plantas, como, por exemplo, o 99
  • 100.
    carbono, hidrogénio eoxigénio. Outros como nitrogénio (azoto), apesar de existir em abundância na atmosfera, não são directamente absorvidos pelas plantas, ou o processo de absorção é muito lento face à necessidades de produção. O CICLO DO AZOTO O ciclo do nitrogénio ou ciclo do azoto é o processo pelo qual o nitrogénio ou azoto circula através das plantas e do solo pela acção de organismos vivos. O ciclo do azoto é um dos ciclos mais importantes nos ecossistemas terrestres. O nitrogénio é usado pelos seres vivos para a produção de moléculas complexas necessárias ao seu desenvolvimento, tais como aminoácidos, proteínas e ácidos nucleicos. 100
  • 101.
    O principal repositóriode nitrogénio é a atmosfera (78% é composta por nitrogénio), no estado gasoso (N 2 ). Outros repositórios consistem em matéria orgânica nos solos e oceanos. Apesar de extremamente abundante na atmosfera o nitrogénio é frequentemente o nutriente limitante do crescimento das plantas. Isto acontece, porque as plantas apenas conseguem usar o nitrogénio sob duas formas sólidas: ião de amónio (NH 4 + ) e ião de nitrato (NO 3 - ), cuja existência não é tão abundante. Estes compostos são obtidos através de vários processos tais como a fixação e nitrificação. A maioria das plantas obtém o nitrogénio necessário ao seu crescimento através do nitrato, uma vez que o ião de amónio lhes é tóxico em grandes concentrações. Os animais recebem o nitrogénio que necessitam através das plantas e de outra matéria orgânica, tal como outros animais (vivos ou mortos). As etapas do ciclo do azoto são: Fixação - A fixação é o processo através do qual o azoto é capturado da atmosfera em estado gasoso (N 2 ) e convertido em formas úteis para outros processos químicos, tais como amoníaco (NH 3 ), nitrato (NO 3 - ) e nitrito (NO 2 - ). Esta conversão pode ocorrer através de vários processos, os quais são descritos nas secções seguintes. Assimilação - Os nitratos formados pelo processo de nitrificação são absorvidos pelas plantas e transformados em compostos carbonados para produzir aminoácidos e outros compostos orgânicos de nitrogénio. A incorporação do nitrogénio em compostos orgânicos 101
  • 102.
    ocorre em grandeparte nas células jovens em crescimento das raízes. Mineralização - Através da mineralização (ou decomposição) a matéria orgânica morta é transformada no ião de amónio (NH 4 + ) por intermédio de bactérias aeróbicas , anaeróbicas e alguns fungos. Nitrificação - A oxidação do amoníaco, conhecida como nitrificação, é um processo que produz nitratos a partir do amoníaco (NH3). Este processo é levado a cabo por bactérias (bactérias nitrificantes) em dois passos: numa primeira fase o amoníaco é convertido em nitritos (NO2-) e numa segunda fase (através de outro tipo de bactérias nitrificantes) os nitritos são convertidos em nitratos (NO3-) prontos a ser assimilados pelas plantas. Desnitrificação - A desnitrificação é o processo pelo qual o azoto volta à atmosfera sob a forma de gás quase inerte (N2). Este processo ocorre através de algumas espécies de bactérias em ambiente anaeróbico. Estas bactérias utilizam nitratos alternativamente ao oxigénio como forma de respiração e libertam azoto em estado gasoso (N2). Eutrofização - corresponde a alterações de um corpo de água como resultado de adição de azoto ou fósforo. Os compostos de azoto existentes no solo são transportados através dos cursos de água, aumentando a concentração nos depósitos de água, o que pode fazer com que estes sejam sobre-populados por certas espécies de algas podendo ser nocivo para o ecossistema envolvente. 102
  • 103.
    Aos elementos necessáriose que são normalmente adicionados pelos agricultores às suas plantações para eliminar essas faltas e aumentar a produtividade, chama-se fertilizante ou adubo . Podem ser aplicados através das folhas mediante pulverização manual ou mecânica, chamada de adubação foliar, via irrigação ou através do solo. Os fertilizantes, não obstante o seu mérito na agricultura, podem causar poluição dos solos e dos cursos de água. Existem dois tipos de adubos ou fertilizantes, nomeadamente: Adubos minerais - são extraídos de minas e transformados em indústrias químicas. São directamente assimilados pelas plantas ou sofrem apenas pequenas transformações no solo para serem absorvidos. Podem conter apenas um elemento ou mais de um. Os principais elementos fertilizantes são: nitrogénio, fósforo e potássio. Adubos orgânicos - são resíduos animais ou vegetais, sendo de acção mais lenta que os minerais, visto que necessitam transformações maiores antes de serem utilizados pelos vegetais. Promove o desenvolvimento da flora microbiana e por consequência melhoram as condições físicas do solo; assim, a presença de matéria orgânica acelera a actuação dos adubos químicos. O herbicida é um produto químico utilizado na agricultura para o controle das ervas daninhas. Os herbicidas são um tipo de pesticida. Algumas das vantagens da utilização deste produto é a sua rapidez de acção, o custo reduzido, etc. Os problemas que surgem da utilização dos herbicidas são a contaminação ambiental e o 103
  • 104.
    aparecimento de ervasresistentes. Todos os herbicidas são tóxicos para os seres humanos em alguma medida e também existem herbicidas naturais. Os herbicidas podem ser agrupados por actividade, uso, modo de acção, grupo químico ou tipo de vegetação controlada. O fungicida é um pesticida que destrói ou inibe a acção dos fungos que habitualmente atacam as plantas. A utilização de fungicidas sintéticos é muito comum na agricultura convencional, e representa um grave risco para o homem e o meio ambiente, por se tratar de um produto muito tóxico e perigoso. Para além de produtos químicos, na agricultura também são utilizadas diversas máquinas que contribuem para uma maior produção e para aliviar o trabalho dos agricultores, como por exemplo: O arado é um instrumento que serve para lavrar os campos, revirando a terra com o objectivo de descompactá-la e facilitar o desenvolvimento das raízes das plantas. O arado pode ser de tracção animal, para pequenas áreas; ou por tracção motorizada, quando se utiliza o tractor. O tractor é um tipo de máquina que exerce tracção. Possibilita a execução de trabalho produtivo com conforto ao operador, multiplicando a força humana. É normalmente projectado para arrastar vários tipos de alfaias ou implementos de uso específico, um mesmo tractor com diferentes implementos possibilita diversos tipos de aplicações. 104
  • 105.
    A enfardadeira éuma máquina de uso agrícola que permitem recolher e enfardar o feno ou a forragem no campo, para posterior aproveitamento como alimento de animais em época de seca ou Inverno. Produzem os tradicionais fardos em forma de paralelepípedos, ou os modernos fardos cilíndricos. Normalmente são traccionadas por um tractor agrícola. PRESERVAÇÃO DO AMBIENTE O planeta Terra está doente e, apesar de todas as campanhas no sentido de se melhorar a qualidade do ambiente, tudo que fizermos é pouco, porque ainda há muito para fazer. Embora as campanhas de preservação do ambiente se tenham intensificado, o certo é que, ainda há muitas pessoas que não têm qualquer tipo de cuidado com o ambiente. Não separam os lixos, não poupam água e não fazem qualquer esforço para preservarem e melhorarem o meio ambiente, assim como a sua qualidade de vida. O crescimento populacional da espécie humana e o desenvolvimento económico e tecnológico têm como consequência um aumento da exploração dos recursos naturais. Os recursos naturais são elementos constituintes da Terra com utilidade para o Homem, no sentido de permitir a sua sobrevivência e o desenvolvimento da civilização. Os recursos naturais podem ser renováveis e não renováveis. Os recursos não renováveis formam-se a um ritmo muito lento, de tal modo que a taxa da sua reposição pela natureza é 105
  • 106.
    infinitamente menor quea taxa do seu consumo pelas populações humanas. São recursos finitos. Os recursos renováveis são ciclicamente repostos pela Natureza, num intervalo de tempo compatível com a duração da vida humana. O aumento da exploração de recursos naturais é acompanhado pelo aumento da produção de resíduos. A poluição pode afectar o solo, o ar e a água. A transformação de materiais residuais, usados ou inúteis, em materiais de novo reaproveitáveis, constitui o objectivo da reciclagem. A POLUIÇÃO As actividades humanas são responsáveis pelo lançamento de grandes quantidades de materiais poluentes na água. São diversas as fontes de poluição das águas subterrâneas, dos rios e dos oceanos. A indústria é uma das actividades mais poluidoras da água. Nos circuitos de produção, a água é utilizada de diversos modos: como 106
  • 107.
    dissolvente, como reagentequímico, na lavagem e no arrefecimento, acabando por ficar poluída. Por vezes a água residual é lançada por tratar, directa ou indirectamente, nos rios, ribeiras, lagos ou albufeiras, onde provoca graves desequilíbrios e a morte de muitos seres, sobretudo aquáticos e anfíbios. Por outro lado, se esta água se infiltrar no solo vai contaminar as águas subterrâneas, com consequências graves para a saúde pública. A utilização de fertilizantes e pesticidas na agricultura tem consequências para os recursos hídricos, poluindo e alterando a qualidade das águas, quer superficiais, quer subterrâneas. As águas das chuvas e de irrigação conduzem esses poluentes para os rios, lagos e albufeiras, onde provocam problemas aos diversos seres vivos. Devido à elevada concentração de nutrientes, especialmente azoto e fósforo – eutrofização – algumas algas multiplicam-se extraordinariamente, formando uma camada espessa à superfície da água e dificultando, desta forma, a penetração da luz. As algas que se situam em níveis mais profundos morrem devido à forte diminuição da luminosidade. Como consequência, o meio perde oxigénio acabando todos os seres vivos por serem afectados e muitos morrerem. Os produtos utilizados na agricultura, ao infiltrarem-se no solo, podem atingir as águas subterrâneas, com consequências graves para a qualidade da água e para os seres vivos que a utilizam. 107
  • 108.
    As actividades domésticase hoteleiras em regiões de grande concentração urbana constituem também fontes de poluição, através das águas residuais que são lançadas nos cursos de água, por vezes, sem tratamento prévio. ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS A utilização de combustíveis fosseis, principalmente nos automóveis e nas indústrias, resulta na emissão para a atmosfera de toneladas de substâncias poluentes sob a forma de gases, como o dióxido de carbono, e de poeiras. A acumulação de dióxido de carbono na atmosfera pode provocar o aquecimento global do planeta. As poeiras, partículas de pequeníssimas dimensões, são produzidas nas siderurgias e indústrias de cimento e ainda pelos escapes dos automóveis. Contribuem globalmente para a mudança climática na Terra. O dióxido de enxofre proveniente de muitas indústrias é um gás que está na origem das chuvas ácidas, que afectam as árvores, os animais e danificam os monumentos. Os solos são poluídos, principalmente, quer pela acumulação de resíduos sólidos – lixos domésticos e resíduos industriais – quer por poluentes químicos resultantes de indústrias e por pesticidas e fertilizantes utilizados na agricultura. As substâncias radioactivas também podem ser grandes poluidoras do solo, porque durante milhões de anos continuam a 108
  • 109.
    emitir radiações altamenteperigosas para todas as formas de vida. Não existe, hoje em dia, uma solução inteiramente segura para se guardar o lixo radioactivo, sendo este por vezes depositado em contentores selados, à espera que se encontre uma solução definitiva. O aumento demográfico, a desertificação de certas áreas e a poluição de outras, levam a uma maior ocupação de áreas de risco geológico por populações humanas que assim ficam sujeitas, com maior probabilidade, a desastres geológicos como: erupções vulcânicas, deslizamento e subsidência de terrenos, sismos, maremotos, inundações e impactos de meteoritos. O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL O desenvolvimento sustentável é um modelo de desenvolvimento que vai ao encontro das nossas necessidades no presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras. Para o conseguir, é necessária uma melhor gestão ambiental, nomeadamente através das seguintes medidas: • Redução de impactes ambientais negativos; • Ordenamento do território; • Recuperação de áreas degradadas; • Redução da produção de resíduos e reciclagem; • Utilização de subprodutos; • Conservação do património geológico. 109
  • 110.
    A RESPONSABILIDADE ECOLÓGICA São pequenos gestos que marcam a diferença e que não têm custos, quando os praticamos. Penso que as pessoas deveriam andar menos de carro próprio e optarem mais pelos transportes públicos ou pelas caminhadas a pé, quando as distancias assim o permitem. Desta forma, contribuíam para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO 2 ) para a atmosfera. Actualmente, outro problema a que o meio ambiente está exposto é a massiva utilização de sacos plásticos pelos humanos, devido ao facto da sua decomposição levar anos a ser feita. Se todos nós, quando nos deslocamos aos supermercados para realizar as nossas compras, levássemos sacos de pano para colocarmos os produtos que compramos, o problema da poluição ambiental por plástico seria, substancialmente, mais reduzido. A falta de responsabilidade ecológica é o principal problema do planeta em que vivemos. Não é a poluição, a destruição da camada de ozono ou algo parecido. O principal motivo do grande problema ambiental que a Terra enfrenta é que não há um número bastante grande de seres humanos que tenha desenvolvido a consciência necessária para a sua conservação. Na base da crise ecológica está uma crise de valores, mas não nos podemos esquecer que a sobrevivência da espécie humana depende disso.Eu sei que se assumir a minha responsabilidade na sociedade, assumo um papel activo: interajo com o meio ambiente que me rodeia, com o intuito de o preservar. É fundamental que os 110
  • 111.
    homens e asmulheres estejam conscientes que o meio ambiente é um bem comum a todos os seres vivos, para que todos os recursos naturais que a Terra nos oferece não sejam extintos. O DIÓXIDO DE CARBONO O dióxido de carbono é essencial à vida no planeta, visto que é um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese – processo pelo qual os organismos fotossintetizantes transformam a energia solar em energia química. Esta energia química, por sua vez, é distribuída para todos os seres vivos através da cadeia alimentar. Este processo é uma das fases do ciclo do carbono e é vital para a manutenção dos seres vivos. Fonte: www.aticaeducacional.com.br O carbono é um elemento básico na composição dos organismos, tornando-o indispensável para a vida no planeta. Este 111
  • 112.
    elemento é armazenadona atmosfera, nos oceanos, solos, rochas sedimentares e está presente nos combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural). Contudo, o carbono não fica fixo em nenhum desses locais. Existem uma série de interacções por meio das quais ocorre a transferência de carbono de um local para outro (fluxos). Muitos organismos nos ecossistemas terrestres e nos oceanos, como as plantas, absorvem o carbono encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono (CO 2 ). Esta absorção dá-se através do processo de fotossíntese. Por outro lado, os vários organismos, tanto plantas como animais, libertam dióxido de carbono para a atmosfera mediante o processo de respiração. Existe ainda a troca de dióxido de carbono entre os oceanos e a atmosfera por meio da difusão. Fotossíntese Respiração 112
  • 113.
    A libertação dedióxido de carbono através da queima de combustíveis fósseis e alterações no uso da terra, impostas pelo homem, constituem importantes alterações nos armazéns naturais de carbono e têm um papel fundamental na mudança do clima do planeta. Isto porque depois do vapor de água, o CO 2 é o gás do efeito estufa que mais contribui para o aquecimento global. O UNIVERSO A Terra faz parte do sistema solar a que pertence a Via Láctea, uma acumulação de milhares de estrelas parecidas ao Sol. Ao reflectir sobre as dimensões do Universo reconheço como é insignificante o nosso planeta se o compararmos com o resto dos corpos celestes. O astro central do nosso sistema é o Sol que emite luz própria, à sua volta giram nove grandes planetas, além dos inumeráveis pequenos asteróides, como os cometas e os enxames de meteorito.Todos os planetas giram à volta do Sol em órbitas planas e com o mesmo sentido de revolução; reflectem a luz que recebem do Sol e estão envolvidos numa atmosfera semelhante à da Terra. A Terra, o terceiro astro a contar do Sol, é um planeta de pequeno tamanho que se move numa trajectória elíptica, muito próximo de uma circunferência. Sobre a origem do sistema solar e da Terra têm surgido diversas hipóteses que muitas vezes se contradizem entre si. Hoje em dia, poucas afirmações se podem demonstrar com total segurança como, por exemplo, afirmar que a Via 113
  • 114.
    Láctea se formou há mais de 6000 milhões de anos como consequência da agregação de matéria muito fragmentada (gás e pó). Graças à investigação sobre desintegração radioactiva dos elementos químicos, foi possível determinar com maior exactidão os diferentes períodos do tempo geológico da Terra. O nosso planeta formou-se à 4600 milhões de anos, a partir da aglomeração de partículas cósmicas. Se estivéssemos no local situado no Universo fora da Terra decerto observaríamos que a Terra tem múltiplos e desconcertantes movimentos. Observando com atenção do mesmo lugar, verificamos que o Sol nem sempre nasce no mesmo sítio do horizonte e nem sempre se põe no mesmo sítio. De facto, o Sol só nasce exactamente a Oriente e só se põe exactamente a Ocidente nos dias 21 de Março e 23 de Setembro (os equinócios). Mas, qualquer que seja o dia do ano, passado um ano (cerca de 365 dias), o Sol volta a nascer no mesmo sítio. Por outro lado, observando ao longo do ano também do mesmo lugar mas de noite, verificamos que o aspecto do céu à mesma hora da noite não é o mesmo, todos os meses. Mas tudo se repete de ano a ano. Vemos o céu nocturno diferente todos os meses, porque a Terra se está a mover no espaço e fica virada para zonas diferentes do céu à medida que os meses passam. O tempo que a Terra demora a dar uma volta completa em volta do Sol não é exactamente de 365 dias, mas sim 365 dias e 6 horas, pelo que, de quatro em quatro anos, existe um ano com um dia a mais 114
  • 115.
    no calendário, sempreo último de Fevereiro. Esses anos são chamados bissextos. Tanto os diferentes lugares onde nasce e se põe o Sol como o diferente aspecto do céu durante os vários meses do ano são explicados pelo movimento de translação da Terra em torno do Sol. Dizemos que o período de translação da Terra é um ano, o tempo formado por 365 dias e 6 horas. Por outro lado, sabemos que os vários meses do ano têm um clima diferente. As quatro estações do ano (Primavera, Verão, Outono e Inverno) caracterizam-se por tempos meteorológicos bem distintos. No hemisfério Norte, a Primavera começa a 21 de Março, o Verão a 21 de Junho, o Outono a 23 de Setembro e o Inverno a 21 de Dezembro, pelo que as estações dividem o ano em quatro partes aproximadamente iguais. Translação da Terra No Verão, está mais quente e no Inverno mais frio. Mas o Verão e o Inverno ocorrem em épocas diferentes do ano no hemisfério Norte e no hemisfério Sul. No hemisfério Norte, o Verão vai de 21 de Junho a 23 de Setembro e o Inverno de 21 de Dezembro a 21 de 115
  • 116.
    Março. Mas, nohemisfério Sul, o Verão vai de 21 de Dezembro a 21 de Março e o Inverno de 21 de Junho a 23 de Setembro. Tal facto, explica-se também pelo movimento de translação da Terra. O tempo quente no Verão no hemisfério Norte não se deve ao menor afastamento da Terra em relação ao Sol nem o tempo frio no Inverno no mesmo hemisfério se deve ao maior afastamento da Terra em relação ao Sol. A órbita terrestre é quase circular, pelo que a Terra está sempre praticamente à mesma distância do Sol. Acontece que o eixo de rotação da Terra está inclinado do ângulo de 23º em relação ao plano da órbita da Terra. Assim, no Verão do hemisfério Norte, este hemisfério está mais inclinado para o Sol (e o hemisfério Sul está menos inclinado para o Sol). No Verão, a luz do Sol incide mais frontalmente sobre o hemisfério Norte. Devido à inclinação do eixo de rotação da Terra, durante a Primavera e Verão no hemisfério Norte, é sempre dia no pólo Norte e é sempre noite no pólo Sul. Do mesmo modo, durante o Outono e Inverno no hemisfério Norte, é sempre dia no pólo Sul e é sempre noite no pólo Norte. A duração dos dias e das noites varia, portanto, à medida que nos afastamos do equador, para Norte ou para Sul. Os diferentes lugares onde nasce e se põe o Sol ao longo do ano, o diferente aspecto do céu nocturno, a sucessão das estações do ano e a diferente duração dos dias e das noites num certo lugar da Terra são, todos eles, explicados pelo movimento de translação da Terra. 116
  • 117.
    A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA Durante toda a história, o ser humano, munido de inteligência, procurou formas, de vencer os obstáculos impostos pela natureza. Desta forma, foi desenvolvendo e inventando instrumentos tecnológicos com o objectivo de superar dificuldades. E torna-se óbvio que a necessidade é a mãe das grandes invenções tecnológicas. Antes da Revolução Industrial, a actividade produtiva era artesanal e manual, no máximo com o emprego de algumas máquinas simples. Dependendo da escala, grupos de artesãos podiam se organizar e dividir algumas etapas do processo, mas muitas vezes um mesmo artesão cuidava de todo o processo, desde a obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto final. Os trabalhos eram realizados em oficinas nas casas dos próprios artesãos. A Revolução Industrial, iniciada em Inglaterra em meados do século XVIII, consistiu num conjunto de mudanças tecnológicas com um grande impacto no processo produtivo aos níveis económico e social, que se expandiu pelo mundo a partir do século XIX. Ao longo deste processo, a era agrícola foi superada, a máquina foi ultrapassando o trabalho humano, uma nova relação entre capital e trabalho se impôs, novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenómeno da cultura de massa. Essa transformação foi possível devido a uma combinação de factores, como o liberalismo económico, a acumulação de capital e 117
  • 118.
    uma série deinvenções, tais como o motor a vapor. O capitalismo tornou-se o sistema económico vigente. O facto de ser a Inglaterra o país que deu início ao processo de Revolução Industrial, no século XVIII, pode ser explicado através de diversos factores. A Inglaterra possuía grandes reservas de carvão mineral no seu subsolo, a principal fonte de energia para movimentar máquinas a vapor. Para além da fonte de energia, os ingleses também possuíam grandes reservas de ferro, a principal matéria- prima utilizada neste período. O século XVIII foi marcado pelo grande salto tecnológico nos transportes e máquinas. As máquinas a vapor, principalmente os gigantes teares, revolucionaram o modo de produzir. Se por um lado a máquina substituiu o homem, gerando milhares de desempregados, por outro baixou o preço de mercadorias e acelerou o ritmo de produção. Na área de transportes, destacou-se a invenção da locomotiva a vapor. Com este meio de transporte, tornou-se possível transportar mais mercadorias e pessoas, num tempo mais curto e com custos mais baixos. A Revolução Industrial permitiu que os métodos de produção se tornassem mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, permitindo a prática de preços mais baixos e, desta forma, estimulando o consumo. As máquinas foram substituindo, aos poucos, a mão-de-obra humana. A poluição ambiental, o aumento da poluição sonora, o êxodo rural e o 118
  • 119.
    crescimento desordenado dascidades também foram consequências prejudiciais para a sociedade. Na primeira metade do século XIX, os sistemas de transporte e de comunicação desencadearam as primeiras inovações com os primeiros barcos a vapor (Robert Fulton/1807) e locomotiva (Stephenson/1814), revestimentos de pedras nas estradas McAdam/1819), telégrafos (Morse/1836). As primeiras iniciativas no campo da electricidade como a descoberta da lei da corrente eléctrica (Ohm/1827) e do electromagnetismo (Faraday/1831). No sector têxtil a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o aperfeiçoamento de teares (Jacquard e Heilmann). O aço tornou-se uma das mais valorizadas matérias-primas. Em 1856 os fornos de Siemens-Martin, o processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica sofreu significativo avanço (como os Krupp na Alemanha) acompanhando a própria tecnologia metalúrgica. A explosão tecnológica conheceu um ritmo ainda mais frenético com a energia eléctrica e os motores a combustão interna. A energia eléctrica aplicada aos motores, a partir do desenvolvimento do dínamo, deu um novo impulso industrial. Movimentar máquinas, iluminar ruas e residências, etc. Os meios de transporte foram-se aperfeiçoando e surgiram navios mais rápidos. As hidroeléctricas aumentavam, o telefone dava novos contornos à comunicação (Bell/1876), o rádio (Curie e Sklodowska/1898), o telégrafo sem fio (Marconi/1895), o primeiro cinematógrafo (irmãos Lumière/1894) eram sinais evidentes da nova era industrial consolidada. 119
  • 120.
    E, não possodeixar de lado, a invenção do automóvel movido a gasolina (Daimler e Benz/1885) que originou muitas mudanças no modo de vida das grandes cidades. O motor a diesel (Diesel/1897) e os dirigíveis aéreos revolucionavam os limites da imaginação criativa e a tecnologia avançava a passos largos. Mas não foi apenas na época da Revolução Industrial que o homem percebeu que o vapor podia provocar movimento nos objectos. Já no século I d.C., um estudioso chamado Heron de Alexandria, construiu uma espécie de turbina a vapor, chamada eolípila. Neste invento, enchia-se uma esfera de metal com água que produzia vapor que se expandia e fazia a esfera girar quando saía através de dois bicos, colocados em posições diametralmente opostas. Todavia, embora isso movimentasse a esfera, nenhum trabalho útil era produzido por esse movimento e o sábio não conseguiu ver nenhuma utilidade no seu invento. Muitos séculos mais tarde, a máquina a vapor foi a primeira maneira eficiente de produzir energia para além da força muscular do homem e do animal, e da força do vento e das águas correntes. A sua invenção e uso foi uma das bases tecnológicas da Revolução Industrial. Na sua forma mais simples, as máquinas a vapor usam o facto de que a água, quando convertida em vapor se expande e ocupa um volume de até 1.600 vezes maior do que o original, quando sob pressão atmosférica. 120
  • 121.
    Em 1690, ofísico francês Denis Papin usou esse princípio para bombear água. O equipamento bastante rudimentar, era constituído por um pistão dentro de um cilindro que ficava sobre uma fonte de calor e no qual se colocava uma pequena quantidade de água. Quando a água se transformava em vapor, a pressão forçava o pistão a subir. Então, a fonte de calor era removida o que fazia o vapor esfriar e condensava-se. Isto criava um vácuo parcial (pressão abaixo da pressão atmosférica) dentro do cilindro. Como a pressão do ar acima do pistão era a pressão atmosférica, ela o empurrava para baixo, realizando o trabalho. Mas, a utilização desta tecnologia apenas se iniciou com a invenção de Thomas Savery patenteada em 1698 e aperfeiçoada em 1712 por Thomas Newcomen e John Calley. Nesta máquina, o vapor gerado numa caldeira e era enviado para um cilindro localizado no cimo da caldeira. Um pistão era puxado para cima através de um contrapeso. Depois que o cilindro ficava cheio de vapor, injectava-se água, o que provocava a condensação do vapor. Este procedimento reduzia a pressão dentro do cilindro e fazia o ar externo empurrar o pistão para baixo. Um balancim era ligado a uma haste que levantava o êmbolo quando o pistão se movia para baixo. O vácuo resultante retirava a água de poços de mina inundados. 121
  • 122.
    Um construtor deinstrumentos escocês chamado James Watt notou que a máquina de Newcomen, que usava a mesma câmara para alternar vapor aquecido e vapor resfriado condensado desperdiçava combustível. Por isso, em 1765, ele projectou uma câmara condensadora separada, refrigerada a água. Ela era equipada com uma bomba que mantinha um vácuo parcial e uma válvula que retirava periodicamente o vapor do cilindro, o que reduziu o consumo de combustível em 75%. Esta máquina corresponde à moderna máquina a vapor. No ano 1782, James Watt projectou e patenteou a máquina rotativa de acção dupla, na qual o vapor era introduzido de ambos os lados do pistão de modo a produzir um movimento para cima e para baixo. Isto tornou possível prender o êmbolo do pistão a uma manivela ou um conjunto de engrenagens para produzir movimento rotativo e permitiu que essa máquina pudesse ser usada para impulsionar mecanismos, girar rodas de carroças ou pás para movimentar navios em rios. No fim do século XVIII, as máquinas a vapor produzidas por Watt e pelo seu companheiro Matthew Boulton, forneciam energia para fábricas, moinhos e bombas na Europa e na América. O aparecimento das caldeiras, que podiam operar com altas pressões e que foram desenvolvidas por Richard Trevithick na Inglaterra e por Oliver Evans nos Estados Unidos, no início do século XIX, tornaram-se a base para a revolução dos transportes, uma vez 122
  • 123.
    que elas podiamser usadas para movimentar locomotivas, barcos fluviais e, depois, navios. A máquina a vapor tornou-se a principal fonte produtora de trabalho do século XIX e o seu desenvolvimento deu-se no esforço de melhorar o seu rendimento, a fiabilidade e a relação peso/potência. No entanto, o aparecimento da energia eléctrica e do motor de combustão interna no século XX, condenaram pouco a pouco, a máquina a vapor ao quase esquecimento. No século XX, a máquina a vapor, como fornecedora de energia foi sendo substituída por turbinas a vapor, para a geração de energia eléctrica; motores de combustão interna para transporte; geradores para fontes portáteis de energia; e motores eléctricos, para uso industrial e doméstico. Mesmo assim, o vapor ainda hoje tem extensa aplicação industrial, nas mais diversas formas, dependendo do tipo de indústria e da região onde está instalada. OS DIREITOS HUMANOS Na minha vida, tanto privada como profissional defendo sempre os direitos humanos. Para mim todo o ser humano tem direito a crescer num meio ambiente saudável e de acordo com o ponto número 1, do artigo 29º, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, toda a pessoa tem deveres com a comunidade pois só nela é que pode desenvolver livre e plenamente a sua personalidade. 123
  • 124.
    De acordo como nº 2 do artigo 16º, da Constituição da República Portuguesa, torna-se evidente que “Os preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem”. A Constituição da República Portuguesa rege-se pelo princípio da universalidade, em que: todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição; as pessoas colectivas gozam dos direitos e estão sujeitas aos deveres compatíveis com a sua natureza. E também pelo princípio da igualdade: todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social. Em todo o Mundo, os progressos sociais e de cidadania das últimas décadas são visíveis, mas as mulheres e crianças continuam a ser as maiores vítimas de violação dos direitos humanos. Em todo o Mundo, os direitos das crianças são violados, em vários aspectos. As crianças são alvo de violência, exploração, abusos, doença, conflitos armados, falta de educação e muitas outras formas de violação de direitos, apesar da Convenção dos Direitos da Criança existir desde 1989.Em Portugal, não há estatísticas rigorosas sobre o número de 124
  • 125.
    crianças maltratadas, masforam denunciados cerca de sete mil casos à Associação de Apoio à Vítima entre 2000 e 2007 e os casos sucedem-se. A procura de lucros fáceis, deixou as crianças expostas a graves riscos como a prostituição e a pornografia. As crianças, em particular as meninas, são vítimas de costumes como a mutilação genital ou crimes de honra. A violência doméstica é um atentado à dignidade das vítimas, que são sobretudo mulheres. Os direitos humanos das mulheres são muitas vezes violados em contexto doméstico, em que o cônjuge é o agressor físico e psicológico. Em Portugal, desde 2000, a violência doméstica é crime público. Esta legislação veio opor-se ao ditado popular "entre marido e mulher não metas a colher". A partir deste momento, o número de denúncias tem vindo a aumentar. As portuguesas, também, são discriminadas no trabalho, apesar de desempenharem as mesmas funções dos homens ganham menos do que eles e têm menos oportunidades de progressão nas carreiras. AS MIGRAÇÕES A minha passagem pelo sul do País foi muito importante para o meu futuro. Aprendi muito, tanto a nível pessoal como profissional, também conheci novas gentes, bem como outras culturas e raças. Como na minha área profissional, existe muita migração, convivi com 125
  • 126.
    muitas pessoas depaíses africanos, mas também dos países de Leste. Portugal tem sido, principalmente, nos últimos 35 anos, um destino de imigrantes, primeiro das antigas colónias Portuguesas, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. A mão-de- obra, na construção civil, era escassa e o Estado Português abriu as portas do país a estes imigrantes, por se tratar de povos provenientes das ex-colónias portuguesas. A partir dos anos 80, começaram a chegar pessoas dos países de leste, em maior número os Ucranianos, seguindo-se os Russos, Moldavos e os Romenos. Também, tem aumentado o número de brasileiros, principalmente, no sector da restauração. Estes cidadãos, em muitos casos, vivem em situações de pobreza, desemprego e falta de oportunidades. Um grande número de imigrantes de leste, tem formação superior, obtida nos países de origem, mas como os salários eram muito baixos, optaram por trabalhar nas obras em Portugal, porque ganham mais aqui nas obras do que a exercer as profissões de médico, professor ou engenheiro, nos seus países de origem. Em Portugal, está a aumentar o número de imigrantes asiáticos, mais precisamente os oriundos da China, mas estes distinguem-se dos demais, por escolherem Portugal como país para investimentos comerciais. Cada vez mais, há lojas exploradas por chineses, espalhadas por todo o país. Penso que o desenvolvimento deste tipo de comércio é uma situação benéfica, porque os imigrantes chineses 126
  • 127.
    trazem riqueza parao nosso país, apesar de muitos casos de imigração estarem associados à criminalidade. A criminalidade é um factor bastante referenciado pela comunicação social sensacionalista, porque dá muito destaque à criminalidade associada aos imigrantes. Depois do ciclo de prosperidade veio a crise económica que afectou tanto os imigrantes como os portugueses. Sei que muitos dos sem-abrigo mais recentes são cidadãos estrangeiros apanhados por uma crise que não conseguem enfrentar por falta de enquadramento social mínimo. Os imigrantes procuram-nos para melhorar a sua vida, pois torna-se necessário proporcionar o acesso a condições mínimas de sustentação e de integração. Este dever não se prende apenas por motivos de ordem ética e humanista, mas também por motivos de interesse nacional. Na nossa sociedade existem imigrantes insuficientemente integrados, instáveis, com problemas sociais, que são factores de perturbação e que contribuem para a insegurança dos cidadãos portugueses. É dever dos imigrantes, assim como dos portugueses, aceitarem e praticarem as regras mínimas de convivência social consagradas na Constituição da República Portuguesa. Numa perspectiva de integração, é necessário reforçar os mecanismos de integração dos imigrantes, e estender-lhes um conjunto mínimo de mecanismos de protecção social idênticos aos dos portugueses. 127
  • 128.
    A emigração emPortugal é um fenómeno com uma história longa de séculos, embora tenha variado no decorrer dos anos, as suas características nos planos geográfico e social. Concentrando atenção apenas no século XX, é possível identificar diferentes fases e correntes da emigração portuguesa. No início do século XX, a emigração portuguesa para o Brasil era muito grande. Como consequência das duas guerras mundiais e da grave crise económica dos O grande fluxo emigratório surge nos finais da década de 50, devido às políticas restritivas de imigração do Brasil e ao desenvolvimento económico da Europa após a Segunda Guerra Mundial. A falta de mão-de-obra originada em grande parte pela falta de recursos humanos no pós-guerra, atraíram os movimentos migratórios dos países mais pobres. Durante as décadas de 60 a 80, Portugal sofreu algumas reestruturações sociais, devido ao acentuado fluxo emigratório que se manteve no nosso país. Algumas das suas causas prendem-se com o regime ditatorial implantado em Portugal, a pobreza e as dificuldades de emprego na zona rural, obrigando muitos portugueses a procurar melhores condições de vida na Europa, Venezuela, África do Sul, E.U.A e no Brasil, assim como nas antigas províncias do ultramar, entre outros. O movimento transatlântico que se fez sentir nos anos 50, especialmente para o Brasil e América é substituído pela emigração intra-europeia. A partir do ano de 1963 as saídas para França 128
  • 129.
    ultrapassam as saídasregistadas para o Brasil, algumas razões para esta nova corrente migratória: a proximidade geográfica, a facilidade em atravessar as fronteiras, normalmente através da região dos Pirenéus e finalmente, a possibilidade de manter contacto directo com os emigrantes que regressam de férias a Portugal. Contudo, desde a década de 50 que a evolução económica dos países desenvolvidos do norte e centro da Europa e a abertura do mercado de trabalho, é um convite para os portugueses emigrarem principalmente para França, Luxemburgo e Alemanha. A França foi um dos principais destinos dos emigrantes portugueses, seguido da Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo, Bélgica, Holanda e países nórdicos. Devido às dificuldades de conseguir a saída legalizada desde Portugal, face à precária situação económica no país e à oferta de trabalho nos países do norte da Europa, muitos trabalhadores entraram clandestinamente nos países de acolhimento, através das redes de tráfico. A década de 70 foi marcada pela crise económica e consequente diminuição de procura de mão-de-obra pelos países industrializados da Europa, surgindo novas políticas de imigração mais restritivas. Entre o final dos anos 70 e meados dos anos 80, Portugal assiste à diminuição do fluxo migratório, em virtude das políticas de barreira à imigração dos países anfitriões e da situação económica. Neste período, registam-se somente 30 000 saídas anuais. 129
  • 130.
    A adesão dePortugal à Comunidade Económica Europeia vem alterar de forma substancial o nosso perfil migratório. Os trabalhadores portugueses viram mudar o seu status de e/imigrantes para cidadãos europeus, e aptos a circular livremente pelo espaço europeu. O Estado Português assumiu o seu papel de país comunitário, pondo de lado o passado de país emigrante e das histórias tristes dos bidonvilles, nos arredores de Paris. Nos anos 80, aumenta a emigração sazonal. Portugal torna-se, simultaneamente, em país de emigração e de acolhimento. O RACISMO Uma grande parte do povo português é racista, não apenas em relação aos negros, mas a todas a outras raças. O racismo é sinónimo de falta de inteligência, cultura e até de educação. Frequentemente, quando vamos às compras aos supermercados, somos abordados, nos parques de estacionamento, por crianças ou mulheres com crianças ao colo, de raça cigana ou dos Países de Leste, a pedir esmola e a vender objectos de que não precisamos, como por exemplo, pensos e pilhas. Mas, é nestas situações que testamos a nossa tolerância. Nestas situações devemos olhar para as pessoas como seres humanos, porque são pessoas como nós, no entanto, devido às adversidades da vida, nos seus países de origem, na maior parte dos casos, nunca tiveram a oportunidade de ter uma melhor vida. 130
  • 131.
    A DEMOCRACIA Desde os 18 anos de idade que exerço o meu direito de voto. O direito à participação é consagrado como um direito civil e político que significa, em democracia, a possibilidade de todos os cidadãos escolherem os representantes políticos do seu país. A democracia é um regime de governo onde o poder de tomar decisões políticas está com os cidadãos, directa ou indirectamente, através dos seus representantes eleitos. Uma democracia, tanto pode existir num regime presidencial ou parlamentar, como num republicano ou monárquico. A democracia opõe-se à ditadura e ao totalitarismo, em que o poder está concentrado numa elite auto-eleita. As democracias podem ser divididas em vários tipos. A distinção mais importante é entre democracia directa, em que o povo expressa a sua vontade através do voto relativamente a cada assunto, e a democracia representativa, onde o povo exprime a sua vontade através da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram. A participação voluntária e individual é encorajada nas democracias modernas, mas não é obrigatória. Qualquer um é livre de agir ou não como cidadão. Para passarmos da democracia representativa, mediada pelos interesses económicos e grupos políticos, à democracia participativa, para conseguirmos que a maioria das pessoas se motive e trabalhe na procura das soluções que lhe interessam, temos que ir muito além da participação na votação periódica de quatro em quatro anos. 131
  • 132.
    Numa democracia hátolerância nas diversas doutrinas, desde que o comportamento a seguir não ameace directamente a ordem pública nem a segurança do Estado. As instituições de governo típicas de uma democracia são: o parlamento, a assembleia e o congresso. Todos eleitos, debatem e informam em público, num sistema multipartidário. Nas democracias modernas, as novas leis são feitas por uma assembleia de representantes ou parlamento. A lei entre indivíduos é, sobretudo, uma questão de contrato, mas regulada por regras gerais, por juízes imparciais e não por favores pessoais e intervenções. O crescimento dos jornais e a sua libertação do controlo do Estado encontra paralelismos com o crescimento dos direitos democráticos. O funcionamento eficaz dos regimes democráticos acaba por depender cada vez mais do acesso a uma informação razoavelmente acertada sobre a forma como o Estado é governado e sobre como é capaz de avaliar necessidades públicas e reacções de modo preciso. Nas democracias, a política é sempre tolerada e activamente encorajada. A política é reconhecida como uma actividade pública conciliadora com o objectivo de estabelecer um acordo. O conflito é inerente a qualquer democracia, mesmo às mais prósperas. O pensamento democrático defende que o conflito social e o debate público são dois elementos constituintes das democracias modernas. Não existe democracia sem convivência com os conflitos e a sua solução através do compromisso ou da argumentação, ou de uma 132
  • 133.
    combinação de ambos.Democracia é o único regime político no qual os conflitos são considerados. A democracia é o regime do conflito social, da argumentação e do compromisso, mas é também o regime da lei e da ordem. Entre conflito e ordem existe uma contradição que os regimes democráticos estão pensados para resolver. A democracia revelou-se o regime político mais capaz de combinar a lei com o conflito social, a ordem com os interesses contraditórios das classes sociais e dos grupos de interesse. Em Portugal, enfrentamos hoje dificuldades devido ao mau desempenho da economia. O desemprego e a insatisfação aumentam, o que tem como resultado o protesto social e o crescimento da criminalidade. Actualmente, em Portugal, não são apenas as classes mais desfavorecidas economicamente que criam conflitos. Também a classe trabalhadora o faz, através das centrais sindicais e das associações profissionais e empresariais. As classes com mais poder económico, também participam no conflito através das organizações que representam, dominando os meios de comunicação social, financiando campanhas políticas, e utilizam pessoas influentes para defenderem as suas causas. A principal diferença está no facto das classes abastadas defenderem posições em nome da lei, e as classes mais carentes economicamente, tentarem conquistar posições que muitas vezes só podem ser atingidas desafiando e mudando a lei. Ao governo não resta alternativa senão manter a ordem, exigir o respeito à lei. Senão não será governo. Mas, se for democrático, garantirá a 133
  • 134.
    liberdade do protestoe buscará atender, na medida do possível, as reivindicações. Se for autoritário, tentará apenas impor a ordem. Os conflitos sociais aumentaram, como era de esperar, mas são inerentes à democracia que, em Portugal, está consolidada. OS MASS MEDIA É o poder de atracção dos diferentes media que nos prende todos os dias, por vezes várias horas por dia, à televisão, à Internet, mas que também nos leva, por vezes, ao cinema e à leitura de revistas, jornais e até mesmo livros. A comunicação de massas é um círculo fechado, no qual se desconhece quem influencia quem e quem é influenciado por quem. De facto, existe a ideia de que os meios de comunicação social, em especial a televisão, através da emissão de inúmeras imagens, coordenam a vida social, política e económica dos telespectadores. I will identify some types of text used in the media: Chronicle - is the record of a fact or incident, usually taken from everyday life and apparently without significance, through a highly personal speech, the chronicler of this then this comment or incident, it highlights dimensions that at first sight to escape an observer inattentive. Interview - formal conversation between an investigator and a person 134
  • 135.
    from whom youwant to know anything in particular. The purpose of an interview is to learn the personality of a public figure, an artist or their work. Scientific article - is a focus of scientific knowledge to a specific audience expresses the field of research and can help to make reference to other authors who have focused on the same subject. Technical paper - is a diffuser that expands knowledge in the field of art. Article of critical appreciation - is an informative and interpretive text, marked by a high burden of subjectivity. In this kind of article, the author, besides presenting a reality, usually artistic or cultural, makes a critical on it, to its valuation. ALGUNS DIREITOS DOS CIDADÃOS Em democracia os cidadãos têm de ter o direito de formar associações ou organizações relativamente independentes, incluindo partidos políticos independentes e grupos de interesse. O sindicalismo é o movimento social de associação de trabalhadores assalariados para a protecção dos seus interesses. Também é uma doutrina política segundo a qual os trabalhadores sindicalizados têm um papel activo na condução da sociedade. 135
  • 136.
    A Declaração Universaldos Direitos do Homem, no art. 20º, estabelece o associativismo como um direito universalmente incontestável e extensível a qualquer ser humano, independentemente da religião, da raça ou da cultura em que esteja inserido. A nossa democracia representativa esgota o poder do cidadão no voto. Mas para além desta cidadania sazonal, um poder que nos assiste de uma forma ocasional, o cidadão tem mais dois poderes: o de não produzir, exercido durante as greves, e ainda o de não consumir, exercido por exemplo através da greve de fome, que tem sido menosprezado. É fundamental em democracia exercermos o nosso dever cívico, desenvolvermos uma cultura de associativismo, de solidariedade, de diálogo e de responsabilidade, dando origem a uma sociedade mais democrática, justa e harmoniosa. No nosso país, há relativamente pouco tempo, assistimos a uma situação em que os camionistas se juntaram em sinal de protesto contra o elevado preço dos combustíveis, impedindo que as distribuições dos mais variados produtos se fizesse a nível nacional e desta forma fizeram com que não pudessem ser vendidos determinados produtos, evitando desta forma o consumo. A greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizado pelos trabalhadores com o objectivo de obterem benefícios, como por exemplo o aumento de salários, melhores condições de trabalho ou para evitar a perda de benefícios. 136
  • 137.
    A greve é uma forma legítima, em democracia, dos trabalhadores defenderem os seus direitos e tentarem influenciar a política do governo. A democracia directa é o regime em que os cidadãos decidem directamente sobre cada assunto por votação. Nas democracias representativas, os cidadãos elegem representantes por um determinado período de tempo. No entanto, muitas democracias representativas modernas incorporam alguns elementos da democracia directa, normalmente o referendo. O referendo é um instrumento da democracia semi-directa através do qual os cidadãos eleitores são chamados a pronunciar-se por sufrágio directo e secreto, a título vinculativo, sobre determinados assuntos de relevante interesse. Em Portugal, o referendo acontece mediante proposta da Assembleia da República, ou do Governo, ao Presidente da República que decide a sua realização. A Constituição da República Portuguesa dispõe, nos termos do seu artigo 115º, que, sob proposta da Assembleia da República, do Governo ou por iniciativa de um grupo de cidadãos dirigida à Assembleia da República, pode o Presidente da República convocar o referendo no qual podem ser chamados a votar todos os cidadãos recenseados no território nacional. 137
  • 138.
    OS TRANSPORTES Os transportes têm um papel fundamental no desenvolvimento de qualquer país ou região, são um factor essencial de comunicação entre diferentes locais. Existem diferentes tipos de transportes que encurtam as distâncias e estabelecem a comunicação por todo o mundo, nomeadamente Modos Tipo Exemplos de Meios de Transporte Ferroviário Comboio Terrestre e Automóvel Rodoviário Camião Fluvial Barco Aquático e Submarino Marítimo Aéreo Aéreo Avião A escolha do meio de transporte utilizado para a deslocação das pessoas e das mercadorias baseia-se, principalmente, na finalidade da viagem a efectuar, na distância a percorrer, no tempo que se leva a percorrer uma determinada distância, no seu custo e nas características dos bens a transportar. Um dos primeiros veículos terrestres foi o trenó, utilizado há mais de dez mil anos nas grandes migrações da Ásia para a América, pelo estreito de Bering. A domesticação de animais, por volta do quarto milénio antes de Cristo, representou um grande avanço nos transportes e aumentou a sua utilidade comercial. Os animais mais usados nos transportes eram o burro, o boi, o elefante, o lama, o camelo e o cavalo. 138
  • 139.
    A invenção daroda, por volta de 3500 a.C., revolucionou o transporte terrestre e nos milénios seguintes o uso de carros de duas ou quatro rodas expalhou-se pela Ásia e pela Europa. O progresso nos transportes acelerou a partir do século X a.C., com a construção de estradas, primeiro na Mesopotâmia e mais tarde no Império Romano. Depois da Idade Média, a invenção do sistema de suspensão possibilitou o emprego da carruagem no transporte de passageiros e incentivou a retomada da construção de estradas. O grande marco na era moderna foi a substituição da tracção animal pela mecânica, devido às pressões económicas, tecnológicas e comerciais da Revolução Industrial. Nesta fase, houve uma grande abertura de mercados e o uso de meios de transporte mais racionais para a distribuição dos bens produzidos. A invenção da máquina a vapor, no início do século XIX, significou o triunfo da ferrovia e a sua expansão pelo mundo e o automóvel, inventado na mesma época, em 1885 com os modelos equipados com motores a gasolina também teve importância. Desde então, o automóvel, o autocarro, o camião e o comboio dominaram o transporte terrestre e reduziram o uso dos veículos de tracção animal a destinos distantes. Durante a Primeira Guerra Mundial, as possibilidades comerciais que os transportes rodoviários permitiram tiveram grande importância. A produção em grande escala de veículos militares aconteceu na mesma época em que também eram aproveitados no transporte de soldados e das armas de guerra. Os táxis de Paris, por 139
  • 140.
    exemplo, foram requisitadospara o rápido transporte de tropas para a batalha do Marne em Setembro de 1914. Depois da Segunda Guerra Mundial, o sector dos transportes expandiu-se de uma forma extraordinária. Foram muitos os modelos criados de transporte tanto de passageiros como de carga. O sector dos transportes cresceu de uma forma acelerada em todos os países, desenvolveram-se os mais variados meios de transporte e ampliaram- se as redes rodoviárias. O uso comercial do transporte rodoviário cresceu, em proporção, de uma forma muito superior à do transporte ferroviário. O comboio teve grande impacto no desenvolvimento económico. Este meio de transporte permitiu que os mercados de produtos manufacturados e matérias-primas tivessem um grande crescimento, reduziram-se os custos de produção, e devido ao crescimento do volume de vendas, os lucros dispararam. Na primeira metade do século XX, o sector dos transportes sofreu um declínio acentuado em todo o mundo, mas começou a recuperar a partir da década de 1970, devido a dois factores, nomeadamente o progresso tecnológico e a consideração de novos aspectos económicos globais. O avanço técnico deu origem a comboios capazes de circularem a velocidades superiores a 300km/h, os comboios de alta velocidade e aumentou a eficiência e segurança do sector com a introdução de recursos electrónicos no controle das linhas férreas. 140
  • 141.
    O metro circulaquase sempre em vias subterrâneas e é utilizado para transportar grandes quantidades de passageiros nas áreas urbanas e suburbanas, é o mais eficiente meio de transporte urbano da actualidade. O desenvolvimento do metro levou em conta não apenas o seu valor social, especialmente para o transporte de passageiros de reduzidas posses económicas, como teve em consideração a protecção ambiental, como a redução do uso de alguns veículos que usam combustíveis poluentes. Em 1994, a inauguração do túnel do canal da Mancha, que liga o Reino Unido à França, marcou o crescimento do uso da rede férrea e uma nova etapa no processo de integração ferroviária-rodoviária. O transporte marítimo tem sido usado desde a antiguidade. De custo operacional muito baixo, é utilizado no transporte para grandes distâncias, de produtos de baixo valor em relação ao peso. O uso adequado de uma rede marítima exige a construção de infra-estruturas que muitas vezes implicam a abertura de canais para ligação das vias fluviais naturais, a adaptação dos leitos dos rios devido à profundidade necessária às embarcações, a correcção dos cursos fluviais e vias de ligação com outras redes, como a ferroviária ou a rodoviária. Os custos dos investimentos e manutenção das infra- estruturas são rapidamente recuperados pela grande rentabilidade deste tipo de transporte, existente em todos os países desenvolvidos. A evolução do transporte marítimo acompanhou o progresso tecnológico e científico, as mudanças sociais e económicas das 141
  • 142.
    comunidades, as procuraspelos mercados e a ligação do mundo depois dos grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI. No século XX o transporte marítimo perdeu o mercado intercontinental de passageiros para o transporte aéreo, mas a perda foi compensada pelo grande avanço do transporte marítimo de carga. Com a evolução dos transportes, foi possível reduzir o tempo e o custo das viagens. De facto, actualmente, procura-se que os meios de transporte sejam cada vez mais rápidos, para se demorar menos tempo a percorrer as distâncias, e com custos mais baixos, para que sejam acessíveis ao maior número de pessoas. As redes de transporte influenciam a organização e a distribuição no espaço da população, das actividades económicas, e o desenvolvimento. Estas também aumentam a interacção entre os diferentes espaços e criam um maior dinamismo económico e social. A mobilidade das pessoas e das mercadorias depende da acessibilidade aos lugares. Uma rede de transportes equilibrada contribui para o desenvolvimento harmonioso do espaço e uma rede de transporte desequilibrada, que favoreça apenas parte de uma região, conduz a um desenvolvimento desequilibrado do espaço em que se encontra implantada. A influência das redes de transportes na organização do espaço é particularmente evidente no modo como se expandem as áreas urbanas, geralmente ao longo dos principais eixos rodoviários e ferroviários, ou no modo como crescem as áreas suburbanas, a partir 142
  • 143.
    dos pontos dechegada (nós) que ligam os transportes à cidade principal e também segundo o traçado das vias. A evolução dos transportes tem permitido aos homens conhecerem o mundo, estabelecerem interacções aos mais diversos níveis, sejam eles económicos, sociais, culturais, etc. Os meios de transportes terrestres são os mais utilizados no quotidiano. Não imagino a vida das pessoas sem dispor do automóvel ou do autocarro, que, em pouco tempo, lhes permitem chegar a locais bem distantes. Mas é necessário saber estes meios de transporte em segurança e de forma a evitar gastos desnecessários das reservas de combustíveis fósseis, contribuindo o menos possível para a poluição ambiental. O consumo energético dos veículos de transporte colectivo ou familiar depende do estilo de condução, do tipo de percurso, do estado do pavimento, das condições de circulação, das condições atmosféricas, da pressão dos pneus e da qualidade do combustível. Para evitar consumos energéticos desnecessários é importante: conduzir de forma atenta e adaptada às condições do tráfego, sem acelerações e travagens bruscas, velocidades excessivas e percursos desnecessários; verificar regularmente a pressão dos pneus – quando a pressão é inferior à recomendada o consumo de energia aumenta; efectuar regularmente a revisão do motor e do óleo; optar por estradas com menos curvas e com bom estado do pavimento; sempre que possível, circular fora das horas de maior transito nas estradas; 143
  • 144.
    não usar oautomóvel para percursos inferiores a 2 Km; não sobrecarregar o automóvel com demasiada bagagem. Sempre que evitamos consumos desnecessários de combustível estamos também a poluir menos o ambiente. Podemos ainda diminuir a poluição ambiental causada pelos meios de transporte se sempre que possível, preferirmos os transportes públicos ao transporte individual; optarmos por um transporte que utilize, como combustível, gás em vez de gasolina ou gasóleo. Sei que ao optar pela utilização dos transportes públicos em detrimento dos transportes privados, para além de estar a contribuir para um melhor ambiente, também estou a contribuir para um menor congestionamento do tráfego. A sedentarização, associada à evolução dos transportes, tem tido algumas consequências nas populações, principalmente nas urbanas, a vários níveis: Trânsito – Engarrafamentos, lentidão, nervosismo, cansaço, são as consequências diárias do trânsito caótico que a maioria das cidades alcançou, Poluição – Tanto a poluição atmosférica como a poluição sonora são dois terríveis problemas que as cidades da actualidade têm de enfrentar. Os escapes de muitos veículos e outras fontes poluentes, tornam a atmosfera urbana, muitas vezes irrespirável, Infra-estrutura – Com o crescente aumento do número de meios de transporte, as infra-estruturas construídas rapidamente ficam 144
  • 145.
    ultrapassadas e semmeios de satisfazer as necessidades urbanas. Considero nestas infra-estruturas a dimensão das estradas. A maior parte destas estruturas foi feita para servirem um determinado número de habitantes que, rapidamente é ultrapassado, Doenças - As situações de nervosismo e ansiedade que se vivem no trânsito das cidades, principalmente em horas de ponta, levam imensas vezes a situações de saturação e de stress. Isto pode ser o suficiente para originar outro tipo de doenças. Algumas formas de poluição, como a atmosférica e a sonora, podem conduzir a doenças respiratórias e a perturbações psíquicas. A propulsão é o movimento criado a partir de uma força que dá impulso. A propulsão pode ser criada em qualquer acto de impelir para frente ou dar impulso. Os automóveis têm como fonte de propulsão o motor, os submarinos nucleares têm como fonte de propulsão os reactores nucleares fortes, etc. Nos meios de transporte rodoviários, podemos encontrar como meio de propulsão, a força humana e o motor. Se considerar uma bicicleta, um veículo com duas rodas presas a um quadro movido pelo esforço do próprio utilizador (ciclista) através de pedais. Apercebo-me que o meio de propulsão é a força humana. No entanto, no caso dos veículos motorizados com quatros rodas que são geralmente destinados ao transporte de passageiros ou mercadorias, o meio de propulsão utilizado é a gasolina, o gasóleo ou o gás. 145
  • 146.
    O motor deum carro transforma em movimento o combustível que vai fazer o carro andar. O metro é um meio transporte ferroviário, que funciona com motores eléctricos, logo o motor eléctrico é o meio de propulsão. Para além do metro, também existem ou existiram outros meios de transporte ferroviário: o comboio a vapor, que era propulsionado por um motor a vapor; o comboio a diesel – eléctrico, em que o motor diesel transmite energia a um gerador ou alternador que transmite energia às rodas através de um motor eléctrico; e, comboio de alta velocidade (TGV), este comboio é alimentado através de catenárias ou por um terceiro carril. No barco à vela é utilizada a energia eólica, como meio de propulsão, que tem sido aproveitada desde a antiguidade para mover os barcos impulsionados por velas, como por exemplo a caravela. O barco a vapor tem um motor a vapor, como meio de propulsão, que acciona um conjunto de pás montadas inicialmente na lateral e depois na popa. São tipicamente caracterizados por possuírem grandes chaminés. Embora a roda de pás tivesse evoluído para a hélice e o motor a vapor para as turbinas a vapor dando origem aos modernos navios, alguns modelos fluviais continuaram a utilizar esse tipo de propulsão. Os submarinos nucleares usam os reactores nucleares como meio de propulsão, para além de turbinas a vapor e engrenagens de redução para accionar o eixo propulsor principal, que fornece o impulso para a movimentação na água. Os submarinos também 146
  • 147.
    precisam de energiaeléctrica para poder utilizar os equipamentos a bordo. Para fornecer essa energia, eles são equipados com motores a diesel, que queimam combustível e/ou reactores nucleares, que usam ficção nuclear. Os submarinos também possuem baterias. Os equipamentos eléctricos normalmente são ligados às baterias que, por sua vez, obtêm a sua energia do motor a diesel ou do reactor nuclear. Os aviões a jacto fazem uso de turbinas, como meio de propulsão, para a criação da força necessária para a movimentação da aeronave para a frente. Estes aviões possuem muito mais força e criam um impulso muito maior do que aviões que fazem uso de turbo – hélices. Ainda podemos encontrar outros transportes aéreos, nomeadamente o balão, que é uma aeronave cuja sustentação é assegurada por uma estrutura insuflada com gás ou ar quente, que se move por influência do vento, ou a avioneta, um avião de pequenas dimensões e pouco potente. Os monomotores, bimotores e turbo- hélices utilizam radiais como meio de propulsão. VEÍCULOS MOTORES E POLUIÇÃO Devido ao problema da poluição ambiental surgiu a ideia da criação de um automóvel com um consumo de combustível muito inferior aos veículos de hoje em dia. Tendo em consideração esse problema que nos afecta a todos, as empresas do sector automóvel continuam trabalhando para encontrarem uma solução que permita a 147
  • 148.
    diminuição do consumode combustível e da emissão de poluentes. Até agora é quase consensual que os veículos híbridos devem ser o caminho intermediário, até que seja adoptada uma solução mais definitiva e revolucionária como as células a combustível. Um investigador da Universidade de Missouri, ao debruçar-se sobre este assunto de interesse mundial, teve uma idéia diferente, em vez de substituir totalmente os motores a combustão, a solução também seria híbrida, mas com motores eléctricos alimentados por pequenas células a combustível, capazes de dar ao veículo uma autonomia de não mais do que 40 quilómetros. Baptizada pelo professor de tecnologia híbrida “plug-in”, a sua solução é uma versão modificada do veículo híbrido, que utiliza baterias para abastecer os seus motores elétricos. As baterias elétricas seriam mantidas, mas poderiam ser menores. Algumas marcas de prestigio no ramo automóvel tem vindo, aos poucos, a darem-nos uma ideia de como serão os automóveis do futuro. A Porsche anunciou que em 2010 vai disponibilizar no mercado dos híbridos o Cayenne S, com eficiência e um consumo de combustível igual a um motor de 4 cilindros e que pode atingir de 0 a 100 Km/h em sete segundos. O motor eléctrico do Cayenne S, que pode atingir 140 Km/h, sem a mínima necessidade de utilizar o motor de combustão, significa um grande beneficio para o meio ambiente, pois não emite poluentes e o consumo de combustível fóssil é nulo. 148
  • 149.
    MOVIMENTOS No meu dia-a-dia utilizo alguns termos para justificar os movimentos que os meios de transporte que utilizo efectuam. A velocidade média é uma grandeza vectorial que corresponde à razão entre o deslocamento (∆ r) e o intervalo de tempo necessário (∆ t) para se dar esta variação de posição. A unidade de medida da velocidade, no S.I., é o metro por segundo (m/s). No entanto, são vulgarmente utilizadas outras unidades de medida: quilómetro por hora (km/h), centímetro por segundo (cm/s), milha por hora (mph). No movimento rectilíneo uniforme, a velocidade é um vector que tem a mesma direcção, o mesmo sentido e o mesmo valor em todos os instantes. Em qualquer movimento uniforme o valor da velocidade é igual à rapidez média, a distância é directamente proporcional ao tempo e o valor da velocidade é constante. Este tipo de movimento verifica-se quando a velocidade é sempre a mesma num determinado intervalo de tempo, não varia. Se o corpo se movimenta segundo uma trajectória rectilínea com rapidez constante, isto é, percorre distâncias iguais em intervalos de tempo iguais. 149
  • 150.
    ∆X V= ∆t Como: ∆X = X − X 0 x = x0 + v.t Obtém-se a lei do movimento: X – Posição X 0 – Posição inicial V – Velocidade t – tempo Conhecendo a lei de um movimento é possível conhecer a posição do móvel em cada instante. Considerando a lei do movimento de uma partícula: X = 4 + 6. t Concluo que a posição inicial é 4 m e a velocidade é de 6 m/s Utilizando esta equação posso determinar a posição da partícula em qualquer instante, substituindo t pelos diferentes valores. Para t= 0s X = 4 + 6 x 0 = 4 m Para t= 1s X = 4 + 6 x 1 = 10 m Para t= 2s X = 4 + 6 x 2 = 16 m Para t= 3s X = 4 + 6 x 3 = 22 m Para t= 4s X = 4 + 6 x 4 = 28 m t (s) 0 1 2 3 4 X (m) 4 10 16 22 28 150
  • 151.
    A aceleração médiamede a variação da velocidade por unidade de tempo: A aceleração instantânea, tem o mesmo significado, apenas é calculada num intervalo de tempo muito curto, com duração quase nula. ∆v a= (m / s 2 ) ∆t Como: ∆v = v − v0 v = v0 + a.t Considerando a lei das velocidades de uma partícula material que descreve uma trajectória rectilínea: V = 10 + 5. t Concluo que a velocidade inicial é 10 m/s e a aceleração é de 5 m.s -2 Utilizando esta equação posso determinar o valor da velocidade em qualquer instante, substituindo t pelos diferentes valores. Para t= 0s V = 10 + 5 x 0 = 10 m.s -1 151
  • 152.
    Para t= 1s V = 10 + 5 x 1 = 15 m.s -1 Para t= 2s V = 10 + 5 x 2 = 20 m.s -1 Para t= 3s V = 10 + 5 x 3 = 25 m.s -1 Para t= 4s V = 10 + 5 x 4 = 30 m.s -1 t (s) 0 1 2 3 4 v (m/s) 10 15 20 25 30 Logo, concluo que a partícula se desloca com movimento rectilíneo uniformemente acelerado (m.r.u.a.) e que o módulo da velocidade aumenta no decorrer do tempo. No m.r.u.a., os vectores velocidade e aceleração possuem a mesma direcção e o mesmo sentido. Podemos observar o movimento acelerado no velocímetro de um automóvel que varia a sua velocidade. Movimento Acelerado 152
  • 153.
    Para além domovimento rectilíneo uniformemente acelerado, também existe o movimento rectilíneo uniformemente retardado (m.r.u.r). No m.r.u.r., os vectores velocidade e aceleração possuem a mesma direcção e sentidos opostos. Podemos perceber esse movimento quando um automóvel perde velocidade. Movimento Retardado O módulo da velocidade diminui no decurso do tempo, até parar. v t 153
  • 154.
    O movimento realizadopor uma partícula é circular uniforme, quando descreve uma circunferência com velocidade módulo (valor) constante. O movimento circular da esfera é consequência da acção sobre o corpo de uma força de valor constante e de direcção perpendicular em cada instante à da velocidade da pedra. O vector velocidade tem módulo constante, mas a direcção muda continuamente, pois mantêm-se tangente à circunferência em cada ponto. No movimento circular uniforme o corpo passa, de tempos a tempos, pelo mesmo ponto da trajectória, com a mesma velocidade. O movimento repete-se em intervalos de tempo constantes. Por isso, dizemos que o movimento circular uniforme é um movimento periódico. Período (T) – é o tempo que a partícula demora a realizar uma volta completa. A unidade SI do período é o segundo (s). Frequência (f) – é o número de repetições das características do movimento por unidade de tempo. A unidade SI da frequência é o hertz (Hz) ou s - 1 . No movimento circular e uniforme, um hertz corresponde a uma volta por segundo. Se uma partícula tiver a frequência de um hertz, em 1 min executará 60 voltas. A frequência é o inverso do período: 154
  • 155.
    1 f = T O conceito de força é um conceito a que estou habituado na minha vida diária. Este conceito está frequentemente associado à noção de força mecânica, que actua por contacto. É o caso, por exemplo, da força que fazemos para empurrar um caixote, para levantá-lo, atirá-lo, puxá-lo, ou da força que fazemos para nos segurarmos quando estamos num comboio que tem as habituais oscilações, travagens etc. Mas essas forças não são as únicas forças que existem na Natureza. Existem ainda as chamadas forças à distância que estão associadas às interacções gravítica, eléctrica, magnética, etc. O conceito e a definição da força surge com a 2ª lei de Newton, que é considerada a lei fundamental da Dinâmica. Esta lei enuncia que qualquer alteração da quantidade de movimento de um corpo ou partícula livre é devida à presença de uma força que se exerce sobre esse corpo ou partícula. Segundo Newton: a aceleração (a) adquirida por um corpo é directamente proporcional à intensidade da resultante das forças que actuam sobre o corpo, tem direcção e sentido da resultante de forças (F) e é inversamente proporcional à sua massa (m). Expressa-se pela equação: Caso existam várias forças a actuar num corpo, podemos considerá-las como uma única força que corresponde à soma vectorial de todas as forças: 155
  • 156.
    Em todas assituações da nossa vida, convivemos com o atrito. Se em muitos casos, a existência de atritos é prejudicial, pois implica uma diminuição de energia útil dos sistemas, há situações em que é muito útil. As forças de atrito resultam de interacções entre as superfícies em contacto. As superfícies, por mais polidas que sejam, têm a nível microscópicas irregularidades. São essas minúsculas saliências que, quando um corpo desliza sobre outro, interagem de forma complicada, com maior ou menor intensidade. A acção destas interacções traduz-se por uma força – a força de atrito. Numa situação de deslizamento de um corpo, em que o atrito tem uma acção contrária ao movimento, dizemos que está a actuar uma força de atrito que tem um sentido oposto ao do movimento e, como tal, retira energia do corpo. O PATRIMÓNIO Nas viagens pessoais e profissionais que faço pelo país aproveito para conhecer um pouco mais do Património. Normalmente, utilizo a palavra Património para definir aquilo que considero ser uma 156
  • 157.
    herança que podeser traduzida em bens materiais, valores, pessoas, etc. No entanto, património natural considero tratar-se da herança que a Natureza tem vido a transmitir aos homens, ao longo de milhares de anos. Portugal tem algumas zonas protegidas, devido à riqueza que esses locais têm em termos de paisagens e recursos naturais, como é o caso do parque nacional de Peneda-Gerês, na região norte; parque natural de Sintra-Cascais, na região centro; e o parque natural da Ria Formosa, no Algarve. OS ORGANOGRAMAS A Estrutura organizacional é o conjunto de relações formais entre os grupos e os indivíduos que constituem uma determinada organização. Define as funções de cada unidade da organização e os modos de colaboração entre as diversas unidades e é normalmente representada num diagrama chamado organigrama ou organograma. O organograma pode ser muito útil, porque facilita as decisões relacionadas com a gestão e comunicação entre os departamentos ou membros. Através de uma análise de um organograma é possível identificar deficiências hierárquicas na organização.Num 157
  • 158.
    organograma, os órgãossão dispostos em níveis que representam a hierarquia existente entre eles. Os organogramas deverão ter alguns requisitos, deverão ser de leitura fácil, permitir uma boa interpretação dos componentes da organização, fazer parte de um processo organizacional de representação estrutural e ser flexível. Como existem diversas formas de estruturar as organizações, logo existem diferentes tipos de organogramas: clássico ou vertical, sectorial, radial ou circular, horizontal, funcional, matricial, etc. O tipo mais comum de organograma é o Clássico ou vertical. É elaborado com rectângulos que representam os órgãos e linhas que fazem a ligação hierárquica e de comunicação entre eles. Este tipo de organograma procura deixar bem evidentes os níveis de hierarquia. Para além do organograma clássico, existem outros tipos, como, por exemplo, o Horizontal que tem uma finalidade idêntica à do organograma clássico, embora amenize a discriminação hierárquica, uma vez que a escala de poder é representada da esquerda para a direita e não de cima para baixo. 158
  • 159.
    O downsizing surgiucomo uma necessidade de solucionar o excesso de burocracia que se verificava em muitas organizações, o que, além da morosidade, dificultava a tomada de decisões e a adaptação às novas realidades ambientais. O downsizing resulta na redução dos níveis da gestão e na redução da dimensão da organização através da anulação de áreas produtivas não essenciais, centrando-se no que melhor sabem fazer (core competence), subcontratando ao exterior (outsourcing) actividades não fundamentais para o core-business permitindo uma maior flexibilização da estrutura organizacional. A aplicação do downsizing consistiu, na maior parte dos casos, no corte de custos em áreas consideradas não essenciais, resultando geralmente no despedimento de trabalhadores. Apesar das vantagens dos cortes nos custos e na maior flexibilização da organização, normalmente através da anulação de actividades relacionadas com áreas ou produtos menos rentáveis, o que permite uma concentração de esforços e recursos nas áreas mais rentáveis, o downsizing continua a ser muito criticado e mal aceite devido ao problema dos despedimentos. A reengenharia consiste em repensar e redesenhar radicalmente as práticas e processos nucleares da organização tais como o serviço ao cliente, o desenvolvimento de novos produtos, a cultura organizacional, a resposta às encomendas, entre outras, para 159
  • 160.
    aumentar a produtividadeatravés da redução de custos e do aumento do grau de satisfação do cliente. A reengenharia não procura introduzir melhorias em processos já existentes mas a eliminação e total reinvenção das regras e processos já ultrapassados, assim como os pressupostos fundamentais que lhe servem de base. A reengenharia parte de cima para baixo, dos gestores para os subordinados, e tem por objectivo obter resultados num curto espaço de tempo. O outsourcing é uma forma de acrescentar valor a um negócio transformando um centro de custos interno num serviço externo através da subcontratação, permitindo a libertação dos gestores para concentrarem a sua atenção nas áreas de negócio de maior importância estratégica. As principais vantagens do outsourcing são a libertação de recursos, incluindo a atenção dos próprios gestores, para enfoque no negócio central da organização; e o acesso a competências de organizações altamente especializadas e que beneficiam de importantes economias de escala e economias de experiência o que permite, por um lado, a introdução de melhorias significativas nos processos sobre os quais é efectuado o outsourcing e, por outro, a redução dos custos operacionais. Os processos a que deve ser aplicado o outsourcing são os processos de importância estratégica baixa para o negócio e simultaneamente de baixo risco. 160
  • 161.
    Os processos aque o outsourcing é mais frequentemente aplicado são a contabilidade, o processamento de salários, a consulta económica e financeira, a consultoria estratégica, os serviços de cobrança, o transporte de mercadorias, a consultoria jurídica, o recrutamento e selecção de pessoal, a formação, a manutenção de equipamentos, os serviços de limpeza, as pesquisas de mercado, a publicidade, entre outros. Uma das variantes do outsourcing é o outsourcing estratégico que corresponde à contratação no exterior de uma ou mais fases da cadeia operacional, tais como o design do produto, a investigação e desenvolvimento, o fabrico de componentes, ou a comercialização dos produtos através do estabelecimento de relações de cooperação. A INFORMÁTICA Actualmente, os sistemas operativos mais difundidos no mundo dos PC são os da família Microsoft Windows. Estes marcam uma viragem, no mundo dos PC, para os ambientes gráficos (GUI – Graphics User Interface). As primeiras versões dos ambientes de trabalho que conheceram algum êxito ficaram conhecidas como Windows 3.x e surgiram entre 1985 e 1995.No entanto, estas versões do Windows não eram sistemas operativos propriamente ditos, mas sim ambientes de trabalho gráfico que se instalavam sobre o MS-DOS, esse, sim, o real sistema operativo. As subsequentes versões do Windows 95 e 98 procuraram libertar-se do MS-DOS e afirmar-se como sistemas 161
  • 162.
    operativos autónomos, semque o tivessem conseguido a 100%. Estas versões do Windows ficaram conhecidas por Windows 9x. A primeira versão do Windows que surgiu integralmente como um novo sistema operativo sem qualquer relação com o MS-DOS foi o Windows NT (New Technology). O Windows NT surgiu com capacidades acrescidas ao nível da segurança da informação e do trabalho em rede, apresentando-se em duas modalidades: Windows NT server – destinado a gerir máquinas que desempenham o papel de servidor (server) em redes de computadores; Windows NT Workstation – versão para computadores que funcionam como estações de trabalho Workstations) ligadas em rede. Com a entrada em 2000, a Microsoft lançou o Windows 2000, também em duas versões: Windows 2000 server – para servidor de rede; Windows 2000 professional – uma versão para estações de trabalho ligadas em rede. O Windows Me (Millenium Edition) surgia como uma nova versão para PC de uso doméstico. Actualmente, as versões do Windows que estão a conhecer maior difusão são as seguintes: Windows XP Home Edition – destinadas a substituir a versões Windows 9x e ME; 162
  • 163.
    Windows XP Professional– destinado a substituir o Windows NT e o 2000 Server. Windows Vista O software de aplicação engloba todos os programas de computador que se destinam a realizar tarefas com interesse para os utilizadores, para além daquilo que o software de sistema permite ou é vocacionado. Entre os pacotes de aplicação mais úteis ao nível da utilização pessoal encontram-se os chamados pacotes de software de produtividade pessoal ou de escritório. Este tipo de software também é designado por Office suites ou pacotes de aplicação do tipo Office. A designação Office advém do facto de este tipo de programas se destinar, em grande medida, ao trabalho de escritório. Os pacotes de software de produtividade pessoal ou de escritório actualmente mais divulgados são as versões da Microsoft Office: MS Office 2003, MS Office XP e Microsoft Office 2007. Os pacotes de software de produtividade pessoal, de escritório ou Office suites costumam conter, como programas ou aplicações principais, os seguintes: Um programa de processamento de texto –por exemplo: Word (Office da Microsoft), WordPerfect (Corel Office), StarWrite (StarOffice), etc.; Um programa de apresentações –por exemplo: PowerPoint (MS Office), Lotus Freelance (Lotus Office), Corel Presentation (Corel Office), etc.; 163
  • 164.
    Um programa defolha de cálculo por exemplo; Excel (MS Office), Lotus 1-2-3 (Lotus Office), Quatro pró (Corel Office), etc.; Um programa de base de dados – por exemplo: Access (MS Office), Lotus Approach (Lotus Office), Paradox (Corel Office), etc.; Programas de agendamento de trabalho pessoal e/ou correio electrónico – como, por exemplo, o Outlook da Microsoft, etc. O funcionamento de um computador digital é baseado no cálculo binário. O sistema binário é um sistema de numeração que é comparável com o nosso padrão sistema decimal. O sistema usa 10 dígitos decimais, de 0 a 9, e é referido como um sistema de base-10. O sistema binário tem apenas dois dígitos, 0 e 1, assim é referido como um sistema de base-2. O bit (BInary digiT) é a unidade básica de informação utilizada nos computadores, tem o símbolo b e pode assumir dois valores, 0 ou 1. Um número binário constituído por 8 bits é designado por byte, um número binário de 16 bits é uma word, e um de 32 bits, uma double word. 35 2 1 17 2 1 8 2 0 4 2 0 2 2 0 1 164
  • 165.
    Para fazermos aconversão dos números binários para decimais podemos recorrer à calculadora científica que se ocupa da conversão. A minha idade (35 anos), no sistema binário é 100011. Os bytes representam todas as letras (maiúsculas e minúsculas), sinais de pontuação, acentos, sinais especiais e até sinais que não podemos ver, mas que servem para comandar o computador e que podem, inclusive, serem enviados pelo teclado ou por outro dispositivo de entrada de dados e instruções. Foram determinadas algumas medidas para que as pessoas compreendessem a capacidade de armazenamento, processamento e manipulação de dados nos computadores, nomeadamente: 1 Byte = 8 bits 1 Kilobyte (ou KB) = 1024 bytes 1 Megabyte (ou MB) = 1024 kilobytes 1 Gigabyte (ou GB) = 1024 megabytes 1 Terabyte (ou TB) = 1024 gigabytes 1 Petabyte (ou PB) = 1024 terabytes 1 Exabyte (ou EB) = 1024 petabytes 165
  • 166.
    1 Zettabyte (ouZB) = 1024 exabytes 1 Yottabyte (ou YB) = 1024 zettabytes Um monitor é um dispositivo de saída do computador que serve de interface visual para o utilizador, que permite a visualização dos dados e sua interacção com eles. Os monitores são classificados de acordo com a tecnologia utilizada na formação da imagem. Actualmente, essas tecnologias são duas: CRT e LCD. A superfície do monitor sobre a qual se projecta a imagem chama-se tela ou ecrã. CRT (Cathodic Ray Tube - tubo de raios catódicos) é o monitor "tradicional", em que a tela é repetidamente atingida por um feixe de electrões, que actuam no material fosforescente que a reveste, assim formando as imagens. LCD (Liquid Cristal Display - tela de cristal líquido) é um tipo mais moderno de monitor. Nele, a tela é composta por cristais que são polarizados para gerar as cores. As características técnicas mais relevantes de um monitor são: 166
  • 167.
    Áudio com trêscanais – Alguns monitores oferecem saídas de áudio para que o leitor possa recorrer ao set de colunas. SCART – Tal como acontece com os televisores standard, alguns monitores também dispõem de entradas SCART, o que torna possível a sua utilização com videogravadores e caixas digitais. VGA – É a ligação standard para ligar o PC ao monitor. Colunas – Alguns monitores trazem colunas embutidas. Alimentação – Os monitores consomem alguma energia, pelo que deve sempre ter o dispositivo ligado à tomada eléctrica. Ecrã – Existem imensos tipos diferentes de ecrãs. Luminosidade – É especialmente relevante no caso dos LCD. Mede a intensidade da luz no ecrã, quanto maior, melhor. Ratio de contraste – É a diferença em intensidade entre o mais brilhante dos brancos e o mais escuro dos pretos que um monitor consegue “mostrar”. Uma relação maior (600:1) é melhor que uma mais baixa, como é óbvio (300:1). Maior contraste representa normalmente uma representação de cores mais fiel. Tamanho do ecrã – É a distância diagonal no display, desde um canto ao outro. A área visível pode ser mais pequena. Se isso acontecer, deverá ver informações precisas nas especificações. Por exemplo: ecrã de 19 polegadas com uma área visível de 18”. Dot pitch – Um dot pitch mais baixo significa que os pixels estão mais próximos uns dos outros no display, razão pela qual as imagens têm mais nitidez. O valor “normal” é 0,26mm, mas 0,22mm é bastante melhor para o mesmo tamanho de ecrã. 167
  • 168.
    Taxa de refrescamento– Define quão rápido é “varrido” o ecrã do monitor. Quanto mais alto for o valor da refresh rate, mais estável ficará a imagem. Ajustamento de altura – Para que possa usar o seu monitor confortavelmente, é melhor que consiga ajustar a altura a que ele fica da secretária, de forma a poder subi-lo ou descê-lo. Efeito pivot – Alguns ecrãs podem rodar 90 graus, de forma a ficarem na vertical. Menus de instalação – Todos os monitores têm um menu embutido para definir a qualidade de imagem. A configuração de luminosidade e contraste é uma opção básica. Definição – é o número de pontos (pixel) que o ecrã pode afixar, este número de pontos é compreendido geralmente entre 640x480 (640 pontos em comprimento, 480 pontos em amplitude) e 2048x1536, mas as resoluções superiores são tecnicamente possíveis. OS MASS MEDIA II Actualmente, os media para além de fazerem a publicidade a marcas, modelos e características de telemóveis, também influenciam as pessoas a comprar novos equipamentos, em detrimento de outros. Por vezes, a pressão exercida pelos media faz com que as pessoas não efectuem as compras mais adequadas às suas necessidades. 168
  • 169.
    The communication revolvesaround the needs of the public and changed in all areas. Today, in different media, the word appears closely linked to the image and, sometimes, seems to take advantage of it. The image and visual message is an instrument of expression and communication. Whether expressive or communicative, a picture is always a message to another. The images have a great potential: because of their language, they can be understood anywhere in the world. It is the power of attraction of different media that we do every day, sometimes several hours a day, the television, the Internet, but also leads us sometimes to the cinema and reading of journals, newspapers and even books. The communication of the masses is a closed circle, which knows who influences whom and who is influenced by whom. Indeed, there is the idea that the media, particularly television, through the issuance of numerous images, coordinate the social, political and economic viewers. Previously, the media were basically the newspapers and then came the radio and television, but at the end of the twentieth century, the Internet also entered the sector. Even mobile phones can already be considered a new form of media. In the era of globalization, the digital information has become a new merchandize in circulation. 169
  • 170.
    Today, the mediacannot sell date information to citizens, but they are selling the citizens to advertisers. The revolution of the digital age has attracted to the sector of information, with the prospect of easy profits, a group of businessmen from various sectors that have built great empires, monopolizing the media. The media should have freedom of expression, with certain obligations, for example, respect for human dignity. Also the people are among the forces that are able to influence the media. The economic groups influence the information to gain big profits, but can also provide more resources and protect the contents of governmental pressures and advertisers and provide them a better investment. The Internet has, however, make possible the existence of alternative forms of expression and lead to an inconsistent journalism, made by citizens. As campanhas publicitárias de telemóveis concebidas com o objectivo de convencer as pessoas a comprar determinados modelos, muitas vezes, conseguem transmitir a ideia de que o telemóvel é um objecto indispensável. Os media conseguem ter muito impacto na sociedade, principalmente, a televisão, que tem um grande poder de influência nos telespectadores. Através da transmissão de informação, 170
  • 171.
    conseguem criar modas de uso de equipamentos, o que é, perfeitamente, visível nas pessoas. A IMPORTÂNCIA DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO É fundamental termos conhecimentos de TIC, porque ao sabermos usar todas as suas ferramentas de um computador, temos nas mãos um mundo de programas, facilidades e muita interacção, para pesquisas, trabalhos, descobertas e comunicação. Embora a tecnologia da informação não substitua o homem e as suas mais complexas capacidades, possibilita que esse homem faça mais coisas em menos tempo e com mais eficiência. As Tecnologias da Informação e da Comunicação estão cada vez mais presentes nas nossas actividades, enquanto estudantes, profissionais, ou simplesmente como seres humanos, criadores de conhecimento e utilizadores da informação. A forma como nos organizamos, trabalhamos, divertimos e até pensamos, é influenciada pela utilização das tecnologias. Numa Sociedade da Informação, as pessoas aproveitam as vantagens das tecnologias em todos os aspectos das suas vidas: no trabalho, em casa e no lazer. A INTERNET A Internet traz-nos a informação com, apenas, um clique. 171
  • 172.
    A Internet (abreviaçãode Interconnected Networks) é formada por milhares de redes regionais e nacionais que, todas interligadas entre si, criam uma rede virtual comunicando a velocidade elevada e utilizando as mais diversas tecnologias. As redes que fazem parte da Internet pertencem às mais variadas instituições, desde universidades a empresas passando por instituições governamentais e militares. Nem todas as redes que constituem a Internet estão abertas ao público. Existem redes privadas destinadas à comunicação no seio das organizações, e estas são de domínio privado. Para percebermos como nasceu a Internet é necessário recuar até ao ano de 1957. Nesta época a União Soviética lançou para o espaço o primeiro satélite. Parte da resposta americana ao avanço tecnológico da União Soviética foi a criação da ARPA (Advanced Research Projects Agency). No final da década de 60, esta agência criou uma rede experimental chamada ArpaNet, que utilizava uma tecnologia chamada packet switching para o transporte de informação, tecnologia que serve de suporte às comunicações efectuadas na Internet. Esta tecnologia funciona da seguinte forma: quando um computador de uma rede quer enviar informação a outro computador, divide essa informação em diversos pacotes, e em vez de estabelecer uma ligação directa ao computador receptor, envia os pacotes para o computador mais perto de nós, com indicação em cada pacote do computador remetente e do computador destinatário. Os pacotes 172
  • 173.
    viajam pelos computadoresque estão ligados entre si, e cada computador encarrega-se de enviar os pacotes pelo caminho mais curto disponível até ao destino. A grande vantagem deste sistema é o facto de ser à prova de ataque, porque se parte do sistema ficar indisponível, a rede é inteligente o suficiente para enviar a informação através das linhas e computadores ainda disponíveis. Os correios funcionam de uma forma semelhante: ao colocarmos uma carta (pacote) no correio ela tem o endereço de destino mas não é enviada directamente para casa do destinatário. Primeiro a carta é recolhida pelos funcionários do posto de correios local, é enviada para o posto mais próximo do destinatário e de seguida é levada pelo carteiro até à casa do destinatário. Se o posto de correios mais próximo estiver fechado a carta é enviada para o posto imediatamente anterior e distribuído a partir daí. Inicialmente, apenas organismos militares e grandes universidades estavam ligados entre si pela ArpaNet, mas com o crescimento da rede foi sendo permitida a entrada de empresas e outras redes mais pequenas foram-se ligando também a esta rede, formando um conjunto de redes de computadores ligadas entre si, a que hoje se chama Internet. A Internet não tem nenhum ponto central, nem é gerida por ninguém, é apenas um conjunto de redes de computadores ligadas entre si, que utilizam a mesma tecnologia para enviar e receber informação. 173
  • 174.
    O e-mail (electronic-mail) foi o primeiro serviço a ser disponibilizado, em 1972, embora demorasse algum tempo até que as suas potencialidades fossem assimiladas. As páginas Web, a face mais visível da Internet, apenas foi criada em 1993, e foi esta tecnologia utilizada na Internet a responsável pela verdadeira explosão de número de utilizadores, computadores e redes ligadas entre si. Até à época, os utilizadores da Internet apenas trocavam correio electrónico, descarregavam ficheiros e utilizavam serviços baseados em texto. O principal objectivo da Internet é a partilha, divulgação e comunicação de informação entre os seus utilizadores. A partir do momento em que um utilizador se liga à Internet, pode realizar uma série de operações que dependem apenas da sua vontade e das suas necessidades de informação, não existe um plano a seguir. Por exemplo, uma pessoa pode começar por consultar o site (o conjunto das páginas de informação disponibilizadas por uma entidade) de uma revista, onde lê que a sua banda preferida vai realizar um concerto em Faro e decide assistir ao espectáculo, depois, acede ao site da empresa que vende os bilhetes e reserva o seu lugar no concerto. Por último, e ainda através da Internet, liga-se aos seus amigos que estão nesse momento a utilizar a Internet e conversa com eles, enviando-lhes e recebendo mensagens, entre as quais os convida para irem ao concerto. Os principais serviços que podemos utilizar através da Internet são: e-mail (correio electrónico), Web (acesso a informação 174
  • 175.
    disponível em páginas Web), IRC (conversas em tempo real, constituídas por trocas de curtas mensagens de texto), Instant Messenger (troca de mensagens instantâneas), FTP (transferência de ficheiros). O correio electrónico é o envio e recepção de mensagens electrónicas através de um programa adequado. Para enviarmos uma mensagem, basta termos o endereço electrónico do destinatário, digitá-lo, assim como o assunto e o texto da mensagem. Depois, a mensagem demora alguns segundos a chegar à caixa de e-mail do destinatário. A Web é um dos serviços mais utilizados na Internet, e muitas pessoas confundem a Web com a Internet, porque pensam que as páginas Web são a Internet, mas na realidade a Web é apenas um dos serviços disponíveis da Internet. O IRC (Internet Relay Chat) é o serviço que permite conversar com outros utilizadores em tempo real, em modo de texto. Ao utilizarmos um programa para este tipo de serviço podemos escolher um dos muitos servidores de conversa disponíveis, um nick name (pseudónimo) e, escolher um dos muitos canais, também chamados de salas, para conversarmos com os utilizadores que aí estiverem presentes. Tudo o que escrevermos numa sala pode ser lido pelos utilizadores da sala, e vice-versa. Também é possível conversar em privado com um só utilizador. O Instant Messenger é um serviço de mensagens instantâneas, que nos permite definir uma lista de amigos e verificar, sempre que 175
  • 176.
    estão ligados àInternet. Também permite enviar mensagens sem utilizar o correio electrónico. O FTP (File Transfer Protocol) é um conjunto de regras que permite transferir informação entre dois dispositivos electrónicos. O protocolo FTP é utilizado para disponibilizar ficheiros e pastas possibilitando a respectiva transferência através da Internet. Ao fazer uma análise da evolução histórica da Internet apercebo-me que a finalidade para a qual que foi criada e inicialmente utilizada, principalmente para fins militares e para utilização de apenas algumas instituição, já não é a mesma dos nossos dias. Actualmente, a Internet tornou-se um meio de troca de informação ao alcance de todos, não para apenas um grupo restrito. O actual utilizador pode ir desde o professor, ao aluno e até mesmo à dona de casa, que pouco percebe de tecnologia. Tornou-se vulgar o convívio online e qualquer pequena empresa tem um site na Internet. O tipo e a dimensão da instituição que a utiliza já não tem importância, o que me faz concluir que nos nossos dias a tecnologia utilizada na criação da Internet está ao dispor da sociedade, para os mais variados fins. Nas formas de acesso à Internet, estão incluídas, redes para a utilização da Internet com ou sem fios. A conexão por dial up, também conhecida como banda estreita, é um tipo de acesso à Internet no qual um utilizador usa um modem e 176
  • 177.
    uma linha telefónicapara se ligar a uma rede do provedor de Internet (ISP - Internet Service Provider). Apesar desta forma de acesso à Internet ainda existir, está perdendo cada vez mais espaço no mercado, devido ao aumento dos acessos de banda larga, existentes no mercado, como por exemplo a DSL ou ADSL, ligações por cabo e por rádio, entre outros tipos de conexões, e também devido à baixa velocidade da conexão. Ainda assim, é utilizada em áreas onde a banda larga não está disponível ou não é viável. Inicialmente, banda larga era o nome usado para definir qualquer ligação à Internet acima da velocidade padrão dos modems analógicos. Usando linhas analógicas convencionais, a velocidade máxima de ligação é de 56 Kbps. Para obtermos uma velocidade acima desta temos que optar por uma outra forma de ligação do computador com o fornecedor do serviço. Actualmente, existem várias soluções no mercado. De acordo com a Anacom , 88,4% dos clientes Internet em Portugal tinham acesso por banda larga em Novembro de 2006, tendo o número de utilizadores de banda larga aumentado mais de 50% em 2006. Mais de metade das ligações em banda larga são feitas através do ADSL "Asymmetric Digital Subscriber Line". Em Portugal, são várias as empresas que disponibilizam este serviço, que nos permite o acesso à Internet, nomeadamente a Sapo ADSL (Portugal Telecom), Clix ADSL (Sonaecom SC ), Tele2, Oni , 177
  • 178.
    Netcabo ADSL (Netcabo), Duplex ADSL (Vodafone ), Novis ADSL (Sonaecom SC ) e a Meo (Portugal Telecom). A tecnologia wireless, sem fios permite a conexão entre diferentes pontos sem a necessidade do uso de cabos, através de equipamentos que usam radiofrequência ou comunicação via infravermelhos. A Wireless é uma tecnologia capaz de unir terminais electrónicos, geralmente computadores, entre si devido às ondas de rádio ou infravermelhos, sem necessidade de utilizar cabos de conexão entre eles. O seu uso mais comum é em redes de computadores, onde a grande maioria dos usuários utiliza-se da mesma rede para navegar pela Internet no escritório, bar, aeroporto, parque, em casa, etc. Uma rede de computadores sem fios são redes que utilizam ondas electromagnéticas em vez de cabos, tendo sua classificação baseada na área de abrangência delas: redes pessoais ou curta distância (WPAN), redes locais (WLAN), redes metropolitanas (WMAN) e redes geograficamente distribuídas ou de longa distância (WWAN). A tecnologia por cabo, também conhecida por Cable Modem, utiliza as redes de transmissão de TV por cabo convencionais para transmitir dados em velocidades que variam de 70 Kbps a 150 Mbps, fazendo uso da porção de banda não utilizada pela TV a cabo. Utiliza uma topologia de rede partilhada, onde todos os utilizadores partilham a mesma largura de banda. 178
  • 179.
    Para este tipode acesso à Internet utiliza-se um cabo coaxial e um modem. O computador do usuário deve estar equipado com placa de rede Ethernet. Em Portugal, todas as companhias de TV por cabo disponibilizam internet por cabo: TVCabo , Cabovisão , Bragatel , TVTEL , Pluricanal . A maior velocidade disponível em Portugal é de 60 Mbps e é oferecida pela TVTEL. Antigamente, era muito difícil obter determinadas informações e, quando as conseguíamos era com uma perda substancial de tempo. Recordo-me que, muitas vezes, para conseguir uma simples informação, tinha de atrasar o trabalho, juntando a isto, os gastos associados às deslocações. O telemóvel e o computador com Internet são dois instrumentos indispensáveis para mim, hoje em dia, e fazem a diferença na minha vida pessoal e profissional. Utilizo-os para organizar muitas coisas importantes e permitem encurtar distâncias entre pessoas e serviços. Com esta proximidade virtual, ganhamos tempo e dinheiro, que podem ser investidos noutras áreas. OS ELECTRODOMÉSTICOS No meu dia-a-dia utilizo vários electrodomésticos, aparelhos que vieram ajudar na realização das tarefas domésticas, principalmente às mulheres, porque ainda hoje são elas quem mais se ocupa das tarefas do lar. A função dos electrodomésticos é, essencialmente, a de facilitar a execução das várias tarefas domésticas, tais como cozinhar, 179
  • 180.
    conservar os alimentos,limpar a casa, lavar e engomar a roupa, nos cuidados de beleza e alguns são utilizados como formas de entretenimento. O USO RACIONAL DA ENERGIA Considerando que cada vez mais se compram electrodomésticos, compete-nos fazer um uso racional da energia sem pôr em causa a nossa qualidade de vida. Se tivermos consciência de como é gasta a energia nas nossas casas, podemos tomar algumas medidas para pouparmos energia, algum dinheiro e estamos a contribuir para um melhor ambiente. Quando tenciono comprar um electrodoméstico para além de verificar o preço, a marca e o volume, também, verifico a etiqueta energética. Por vezes, também, recorro à revista Proteste que faz estudos sobre os vários electrodomésticos. Através desta revista analiso e comparo as suas características técnicas dos electrodomésticos que pretendo comprar, antes de me dirigir aos estabelecimentos comerciais para os comprar. A etiqueta de eficiência energética, de apresentação obrigatória em local bem visível nos electrodomésticos, existe desde 1995. A atribuição da etiqueta energética levou a que se verificasse uma melhoria significativa na eficiência energética dos electrodomésticos, primeiro pela retirada do mercado dos equipamentos com classe inferior a D, e depois pelo incentivo que deu aos fabricantes para melhorarem os seus equipamentos, de tal forma que actualmente 180
  • 181.
    existem no mercadovários equipamentos com níveis superiores ao necessário para se obter a classificação máxima (A), tendo sido criadas as classes A+ e A++ para distinguir estes equipamentos. O aspecto que mais valorizo nos electrodomésticos é o preço, o consumo de energia e a eficiência energética do equipamento. Sempre que compro um electrodoméstico leio as suas instruções de utilização e quando o velho já não funciona e não tem recuperação entregue-o à loja, porque sei que esta irá entregá-lo a centros de reciclagem. Quando um electrodoméstico avaria, habitualmente, peço sempre um orçamento a um técnico especializado, depois de diagnosticado o motivo da avaria e de saber o preço da reparação, decido se irei repará-lo ou substitui-lo por um novo electrodoméstico. Antes de comprar o meu frigorifico, medi a área disponível na cozinha e acrescentei 1 cm às laterais, 5 cm na parte de trás, até à parede, e 10 cm no topo, porque sei que se eu tiver estas medidas 181
  • 182.
    em atenção estoua assegurar a circulação do ar e a fácil abertura das portas e gavetas. Os frigoríficos transferem calor do seu interior para o exterior, para conservar os alimentos a uma temperatura mais ou menos constante. O consumo de electricidade dos frigoríficos depende especialmente da regulação da temperatura, da capacidade de isolamento e do desempenho do compressor. A temperatura ideal de conservação dos alimentos é entre 3 e 5º C. Se regularmos o termóstato do frigorífico para temperaturas inferiores a 3ºC estamos a aumentar o consumo sem necessidade. É importante, as borrachas do frigorífico vedar bem, se as borrachas não estão a vedar bem, o frigorífico então a perde muita energia. A utilização e manutenção dos frigoríficos interfere muito no consumo de energia e por esse motivo devemos ter em atenção algumas situações: Assegurar a existência de espaço entre a parte de trás do frigorífico e a parede. O afastamento do frigorífico de fontes de calor (fogão, janelas) é muito importante para manter a sua eficiência energética, porque quanto mais aquecer mais vai ter que trabalhar para arrefecer, e vai consumir mais energia. Reduzir o número de vezes que abrimos a porta e o tempo que está aberta, pois 20% do consumo global dos equipamentos de frio é devido às aberturas das portas. 182
  • 183.
    A presença degelo nas paredes do congelador provoca um aumento no consumo de energia e por essa razão devemos evitar a formação destas camadas, fazendo a limpeza do gelo frequentemente. A grelha exterior do frigorífico deve ser limpa pelo menos uma vez por ano, para evitar grandes acumulações de poeiras e consequente redução na eficiência de arrefecimento do frigorífico, causando maior consumo de energia. Os alimentos retêm melhor o frio do que o ar, por isso quanto mais cheio estiver o frigorífico melhor. Mas não devemos abusar, os alimentos não podem estar comprimidos, porque o ar frio precisa de circular. O microondas é um electrodoméstico que permite descongelar alimentos, preparar cozinhados, aquecer comida com reduzidos consumos de energia e de tempo. A grande diferença num cozinhado feito num forno microondas é que o calor parte de dentro para fora, sendo o processo feito através da estimulação de moléculas de água, principalmente, e não da transmissão de calor, como num forno convencional. Existem vários tipos de microondas, nomeadamente, com ou sem grelhador. Também existem microondas encastráveis, integráveis e independentes. Os consumos destes electrodomésticos podem variar entre os 128 e os 883 Kw/h e a potência pode variar entre os 750 e os 3600 W. 183
  • 184.
    Devemos ter algunscuidados no uso deste aparelho, como por exemplo, não utilizar recipientes metálicos, porque reflectem os microondas, devemos tapar os alimentos para evitar salpicos e para reduzir o tempo de descongelação, devemos utilizar bolsas de plástico com pequenas aberturas resistentes ao calor e devemos limpar com cuidado o seu interior porque os restos de comida provocam um maior consumo de energia. Um aquecedor a óleo é um aparelho de uso doméstico que usa resistências eléctricas e um sistema de circulação de óleo para aquecer ambientes. Os aquecedores a óleo são muito usados como fonte básica de aquecimento para sistemas de aquecimento de ar e água. A maioria dos sistemas residenciais de aquecimento a óleo usados actualmente é chamada de compressor a óleo. Nesse tipo de sistema, o óleo é pulverizado em uma câmara de combustão a alta pressão, impulsionado por um compressor e aceso por uma faísca eléctrica. 184
  • 185.
    A maioria dosaquecedores a óleo utilizados actualmente é chamada de compressor a óleo. Nesse tipo de sistema, o óleo é pulverizado dentro de uma câmara de combustão a alta pressão. Os aquecedores a óleo mais usados não queimam o oxigénio e por isso são indicados para espaços pequenos, como por exemplo os quartos. Aquecem o ambiente sem eliminar a humidade, desligam-se automaticamente em caso de sobreaquecimento e têm controladores de temperatura. Os aquecedores eléctricos são muito mais simples que a óleo, mas ainda assim, podem apresentar problemas. Apesar de o sistema de aquecimento eléctrico ter vantagens, o custo operacional geralmente torna-o menos desejável que quaisquer outros sistemas de aquecimento. O alto custo significa que minimizar a perda de calor causada por ductos inadequadamente 185
  • 186.
    instalados ou pormau isolamento é ainda mais importante do que nos outros tipos de sistemas. Os aquecedores eléctricos usam elementos de aquecimento controlados por relés para aquecer o ar. Os elementos são alimentados por fusíveis em um painel separado. Os dois tipos de aquecedores referidos são bons, mas o aquecedor a óleo é mais seguro para quem tem crianças em casa, porque não tem o perigo destas encostarem-se e queimar-se. Quanto ao consumo de eletricidade, o aquecedor a óleo é mais caro. As bombas de calor são equipamentos que utilizam as diferenças de temperatura existentes na natureza (terra, ar e água) como fonte de energia para climatização (aquecimento ou arrefecimento). 186
  • 187.
    Para o aquecimento estes equipamentos retiram energia térmica do ambiente libertando-a dentro de casa. Os reversíveis também podem arrefecer, retirando energia de dentro da habitação e libertando-a no exterior. Estes equipamentos são bastante eficientes, com rendimentos de 300 a 600% (ou seja, por cada unidade de energia eléctrica consumida, são trocadas 3 a 6 unidades de energia térmica, entre o ambiente e a habitação). Mas há um problema com a maioria das bombas de calor, que é o facto de sobre os tubos externos depositar- se gelo, o que diminui a sua eficiência . Assim, a bomba de calor tem que derreter esse gelo periodicamente, e uma forma de fazer isso, é a bomba de calor alternar automaticamente para o modo de ar condicionado, para aquecer os tubos. Para evitar a queda de temperatura dentro de casa, a bomba de calor acciona também os aquecedores eléctricos para aquecer o ar frio que o ar condicionado está insuflando. Uma vez derretido o gelo, a bomba de calor volta para o modo de aquecimento. As bombas de calor mais comuns são: Geotérmicas – utilizam a diferença entre a temperatura constante do subsolo e a da habitação como fonte de energia, obtendo uma maior eficiência energética. Para a sua instalação serão necessárias movimentações ou perfurações do terreno que rodeia a habitação, para colocar os tubos por onde circula o fluído que realiza as trocas térmicas. 187
  • 188.
    Aerotérmicas – utilizama diferença entre a temperatura do ar exterior e a da habitação como fonte de energia. A sua instalação é mais simples que a das bombas geotérmicas, pois não exige trabalhos no solo, sendo a unidade exterior mais adequada a edifícios. No entanto, é necessário realizar obras para a ligação entre as unidades interiores e as unidades exteriores. Algumas bombas de calor permitem aproveitar a instalação de climatização já existente na habitação, tornando-a mais eficiente. Existem também equipamentos com a função de aquecimento de águas para uso sanitário. Podem ainda ter como complemento instalações de painéis solares térmicos. As bombas de calor consomem 3 a 6 vezes menos do que um aquecedor normal e utilizam as diferenças de temperatura existentes na natureza para produzir calor. Assim sendo, necessitam de menos energia eléctrica para produzir a mesma quantidade de calor. Os acumuladores de calor são uma das formas de aquecimento eléctrico mais populares. São práticos e eficientes e, constituem a base da maior parte dos sistemas de aquecimento doméstico eléctrico, e são também ideais para complementar outros tipos de aquecimento já existentes. A sua instalação em escritórios ou outros ambientes comerciais é frequente, porque são equipamentos fiáveis e versáteis. Os acumuladores de calor eléctricos têm a grande vantagem da tarifa nocturna de baixo custo (tarifa bi-horária) para proporcionarem um sistema de aquecimento eficiente e económico. Essa tarifa é 188
  • 189.
    disponibilizada ao cliente,quando requisitada, à companhia de distribuição de electricidade, apresentando um custo por quilowatt, cerca de 41% inferior à tarifa normal diurna. Do uso de uma tarifa menos penalizadora para o utilizador surgem duas vantagens: a economia e a dispersão dos picos de consumo, uma vez que, não sobrecarregam as instalações no horário diurno. Outra vantagem é que, com custos de instalação muito baixos e sem necessidade de manutenção programada, o custo de utilização do sistema de acumulação de calor é consideravelmente inferior a outros sistemas de aquecimento. Comparativamente às alternativas em sistemas de aquecimento disponíveis no mercado, a acumulação de calor eléctrica é economicamente rentável. Apresentando um consumo máximo de apenas 7 horas por dia sob a tarifa bi-horária, instalação fácil e pouco dispendiosa, sem tubagens, caldeiras ou armazenamento de combustível a considerar, apenas uma simples fixação à parede e a ligação ao circuito eléctrico. Dispensam por completo, qualquer plano de manutenção regular pré-estabelecido, algo que mais nenhum outro sistema de aquecimento de características semelhantes pode argumentar: • Utilizam a electricidade mais barata dos períodos de vazio (tarifa bi-horária) • Funcionamento silencioso • Possibilidade de regulação por período de utilização. 189
  • 190.
    A ausência de partes móveis complexas proporciona uma longa vida útil do aparelho e a quase inexistência de manutenção. • Ambiente confortável • Versatilidade na selecção de temperaturas Grande flexibilidade na instalação, uma vez que se tratam de aparelhos individuais. Em resumo, os acumuladores de calor eléctricos são sistemas de aquecimento para toda a casa, cujas principais características e benefícios são a sua eficiência energética, rentabilização de despesas em consumos, fácil instalação e manutenção, melhorando o nível de conforto global de toda a habitação. A ELECTRICIDADE A corrente eléctrica é o que coloca os aparelhos a funcionar, entre os quais os electrodomésticos. A corrente eléctrica é um fluxo de partículas electricamente carregadas e que pode ser temporária ou permanente. A corrente eléctrica temporária é do tipo da que é produzida na descarga eléctrica durante as trovoadas. Permite manter um fluxo contínuo de cargas eléctricas como, por exemplo, nas pilhas. As pilhas são constituídas por dois metais diferentes (eléctrodo negativo e positivo) e uma solução condutora (electrólito). A produção da corrente é devida à existência de reacções electroquímicas que 190
  • 191.
    provocam um fluxode cargas que se transmite ao circuito exterior, quando ligado às pilhas. A circulação de cargas eléctricas faz-se do pólo negativo para o positivo – sentido real da corrente. No entanto, convencionou-se que, nos circuitos eléctricos, o sentido da corrente é do pólo positivo para o negativo – sentido convencional da corrente. Sentidos da corrente eléctrica Um circuito eléctrico é constituído por uma sequência de componentes por onde circula a corrente eléctrica. Os circuitos eléctricos podem ser descritos através de palavras, fotografados ou desenhados. A forma mais habitual de os representar é através de esquemas onde são utilizados símbolos para representar os diferentes componentes. Na tabela que se segue, estão representados os símbolos de alguns desses componentes: 191
  • 192.
    Os diferentes componentes de um circuito eléctrico desempenham uma função específica: Fontes de energia – componentes de um circuito que produzem energia eléctrica a partir de outra forma de energia. Exemplos: pilha, gerador, bateria. Receptores de energia – componentes de um circuito que transformam energia eléctrica noutra forma de energia. Exemplos: lâmpada, motor, resistência. Fios de ligação – componentes de um circuito eléctrico cuja função é estabelecer a ligação entre os restantes componentes que o constituem. Interruptor – componente de um circuito eléctrico que tem como função interromper ou permitir a passagem da corrente eléctrica. 192
  • 193.
    Aparelho de medida– componentes de um circuito eléctrico que permitem medir as grandezas que se pretende analisar. Exemplo: voltímetros, amperímetros. A intensidade da corrente eléctrica é uma grandeza que mede a carga eléctrica que passa em cada secção do circuito, por unidade de tempo. Representa-se pela letra I. Para medirmos a intensidade de uma corrente eléctrica, utilizamos um aparelho chamado amperímetro. Regras para a utilização do amperímetro: Seleccionar o comutador para corrente contínua ou alterna, consoante o circuito em que se pretende efectuar a medição. Seleccionar a escala adequada em função do valor que se pretende medir. O ampere (A) é a unidade que mede a intensidade da corrente eléctrica, ou seja, a quantidade de carga eléctrica que passa num determinado ponto de um circuito eléctrico, por unidade de tempo. A força que é capaz de estabelecer corrente eléctrica, como por exemplo para acender uma lâmpada, chama-se força electromotriz. A tensão eléctrica ou diferença de potencial entre dois pontos de um circuito eléctrico é uma grandeza que representa a energia transferida entre esses dois pontos, por unidade de carga. Representa-se pela letra U. No Sistema Internacional de Unidades (S.I), a unidade de medida é o volt (V). Pode, também, ser utilizado o milivolt (mV). 1 V = 1000 mV 193
  • 194.
    1 mV =0,001 V O Volt é a unidade usada para indicar o valor das diferentes forças electromotrizes. O valor em volts é obtido medindo a diferença de potencial eléctrico existente entre seus terminais e para isso utiliza-se um aparelho chamado voltímetro. Regras para a utilização do voltímetro: Seleccionar o comutador para corrente contínnua ou alterna, consoante o circuito em que se pretende efectuar a medição. Seleccionar a escala adequada em função do valor que se pretende medir. Ligar o terminal positivo do voltímetro ao terminal positivo do gerador. O escoamento das cargas eléctricas num circuito mede-se através de uma grandeza física designada por resistência, cujo símbolo é R. No S.I., a unidade de medida é o ohm (Ω). A resistência pode ser calculada pela seguinte expressão: R = U I R – resistência, em ohm (Ω) U – tensão eléctrica, em volt (V) I – intensidade da corrente, em ampere (A) 194
  • 195.
    A resistência eléctricapode ser medida utilizando um aparelho chamado ohmímetro. A resistência eléctrica depende do material de que é feito o condutor. A resistência eléctrica relaciona-se com a oposição que os condutores oferecem à passagem de corrente eléctrica. Quanto menor é a resistência dos condutores maior é a intensidade da corrente nos circuitos eléctricos. Quanto maior é a resistência eléctrica dos condutores menor é a intensidade da corrente nos circuitos eléctricos. A palavra resistência é usada com dois significados diferentes: para indicar a propriedade que os condutores têm de se oporem à passagem da corrente eléctrica e para designar dispositivos que se opõem à passagem da corrente eléctrica. Existem dispositivos chamados resistências ou resístores, que também têm grande resistência eléctrica, como, por exemplo: Resistências metálicas Função Símbolo Foto Resistência metálica, juntamente coma resistência carvão é a mais utilizada em circuitos electrónicos. Potenciómetro Função Símbolo Foto 195
  • 196.
    É um tipode resistência variável comum, sendo normalmente utilizado para controlar o volume em amplificadores de áudio, variadores de tensão, tudo o que é ajustável em função de um valor variável de uma resistência. PTC Função Símbolo Foto É uma resistência dependente de temperatura com coeficiente de temperatura positivo. Quando a temperatura se eleva, a resistência do PTC aumenta. PTCs são encontrados em televisores, em série com a bobina desmagnetizadora, onde são usados para fornecer uma curta (tempo) corrente na bobina quando o 196
  • 197.
    aparelho é ligado. Uma versão especializada de PTC é o polyswitch que age como um fusível auto- rearmável. NTC Função Símbolo Foto Também é uma resistência dependente da temperatura, mas com coeficiente negativo. Quando a temperatura sobe, sua resistência cai. NTC são frequentemente usados em detectores simples de temperaturas, e instrumentos de medidas. 197
  • 198.
    Resistência Ajustável Função Símbolo Foto É uma resistência ajustável, é colocada no interior dos circuitos electrónicos, permite ajustes que se vão manter no funcionamento do circuito. LDR - Foto Resistência Função Símbolo Foto LDR (Light Depended Resistor) é uma resistência sensível à luminosidade exterior, pode ser ligada a circuitos que actuem com ausência de luz, ou com luminosidade. Www.electronica-pt.com Quando ocorre um curto-circuito, a diferença de potencial continua a ser a mesma mas a intensidade da corrente é muito grande porque o circuito não tem praticamente resistência. A energia eléctrica transformada em calor é também muito grande. 198
  • 199.
    O calor libertadoé tanto que os materiais isoladores podem arder e originar um incêndio. É por isso que as fichas que ligam os aparelhos eléctricos às tomadas estão equipadas com um dispositivo corta-circuitos fusível. A energia eléctrica é transformada nos receptores noutras formas de energia e a potência eléctrica é a grandeza que mede a rapidez com que a energia é transformada. Representa-se pela letra P. No Sistema Internacional de Unidades (S.I), a unidade de medida é o watt (W), pode ser utilizado o quilowatt (kW). 1 kW = 1000 W 1 W = 0,001 KW A potência de um aparelho pode ser calculada pela seguinte expressão matemática: P = U x I P – Potência, em watt (W) U – tensão eléctrica, em volt (V) I – intensidade da corrente, em ampere (A) 199
  • 200.
    Interior de umalâmpada O princípio da lâmpada incandescente verifica-se quando uma corrente eléctrica, suficientemente intensa passa por um filamento condutor, as moléculas do filamento vibram, aquecendo e, num determinado instante brilham. As actuais lâmpadas incandescentes utilizam um fio de tungsténio fechado num bulbo de vidro. Este fio tem um diâmetro inferior a 0,1 mm e é enrolado segundo uma hélice cilíndrica. Ao passar corrente eléctrica no filamento, este aquece a uma temperatura na ordem dos 3000º C. O filamento torna-se então incandescente, e começa a emitir luz. Antigamente, fazia-se vácuo no interior do bulbo, no entanto, facilitava a sublimação do filamento. Actualmente, injecta-se um gás inerte, habitualmente o argónio ou o criptónio. 200
  • 201.
    A lâmpada incandescenteé uma lâmpada de baixo rendimento, gera muito mais calor do que luz. Aproximadamente 5% da energia é transformada em luz. Quando existe corrente eléctrica, a resistência causa fricção e a fricção causa calor, quanto maior for a resistência mais calor produz. Por exemplo, o secador de cabelo tem um pequeno rolo de fios de grande resistência, que quando está ligado gera calor e permite secarmos o cabelo. As lâmpadas incandescentes existem com as potências de 60 watts, 75 watts, 100 watts, etc. O consumo de energia eléctrica, no S.I., é medido em joule (J) e é calculado através da expressão: E = P x t E – energia eléctrica, em joule (J) P – potência eléctrica, em watt (W) t – tempo, em segundo (s) Existe uma outra unidade muito utilizada para medir o consumo de energia eléctrica e que é utilizada nos contadores das nossas casas, o quilowatt-hora (kWh). Neste caso, para o cálculo da energia eléctrica, a unidade da potência eléctrica é o quilowatt (Kw) e a unidade de tempo é a hora (h) 201
  • 202.
    PREOCUPAÇÕES AMBIENTENTAIS NAEMPRESA II O meio ambiente é uma das grandes preocupações na minha empresa. Preservar o meio ambiente depende dos responsáveis e gestores da empresa, mas sobretudo dos funcionários. Todos os resíduos da empresa são recolhidos por empresas certificadas. Têm sido instalados equipamentos de extracção de fumos e poeiras com filtros, para que não sejam lançados na atmosfera os gases resultantes das soldaduras, poeiras de lixar e cortar as madeiras, e os fumos das pinturas. A empresa dispõe de pontos de armazenamento para separar todos os resíduos como os desperdícios de ferro, alumínio, inox, madeiras, papel e plásticos. Também, usamos aparadeiras para evitar o derramamento, para o chão, dos óleos usados nas montagens e na assistência dos sistemas hidráulicos. Os óleos usados são misturas complexas e variáveis de uma infinidade de substâncias químicas. Os óleos usados são classificados como resíduos perigosos, de acordo com a legislação em vigor, porque contêm inúmeros produtos perigosos que induzem graves riscos para a saúde e para o ambiente. A título de exemplo, contêm metais pesados, como cádmio, crómio e chumbo1. Quando o óleo usado é derramado no solo ou na água, contamina estes recursos e prejudica a vida das plantas e animais. O homem pode igualmente ser afectado quando bebe água 202
  • 203.
    ou, através dacadeia alimentar, quando se alimenta de plantas ou animais contaminados. Na água, o óleo cria uma barreira que não deixa passar a luz nem o oxigénio, afectando todos os seres vivos aquáticos. Estima-se que um litro de óleo possa contaminar um milhão de litros de água, ou seja, o equivalente a meia piscina olímpica. Para protegermos a nossa saúde e o ambiente é fundamental colocar o óleo usado em recipientes e locais próprios, para que depois seja recolhido e tratado correctamente. O número de computadores vendidos, quer para o mercado doméstico quer para o mercado empresarial, cresceu muito. Tendo em conta que, em média, para um computador existe uma impressora, é fácil avaliar a quantidade de consumíveis que diariamente são desperdiçados nos nossos caixotes do lixo. A estes poderemos ainda juntar um número elevado de tinteiros e cartuchos de faxes de jacto de tinta e toner, assim como cartuchos de toner das fotocopiadoras. Todos estes materiais possuem elevados riscos ambientais sendo necessário proceder à sua separação dos restantes lixos e à sua incineração para diminuir o risco de poluição. Nos últimos anos, tem-se assistido a um aumento dos níveis de poluição em todo o mundo, sendo as regiões mais desenvolvidas, aquelas que maior quantidade de poluentes produz. No entanto, nem só os actuais níveis de consumo das sociedades tecnologicamente mais avançadas podem ser 203
  • 204.
    considerados responsáveis peladegradação ambiental. O aumento na procura de bens e serviços resultante do crescimento demográfico mundial, e a consequente intensificação das actividades humanas contribuíram para a complicada situação ambiental em que o Mundo se encontra. As indústrias, os transportes e as actividades domésticas, comerciais e outras lançam para o ar grandes quantidades de dióxido de carbono (CO 2 ), metano (CH 4 ), dióxido de azoto (NO 2 ), clorofluorocarbonetos (CFC) que provocam uma concentração anormal destes gases, provocando uma elevada poluição atmosférica. A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA A poluição atmosférica é a principal causa de uma série de problemas bastante preocupantes para a humanidade, nomeadamente o aquecimento climático, o buraco na camada de ozono, as chuvas ácidas e o smog. Um dos problemas causados pela poluição atmosférica é o aquecimento climático da Terra. Esta subida anormal da temperatura resulta do aumento do efeito de estufa provocado principalmente pelo homem. Para além dos efeitos provocados pelo homem, também existem causas de origem natural que agravam o efeito de estufa como, por exemplo, os grandes incêndios florestais ou as erupções vulcânicas. As mudanças globais no clima da Terra e as suas consequências sobre todos os ecossistemas parecem irremediáveis 204
  • 205.
    se não setomarem medidas urgentes para reduzir a emissão dos chamados gases de efeito de estufa. O aquecimento global, resultante do intensificar do efeito de estufa, provocará a fusão das grandes calotes polares e dos glaciares das altas montanhas, o que terá como primeira consequência a subida do nível médio das águas do mar. A subida do nível médio das águas do mar dará origem à submersão de partes significativas da Terra, sobretudo nas pequenas ilhas e zonas de delta, como por exemplo o caso das ilhas Maldivas, das Canárias ou do delta do Nilo, no Egipto. Todos os países com áreas costeiras de reduzida altitude encontram-se ameaçados, sobretudo nas cidades litorais, onde vivem milhões de seres humanos. A modificação climática produzirá ainda um aumento dos valores da precipitação e, sobretudo, uma maior variabilidade na sua distribuição gerando cheias numas áreas e secas noutras. A maior concentração de ozono (O 3 ) existente na atmosfera verifica-se na estratosfera, ocupando uma faixa localizada entre os 20 e os 50 km de altitude, normalmente designada por camada do ozono. A existência deste gás é de extrema importância para a vida na Terra, porque funciona como um filtro, ao absorver cerca de 95% da radiação ultravioleta enviada pelo Sol. Apesar da enorme importância deste gás, a realidade é que, nos últimos anos, a sua concentração tem vindo a diminuir, sobre certas áreas, dando origem ao chamado buraco do ozono. 205
  • 206.
    Os principais responsáveispela destruição da camada do ozono são dois gases, nomeadamente os clorofluorcarbonetos e o halogéneo. Estes dois gases são substâncias químicas criadas pelo homem, que quando chegam às altas camadas atmosféricas tornam- se activos e provocam a destruição da camada do ozono, diminuindo a sua espessura. Essa diminuição deve-se à acção dos CFC, que entram na composição dos sprays, nos sistemas de refrigeração e das espumas. Por acção da radiação UV, os CFC libertam átomos de cloro, que vão destruir a camada do ozono. Os CFC libertos para a atmosfera, mantêm-se activos por mais de 100 anos e basta apenas um átomo de cloro para destruir muitas moléculas de ozono. A Europa, consumindo mais de metade dos CFC de todo o Mundo, é o principal responsável pela sua emissão para a atmosfera. O buraco é cada vez maior, na Antárctida, mas o Árctico também apresenta uma importante destruição. Contudo, os cientistas prevêem uma recuperação da camada de ozono, em 2010. Os CFC são provenientes de determinados tipos de indústria, do isolamento térmico e de alguns bens de uso corrente, como é o caso dos frigoríficos, dos aparelhos de ar condicionado, dos aerossóis, dos extintores, etc. As principais consequências para o Homem, da diminuição do ozono são o cancro da pele, os problemas de visão e a afectação do sistema imunitário. 206
  • 207.
    Os restantes seresvivos também sofrem alguns efeitos nomeadamente através de alterações genéticas, que terão reflexos em toda a cadeia alimentar. Podemos contribuir para diminuir a emissão de CFC para a atmosfera, por exemplo, quando comprarmos aerossóis, artigos de refrigeração ou espumas, devemos certificar-nos que não têm CFC; em vez dos sprays, devemos optar por produtos roll-on ou stick, desodorizantes que sejam amigos do ambiente, e devemos preferir produtos que respeitem o ambiente. As chuvas ácidas são outra das consequências da poluição atmosférica. O dióxido de enxofre (SO 2 ) e o óxido de azoto (NO), libertados em grande quantidade para a atmosfera, combinam-se com o vapor de água e o oxigénio, originado o ácido sulfúrico (H 2 SO 4 ) e o ácido nítrico (HNO 3 ) que, ao dissolverem-se nas gotículas de água de uma nuvem, acidificam-nas dando mais tarde origem a chuvas ácidas. As precipitações com elevado grau de acidez são responsáveis pela contaminação das águas e dos solos, pela destruição de florestas e das culturas, pela corrosão de edifícios, etc. As chuvas ácidas são um problema que não conhece fronteiras, uma vez que a circulação do ar na atmosfera transporta as partículas poluentes a grandes distâncias. Algumas medidas que podem ser colocadas em prática para minimizar as chuvas ácidas, são: reduzir o consumo de combustíveis fósseis e utilizar tecnologia mais eficiente que produza menos óxidos de enxofre e azoto. 207
  • 208.
    O “smog” éum fenómeno característico das áreas urbano- industriais, onde se registam elevados níveis de poluição. As grandes quantidades de partículas sólidas lançadas na atmosfera pelas indústrias e pelos transportes rodoviários constituem núcleos de condensação (pequenas partículas, por exemplo, poeiras, fumos, pólenes, etc., em suspensão na atmosfera em torno das quais podem ocorrer fenómenos de condensação) que, mantendo-se a baixa altitude, favorecem o aparecimento de nevoeiros. Por sua vez, estes nevoeiros impedem a disseminação dos poluentes para a alta atmosfera, dando origem a um espesso manto nebuloso muito poluído. Este fenómeno, para além de provocar problemas respiratórios e visuais, pode colocar em risco a própria vida das pessoas. Para combater o “smog”, as chuvas ácidas, o aumento do efeito de estufa, a destruição da camada de ozono e alterações climáticas, podem ser adoptadas medidas de preservação da Natureza, tais como: •A redução das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera; •A utilização de filtros nas chaminés das fábricas; •A promoção de energias alternativas, não poluentes; •A eliminação da utilização de CFC; •A utilização de tecnologias “limpas”. •A promoção da reciclagem; 208
  • 209.
    •A reutilização dedeterminados produtos, por exemplo a utilização de garrafas de vidro em substituição das de plástico descartável; A redução na utilização de determinados produtos mais poluentes, como o plástico. O uso de tecnologias “limpas”, colaboram no combate à poluição atmosférica, através de: •Redução dos consumos de energia através da sua utilização mais racional ou de utilização de outras fontes de energia alternativas responsáveis por menores emissões de CO 2 e de outros poluentes; •Utilização de combustíveis que reduzam as quantidades de poluentes emitidos (dessulfuração de derivados de petróleo ou utilização de gasolina sem chumbo, por exemplo); •Substituição de compostos nocivos, tais como os CFC e alguns solventes, por outros inofensivos ou de menores inconvenientes; • Utilização de tecnologias geradoras de menores quantidades poluentes. • Diminuta utilização de produtos com CFC, prejudiciais à camada de ozono. No entanto, o Homem dispõe actualmente de técnicas e conhecimentos suficientes para controlar a poluição do ar provocada pelas suas actividades, sendo necessário: 209
  • 210.
    Determinar as fontes dos contaminantes e identificá-los; • Demonstrar os efeitos na saúde e no ambiente de cada contaminante; • Preparar e pôr em prática medidas de prevenção e controlo da contaminação atmosférica, como a colocação de filtros. Algumas das medidas para minimizar as emissões de poluentes são: •Instalar depuradores (filtros líquidos) – ao passar os fumos da combustão por estes filtros, que têm água e cal, obtém-se um precipitado, com diminuição da emissão de poluentes; •Construir centrais e equipamentos de energia alternativa (ex. centrais de energia atómica, parques eólicos e solares); •Reduzir o consumo de electricidade. Contudo, estas medidas são economicamente dispendiosas uma vez que exigem tecnologia avançada, à excepção dos depuradores, que são muito eficazes e pouco dispendiosos; para além de problemas de segurança nas centrais de energia atómica e da gestão de conflitos e interesses entre os vários países. Por isso, só uma forte vontade política e económica poderá ajudar a resolver estes graves problemas ambientais. Enquanto a poluição der lucro e não for devidamente penalizada não haverá progressos significativos na sua redução. 210
  • 211.
    LIXO E RECICLAGEM Nos escritórios da empresa usamos papel e tinteiros reciclados, evitamos imprimir as mensagens de correio electrónico. São pequenos gestos, mas muito importantes, que podem ajudar a evitar o aquecimento global, ou seja, o aumento da temperatura da superfície terrestre que influencia o regime de chuvas e secas. Uma das consequências deste fenómeno é o derretimento dos glaciares da Antárctida que em ritmo acelerado aumenta o nível das águas do mar e, consequentemente, irá inundar as cidades costeiras. As lixeiras são depósitos não controlados de lixo, onde para além de não existir vedações, os resíduos não são cobertos e não há controlo de acessos, permitindo, a descarga clandestina de resíduos perigosos; não existem impermeabilizações, nem tratamento das águas contaminadas (águas lixiviantes), produzidas durante a biodegradação dos resíduos orgânicos. As lixeiras provocam a libertação de gases para a atmosfera que contribuem para o efeito de estufa ou, no caso de ficarem retidos, podem ocasionar incêndios. Por tudo isto, as lixeiras provocam a contaminação dos solos, dos rios e das águas subterrâneas, a libertação de fumos e de odores desagradáveis e, até, o aumento de roedores. Desta forma, constituem um risco para a saúde pública e para a degradação da paisagem e da Natureza. 211
  • 212.
    Actualmente, as lixeirastêm vindo a ser encerradas por todo o país e substituídas por sistemas integrados de gestão dos resíduos: aterros sanitários, incinerações e compostagens. Um aterro sanitário é um local construído, onde é feita a deposição controlada de resíduos, tendo em conta vários parâmetros de funcionamento. Contudo, apresenta algumas vantagens e desvantagens. As vantagens são: diminui a contaminação dos solos, rios, e águas subterrâneas, devido à impermeabilização; diminui a libertação de fumos e odores desagradáveis; evita a dispersão de materiais; evita a degradação da paisagem Enquanto as desvantagens são: a matéria-prima, com que se produziram os resíduos, não é recuperável; a médio e a longo prazo, a escolha dos locais, que reúnem todas as condições necessárias à construção destes aterros, começa a ser cada vez mais difícil. O processo de incineração consiste numa queima de resíduos em fornos especificamente construídos para o efeito, em condições controladas de temperatura e oxigénio, salvaguardando a combustão completa. As suas vantagens são: não exige do cidadão qualquer mudança no seu comportamento habitual; os serviços de limpeza são bastante simples, limitam-se a recolher o lixo que é depositado na central de incineração; os resíduos da incineração representam um volume 80% inferior ao dos resíduos originais; existe aproveitamento do calor produzido. 212
  • 213.
    Por outro lado,no que diz respeito às desvantagens, estas são: há perda de matérias-primas; existe emissão de gases de combustão, que podem conter poluentes tóxicos, devido, essencialmente, às dificuldades técnicas de controlo do processo; o resíduo resultante do procedimento de incineração é tóxico e deve ser armazenado num aterro para resíduos industriais; o custo deste procedimento é elevadíssimo e superior ao de qualquer outra solução. A compostagem é o processo de decomposição, na presença de oxigénio, da matéria orgânica dos resíduos empilhados, por acção de bactérias e fungos, produzindo uma substância húmica (Componente orgânica complexa do solo resultante da decomposição de tecidos vegetais e animais), designada por composto. Este processo permite tratar os resíduos orgânicos domésticos (restos de alimentos e resíduos de jardim), bem como os resíduos provenientes da limpeza de jardins e parques públicos. As suas vantagens são: contribui para reduzir o volume de resíduos; permite a aplicação do composto final no solo como fertilizante, o que permite devolver à terra os nutrientes de que necessita, aumentando a sua capacidade de retenção de água e evitando o uso de fertilizantes químicos As desvantagens são: riscos de maus cheiros em caso da pilha de compostagem não ser suficientemente arejada ou ter água a mais; se o contentor de compostagem for aberto, é fácil e possível atrair ratos, moscas, etc. 213
  • 214.
    Não existem soluçõesisentas de riscos e inconvenientes para o armazenamento dos resíduos, mas o abandono dos resíduos em locais não controlados representa perigos graves. OS MOVIMENTOS ECOLOGISTAS Os movimentos ecologistas têm vindo a crescer e a aumentar a sua influência, junto dos órgãos de poder forçando-os a tomarem medidas legislativas, assim como junto da opinião pública, consciencializando os cidadãos e chamando a atenção para os problemas ambientais. A nível internacional, a Greenpeace é a organização mais mediática e interveniente na defesa do ambiente por realizar acções de grande impacto na opinião pública, algumas muito polémicas, e até mesmo de desobediência civil. Em Portugal, as organizações não governamentais, como a Quercus, o Geota, Os Amigos da Terra e a Liga Para a Protecção da Natureza, têm tido um papel importante na defesa do ambiente. No nosso pais foi criada em 1987, a Lei de Bases do Ambiente (Lei n.º 11/87), e que tem como princípios gerais: - Todos os cidadãos têm direito a um ambiente humano e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender, incumbindo ao Estado, por meio de organismos próprios e por apelo a iniciativas populares e comunitárias, promover a melhoria da qualidade de vida, quer individual, quer colectiva. 214
  • 215.
    - A políticade ambiente tem por fim optimizar e garantir a continuidade de utilização dos recursos naturais, qualitativa e quantitativamente, como pressuposto básico de um desenvolvimento auto-sustentado. Ainda na mesma lei, no artigo 40º, estão descritos os direitos e deveres dos cidadãos, em questões ambientais, nomeadamente: 1- É dever dos cidadãos, em geral, e dos sectores público, privado e cooperativo, em particular, colaborar na criação de um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado e na melhoria progressiva e acelerada da qualidade de vida. 2- Às iniciativas populares no domínio da melhoria do ambiente e da qualidade de vida, quer surjam espontaneamente, quer correspondam a um apelo da administração central, regional ou local, deve ser dispensada protecção adequada, através dos meios necessários à prossecução dos objectivos do regime previsto na presente lei. 3- O Estado e as demais pessoas colectivas de direito público, em especial as autarquias, fomentarão a participação das entidades privadas em iniciativas de interesse para a prossecução dos fins previstos na presente lei, nomeadamente as associações nacionais ou locais de defesa do ambiente, do património natural e construído e de defesa do consumidor. 4- Os cidadãos directamente ameaçados ou lesados no seu direito a um ambiente de vida humana sadio e ecologicamente 215
  • 216.
    equilibrado podem pedir,nos termos gerais de direito, a cessação das causas de violência e a respectiva indemnização. 5- Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, é reconhecido às autarquias e aos cidadãos que sejam afectados pelo exercício de actividades susceptíveis de prejudicarem a utilização dos recursos do ambiente o direito às compensações por parte das entidades responsáveis pelos prejuízos causados. Cada vez mais me apercebo de que a Revolução Industrial mudou para sempre a relação entre o homem e a natureza. Várias actividades humanas lançam na atmosfera gases que provocam o efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO 2 ) entre outros, provocando o aquecimento global e perturbando a forma com que o clima mantém o equilíbrio. Cada vez mais, é necessário utilizar-se energias alternativas que combatam e controlem de algum modo as grandes emissões de CO 2 , produzidas pelo homem e que diariamente vão para a atmosfera. AS ENERGIAS ALTERNATIVAS As energias alternativas, são aquelas que a partir da primeira crise do petróleo (1973), se apresentam como substitutivas dos crudes e não são consideradas clássicas. Existem quatro tipos de energias típicas alternativas aos combustíveis fósseis, nomeadamente a solar, eólica, biomassa e a geotérmica. Costumam caracterizar-se pela sua 216
  • 217.
    descontinuidade de obtençãono tempo e pela sua irregularidade no espaço. Dependem de factores meteorológicos (solar e eólica) ou naturais (biomassa e geotérmica). Noutras épocas da história constituíram a principal fonte de energia, antes de serem postas de parte a pouco e pouco pelo desenvolvimento tecnológico. São energias limpas, visto que, como não estão concentradas, à semelhança das clássicas (carvão, petróleo, hidroeléctrica, gás natural ou nuclear), os seus efeitos sobre o meio ambiente são menos desfavoráveis. A energia solar não polui durante a sua utilização. Os painéis solares são cada vez mais potentes e o seu custo vem diminuindo, o que torna cada vez mais a energia solar uma solução economicamente viável. A energia solar é excelente para ser utilizada em lugares de difícil acesso, e a sua instalação em pequena escala não obriga a enormes investimentos. No entanto este tipo de energia ainda apresenta algumas desvantagens. A forma de armazenamento da energia solar é pouco eficiente quando comparada, por exemplo, com a dos combustíveis fósseis, a energia hidroeléctrica e a biomassa. A energia eólica é hoje considerada uma das mais promissoras fontes naturais de energia, principalmente porque é renovável. Além disso, as turbinas 217
  • 218.
    eólicas podem serutilizadas tanto em conexão com redes eléctricas como em lugares isolados. A energia eólica é renovável, limpa, amplamente distribuída e, se for utilizada para substituir fontes de combustíveis fósseis, auxilia na redução do efeito de estufa. A energia de biomassa é a energia obtida a partir da biomassa. A biomassa é a quantidade de matéria orgânica existente por unidade de volume ou superfície num ecossistema. As plantas transformam a luz em energia química por meio da fotossíntese. Armazenam anualmente dez vezes mais energia do que a armazenada pelos outros seres vivos, por todos os outros meios em conjunto. A energia química armazenada pelas plantas recupera-se queimando-as e transformando o calor em energia eléctrica. As centrais podem funcionar utilizando como combustível a matéria vegetal de plantações especiais. Se a produção de biomassa se fizesse a um ritmo viável, o dióxido de carbono produzido na combustão seria compensado pelo absorvido na fotossíntese e não provocaria o efeito de estufa. As turbinas de gás são utilizadas para gerar electricidade a partir da biomassa. Nelas, a biomassa é transformada em gás, queimando-se o combustível resultante e conduzindo-se os produtos da combustão para uma turbina onde se gera electricidade. A 218
  • 219.
    utilização da biomassacomo combustível oferece boas perspectivas nas áreas onde existem indústrias açucareiras e destilarias. Nos países produtores de cana-de-açúcar este sistema poderia produzir metade da energia que se produz actualmente por outros métodos. Além da utilização da biomassa para produzir electricidade, esta pode também ser utilizada para a produção de combustíveis sintéticos para outros fins. Tanto o metanol como o etanol surgem como combustíveis alternativos à gasolina, para os veículos. Em 100 anos, a temperatura média do planeta subiu 0,6ºC, é o suficiente para causar vários desastres naturais, como mortalidade de anfíbios, redução da cobertura de neve do planeta, redução da espessura do gelo do Árctico. O nível do mar também subiu, colocando em riscos cidades costeiras. AS MIGRAÇÕES DAS ESPÉCIES ANIMAIS O impacto do aquecimento global sobre os seres vivos é maior do que se imagina. As migrações de várias espécies estão relacionadas com as mudanças climáticas, por exemplo as borboletas do norte da Europa chegaram a mudar-se para regiões a mais de 150 quilómetros de distância de seu habitat devido às alterações de temperatura na estação quente. Várias espécies migram à procura de reencontrar as mesmas condições climáticas dos locais onde viviam anteriormente. 219
  • 220.
    O aquecimento globalestá a ocorrer em função do aumento de poluentes, principalmente de gases derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, gasóleo, etc.), na atmosfera. O EFEITO DE ESTUFA Os tipos de gases que mais existem na atmosfera são: ozono, dióxido de carbono e o mais grave é o monóxido de carbono. Os gases formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o efeito estufa. A desflorestação e as queimadas das florestas são as duas causas constantes do aquecimento. Os raios de Sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Embora este fenómeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se verificam as suas consequências a nível global. 220
  • 221.
    A retenção decalor na superfície terrestre pode influenciar directamente no aumento exagerado de chuvas e secas em várias partes do mundo, afectando cidades, plantações e florestas. Algumas florestas podem sofrer processos de desertificação, enquanto algumas plantações poderão ser destruídas por alagamentos. O resultado disto é o movimento migratório de animais e seres humanos. O processo de desertificação é provável que aconteça em algumas regiões, assim como a destruição de plantações. Acho necessário diminuir a desflorestação, logo, todos nós podemos contribuir para o aumento do reflorescimento, evitar o uso de produtos químicos, optar pelo consumo de produtos não prejudiciais para camada de ozono, diminuir a altitude a que os aviões lançam poluentes e diminuir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera. A RECICLAGEM Penso que em Portugal existe uma crescente preocupação no sector empresarial, em relação às questões ambientais, mas há ainda um longo caminho a percorrer. O ano passado, a reciclagem de produtos de metal foi a que mais se destacou, alcançando um valor na ordem dos 1,3 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de 50% do total. O sector de reciclagem integra cerca de 53 empresas privadas que fazem a reciclagem de embalagens e gerem um total de 62 centros de tratamento. Operam ainda em Portugal 34 sistemas 221
  • 222.
    municipais e algumasempresas que fazem a reciclagem dos resíduos industriais, ainda que sejam em número reduzido no nosso país. Porto e Aveiro são os distritos onde se concentra o maior número de centros de reciclagem, com 15 e 14 respectivamente, Setúbal com 7, Lisboa e Braga com 6. Prevê-se que as actividades de reciclagem dos resíduos em Portugal continuem a crescer a médio prazo, no entanto, a deterioração na produção industrial e o agravamento da conjuntura económica faz prever uma desaceleração nesta área para o biénio 2009-2010. Em Portugal o abate dos veículos em fim de vida (VFF) é uma das áreas onde se tem evidenciado uma maior preocupação e para isso existem centros especializados de abate, locais onde são usados métodos de reciclagem de materiais provenientes do desmantelamento de veículos, como: a Fragmentação. Numa instalação de fragmentação, os VFV desmantelados são triturados em pequenos pedaços, dando origem a três fracções: metais ferrosos (aço); metais não ferrosos (cobre, alumínio, magnésio, etc.); e, resíduos de fragmentação (plásticos, borracha, resíduos metálicos de pequena dimensão, etc.). Depois da fragmentação do VFV, os metais ferrosos são separados mediante a passagem por um campo 222
  • 223.
    magnético. Técnicas de triagem automáticas ou manuais permitem, em seguida, separar os metais não ferrosos dos restantes materiais. Durante e após a fragmentação, as partículas de materiais de menor densidade são aspiradas, dando origem à fracção denominada por resíduos leves de fragmentação. As fracções de metais ferrosos e metais não ferrosos são, posteriormente, encaminhadas para a reciclagem, sendo utilizadas como matéria-prima secundária em outros ciclos de produção, por exemplo, em siderurgias e fundições. Os resíduos de fragmentação são actualmente enviados para aterro. No entanto, encontram-se a ser desenvolvidas tecnologias de triagem pós-fragmentação, que permitirão seleccionar para valorização alguns dos componentes dos resíduos de fragmentação. (Fonte: VALORCAR) Para que os resíduos não prejudiquem a nossa saúde, é preciso tratá-los e aproveitá-los, mas só o podemos fazer se os separarmos primeiro. Através da recolha selectiva, é possível aproveitar o mais possível todos os resíduos potencialmente recicláveis ou reutilizáveis. Devemos assim separar os resíduos, de modo a poder dar-lhes destinos diferentes. 223
  • 224.
    Para que osistema de recolha selectiva funcione bem é necessário que todos nós demos uma ajuda. Assim, é necessário que cada um de nós, em nossa casa, comece a separar os diferentes tipos de lixo. Depois da nossa separação, estes deverão ser colocados nos devidos contentores do ecoponto , para que depois sejam reciclados. Se o lixo for logo separado, o resto do processo será extremamente facilitado. Depois dos resíduos separados devem ser levados para o ecoponto e colocados no contentor certo, de modo a que possam posteriormente ser conduzidos para as Unidades de Reciclagem. É importante não esquecer, que para que os resíduos sejam reciclados é necessários que estejam devidamente limpos. Assim, antes de serem colocados no ecoponto , deve sempre verificar-se se estão limpos. Os ecopontos são um conjunto de grandes contentores, cada um destinado a um tipo de lixo específico. Para permitir uma utilização mais fácil, cada um deles tem uma cor diferente. 224
  • 225.
    Os ecopontos sãoconstituídos por 4 contentores de cores diferentes. O de cor azul designa-se por papelão, o verde por vidrão, o amarelo por embalão e o vermelho por pilhão. Neles devemos depositar apenas os materiais correspondentes.  Papelão Colocar: papel e cartão; revistas; cadernos; jornais, sacos de papel, etc. Não colocar: guardanapos; lenços de papel; papel plastificado ou metalizado; papel autocolante; pacotes de batata frita; fraldas; etc.  Vidrão Colocar: garrafas; frascos; boiões Não colocar: espelhos; cristais; vidro de janelas; loiça; cerâmica; lâmpadas; boiões de perfumes e cosméticos; etc.  Embalão Colocar: Embalagens de plástico e metal, pacotes de leite, sumo e vinho; garrafas e garrafões de plástico; sacos de plástico limpos; esferovite; latas de refrigerante, etc. Não colocar: electrodomésticos; pilhas e baterias; tachos, panelas e talheres; embalagens de óleos, combustíveis e margarinas, etc.  Pilhão 225
  • 226.
    Colocar: pilhas usadase acumuladores (pilhas recarregáveis) Os ecopontos encontram-se espalhados por todas as localidades, perto das pessoas que quiserem utilizá-los. Uma vez colocados nos respectivos contentores do ecoponto , os resíduos são recolhidos, em camiões próprios, e são levados para a Estação de Triagem, onde sofrem uma escolha mais cuidada, na medida em que alguns tipos de resíduos podem ainda ser subdivididos em outras categorias (o caso das latas, entre as latas de alumínio e as de chapa). Todos os resíduos que não podem ser separados ou aproveitados, vão para o aterro sanitário. Quanto aos resíduos separados, estes são enviados para as Unidades de Reciclagem onde são aproveitados para produzir novos materiais, contribuindo assim para proteger o ambiente e a natureza. A reciclagem é uma forma de dar valor aos resíduos, em que se recuperam diferentes materiais, para que possam ser integrados noutros processos de fabrico, dando origem a novos produtos. Com este processo, reduzimos também as grandes quantidades de resíduos que vão para o aterro sanitário. Os produtos recicláveis têm interesse comercial. Só para se ter uma ideia, produtos como garrafas PET são transformados em cadeiras; as caixas do leite são usadas na confecção de telhas e brinquedos; os tubos de creme dental são aproveitados para divisórias e telhas, enquanto pneus usados são utilizados na confecção de cadeiras e puffs. 226
  • 227.
    Quando compramos produtosreciclados sabemos igualmente que estamos a poupar recursos extras, que seriam consumidos para produzir o mesmo produto, a partir de matéria-prima nova. No meu dia-a-dia, esforço-me por contribuir para um ambiente melhor, por exemplo, na deslocação para a empresa, eu e o meu irmão utilizamos o mesmo automóvel; evito a utilização do ar condicionado, porque sei que evito a emissão de gases poluentes para a atmosfera; em casa poupo a água ao optar pelo duche em detrimento do banho de imersão; fecho a torneira, enquanto ensaboo as mãos, lavo os dentes, corto a barba e lavo a louça do jantar. Estes os pequenos gestos contribuem para poupar o ambiente e euros. A GLOBALIZAÇÃO O euro, a moeda única europeia, é uma prova da globalização, ou seja, do processo de interdependência entre as sociedades do planeta. A globalização é o processo de integração mundial, com diminuição crescente das barreiras tarifárias entre os países, desenvolvimento do comércio internacional e de correntes de informações entre os vários locais do planeta. A produção da Serralharia Barros Lda. é de mais de 70% para clientes espanhóis. Esta proximidade com o povo vizinho, fez-me aprender a falar e a conhecer a língua espanhola, pelo menos, o suficiente para poder comunicar com os meus clientes. Por vezes, não é fácil este relacionamento, porque alguns clientes e outras 227
  • 228.
    pessoas com quemcontacto, em Espanha, não fazem qualquer esforço para comunicar. Penso que os meus clientes espanhóis, em comparação com os portugueses, pertencem a um povo mais divertido e que dá mais valor à vida, aos bens materiais e trabalha com menos stress, provavelmente, porque têm uma cultura diferente. No mundo, os povos não são todos iguais, nem se localizam todos na mesma região.Cada povo, cada sociedade possui a sua cultura, que é o conhecimento transmitido de geração em geração, resultante da forma como esse povo se relaciona com o meio envolvente, bem como do tipo de relação e de padrão comportamental existente entre os indivíduos. Assim, facilmente se identificam diferentes culturas distribuídas pelo mundo, as quais se distinguem pelos seus factores de identidade cultural. Os principais factores de identidade de um povo são a sua raça e etnia, a sua religião, a sua língua, a sua localização geográfica, a sua história, o seu vestuário, as suas técnicas, os seus costumes e ainda, a sua gastronomia. OS VALORES O conceito de valor pode ser entendido de várias formas. Os valores referem-se, em geral, sempre a acções, justificam-nas. Mas nem todos possuímos os mesmos valores, nem valorizamos as coisas da mesma forma. 228
  • 229.
    Os valores nãosão coisas nem simples ideias que adquirimos, mas conceitos que traduzem as nossas preferências. Existe uma enorme diversidade de valores, podemos associá-los da seguinte forma: Valores éticos: os que se referem às normas ou critérios de conduta que afectam todas as áreas da nossa actividade, por exemplo, a solidariedade, honestidade, verdade, lealdade, bondade, etc. Valores estéticos: os valores de expressão, por exemplo, a harmonia, beleza, etc. Valores religiosos: referentes à relação do homem com o sagrado e o sobrenatural, por exemplo, a pureza, santidade, etc. Valores políticos: justiça, igualdade, imparcialidade, cidadania, liberdade. Valores vitais: referentes à saúde, resistência física, etc. AS CARACTERÍSTICAS DOS INDIVÍDUOS As atitudes de cada ser humano não são determinadas pela sua herança biológica, mas por uma aprendizagem sociocultural. O processo de socialização implica a aquisição de hábitos e a interiorização de crenças e valores. São estes elementos da cultura que condicionam a adaptação do indivíduo à sociedade e a reprodução do modelo social e das suas características culturais, pois o indivíduo expressará a cultura do seu grupo no seu comportamento pessoal. 229
  • 230.
    A localização geográfica,por vezes, confere à população características próprias, mas a raça assim como a etnia a que pertencem também distinguem as populações na superfície terrestre. As diversas etnias humanas, devido às migrações, deixaram-se de restringir às suas áreas de origem e espalham-se pelo planeta. A localização geográfica também determina o tipo de habitação e de vestuário, muitas vezes de acordo com o clima. A história de um país também contribui para a identidade das populações, por exemplo, se um país foi colonizado pelos portugueses, a língua oficial é o português. As línguas são um importante veículo de transmissão de cultura, por exemplo, a Europa é um continente com uma grande diversidade de línguas e culturas. A religião é um fenómeno que contribui para a diversidade cultural e reflecte a visão que os povos têm do Mundo. Desde os tempos mais remotos que as religiões têm vindo a ser motivo de conflitos entre as sociedades. A cultura varia de sociedade para sociedade, já que nem todos os objectivos, crenças, valores e padrões de comportamento, respeitados por uma sociedade, são reconhecidos pelas outras. A sexualidade, por exemplo, sendo uma necessidade ligada à perpetuação da espécie, encontrou no mundo cultural humano uma grande variedade de formas de manifestação. Também a religião, embora esteja presente em todas as culturas, tem rituais e modos de conceber a natureza dos deuses bastante diferentes, 230
  • 231.
    É por issoque as pessoas educadas de acordo com os mesmos padrões culturais e submetidas aos mesmos valores apresentam comportamentos semelhantes. Cada cultura tem uma identidade a preservar. Os costumes, os usos e as tradições, são transmitidos de geração em geração e garantem a estabilidade cultural. A ALIMENTAÇÃO A alimentação desenvolve-se seguindo algumas regras da sociedade, que influenciam as nossas escolhas. Estas regras podem surgir representadas no modo de confecção dos alimentos, apresentação dos pratos, na distribuição das posições das pessoas à mesa, etc. De acordo, com os valores da sociedade a que pertence, o homem selecciona os recursos naturais disponíveis e transforma-os em refeições para satisfazer as suas necessidades. As práticas alimentares são apreendidas culturalmente e transmitidas de geração em geração, pelo que não são facilmente deslocadas e apreendidas. As restrições alimentares são as proibições relativamente à ingestão de determinadas bebidas e comidas, que as pessoas evitam ingerir por motivos religiosos, culturais ou de saúde. A alimentação é um complicado sistema que se traduz em hábitos, ritos e costumes. As regulamentações alimentares estão presentes na sociedade, ao observarmos as várias identidades étnicas, nacionais e regionais e, as religiões. 231
  • 232.
    São várias asreligiões que proíbem o consumo de certos tipos de carne. Para os muçulmanos não é permitido comer carne de porco e de animais carnívoros ou qualquer forma de sangue. Nesta religião, o abate de frangos deve seguir os rituais da religião islâmica. As práticas religiosas reflectem-se nos hábitos dos indivíduos no dia-a-dia e os hábitos alimentares não são excepção. Algumas restrições culturais contra o consumo de alguns animais podem ser atribuídas à sua função de animais de estimação. Dentro de qualquer sociedade , alguns tipos de carne são excluídos porque estão fora da definição aceite como género alimentar. O vegetarianismo é defendido por muitas religiões, como por exemplo na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Os praticantes desta religião têm regras de conduta próprias. Vestem-se de uma forma simples, cultivam um espírito pacífico e tranquilo, preservam o meio ambiente e zelam pela sua saúde, através de uma alimentação racional e de um equilíbrio entre a actividade física e o descanso. Estas práticas mostram disciplina e contenção, e também preservam o corpo enquanto receptáculo do Espírito Santo. Muitos adventistas defendem o regime vegetariano. E a isto não é indiferente o contexto histórico-social em que surge esta religião no séc. XIX. Esta foi a época das grandes reformas na área da saúde e da expansão do vegetarianismo. A alimentação dos adventistas 232
  • 233.
    privilegia os cereaisintegrais, fruta, verduras e oleaginosas; evitam as gorduras, a cafeína e os condimentos muito estimulantes. Rejeitam o tabaco, álcool e drogas. Os adventistas do sétimo dia são conhecidos como uma das comunidades mundiais que apresenta maior longevidade, atribuída à sua dieta alimentar. Também dão uma grande importância à educação e à saúde. Foram os fundadores por todo o mundo de várias escolas, onde as crianças podem seguir uma alimentação vegetariana, incluindo a Universidade de Linda Loma, nos EUA. Por toda a Terra, existem restaurantes vegetarianos, cujos seus proprietários são adventistas do Sétimo Dia. Na década de 90, os hábitos alimentares dos portugueses conheceram importantes mudanças na dieta, devido ao aparecimento das grandes superfícies, do fast food (alimentação rápida), à invasão dos produtos da União Europeia, etc. A dieta mediterrânica é uma alimentação saudável, descrita a partir de estudos feitos na população do sul da Europa e associada em particular a bom nível de saúde cardiovascular. Caracteriza-se pelo consumo elevado de alimentos ricos em hidratos de carbono complexos, fibras, vitaminas, minerais e numerosos antioxidantes protectores da saúde do coração, e pelo baixo consumo de alimentos ricos em gordura saturada e de grande valor calórico. Neste tipo de alimentação predominam: os cereais e derivados, incluindo o pão e as massas; legumes; hortaliças; leguminosas; frutos; arroz; e batata. Implica um consumo moderado de: ovos, peixe, carne de criação 233
  • 234.
    (aves, coelho). Aprincipal gordura utilizada é o azeite seja para temperar em cru, nas sopas ou em outras formas de cozinhar. A culinária escolhida é simples, as refeições são tomadas em ambiente tranquilo e o número de refeições diárias ronda as cinco. Do ponto de vista histórico, a dieta mediterrânica surgiu por influência da geografia, do clima, da flora e da fauna típica desta região da Terra. A dieta mediterrânica é uma espécie de filosofia de vida, baseada numa cultura e estilo de vida típico, em receitas e modos de cozinhar muito típicos, resultando numa alimentação composta por ingredientes tradicionais, actualizados em função da evolução tecnológica ao longo dos tempos. É uma combinação harmoniosa de vários elementos. Por um lado o sol, o mar, a tradição, a variedade e combinação de elementos, a moderação no consumo e a actividade física essencial à actividade profissional e ao dia a dia. Todos estes elementos combinam-se com os alimentos de uma vasta região. É de referir também outros aspectos, nomeadamente a existência de uma culinária simples, uma fronteira bem definida entre o que é festa e o que é o habitualmente consumido no dia-a-dia, a comida bem distribuída ao longo do dia, a sazonalmente adequada em função das estações do ano e das disponibilidades alimentares e bem adaptada à actividade física desenvolvida. De uma forma mais abrangente, podem-se classificar as vantagens da dieta mediterrânica, como sendo: 234
  • 235.
    Alimentares – Diversificada,fácil de confeccionar, saborosa, ajustada às necessidades e à vida actual. Nutricionais – Equilibrada, adequada, protege e previne várias doenças. Económicas – É muito económica, no entanto a União Europeia paga para não se produzir. Ambientais – É mais ecológica e amiga do ambiente. Existem vários métodos de confecção dos alimentos, nomeadamente: Assar - É a cozedura em forno tradicional ou a calor rotativo. As temperaturas variam em função das diferentes preparações culinárias. Vantagens dietéticas: em atmosfera seca, sem água e muitas vezes, sem gorduras, grande parte do valor nutricional do alimento é preservado. O sabor permanece concentrado dentro do alimento. Cozer - Os alimentos são mergulhados numa determinada quantidade de água fria ou já a ferver. O tempo de cozedura é variável em função do tipo de alimentos e do objectivo: curto, no caso de se pretender apenas branquear os alimentos; grande no caso de se querer uma cozedura profunda. Vantagens dietéticas: Se os alimentos forem mergulhados em água já a ferver, obtém-se um alimento muito saboroso. Os aromas e os nutrientes vão passando lentamente para a água da cozedura. 235
  • 236.
    A cozedura comágua em grande ebulição é de evitar porque provoca uma perda superior de minerais, bem como de vitaminas solúveis na água e sensíveis ao calor. Cozedura a Vapor - O alimento é cozinhado numa panela especial para o efeito, ou simplesmente pousado sobre um passador, em cima de água a ferver. Vantagens dietéticas: não há contacto com a água, o que permite preservar todas as propriedades e nutrientes dos alimentos, o seu sabor e a sua forma, ficando com um aspecto mais apetecível. Cozedura em Microondas - A cozedura dos alimentos é efectuada através de ondas electromagnéticas ultra curtas (Frequência de 2450 mHz). Elas são emitidas e conduzidas dentro do microondas e agem sobre as moléculas de água dos alimentos, agitando-as com força e aumentando a sua temperatura. Esta técnica é comparada à técnica de estufar, porque os alimentos cozem na sua própria água. Vantagens dietéticas: as perdas nutricionais são limitadas mas os aromas não se desenvolvem, nem atingem um aspecto crocante e dourado como no forno tradicional. Estufar- é uma cozedura lenta do alimento na sua própria água, uma vez que esta se vai condensando nas paredes da caçarola, hermeticamente fechada. Esta preparação não necessita de gordura e pode ser usada para legumes, carnes e peixes, ricos em água. 236
  • 237.
    Vantagens dietéticas: osabor dos alimentos é excelente. A sua água constitui um sumo rico em elementos aromáticos e em minerais. As perdas nutricionais são mínimas, sobretudo se a cozedura for rápida Fritar - o alimento é imerso numa determinada quantidade de matéria gordurosa a ferver (180º), muitas vezes envolto por uma cobertura para fritar. Vantagens dietéticas: não há difusão dos princípios aromáticos no banho da fritura, no entanto, aumenta sensivelmente o valor energético dos alimentos. Deve ter-se em atenção dois aspectos fundamentais: nunca deixe queimar o óleo da fritura e substitua-o regularmente. Grelhar - o alimento é colocado em contacto com uma fonte de emanação de calor. Pode ser grelha de fornalha, chapa ou, directamente, nas brasas. Vantagens dietéticas: o alimento grelhado mantém o seu valor nutritivo porque as proteínas formam rapidamente uma camada protectora à volta do alimento. Desta forma a maior parte dos nutrientes permanecem no alimento. Na Panela de Pressão - O alimento é cozido numa panela hermética onde a pressão sob o efeito do calor, permite obter uma temperatura de cozedura superior a 100º. Vantagens dietéticas: esta preparação tem 3 vantagens principais: rapidez de preparação; se os tempos de cozedura forem respeitados, o sabor dos alimentos também se mantêm; uma vez que 237
  • 238.
    o tempo decozedura é diminuído para metade, as perdas de vitaminas são pouco significativas. Estas resistem melhor a uma temperatura elevada durante um curto espaço de tempo, do que a uma temperatura menos elevada durante mais tempo. Em virtude da quantidade de água acrescentada ser pouca, há pouca diluição dos aromas e minerais no líquido de cozedura. Saltear - o alimento é cozinhado rapidamente em manteiga ou gordura, com lume muito quente até ficar levemente tostado. Posteriormente, a cozedura é terminada em lume mais brando. Vantagens dietéticas: as proteínas formam uma camada protectora em contacto com o calor forte, que mantém as substâncias nutritivas e aromáticas dentro do alimento. Também existem vários métodos de conservação dos alimentos. Os métodos de conservação de alimentos permitem a sua conservação ao longo do tempo, evitando a sua deterioração para uso futuro. Nos primeiros métodos de conservação de alimentos utilizava- se o sal e especiarias para evitar a deterioração. O uso de calor para conservar alimentos tem por objectivo a redução da carga microbiana e a desnaturação de enzimas. Vários tipos de tratamentos térmicos podem ser aplicados, e dependem da sensibilidade à temperatura dos alimentos e da sua sensibilidade à deterioração, bem como da estabilidade requerida do produto final. 238
  • 239.
    Existem alguns tiposde tratamentos através do calor, os mais conhecidos são a pasteurização e esterilização . Através do método de fervura, eleva-se a temperatura até 100ºC para eliminar os microrganismos existentes nos alimentos. Na pasteurização, ferve-se o alimento entre 65ºC e 85ºC, e logo em seguida arrefece-se o alimento. A conservação pelo frio consiste em arrefecer o alimento, através do congelamento, no congelador ou do arrefecimento, no frigorífico. O frio dificulta a reprodução dos microrganismos, impedindo que existam nos alimentos. A liofilização também é um dos meios de conservação de alimentos. Com este método de conservação, podemos congelar um alimento a -40°C, seguidamente ele é transformado em vapor e depois em líquido. O fumeiro, a secagem usando fumo, também dificulta a acção dos microrganismos, este processo é usado principalmente na conservação da carne. A salga impede a proliferação dos micróbios. Com este método, a carne dura cerca de 2 a 3 meses e este método pode ser utilizado em carne de vaca, peixe e porco. Existe a conservação através de aditivos químicos, como por exemplo: corantes, estabilizantes, aromatizantes, etc. São usadas substâncias químicas para conservar alimentos industrializados, principalmente enlatados como milho verde, ervilha, etc. 239
  • 240.
    As diferentes técnicase processos de conservação têm vindo a desenvolver-se com o objectivo de manter, durante o maior período de tempo possível, a qualidade dos alimentos. Alguns processos de conservação, ao permitirem melhorar o aspecto final do produto, podem, por vezes, mascarar uma falta de qualidade das matérias-primas utilizadas no seu fabrico ou mesmo do processo em si. Se há alguns, como as lecitinas (E322), que facilitam a homogeneização de um produto e são perfeitamente aceitáveis, outros há que não serão tão insuspeitos. É, por exemplo, o caso dos nitritos (E249 e E250) e nitratos (E251 e E252), classificados como conservantes e que permitem manter a cor vermelha das carnes e enchidos. De facto, sabe-se que eles dão origem à formação de nitrosaminas no estômago, quando em presença das proteínas da própria carne. E embora as quantidades de aditivos sejam regulamentadas e muito pequenas, essas nitrosaminas são agentes cancerígenos. Também alguns corantes sintéticos, como o E102 (tartrazina para corar de amarelo), frequentemente usados em pudins instantâneos, guloseimas, gelados e outros alimentos, são potencialmente, agentes alergizantes em indivíduos mais sensíveis, como pode ser o caso das crianças. Ter uma alimentação equilibrada associada a bons hábitos, como uma prática regular de desporto, contribui para uma melhor qualidade de vida. 240
  • 241.
    Uma dieta saudávelpode ser resumida por três palavras: variedade, moderação e equilíbrio. A alimentação deve ser fornecida em quantidade e qualidade suficientes e estar adequada à necessidade do indivíduo. Mas para ficar explicito do que falo é melhor começar por duas definições: Alimentos – são substâncias que visam promover o crescimento e a produção de energia necessária para as diversas funções do organismo. Nutrientes – substâncias que estão presentes nos alimentos que e são utilizadas pelo organismo. Os nutrientes são os produtos que obtemos depois da transformação dos alimentos ao longo do aparelho digestivo e todos eles desempenham funções essenciais ao crescimento e à vida. Os nutrientes agrupam-se em proteínas, hidratos de carbono (glícidos), gorduras (lípidos), vitaminas, minerais e oligoelementos, fibras e água e desempenham basicamente três grandes funções: Função Construtora ou Plástica - Alguns nutrientes servem para construir e renovar as estruturas do nosso corpo, como, por exemplo, as proteínas (por exemplo, para os músculos) e alguns minerais (por exemplo, o cálcio para ossos e dentes). Função Energética - As proteínas, os hidratos de carbono e as gorduras fornecem a energia necessária a todos os processos (por 241
  • 242.
    exemplo, andar) ereacções do organismo (por exemplo, respirar). Fornecem a energia que necessitamos para as actividades do dia-a- dia. Funções Reguladora, Activadora e Protectora - As fibras, a água, as vitaminas e os minerais e oligoelementos (por exemplo, o ferro presente na carne) regulam e activam as reacções que ocorrem no organismo (por exemplo, a actividade intestinal) e permitem que outros nutrientes sejam aproveitados e o protejam de diversas agressões e doenças. As proteínas, os hidratos de carbono e as gorduras formam o grupo dos macronutrientes, que são aqueles de que precisamos em maior quantidade e também os que existem nos alimentos em maior proporção. As vitaminas, os minerais e oligoelementos e as fibras pertencem ao grupo dos micronutrientes. São necessários em menor quantidade, mas, apesar disso, não desempenham um papel menos importante. As proteínas constituem a base estrutural do nosso corpo e são indispensáveis para a formação e crescimento dos músculos, órgãos, pele e ossos. Além disso, também fornecem energia. Numa dieta equilibrada, as proteínas devem contribuir com 10 a 15% do valor energético diário. As proteínas existem em maior quantidade na carne, aves, peixe, ovos, produtos lácteos e soja. 242
  • 243.
    As proteínas podemser de origem animal (existem na carne e no peixe, no leite, iogurtes, manteiga e nos ovos) ou vegetal (existem no grão, no feijão, nas lentilhas, na soja e nos frutos secos). As proteínas de origem vegetal alimentam tanto como as de origem animal; no entanto, só as proteínas de origem animal contém certas substâncias indispensáveis ao nosso organismo (os aminoácidos essenciais), pelo que se deve suplementar a dieta com estes aminoácidos na alimentação exclusivamente vegetariana. Os hidratos de carbono fornecem o combustível que o nosso cérebro e o nosso corpo precisam para as suas actividades diárias. Recomenda-se um consumo entre 55 a 60% do valor energético diário. Os hidratos de carbono são um grupo diverso que inclui açúcares (presentes, por exemplo, na fruta e no açúcar de adição) e amidos (presentes, por exemplo, no pão, arroz, massas e batatas). Quanto aos açúcares, a frutose é benéfica, já que é um constituinte natural de muitos alimentos como a fruta. Pelo contrário, o açúcar adicionado (sacarose) aos alimentos ou às bebidas pode tornar-se problemático, se for consumido em exagero. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que, para uma ingestão de 2000 Kcal/dia, o valor de hidratos de carbono adicionado não deve exceder os 420 g/dia. As gorduras fornecem energia, principalmente sob forma de calor, entram na constituição de todas as estruturas celulares do nosso corpo, fornecem os ácidos gordos essenciais, ajudam na 243
  • 244.
    absorção das vitaminasA, D, E e K e ainda melhoram o sabor dos alimentos. No entanto, devemos evitar ingeri-las em doses elevadas, no máximo devem representar 30 a 35% da ingestão calórica diária. Algumas fontes de gorduras são o azeite, manteiga, óleos vegetais, frutos secos oleaginosos, ovos, peixes gordos e carnes gordas. As vitaminas são nutrientes indispensáveis para o crescimento e para a manutenção do equilíbrio do organismo. Não fornecem energia, mas são essenciais em pequena quantidade para regular muitos dos nossos processos metabólicos. Têm funções diversas e específicas e encontram-se numa grande variedade de alimentos de origem animal e vegetal. As vitaminas têm uma função de protecção contra certas doenças, como o raquitismo, o escorbuto e a pelagra. Os minerais e oligoelementos são substâncias que não fornecem energia, mas que são imprescindíveis ao organismo humano em pequena quantidade. Estes nutrientes são fundamentais para a conservação e renovação dos tecidos, para o bom funcionamento das células nervosas (cérebro) e intervêm em muitas reacções que ocorrem no organismo. Existem em muitos alimentos de origem animal e vegetal. Entre os minerais, é de realçar o sódio, pelos seus efeitos nocivos na pressão arterial. As principais fontes de sódio são os alimentos cozinhados e o sal de cozinha. A quantidade de sal ingerida por dia deve ser inferior a 5 g. A melhor forma de satisfazer esta recomendação é moderar não só o 244
  • 245.
    consumo de produtossalgados (por exemplo, charcutaria, enlatados, batatas fritas e aperitivos) mas também a utilização de sal ao natural. A substituição do sal por ervas aromáticas (por exemplo, aipo, alecrim, alho, cebolinho, coentros, estragão, hortelã, louro, orégãos e salsa), especiarias (por exemplo, açafrão, canela, caril, colorau e noz-moscada) e marinadas na preparação e confecção dos alimentos é uma boa alternativa para adicionar sabor e realçar a cor dos alimentos. As fibras são nutrientes que, dependendo da sua origem e processamento, apenas são parcialmente digeridos e absorvidos pelo nosso organismo. Existem dois tipos fundamentais de fibras: as mais fermentáveis (solúveis) e as menos fermentáveis (insolúveis). As fibras solúveis (presentes, por exemplo, nos hortícolas, frutas e aveia) têm um papel importante na redução dos níveis de colesterol e do risco de doenças cardiovasculares e ainda contribuem para a regulação dos níveis de glicemia e aumentam a sensação de saciedade. As fibras insolúveis (presentes, por exemplo, nos cereais e leguminosas) têm um papel fundamental no funcionamento intestinal, ajudando a prevenir a obstipação. A ingestão de fibras também ajuda a prevenir alguns tipos de cancro. A sua função é estimular o funcionamento intestinal. Absorvem líquidos e ligam substâncias, por isso previnem a prisão de ventre, eliminando também elementos tóxicos do organismo. Comendo poucas fibras pode-se ter doenças como: hipertensão, colesterol alto, obesidade, hemorróidas e cancro do intestino. Alguns 245
  • 246.
    alimentos fontes defibra são o pão integral, frutas com casca, vegetais crus, grãos, leguminosas e cereais integrais. DIVERSIDADE CULTURAL A existência de diferentes povos deveria ser um motivo de satisfação social para a humanidade, mas, em muitas situações, assim não aconteceu. As migrações ao longo dos tempos e, mais recentemente, o desenvolvimento das novas tecnologias de informação desencadeou a difusão e contacto entre as várias culturas. Se, em determinados casos, a difusão e contacto de diferentes culturas se fez de forma natural, através de uma integração pacífica (aculturação), dando origem a sociedades multiculturais, noutros casos, o contacto entre diferentes culturas originou rejeição e revolta, levando a situações de racismo (preconceito baseado em diferenças biológicas, como a discriminação baseada na cor da pele) e xenofobia. (menosprezo por estrangeiros). A intolerância entre os povos causa por vezes atitudes de racismo e xenofobia. A xenofobia é ainda entendida num vasto sentido, referindo-se a qualquer forma de preconceito em relação à raça, a grupos minoritários ou culturas. Apesar desta versão ser frequentemente aceite, este sentido pode gerar confusões e associar a xenofobia a preconceitos, o que pode levar a crer que qualquer preconceito é uma fobia. 246
  • 247.
    Xenofobia pode realmente causar aversões que levam a preconceitos raciais ou de grupos. Contudo nem todo preconceito provém de fobia. Os preconceitos podem ter origem em diversos motivos. Os estereótipos das minorias, por exemplo, podem levar um indivíduo a ter uma ideia errada de outro grupo podendo conduzi-lo ao ódio, não por medo, mas por desinformação, como, por exemplo, afirmar que o asiático é sujo, o muçulmano é violento, o negro é menos inteligente, etc. Os ciganos são ainda hoje em Portugal sujeitos a atitudes xenófobas. É fundamental esclarecer os menos informados que, como toda minoria étnica, os ciganos têm direitos fundamentais e o primeiro é o direito a não ser objecto de discriminação. Para além das formas de aculturação (processo de transformação cultural por influência de outras culturas) por integração de elementos culturais de outras sociedades, existem processos de aculturação forçada e violenta, em que se assiste à destruição de uma cultura por imposição de outra julgada civilizacionalmente superior. Esta destruição feita em nome de uma desejada superioridade resulta de uma sobrevalorização da própria cultura (etnocentrismo), e pode assumir formas tão violentas que conduzam à própria eliminação física de indivíduos ou raças, através do genocídio. 247
  • 248.
    O século XXfoi rico em conflitos, ora por razões religiosas, ora por razões territoriais, ora por razões políticas, dos quais destaco as guerras do Iraque, Afeganistão, Israel e Palestina. A atitude etnocêntrica analisa as outras culturas a partir dos seus próprios padrões culturais e pode facilmente levar à xenofobia e ao racismo. Para que não hajam conflitos entre pessoas de diferentes culturas é importante olharmos de um modo diferente para a diversidade cultural e valorizarmos as diferentes prácticas culturais, termos uma atitude de respeito pelas outras culturas, aceitando cada uma como forma própria de entender e relacionar-se com o mundo (Relativismo cultural ou culturalismo). A atitude que devemos ter em relação à outras culturas deverá ter em consideração que os padrões de comportamento e os sistemas de valores dos povos com os quais entramos em contacto devem ser julgados e avaliados sem referência a padrões absolutos. Para que haja paz no mundo devemos ser tolerantes com as diferenças e respeitar as outras culturas. Para além disso, devemos eliminar a tendência para julgar como inferior, irracional e bizarro tudo o que é diferente dos nossos costumes. Com base no relativismo cultural, devemos respeitar todas as culturas, mas não podemos aceitar prácticas culturais que não respeitem a dignidade humana. O alargamento da União Europeia, a livre circulação de trabalhadores e a globalização, alargaram o carácter multicultural de 248
  • 249.
    muitos países, noque se refere ao número de línguas, religiões, etnias e culturas. Actualmente, para evitar conflitos derivados da diversidade cultural, é fundamental que haja um diálogo intercultural entre povos e nações, que contribua para um entendimento mútuo e um melhor convívio, para explorar os benefícios da diversidade cultural e para encorajar uma cidadania activa. Os estereótipos são as representações imaginárias esquemáticas de um grupo sobre os membros de outros grupos e são muitos os estereótipos culturais sobre os quais assentam a comunidade global. Estão na origem de opiniões, de preconceitos sobre o actor social em questão. Naturalmente, orientam as atitudes e as condutas em relação aos beneficiários dos clichés de opiniões emitidas. Os estereótipos formam-se a partir de uma deformação da vivência relacional e são transmitidos aos membros de um grupo através de diferentes processos. Os estereótipos são utilizados muitas vezes na comunicação social para referir, sem nomear, determinados atributos, e associá-las por efeito de proximidade às qualidades ou defeitos dos grupos apresentados. Os meios de comunicação servem-se dos estereótipos para alcançarem audiências, talvez até muitas vezes sem se aperceberem, para transmitirem imagens e mensagens tendenciosas e que poderão condicionar as opiniões do público em geral. 249
  • 250.
    A comunicação social,após o 11 de Setembro de 2001, tem, constantemente, associado os muçulmanos ao terrorismo. Os estereótipos étnicos e religiosos afectam milhões de pessoas apenas devido à sua origem ou crença, milhões de pessoas correm o risco de serem vítimas de estereótipos. É frequente, as autoridades atribuírem suspeitas de crime a pessoas, pelo simples facto de serem muçulmanos. Quando observo uma comunidade de indivíduos, verifico a presença de mais algumas variáveis, para além das referidas (raça e etnia, língua e religião), que podem caracterizar um indivíduo, como por exemplo, o sexo, a idade, e a escolaridade. Na variável sexo, existem dois grupos distintos, nomeadamente o grupo feminino e o masculino. A idade também é uma característica dos indivíduos. Podemos dividir uma população em bebés, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Os indivíduos podem ser agrupados de acordo com o nível de escolaridade que possuem, nomeadamente o ensino pré-escolar, o ensino básico, o ensino secundário e o ensino superior. Da combinação de todas estas variáveis surge um indivíduo com características únicas. O ADN Todos os organismos adquirem alguma informação dos seus antepassados, à medida que se sucedem as gerações. Essa informação passa de pai para filho, durante a reprodução. No 250
  • 251.
    momento em quese dá a união entre o espermatozóide e o óvulo, a célula resultante, o ovo, possui já toda a informação genética desse novo ser. A informação genética é toda e qualquer informação obtida a partir de sequências de genes, cariótipo, produtos génicos e até a análise de características hereditárias. Estas informações podem ser obtidas a partir de amostras biológicas de um indivíduo, de uma família, ou de um grupo de pessoas (ex. etnias). Todas as informações genéticas de um indivíduo estão retidas nos seus genes, podendo também, serem obtidas a partir do produto destes. Estas informações são hereditárias e únicas, não existem duas pessoas que apresentem informações genéticas idênticas, excepto os gémeos monozigóticos (gémeos idênticos). Há muitos anos que os médicos utilizam as informações genéticas para realização de diagnósticos clínicos, baseiam-se na história médica familiar, para calcular por exemplo a probabilidade de aparecimento de uma patologia hereditária numa criança, ainda durante a gravidez. Existem alguns tipos de testes que podem ser feitos a partir das informações genéticas de um indivíduo, nomeadamente: Testes pré-nupciais: podem ser utilizados para identificar se algum elemento de um casal, que planeie ter um filho, é portador de uma cópia defeituosa de um gene e prever a probabilidade dos seus filhos herdarem o gene defeituoso. 251
  • 252.
    Testes pré-natais: Podeser feito a partir do material genético recolhido do embrião, é utilizado para diagnosticar possíveis doenças físicas ou mentais. Testes preventivos: detectam a doença logo a pós o nascimento, podendo impedir o aparecimento de complicações futuras. O conhecido exame do pezinho, é um exemplo deste tipo de teste. Rastreio de doenças de manifestação tardia: detectam doenças possíveis de aparecerem em adultos com determinadas características genéticas. Podem ser preditivos ou diagnósticos. Identificação de identidade: este teste é utilizado para a identificação de pessoas, tem grande aplicação judicial; pode ser utilizado, tanto para determinar a paternidade de um indivíduo, como para identificar um criminoso, uma vítima de acidente ou um crime. A informação genética é uma informação pessoal e deve ser tratada como qualquer informação médica individual. No entanto, alguns factores obrigam a um tratamento especial: •Trata-se de informação única para cada pessoa; •Pode ser obtida a partir de pequenas amostras corporais sem o consentimento da pessoa, por exemplo cabelo, sangue, saliva, esperma, etc.; •Tem um valor preditivo relativo, indica apenas a tendência do aparecimento de uma determinada doença, que uma pessoa pode manifestar no futuro, e que pode indicar a outros familiares a probabilidade de virem a contraí-la; 252
  • 253.
    •Estas previsões podemter um elevado interesse para terceiros (companhias de seguros, agentes empregadores); •Tem um valor comercial potencial para organizações que introduzam novos desenvolvimentos baseados em informação genética. É o núcleo das células que contém a maior parte da informação genética relativa às características hereditárias. O citoplasma representa o meio indispensável para a realização dos processos que tornam possível a manifestação dessas características. Na maioria das células, o DNA está localizado no núcleo, associado a proteínas, sendo o complexo DNA-proteínas denominado cromatina. O número de filamentos de cromatina, em cada célula, pode variar de espécie para espécie. Deste modo, o termo cromossoma é utilizado para designar uma unidade morfológica e fisiológica de cromatina, que contém informação genética. Nos cromossomas existentes nas células de cada indivíduo (cariótipo), está armazenada toda a informação genética. Na espécie humana existem 23 pares de cromossomas (os cromossomas de um par designam-se cromossomas homólogos), sendo um par relativo aos cromossomas sexuais (o 23º) e os restantes 22 referentes a cromossomas não-sexuais (autossomas). Cada um de nós herda metade dos pares do pai e metade dos pares da mãe. Dentro dos cromossomas, cadeias de açúcares e fosfatos estão ligados por pares de bases químicas, vulgarmente designadas pelas suas letras: A (adenina), C (citosina), G (guanina) e 253
  • 254.
    T (timina). Éeste alfabeto de letras, agrupadas em mais de três milhões de pares, em combinações diversas, que funciona como um código usado pela Natureza para criar a vida. Estrutura do DNA A estrutura do DNA, é constituída por dois segmentos (duas cadeias polinucleotídicas) enrolados em hélice à volta de um mesmo eixo, assemelha-se a uma escada de corda enrolada em hélice, formando assim uma dupla hélice. Dá-se o nome de genoma ao conjunto dos genes que constitui a informação genética de um indivíduo. Até agora, apenas em 100 genes, dos cerca de 30 mil que fazem parte do ser humano, se conseguiram detectar mutações genéticas relacionáveis com determinadas doenças. Assim, o mapa 254
  • 255.
    do genoma humanonão só nos permite compreender a evolução da vida mas também as doenças que nos afligem. Os genomas dos indivíduos podem, em certas circunstâncias, alterar-se. A essas alterações bruscas no genótipo, constituição genética que é própria do individuo e da qual dependem as suas características, dá-se o nome de mutação, e quem a manifesta é um mutante. As mutações podem ocorrer nas células somáticas, as não reprodutoras, ou nas células reprodutoras. As primeiras não são transmitidas à descendência, ou seja, não são hereditárias. As mutações que ocorrem nas células reprodutoras transmitem-se à descendência. Apesar deste tipo de mutações não afectar o fenótipo, caracteres que o indivíduo manifesta, resultantes do seu genótipo, os seus efeitos podem fazer-se sentir na descendência, podendo até, em certos casos levar à morte. As mutações podem ocorrer ao nível dos genes (mutação genética) ou ao nível dos cromossomas (mutação cromossomática). Alguns exemplos de mutações cromossomáticas Mutação numérica Doença / características Síndroma de Down ou Trissomia 21 Mongolismo – Esta doença é (cariótipo – 47, XY; 47, XX) consequência da não disjunção dos cromossomas do par número 21, durante a gametogénese de um dos progenitores. Os indivíduos mongolóides são de pequena estatura e 255
  • 256.
    apresentam anomalias físicas e mentais. Têm cabeça redonda, face larga, olhos oblíquos e prega cutânea sobre os olhos. Apresentam atraso mental. Nas mãos curtas apresentam uma única prega transversal na palma. São frágeis e vulneráveis às infecções. Síndroma de Turner – Resulta da não disjunção dos cromossomas sexuais, durante a espermatogénese ou a ovogénese, que conduz à formação Monosssomia XO de um gâmeta com os dois (cariótipo – 45, XO) cromossomas sexuais e de outro sem nenhuns. Os indivíduos, do sexo feminino, afectados por esta doença são de pequena estatura e estéreis. Apresentam uma frequência de daltonismo elevada e caracteres sexuais pouco desenvolvidos. Síndroma da Supermasculinidade – Esta anomalia resulta da não disjunção dos Trissomia XYY cromatídeos-irmãos do cromossoma Y (cariótipo – 47, XYY) durante a espermatogénese. Os indivíduos afectados por esta anomalia apresentam comportamentos agressivos. São indivíduos de estatura superior à média e possuem, por vezes, anomalias nos órgãos genitais. 256
  • 257.
    As mutações podemocorrer de forma espontânea, embora a probabilidade de ocorrerem aumente devido a certos agentes ambientais, como por exemplo, o contacto com radiações ionizantes, raios X, raios ultravioleta, metais radioactivos, formol, etc. O conhecimento dos genes responsáveis por certas doenças permite, à luz dos conhecimentos actuais, aplicar técnicas de terapia genética. Até agora conhecem-se mais de 4300 doenças originadas por genes defeituosos, como por exemplo, genes que sofrem mutações. Através da técnica da terapia genética é possível substituir o gene defeituoso ou mutante por um gene normal. A engenharia genética permite a utilização dos organismos vivos como matéria-prima para mudar as formas de vida já existentes e criar novas. As características de um organismo são determinadas pelo DNA, que se encontra no núcleo de suas células. O DNA contém a informação genética que determina como as células individuais e, consequentemente, o organismo como um todo, será construído, como funcionará e se adaptará ao ambiente. Um gene é um segmento de DNA, que possui uma composição química que vai determinar o seu comportamento. Como isso é passado de geração em geração, a descendência herda estes traços dos pais. Desenvolvendo-se constantemente, os genes permitem que o organismo se adapte ao ambiente. Este é o processo da evolução. 257
  • 258.
    A engenharia genéticautiliza enzimas para quebrar a cadeia de DNA em determinados lugares, inserindo segmentos de outros organismos e costurando a sequência novamente. Os cientistas podem cortar e colar genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando a sua biologia natural com o objectivo de obter características específicas; por exemplo, determinados genes podem ser inseridos numa planta para que esta produza toxinas contra determinadas pestes. Este método é muito diferente do que ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos genes. O lugar em que o gene é inserido não pode ser controlado completamente, o que pode causar resultados inesperados, uma vez que os genes de outras partes do organismo podem ser afectados. Os genes são transferidos entre espécies que não se relacionam, como genes de animais em vegetais, de bactérias em plantas e até de humanos em animais. São inúmeras as aplicações da engenharia genética, entre as quais se destaca a possibilidade de obter animais e plantas transgénicos, ou seja geneticamente modificados, de modo que passem a ter certas características úteis ao homem Quanto mais os genes são isolados de suas fontes naturais, maior é o controle dos cientistas sobre a vida. Eles podem criar formas de vida próprias (animais, plantas, árvores e alimentos), que jamais ocorreriam naturalmente. Na verdade, a indústria está tentar gerir o curso da evolução. 258
  • 259.
    Em suma, amanipulação genética assume uma importância cada vez maior nas nossas vidas. No entanto, apesar das inúmeras vantagens, levanta sérios problemas éticos e sociais, quer a nível ambiental, devido à alteração definitiva de genomas de certas espécies ou à redução da biodiversidade, quer a nível das questões humanas, nomeadamente quando envolve aspectos relacionados com a alteração do genoma humano, a manipulação do indivíduo, a discriminação com base em motivos genéticos, etc. A teoria das Probabilidades pode ser utilizada para estabelecer a probabilidade de um descendente possuir uma determinada característica, por exemplo, se o pai tiver um gene recessivo anormal no cromossoma X e a mãe possuir dois genes normais, todas as filhas receberão um gene anormal e um gene normal, o que as tornará portadoras. Nenhum de seus filhos receberá o gene anormal. Se a mãe for portadora e o pai tiver o gene normal, qualquer filho apresenta a probabilidade de 50% de receber o gene anormal da mãe. Qualquer filha apresenta uma probabilidade de 50% de receber um gene anormal e um gene normal (tornando-se portadora) ou de receber dois genes normais. 259
  • 260.
    A GLOBALIZAÇÃO II O fenómeno da globalização não se limita apenas às transacções comerciais e económicas, mesmo sendo esses aspectos os principais factores do processo de globalização. Para além das relações económicas, este processo envolve outras áreas que fazem parte das sociedades, como a cultural, social e política. É considerado como início da globalização moderna o fim da Segunda Guerra mundial. Nesta época a vontade de impedir que uma nova guerra acontece-se novamente, fez com que as nações chegassem à conclusão que era de extrema importância para o futuro da humanidade a criação de mecanismos diplomáticos e comerciais para aproximar cada vez mais as nações uma das outras. Deste consenso nasceu a Organização das Nações Unidas (ONU), e começou a surgir o conceito de bloco económico pouco tempo depois com a fundação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). 260
  • 261.
    A necessidade deexpandir os seus mercados levou as nações, aos poucos, a começarem a aceitar os produtos de outros países. A dinâmica da fase da globalização em que vivemos assenta principalmente na livre circulação de mercadorias e na sua livre transacção, no fundo a velha aspiração do comércio livre. Portugal antes de aderir à Comunidade Económica Europeia (CEE), fez parte de uma outra organização europeia, a European Free Trade Association (EFTA), cuja finalidade era a criação de uma zona de comércio livre entre países europeus, sem outros objectivos políticos. A globalização caracteriza-se por um processo de integração global que alicia ao crescimento da interdependência entre as nações. O carácter transnacional da organização económica faz com que grandes empresas multinacionais, operem à escala mundial. A globalização das comunicações tem sua face mais visível na internet, a rede mundial de computadores, possível graças a acordos e protocolos entre diferentes entidades privadas da área de telecomunicações e governos no mundo. Isto permitiu um fluxo de troca de ideias e informações sem critérios na história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada à imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro, tendo apenas como factor de limitação a barreira linguística. 261
  • 262.
    Em geral, aglobalização é vista como o movimento sob o qual se constrói o processo de ampliação do domínio económico, político e cultural ocidental sobre as restantes nações. Apesar das contradições há um certo consenso a respeito das características da globalização que envolve o aumento dos riscos globais de transacções financeiras, perda de parte da soberania dos Estados com a ênfase das organizações supra-governamentais, aumento do volume e velocidade como os recursos vêm sendo transaccionados pelo mundo, através do desenvolvimento tecnológico. Além das discussões que envolvem a definição do conceito, há controvérsias em relação aos resultados da globalização. Tanto podemos encontrar pessoas que se posicionam a favor como contra. Existem alguns aspectos positivos e negativos na globalização. No que se refere aos aspectos negativos, refiro a facilidade com que tudo circula não havendo grande controlo. Esta globalização serve para que os mais fracos se organizem para fazerem frente aos mais fortes, pois tudo se consegue adquirir através da grande auto-estrada da informação, que é a Internet. Outro dos aspectos negativos é a grande instabilidade económica que se cria no mundo, pois qualquer fenómeno que acontece num determinado país atinge rapidamente os restantes, como se trata-se de uma epidemia que se alastra a todos os locais da Terra, como se de um único local se tratasse. Os países cada vez estão mais dependentes uns dos outros e já não há possibilidade de se isolarem. 262
  • 263.
    Como aspectos positivos,considero a rapidez com que as inovações se espalham entre países e continentes, o acesso fácil e rápido à informação e aos bens de consumo. Não esquecendo que para as classes desfavorecidas economicamente, especialmente nos países em desenvolvimento, esse acesso não é fácil, porque o seu custo é elevado e não se trata de um processo rápido. A sociedade em que vivemos é uma sociedade global porque a tecnologia, assim, o permitiu. Todos os locais estão unidos. Todos os sites se ligam numa rede sem fronteiras físicas. As estradas virtuais, assim como as estradas físicas, devido à evolução das tecnologias são encurtadas, isto é, as distâncias são cada vez menores, por outras palavras, vivemos na era da globalização. EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS Ao longo dos últimos anos, fui adquirindo conhecimentos para a utilização de equipamentos industriais como: os equipamentos que executam todos os tipos de soldadura, Soldadura MIG/MAG, Soldadura Tig, Soldadura com eléctrodos revestidos, Soldadura por pontos. Soldadura MIG/MAG, o princípio desta soldadura consiste na introdução de um fio de metal na tocha que é fundido no arco eléctrico. O arame de soldar desempenha duas funções, porque é o 263
  • 264.
    eléctrodo que conduzcorrente e o material de adição a ser introduzido na soldadura. Soldadura MIG/MAG Na Soldadura TIG, o arco eléctrico estabelece-se entre um eléctrodo de tungsténio não consumível e o metal básico. Para proteger o eléctrodo de tungsténio e o banho de fusão, são necessários gases inertes, tais como o árgon ou o hélio, ou misturas de gases com componentes não oxidantes. Este tipo de soldadura é utilizado nos metais soldáveis por fusão. A escolha do tipo de corrente, polaridade e gás de protecção depende do metal base. Soldadura Tig A Soldadura com eléctrodos revestidos, é o processo de soldadura mais comum, e em que a coalescência dos metais é obtida pelo calor produzido por um arco eléctrico, mantido entre a ponta de 264
  • 265.
    um eléctrodo revestidoe a superfície do metal de base, trata-se de um processo manual com múltiplas aplicações, como em quase todo o tipo de soldadura pode ser feita, em todas as posições e, em diversos materiais como o aço, carbono, inoxidáveis, ferros fundidos, cobre, níquel e alguns tipos de alumínio. Soldadura com eléctrodos revestidos A Soldadura por pontos, o mais conhecido dos processos de soldadura por resistência, é muito utilizada para soldar chapas metálicas de reduzida espessura, a soldadura é descontínua e limitada a um ou a diversos pontos, com as duas peças de trabalho normalmente sobrepostas. Soldadura por pontos 265
  • 266.
    A par dagrande evolução dos equipamentos de soldadura, também, aumentaram os riscos para a saúde das pessoas que os utilizam. O manuseamento destes equipamentos pode originar graves problemas nos pulmões, devido à inalação de gases e fumos, bem como graves queimaduras na pele e, principalmente, nos olhos. Para evitar acidentes de trabalho, existem equipamentos de segurança pessoal (ISP), tais como óculos de protecção, máscaras de vidro escuro, luvas em pele, botas com sola e biqueira de aço e avental para protecção dos chamados salpicos da soldadura. Para além da utilização destes equipamentos, é necessário ter sempre alguns cuidados básicos ao fazermos soldaduras, como por exemplo, não usar roupas finas e largas para não se incendiarem e não efectuarmos o trabalho perto de qualquer material inflamável. Acho que, infelizmente, mesmo com tanta fiscalização e sensibilização por parte das entidades fiscalizadoras, ainda, não existem muitos soldadores a cumprir as regras básicas de segurança, porque a utilização dos ISP é incómoda, principalmente, quando está calor. Este factor contribui para o aumento do número de doenças profissionais e acidentes de trabalho. O ALUMÍNIO O alumínio é uma das matérias-primas que eu mais utilizo nas minhas empresas, o alumínio em perfis é para a concessão das caixilharias e o alumínio em chapa é utilizado o nos componentes de acabamentos exteriores mas também alguns interiores. 266
  • 267.
    O alumínio éum elemento químico metálico, tem o símbolo Al, o número atómico 13, massa atómica relativa 26.98184 e temperatura de fusão de 658ºC. É o terceiro elemento e o primeiro metal mais abundante na crosta terrestre e constitui cerca de 8.1% da sua massa, as suas principais características são: baixo peso, elevada resistência mecânica, em liga; elevada resistência à corrosão atmosférica e química; fácil fabricação e soldadura; baixa resistência à rotura, o que permite um fácil manuseamento; reciclável; e, um vasto leque de acabamentos possíveis. As aplicações do alumínio são várias, das quais destaco: caixilharias, telhados, isolamentos, utensílios de cozinha, mobiliário, navios, motores de viaturas, carroçarias, embalagens e cabos de alta tensão. Extracção / Produção Na natureza, o alumínio nunca é encontrado no seu estado metálico, mas como parte de vários minerais, onde normalmente está combinado com silício e oxigénio. Bauxite é a único minério do qual o alumínio pode ser extraído de uma forma economicamente viável. Depois de extraído o minério (Bauxite), um processo químico é usado para extrair óxido de alumínio (Alumina) e um processo electrolítico transforma a alumina em alumínio. São necessárias cerca de quatro ou cinco toneladas de bauxite para produzir duas toneladas de alumina que irão resultar numa única tonelada de alumínio. 267
  • 268.
    Processo químico (Bauxite>Alumina) O primeiro passo do processo consiste em misturar bauxite triturado numa solução de soda cáustica quente. Isto, permite que o hidrato de alumina se dissolva do minério. Depois de a escória ser removida através de decantação e filtragem, a solução cáustica é transferida para grandes tanques onde o hidrato de alumina cristaliza. Este hidrato é depois seco e submetido a elevadas temperaturas e transformado num pó, branco e fino, conhecido por alumina. Processo electrolítico (Alumina> Alumínio) A equação deste processo é 2Al 2 O 3 + 2C = 4Al + 3CO 2 A substância obtida no processo anterior é um composto de oxigénio (O 2 ) e alumínio (Al). Para obter metal a partir da alumina, os elementos têm de ser separados por electricidade, num processo de fundição. Este processo tem lugar em grandes recipientes bobinados a cobre, através dos quais circula corrente eléctrica. O fundo dos recipientes actua como cátodo, um eléctrodo negativo. Blocos de carbono (C) são suspensos por cima dos recipientes para actuarem como ânodos, eléctrodos positivos. A corrente eléctrica que circula por resistências mantém a mistura quente, derretendo-a e 268
  • 269.
    causando a separaçãoem oxigénio e alumínio; o oxigénio reage com os blocos de carbono transformando-se em dióxido de carbono (CO 2 ). O alumínio fica no fundo do recipiente, no estado fundido. Depois deste processo, o alumínio é tratado para garantir pureza e alguns elementos são adicionados para aumentar a resistência ou conferir certas características especiais à liga. O alumínio é então, ainda no estado líquido, despejado em "lingoteiras" para solidificar na forma de lingotes/biletes. Estes serão depois, através do processo de extrusão transformados em perfis. Processo de Extrusão O processo de extrusão do alumínio consiste na transformação do bilete de alumínio num perfil com a forma desejada. Este processo pode-se resumir da forma seguinte: os biletes são aquecidos, variando a temperatura entre os 420 e os 500ºC, conforme: tipo de matriz (sólida ou tubular) e comprimento do lingote. O alumínio é forçado, pelo êmbolo de um cilindro de uma prensa hidráulica, através de uma matriz, um molde que confere ao alumínio a forma do perfil pretendido. O perfil é esticado já na fase de arrefecimento e, simultaneamente, todas as cotas são controladas e a superfície é submetida a um rigoroso teste de qualidade. O perfil é, então, cortado nas medidas desejadas. Por fim, é conferida têmpera ao perfil através de cozimento em fornos à temperatura de 230ºC, aproximadamente. Tratamentos e Acabamentos 269
  • 270.
    O alumínio podeser alvo de vários tratamentos e acabamentos, não só para a protecção do material, mas também por motivos estéticos com uma grande variedade de cores. (Fonte: Alumínios Navarra) AS NOVAS OPORTUNIDADES Numa sociedade competitiva, excludente e com diferenças sociais que limitam as oportunidades de evolução profissional devido à falta de habilitações escolares, nos últimos anos em Portugal, têm surgido novas oportunidades de formação para pessoas que não concluíram a escolaridade com a idade em que na maior parte dos casos é habitual. Considerando o elevado número de jovens e adultos, que por motivos de várias naturezas, foram afectados no seu percurso escolar, foi criado um programa educacional, que coloca os jovens e adultos com baixa habilitações escolares, em pé de igualdade com alguns dos seus colegas de trabalho. O reconhecimento das competências adquiridas ao longo da vida em contextos não formais e informais de aprendizagem constitui não só um importante mecanismo de reforço da auto-estima individual e de justiça social, mas também um recurso fundamental para promover a integração dos adultos em novos processos de aprendizagem de carácter formal, a inserção ou a reconversão profissional. Através do RVCC, são reconhecidas e valorizadas as várias competências que o cidadão foi adquirindo ao longo do seu percurso 270
  • 271.
    de vida, tantoa nível privado como profissional. Também o curso de Educação de Adultos, integrado na iniciativa novas oportunidades, veio tentar colmatar o baixo nível de escolaridade dos portugueses. Em ambos os casos, os formandos vêem-se confrontados com a necessidade de demonstrarem e exercitarem os seus conhecimentos de informática ao realizarem os trabalhos que lhes são propostos. Acredito que para algumas pessoas, principalmente as mais jovens, trabalharem com as novas tecnologias é quase uma diversão, no entanto, para os mais velhos, nem sempre é assim tão fácil. Os formandos das novas oportunidades, principalmente aqueles que no seu trabalho não exercem tarefas de secretariado e administrativas, por vezes, sentem algumas dificuldades ao trabalharem com um computador, mas apesar disso, esforçam-se e muitas vezes num sistema de auto-aprendizagem e de colaboração familiar, empenham-se para levarem a cabo o objectivo de obterem um determinado grau de escolaridade. Por vezes, algumas empresas, proporcionam cursos de formação adequados ao trabalho desempenhado pelos seus funcionários, de forma a aumentarem os seus conhecimentos, numa determinada área. Habitualmente, os cursos na área de informática são considerados como um instrumento útil e indispensável na valorização e progressão dos trabalhadores e por esse motivo, fazem muitas vezes parte dos cursos de formação proporcionados pelas entidades empregadoras. 271
  • 272.
    Actualmente, muitas pessoastambém procuram cursos de formação na área de informática, por iniciativa própria, porque reconhecem que é uma ferramenta de trabalho necessária na sociedade contemporânea. Apesar destes cursos, também serem procurados por pessoas mais velhas, que estão reformadas e sentem necessidade de actualizarem os seus conhecimentos e até mesmo para falarem com os familiares que vivem longe, através de programas como o Messenger. PROJECTOS Estou a iniciar um projecto de criação de uma nova empresa, para separar a tradicional serralharia civil da construção, da construção de caravanas e reboques. A Serralharia Barros Lda. ficará com a tradicional concessão das caixilharias de alumínio, ferro e inox. A nova empresa, Zirmiteca construções especiais, Lda., com sede e fábrica, na freguesia de Nogueira, no concelho da Maia, ficará vocacionada apenas para a construção e transformação de caravanas e reboques. A nova empresa já foi constituída através do novo modelo de empresa na hora, um modelo mais simples e rápido, porque no mesmo local, na conservatória de registo comercial, trata-se de toda a documentação e a empresa fica a funcionar em pouco mais de duas horas. 272
  • 273.
    Neste momento estoua viver uma nova fase da minha vida. A Mónica, minha mulher, encontra-se a frequentar um curso de Educação e Formação de Adultos na mesma escola que eu, na Escola Secundária de Alfena. Todos os dias, das 19 horas às 23horas, tem de frequentar as aulas. Por esta razão, tenho que fazer o jantar, ajudar a minha filha nos trabalhos de casa, manter a casa arrumada, e ainda construir o meu portfólio porque me encontro em processo RVCC. Apesar de ter pouco tempo livre, estou iniciar a aprendizagem de outros idiomas, tais como: o Inglês, Francês, Alemão e Italiano e a melhorar o Espanhol. Estas aprendizagens têm sido feitas através de um curso de línguas, promovido pelo Jornal de Notícias (JN), que é composto por livros e CD’s, com exercícios e vocabulário. Este é um dos projectos que eu me proponho realizar a nível pessoal no decorrer do ano de 2009. A nível profissional o grande objectivo para este ano é aumentar o fabrico de caravanas e reboques para Espanha e tentar fabricar também para os restantes países da Europa. REFLEXÃO REFLEXÃO SOBRE O DESEMPENHO NO PROCESSO DE RVCC 273
  • 274.
     Nas sessões compreendi e desenvolvi os trabalhos propostos.  Organizei o PRA, sem dificuldades.  Nas sessões e em casa, revi alguns temas abordados.  O RVCC foi, essencialmente, um processo de reflexão, uma tomada de consciência sobre os conhecimentos que adquiri ao longo da vida, que sempre estiveram presentes, mas foi através deste processo que me apercebi que os tinha.  Aprendi que não é em vão, o percurso que, por vezes sinuoso, percorremos ao longo das nossas vidas.  Este processo serviu não só para ver reconhecidas as competências adquiridas, ao nível do secundário, mas também para reforçar a ideia de que vale a pena absorver o máximo de todos os momentos ao longo das nossas vidas.  A vida é uma constante aprendizagem, e devemos tirar partido e aproveitar enquanto podemos. 274
  • 275.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  Www.setupmy.com  Www.satoriwellness.com Www.cafeterra.info/2008  Www.aticalducacional.com.br  Www.electrónica-pt.com  Valorcar Www.agrisustentavel.com Www.bio-sabores.pt  Alumínios Navarra  Www.europarl.europa.eu Www.educacao.te.pt Www.ciencias3c.cvg.com.pt Www.apambiente.pt Livro: Globalização e Migrações – Autor: António Barreto Livro: Direitos e Deveres para Aprender – Autor: Estela Fabrício Livro: Medicamentos Que Realidade? – António Hipólito Aguiar 275
  • 276.
    AGRADECIMENTOS Dra. Filomena Madureira  Dra. Eva Marques  Dra. Ângela Gonçalves  Dr. Luís Marques  Mónica Paula (Minha Esposa)  Andreia Filipa (Minha Filha) E a todos os que directa ou indirectamente participaram nesta aventura Muito Obrigado! 276